6 de agosto de 2018

Em alguns dias, a NASA lançará uma nave para “tocar o sol”

Depois de alguns atrasos, a NASA determinou a data de lançamento de sua próxima missão científica, a sonda Parker Solar Probe, que vai “tocar o sol”: 11 de agosto. Se tudo correr conforme o planejado, a nave decolará a bordo de um foguete Delta, da United Launch Alliance, no próximo sábado a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida (EUA).  A janela de lançamento abre às 4h45 da manhã, no horário de Brasília (07h45 GMT). A sonda deve ser lançada dentro de 45 minutos. Você pode assistir ao evento ao vivo no portal da NASA TV.  Para alcançar o sol com sucesso, a sonda precisa ser lançada em alta velocidade. O Delta é o foguete com a segunda melhor potência de lançamento utilizado pela agência espacial norte-americana, atrás apenas do novo foguete Falcon Heavy da SpaceX. 

Uma vez que a Parker se despedir da Terra, irá circular em torno de Vênus em uma manobra chamada “assistência gravitacional” que irá desacelerá-la para controlar cuidadosamente sua aproximação à nossa estrela. A assistência gravitacional está programada para ocorrer em 2 de outubro. Isso deve colocar a sonda no caminho certo para chegar ao seu primeiro ponto de aproximação do sol, em 5 de novembro. Esse sobrevoo inaugurará 24 órbitas em torno da estrela, realizadas ao longo de sete anos, que irão gradualmente deixar a nave mais perto do sol.

Em sua aproximação final, em 2025, a Parker Solar Probe chegará a 6 milhões de quilômetros da superfície do sol. Parece muito, mas isso é tão perto que ela vai de fato voar através da atmosfera fervente da estrela, chamada de corona. Conforme já contamos em outro artigo aqui no Hype, a sonda vai sobreviver ao calor do sol por tantos anos graças a um poderoso escudo que os engenheiros projetaram para ela, que mantém os instrumentos a bordo a uma temperatura segura de 30 graus Celsius. 

Durante a missão, esses instrumentos vão trabalhar para resolver três grandes mistérios científicos sobre nossa estrela: por que sua atmosfera se torna mais quente quanto mais distante da superfície do sol, como se origina o vento solar de partículas carregadas que fluem para o espaço, e o que causa as explosões gigantescas que os cientistas chamam de ejeções de massa coronal.  As respostas podem ser cruciais para uma compreensão mais geral do funcionamento das estrelas, além do nosso sistema solar. 

O trabalho da sonda também deve ajudar os cientistas a entender e prever os riscos de se viver perto de uma estrela. Dependendo de sua intensidade, a atividade solar pode interferir com satélites de comunicação e navegação ao redor da Terra, e até mesmo derrubar redes de energia na superfície do planeta.  Inicialmente pensada para 4 de agosto, a data de lançamento precisou ser adiada para o dia 11 devido a alguns problemas, incluindo testes adicionais de software e um pequeno pedaço de espuma encontrado dentro do nariz do foguete.
Fonte: www.space.com

Eta Carinae: os segredos da maior explosão estelar que não resultou em uma supernova

Imagem colorida tirada com a câmera WFPC2 do Hubble Space Telecope, mostrando a nuvem em forma de haltere de gás e poeira ao redor da estrela. Esta nebulosa contém mais de 10 vezes a massa do nosso Sol, que foi ejetado por Eta Carinae na Grande Erupção do século XIX. Crédito: N. Smith (U. Arizona) e NASA.

Imagine viajar para a lua em apenas 20 segundos. É nessa velocidade que o material de uma erupção se afastou do instável e extremamente massivo sistema estelar Eta Carinae, 170 anos atrás.  Quando gás é lançado tão rápido assim, resulta na completa aniquilação da estrela. Eta Carinae sobreviveu, no entanto, o que torna esse o gás mais rápido já medido a partir de uma explosão estelar que não levou a uma supernova na história.

A explosão
Eta Carinae é a estrela mais luminosa conhecida em nossa galáxia. A explosão liberou quase tanta energia quanto uma supernova típica, que teria deixado para trás um cadáver estelar. Nos últimos sete anos, uma equipe de astrônomos liderada por Nathan Smith, da Universidade do Arizona, e Armin Rest, do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, nos EUA, têm determinado a extensão dessa explosão, observando ecos de luz de Eta Carinae e seus arredores.

