28 de fevereiro de 2018

Vida em outra parte do sistema solar? Estudo indica que pode ser aqui

Pesquisadores europeus afirmaram que a lua Enceladus, satélite de Saturno, pode apresentar as condições ideais para abrigar microrganismos unicelulares conhecidos como arqueias, um tipo de vida encontrado em alguns dos locais mais extremos da Terra. Em um experimento de laboratório, uma arqueia produtora de metano chamada Methanothermococcus okinawensis prosperou em condições que imitam as de Enceladus.

A teoria

Na Terra, este tipo de organismo vive em temperaturas muito quentes próximo a fontes hidrotermais em águas profundas, convertendo dióxido de carbono e hidrogênio em metano. Traços de metano foram previamente detectados em um vapor que emana de rachaduras na superfície de Enceladus. Os cientistas acreditam que esse metano detectado na lua de Saturno poderia, em princípio, ser produzido por seres vivos. Eles também calcularam que hidrogênio suficiente para suportar esses micróbios poderia ser produzido por processos geoquímicos no núcleo rochoso de Enceladus.

Enceladus

Saturno tem dezenas de luas. Pesquisas anteriores sugeriram que Enceladus tem um oceano de água líquida, um ingrediente-chave para a vida, sob sua superfície gelada. As pesquisas astronômicas também indicam que a lua contém compostos como metano, dióxido de carbono e amônia, e que possui atividade hidrotermal no seu polo sul, uma combinação de fatores que tornam esse ambiente um excelente candidato na busca por vida fora do planeta Terra.

A partir dessas informações, pesquisadores se propuseram a testar a hipótese de que as condições do satélite realmente podem ser boas para hospedar arqueias metanogênicas, e o que eles descobriram foi que sim, a lua poderia possuir tais microrganismos. No entanto, os resultados não fornecem “nenhuma evidência de vida extraterrestre”, sublinhou Simon Rittmann, da Universidade de Viena, na Áustria, um dos autores do estudo. Mais estudos ainda são necessários para excluir a possibilidade do metano de Enceladus ser proveniente de processos não biológicos.
Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Nature Communications.
Fonte: https://phys.org/news/2018-02-alien-life-solar-hints-saturn.amp

27 de fevereiro de 2018

Esqueça a ficção científica: isso é o que você enxergaria ao viajar NA VELOCIDADE DA LUZ

O alongamento das estrelas conforme uma nave espacial chega à velocidade da luz é uma das imagens mais icônicas do cinema de ficção científica. Mas, conforme revelou um grupo de estudantes de física da Universidade de Leicester, na Inglaterra, essa situação seria bem diferente na vida real. Em vez das faixas de luz, e assumindo que uma nave pudesse viajar quase à velocidade da luz, a tripulação iria ver uma esfera gigante e difusa à distância. E isso é só o começo. 

Para seu estudo, os alunos partiram do princípio de que a Millennium Falcon (sim, esta foi a expressão utilizada no estudo) está viajando a 99,99995% da velocidade da luz (valor “c”), saindo da Terra em direção ao sol (a uma distância de 1 UA). Obviamente, em consonância com as leis estabelecidas por Albert Einstein, e ao contrário de algumas interpretações de sci-fi de viagens espaciais mais rápidas do que a luz, os alunos não poderiam assumir um valor maior do que c.

A equipe que consistia de Riley Connors, Katie Dexter, Joshua Argyle e Cameron Scoular descobriu que, enquanto a tripulação se aproxima da velocidade da luz, veria um disco central de luz brilhante, que é a radiação cósmica de fundo que sobrou do Big Bang. Eles não veriam nenhum sinal de estrelas à distância ou nos arredores, por causa de um efeito Doppler cosmológico – o mesmo efeito que faz com que uma sirene do carro de polícia ou apito de trem mude de tom enquanto passa por um observador.

Neste caso, em vez de um carro de polícia ou trem passado, um efeito Doppler de desvio para o azul (blueshift, em inglês) seria criado pela radiação eletromagnética – incluindo a luz visível – que está se movendo rapidamente em direção à tripulação. Este efeito, dizem os pesquisadores, encurtaria o comprimento de onda da radiação eletromagnética. Do ponto de vista de Han, Lucas e Leia, o comprimento de onda da luz das estrelas vizinhas iria diminuir e deslocar-se para fora do espectro visível na gama de raios-X – tornando, assim, estas estrelas invisíveis ao olho humano.