Os ecos ocorrem quando a luz de eventos brilhantes e de curta duração é refletida por nuvens de poeira, que atuam como espelhos distantes redirecionando-a em nossa direção. Como um eco de áudio, o sinal de chegada da luz refletida tem um atraso após o evento original, devido à velocidade finita da luz.  No caso de Eta Carinae, o evento brilhante foi uma grande erupção que expeliu uma enorme quantidade de massa em meados do século XIX. O sinal tardio desses ecos permitiu que os astrônomos decodificassem a luz da erupção com telescópios e instrumentos astronômicos modernos, embora o episódio original tenha sido visto da Terra centenas de anos atrás.

Estudando o evento
A grande erupção promoveu temporariamente Eta Carinae para a segunda estrela mais brilhante visível em nosso céu noturno, superando a luz de todas as outras estrelas da Via Láctea. Material equivalente a cerca de dez vezes mais do que a massa do sol foi expelido, o que também formou a intensa nuvem de gás conhecida como Homunculus em torno da estrela.

Este remanescente é visível até por pequenos telescópios amadores a partir do hemisfério sul e das regiões equatoriais, mas é melhor observado em imagens obtidas com o Telescópio Espacial Hubble. Para decodificar os ecos de luz da erupção em si, a equipe usou instrumentos do Observatório Gemini (Havaí), do Telescópio Blanco do Observatório Interamericano Cerro Tololo (Chile), e do Telescópio Magellan do Observatório Las Campanas (Chile).

Com os dados, os pesquisadores puderam fixar a velocidade da explosão: entre 10.000 e 20.000 quilômetros por segundo. “Nós vemos essas velocidades realmente altas o tempo todo em explosões de supernovas onde a estrela é obliterada. No entanto, neste caso, a estrela sobreviveu. Algo deve ter despejado muita energia nela em um curto espaço de tempo”, explicou Smith.

A hipótese
O material expulso por Eta Carinae está viajando até 20 vezes mais rápido do que o esperado de erupções típicas de uma estrela massiva. Os cientistas acreditam que a ajuda de duas estrelas parceiras pode explicar o fluxo extremo. A maneira mais direta de explicar simultaneamente a ampla gama de fatos observados em torno da erupção e do sistema remanescente é uma interação de três estrelas, incluindo um evento dramático em que duas delas se fundiram em uma estrela monstro.  Se for esse o caso, então o sistema binário atual deve ter começado como um sistema triplo, com uma daquelas duas estrelas sendo a que engoliu sua irmã.

Importância
Compreender a dinâmica e o ambiente em torno das maiores estrelas da nossa galáxia é uma das áreas mais difíceis da astronomia. Estrelas muito massivas têm vidas curtas comparadas a estrelas como o nosso sol. Capturar uma no ato de uma grande etapa evolutiva é estatisticamente improvável. É por isso que um caso como o de Eta Carinae é tão importante.

Eta Carinae é um tipo de estrela instável conhecida como “variável luminosa azul”, localizada a cerca de 7.500 anos-luz. É uma das mais brilhantes da nossa galáxia, cerca de cinco milhões de vezes mais do que o sol, com uma massa cerca de cem vezes maior. Também tem a maior taxa conhecida de perda de massa antes de passar por uma explosão de supernova.

A quantidade de massa expelida na grande erupção de Eta Carinae no século XIX excede todas as outras conhecidas. Ela provavelmente sofrerá uma verdadeira explosão de supernova nos próximos meio milhão de anos, possivelmente muito mais cedo. Isso porque outras supernovas observadas passaram por erupções semelhantes apenas alguns anos ou décadas antes de sua morte.

Os resultados do estudo foram publicados em dois artigos na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. [ScienceDaily]
Fonte: hypescience.com

Tem um planeta absolutamente gigantesco vagando pela nossa vizinhança galáctica

Os astrônomos descobriram um planeta errante gigantesco com um campo magnético extremamente forte vagando pela nossa vizinhança galáctica, a apenas 20 anos-luz da Terra. A detecção foi feita com o radiotelescópio Very Large Array (VLA, no Novo México, EUA), marcando o primeiro objeto de massa planetária revelado por radiotelescopia.

Planeta ou quase estrela

O novo planeta é 12,7 vezes mais massivo que Júpiter, o que significa que está bem no limite do que caracteriza um planeta, beirando o território das anãs marrons. Se fosse um pouco maior, seria uma “estrela falhada”, como estas são às vezes referidas. Uma anã marrom é um objeto muito pequeno para produzir fusão de hidrogênio, o processo dominante que gera energia nas estrelas, mas grande o suficiente para a fusão de deutério, processo de baixa temperatura vital para estrelas recém-formadas. Ela está, então, na fronteira entre os maiores planetas e as menores estrelas, com massas de 13 a 80 vezes maiores que a de Júpiter. Inicialmente, acreditava-se que esses objetos não emitissem ondas de rádio. Em 2001, contudo, cientistas descobriram que eles eram absolutamente cheios de atividade magnética. Outras observações revelaram que anãs marrons também podem gerar fortes auroras. 