Consequentemente, a tripulação da Millennium Falcon se limitaria a ver uma esfera central de luz conforme a radiação cósmica de fundo é deslocada para o espectro visível (causada pelo Big Bang, ela é distribuída uniformemente por todo o universo). Curiosamente, os alunos também perceberam que, ao viajar a uma velocidade tão intensa, a nave estaria sujeita a uma pressão incrível exercida por raios-X. O efeito empurraria o veículo, fazendo com que desacelerasse. Os pesquisadores compararam o efeito da alta pressão exercida contra submersíveis no oceano profundo. Para lidar com isso, uma nave espacial teria de armazenar quantidades extras de energia para compensar essa pressão adicional.

Além disso, a tripulação seria aconselhada a usar óculos de proteção para, de alguma forma, tentar evitar os perigos da radiação de raio-X. O estudo foi publicado no “Journal of Physics Special Topics”, da Universidade de Leicester, este ano. A publicação normalmente apresenta trabalhos curtos originais escritos por estudantes no último ano de seus quatro de Mestrado em Física, no qual são encorajados a serem imaginativos com os tópicos que abordam. 
Fonte: https://hypescience.com
[io9]

Por que exploração e pesquisas espaciais são importantes para a humanidade?

Se você é ligado em ciências e tecnologia e acompanha todas as missões espaciais que são realizadas tanto pela NASA quanto por parte de iniciativa privada, pode ser que você já tenha feito um questionamento clássico: afinal, para que serve ficar mandando equipamentos e pessoas para o espaço?

Essas empreitadas gastam milhões e milhões de dólares para enviar pessoas onde já estiveram para estudar repetidamente a Lua ou Marte, por exemplo, onde já cansamos de estar seja em presença física ou com os mais diversos equipamentos coletores de dados. Você pode até falar: "o dinheiro gasto com isso poderia ser melhor aplicado, inclusive para matar a fome de pessoas carentes em muitos lugares do mundo".

Se por acaso você já se questionou sobre isso – incluindo a parte da cura para a fome –, saiba que você não é o único e parabéns, isso demonstra que você se preocupa com as pessoas necessitadas. Porém, não é bem assim que as coisas funcionam: existem motivos muito importantes para que essas missões aconteçam e elas são muito mais benéficas para a humanidade do que você pode imaginar. Vamos tratar aqui sobre a importância das expedições para a ciência o nosso planeta como um todo.

A viagem do Spaceman

Essa discussão – já antiga, vinda desde a época da corrida espacial – foi reaquecida após o lançamento do Falcon Heavy, o superfoguete da Space X, empresa de Elon Musk. Além da grandiosidade da decolagem e da capacidade impressionante dos propulsores retornarem para serem utilizados novamente, algo chamou a atenção dos espectadores: o carro elétrico da Tesla (outra empresa de Musk) que foi laçado pelo Sistema Solar.

Tudo isso pode parecer completamente inútil para as pessoas – e com razão, visto que soa como as brincadeiras excêntricas de um bilionário irresponsável. Mas não se engane: tudo isso pode ser considerado uma das jogadas de marketing mais brilhantes da história, pois além de expor produtos das empresas de Musk, a ação trouxe de volta boa parte do interesse das pessoas pela exploração espacial em uma época crucial em que se começa a planejar lançamentos com fins turísticos e a possível exploração do planeta Marte.

inda assim, o que tudo isso pode trazer de bom para a humanidade como um todo? A resposta não é apenas uma, mas uma série de explicações e motivos que justificam de alguma maneira o dinheiro gasto levando gente e coisas para fora da nossa atmosfera.

O estudo do espaço e mesmo todo o esforço feito para que consigamos escapar da gravidade da Terra geraram de produtos que usamos no nosso cotidiano até o desenvolvimento de teorias científicas que mudaram a maneira como vemos o espaço e como entendemos a origem da vida no planeta, incluindo, é claro, o surgimento do ser humano.

Crucial para as comunicações

É notável que a maioria das pessoas apoia os projetos de exploração espacial mesmo existindo esses questionamentos sobre os quais já falamos. Afinal de contas, é empolgante ver foguetes sendo lançados, pessoas flutuando no espaço e estruturas feitas pelo homem em órbita da Terra trabalhando para tornar nossa vida mais prática.

Talvez esse seja o benefício mais óbvio das missões espaciais: a ativação de satélites que possuem uma infinidade de funções, desde fazer nossos GPSs funcionarem até nos fornecer sinal de televisão, além de internet, telefone e muitas outras coisas. Afinal, como você acha que as belíssimas imagens do Google Maps chegam aos nossos computadores e celulares?

Além disso, estudos climáticos que utilizam imagens extremamente detalhadas feitas com satélites são usados para entendermos melhor o meio ambiente e o impacto causado pelas mudanças climáticas. Alterações na vegetação, nos desertos e nas calotas polares podem ajudar os cientistas a entender melhor o que pode ser feito para que a natureza sofra menos com os abusos do ser humano.

Ciência de outro mundo

Além do uso dos satélites, sondas e outras estruturas que orbitam a Terra, nos beneficiamos muito de estudos realizados a bordo de naves e da Estação Espacial Internacional (ISS). A análise do comportamento de animais e plantas a bordo da ISS, um ambiente completamente diferente da Terra e com ausência de gravidade pode ajudar os biólogos a entender melhor suas estruturas e fisiologias de uma maneira única.

A medicina se beneficiou com o desenvolvimento do processamento digital de imagem feito para que os cientistas pudessem observar com mais detalhes a superfície da Lua na época da corrida espacial, nos anos 1960. Essa mesma tecnologia passou a ser usada por médicos para visualizar melhor órgãos de pacientes e acabou se tornando os sistemas de ressonância magnética e de tomografia computadorizada.

Se você ainda acha pouco, um outro caso também teve resultados muito importantes. Em busca de desenvolver cristais de proteína no espaço, foi descoberto que esse material podia gerar componentes atômicos da albumina, uma proteína humana essencial. O que veio disso foi a produção de um remédio contra o câncer e a criação de produtos cosméticos para a pele para serem comercializados normalmente.

Do espaço para o seu bolso

Diversos outros materiais existem graças à exploração espacial. Muita da tecnologia pensada para levar pessoas e equipamentos em segurança para fora e de volta para nossa atmosfera acaba sendo aplicada em outros dispositivos na Terra. Um exemplo é o paraquedas que ajudou a pousar as sondas Viking 1 e 2 no solo marciano em segurança. Esse mesmo material é usado aqui em pneus automotivos criados pela Goodyear, sendo muito mais duráveis e resistentes que os comuns.

Comida enriquecida para bebês, também, é um fruto das pesquisas da NASA para nutrir bem seus astronautas no espaço. Quem desenvolveu o produto foi um laboratório chamado Marietta pensando em como criar uma fonte de alimentação que fosse rica em nutrientes e fácil de ser embalada, transportada e ingerida pelos homens no espaço. A NASA reprovou o projeto e o laboratório forneceu a tecnologia para a fabricação de comida enriquecida para bebês.

O sensor chamado CMOS, que você conhece melhor como a câmera de seu smartphone, também é obra da NASA. Ele foi desenvolvido pelo Jet Propulsion Lab da agência espacial em busca de câmeras minúsculas para serem levadas em viagens espaciais. Acabou indo parar nos bolsos de quase todas as pessoas que carregam um celular por aí para que registrem as mais belas imagens de refeições gourmet e de gatos de todos os tipos.

Verdades e mentiras

Existem, é claro, alguns mitos sobre produtos que supostamente teriam sido inventados pela NASA, como o suco em pó Tang e o Velcro. Na realidade, o Tang foi usado em algumas viagens espaciais para o consumo dos astronautas e acabou ganhando uma popularidade imensa por causa disso, mas não foi desenvolvido e nem teria nenhuma outra coisa a ver com a NASA. Com o Velcro é a mesma coisa: foi usado (e ainda é) em várias missões, mas foi criado pelo engenheiro suíço George de Mestral, que não tinha nenhuma ligação com a agência espacial.