Características do planeta

O novo objeto, denominado SIMP J01365663 + 0933473, pode ajudar os astrônomos a aprender mais sobre diversos fenômenos espaciais, incluindo as auroras das anãs marrons.  Descoberto em meio a um aglomerado de estrelas muito jovens, tem cerca de 200 milhões de anos, um bebê em termos da idade do universo. Embora seja 12,7 vezes mais massivo que Júpiter, é apenas um pouco maior, com um raio de 1,22 vezes o do gigante de gás. Em comparação com a temperatura da superfície solar de 5.500 graus Celsius, é relativamente frio, com 825 graus Celsius. Seu campo magnético, por sua vez, é 200 vezes mais forte que o de Júpiter.

Auroras

A equipe acredita ter detectado emissões de rádio de auroras no novo planeta, o que representa um desafio para a maneira como entendemos os mecanismos para esse fenômeno em anãs marrons e exoplanetas.  Aqui na Terra, as auroras são geradas por ventos solares, que interagem com partículas carregadas na nossa ionosfera. Essas partículas carregadas viajam ao longo das linhas do campo magnético do planeta até os polos, onde se manifestam como luzes no céu, produzindo fortes emissões de rádio. 

Mas, até onde sabemos, as anãs marrons não estão nas proximidades de quaisquer ventos estelares, fazendo de suas auroras uma espécie de quebra-cabeça que ainda não entendemos muito bem. Esse objeto em particular é empolgante porque estudar seus mecanismos de dínamo magnético pode nos dar novas percepções sobre como o mesmo tipo de mecanismo pode operar em planetas extra-solares – planetas além do nosso sistema solar. Achamos que esses mecanismos podem funcionar não só em anãs marrons, mas também em planetas gigantes e terrestres”, disse a astrônoma Melodie Kao, da Universidade Estadual do Arizona (EUA), uma das autoras do estudo.

Mais uma forma de encontrar planetas

A descoberta também pode ter outra implicação importante, além da compreensão de auroras: “Detectar o SIMP J01365663 + 0933473 com o VLA através de sua emissão de rádio auroral também significa que podemos ter uma nova forma de detectar exoplanetas, incluindo aqueles que não orbitam uma estrela-mãe”, explicou o astrônomo Gregg Hallinan, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA), outro autor do estudo. Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica The Astrophysical Journal.
Fonte: hypescience.com 
[ScienceAlert]

Sob o Cruzeiro do Sul

Esta fotografia obtida durante a Expedição Ultra HD ao Observatório de La Silla do ESO, no Chile, mostra o telescópio dinamarquês de 1,54 metros observando o céu noturno estrelado. O Cruzeiro do Sul — um dos asterismos mais característicos —  pode ser visto do lado esquerdo da cúpula aberta do telescópio, aninhado no plano da Via Láctea.

A constelação do Cruzeiro do Sul é bem conhecida pela sua forma em cruz, composta por quatro estrelas — AlfaBetaGama e Delta Crucis. A estrela mais próxima das quatro, Gama Crucis, situa-se a apenas 88 anos-luz de distância da Terra, enquanto a mais afastada se situa a 364 anos-luz. A estrela azul-esbranquiçada, Alfa Crucis, que se encontra na ponta de baixo da Cruz, é a 13ª estrela mais brilhante de todo o céu noturno.

A mancha escura situada acima do Cruzeiro do Sul é a Nebulosa do Saco de Carvão, uma das mais proeminentes nebulosas escuras visíveis a olho nu. Esta nuvem opaca de poeira interestelar obscurece a luz emitida por estrelas mais distantes, criando assim o que parece ser um espaço vazio de estrelas no meio da Via Láctea. A nebulosa de emissão extremamente vermelha IC 2948 e a característica Nebulosa Carina podem ser vistas por baixo do Cruzeiro do Sul como duas manchas de nebulosidade.

O Cruzeiro do Sul tem um grande significado no hemisfério sul. Durante séculos — e tal como as sete estrelas mais brilhantes da Ursa Maior no céu setentrional — esta constelação serviu de farol aos navegadores, já que o braço mais comprido da Cruz aponta quase exatamente para o polo sul celeste. O Cruzeiro do Sul desempenhou também um papel importante nas crenças espirituais de muitas da culturas austrais e é também o logotipo do Observatório Europeu do Sul.
Crédito: ESO/B. Tafreshi
Fonte: ESO
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Artigos Mais Lidos