Um dos que mais causam dúvidas nas pessoas é o tal do “travesseiro da NASA”, que ninguém realmente sabe se foi mesmo desenvolvido para o conforto dos astronautas no espaço. Se você quer saber a verdade sobre isso, é só clicar neste link (https://www.tecmundo.com.br/ciencia/126621-tal-travesseiro-nasa-realmente-da-nasa.htm) para acessar a matéria.

Parece que vale a pena

No fim das contas, as missões de exploração do espaço têm uma importância muito maior do que parece. Todo o estudo de desenvolvimento de materiais e métodos acaba gerando tecnologias bastante úteis para o homem e tornando possível a criação de produtos como painéis de energia solar, membros artificiais, termômetros de infravermelho, detectores de fumaça e até palmilhas de sapatos, além, é claro, do que já foi citado nesse texto.

Assim, é bom a gente pensar duas vezes antes de reclamar do dinheiro gasto pelos governos em exploração espacial: pode ser que você dependa muito de alguma tecnologia que só foi possível chegar até nós por causa das aventuras que foram feitas no espaço.
Fonte: https://www.tecmundo.com.br

Chegada de primeiros humanos a Marte acontecerá nos próximos 20 anos

Astronauta acredita que humanos poderão chegar a Marte em 2030
Tim Peake, o primeiro astronauta britânico a chegar à Estação Espacial Internacional, acha que os primeiros humanos vão chegar a Marte nos próximos 20 anos devido, em grande parte, ao trabalho desenvolvido pelas agências aeronáuticas SpaceX e Blue Origin. “Humanos em Marte. Penso que será no final de 2030. É para isso que as agências governamentais e o Grupo de Exploração Espacial Internacional estão a trabalhar”, referiu Peake ao Mirror. O astronauta considera ainda que algumas iniciativas podem adiantar esta previsão. “Temos visto as ambições de pessoas como o Elon Musk, há várias empresas que também têm a ambição de enviar pessoas para Marte. Penso que acabaremos a trabalhar de muito perto com estas empresas em parcerias público-privadas quando eventualmente formos para Marte”, sublinhou.
Fonte: http://www.sapo.pt

SDO DA NASA REVELA COMO UMA JAULA MAGNÉTICA NO SOL PÁRA UMA ERUPÇÃO SOLAR

No dia 24 de outubro de 2014, a sonda SDO da NASA observou uma proeminência de classe X entrar em erupção a partir de um grupo de manchas solares com o tamanho de Júpiter.Crédito: Tahar Amari et al./Centro de Física Teórica/Escola Politécnica/Goddard da NASA/Joy Ng

Uma nova investigação que usa dados da NASA mostra que uma dramática luta pelo poder à superfície do Sol está no cerne das erupções solares. O trabalho destaca o papel da paisagem magnética do Sol, ou topologia, no desenvolvimento de erupções solares que podem desencadear eventos meteorológicos espaciais em torno da Terra.

Os cientistas, liderados por Tahar Amari, astrofísico do Centro de Física Teórica da Escola Politécnica em Palaiseau Cedex, França, tiveram em conta as proeminências solares, explosões intensas de radiação e luz. Muitas proeminências solares são seguidas por uma ejeção de massa coronal, ou EMC, uma enorme erupção em forma de material de material solar e campos magnéticos, mas algumas não são - o que diferencia as duas situações não é claramente entendido.

Usando dados da SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA, os cientistas examinaram um grupo de manchas solares com o tamanho de Júpiter em outubro em 2014, uma área de campos magnéticos complexos, muitas vezes o local da atividade solar. Este foi o maior grupo dos últimos dois ciclos solares e uma região altamente ativa. Apesar das erupções parecerem ideais para uma erupção, a região nunca produziu uma grande EMC na sua jornada através do Sol. No entanto, emitiu uma poderosa proeminência de classe X. O que determina, inquiriram os cientistas, se uma proeminência está associada com uma EMC?

A equipe de cientistas incluiu observações da missão SDO de campos magnéticos na superfície do Sol em modelos poderosos que calculam o campo magnético na coroa do Sol, ou atmosfera superior, e examinou como evoluiu no tempo imediatamente antes da proeminência. O modelo revela uma batalha entre duas estruturas magnéticas fundamentais: uma corda magnética torcida - conhecida por estar associada com o início das EMCs - e uma jaula densa de campos magnéticos que cobrem a corda.

Os cientistas descobriram que esta jaula magnética impediu fisicamente com que a EMC entrasse em erupção naquele dia. Poucas horas antes da proeminência, a rotação natural da mancha solar revirou a corda magnética e cresceu cada vez mais torcida e instável, como um elástico bem enrolado. Mas a corda nunca entrou em erupção a partir da superfície: o seu modelo demonstra que não teve energia suficiente para romper a jaula. No entanto, foi volátil o suficiente para atacar parte da jaula, desencadeando a forte proeminência solar.

Ao mudarem as condições da jaula no seu modelo, os cientistas descobriram que se a jaula tivesse sido mais fraca naquele dia, uma grande EMC teria entrado em erupção no dia 24 de outubro de 2014. O grupo está interessado em desenvolver o seu modelo para estudar como o conflito entre a jaula magnética e a corda se desenrola noutras erupções. Os seus achados estão resumidos num artigo publicado na revista Nature no dia 8 de fevereiro de 2018.

"Nós conseguimos seguir a evolução de uma região ativa, prever a probabilidade de erupção e calcular a quantidade máxima de energia que a erupção pode libertar," comenta Amari. "Este é um método prático que pode tornar-se importante na previsão da meteorologia do espaço à medida que as capacidades computacionais aumentam."
Fonte: Astronomia OnLine

26 de fevereiro de 2018

O buraco negro da Via Láctea cospe projéteis do tamanho de planetas

A cada poucos milhares de anos, uma estrela azarada chega muito perto do buraco negro no centro da Via Láctea, e sua poderosa gravidade a destrói, liberando gás pelo universo. Antes, pensávamos que este era o fim da história. Mas não é. Uma nova pesquisa mostra que, não só o gás pode se reunir em objetos de tamanho planetário, como esses objetos então são lançados por toda a galáxia. Uma única estrela triturada pode formar centenas desses objetos de massa planetária e nos perguntamos: onde eles acabam? Quão perto chegam de nós?”, disse a principal autora do estudo, Eden Girma, da Universidade de Harvard, nos EUA.

Projéteis

Os pesquisadores desenvolveram um código de computador para responder a essas perguntas. Os cálculos indicam que o mais próximo desses objetos de massa planetária pode estar dentro de algumas centenas de anos-luz da Terra, e teria um peso em algum lugar entre Netuno e vários Júpiteres.

Eles não são brilhantes o suficiente para terem sido detectados por pesquisas anteriores, mas podem ser vistos por instrumentos futuros, como o Grande Telescópio de Pesquisa Sinóptica e o Telescópio Espacial James Webb.

Falsos planetas

A grande maioria dos objetos de massa planetária – 95% – sairá de nossa galáxia devido a suas grandes velocidades de cerca de 10.000 km/s. Como a maioria das outras galáxias também têm buracos negros gigantes em seus núcleos, é provável que o mesmo processo esteja em ação neles.

“Outras galáxias como Andrômeda estão atirando esses objetos em nós o tempo todo”, explica o coautor da pesquisa, James Guillochon, do Centro Harvard-Smithsoniano de Astrofísica, nos EUA.

Embora possam ser de tamanho planetário, esses objetos seriam muito diferentes de um planeta típico. Eles são literalmente feitos de estrelas e suas composições podem variar.
Eles também se formam muito mais rapidamente do que um planeta normal. Demora apenas um dia para o buraco negro destruir a estrela, e cerca de um ano para os fragmentos resultantes formarem esses objetos. Em contraste, são necessários milhões de anos para criar um planeta como Júpiter a partir do zero.

Detecção

Uma vez lançados, levaria cerca de um milhão de anos para um desses objetos alcançarem a vizinhança da Terra. O desafio será diferenciá-los dos planetas “errantes” criados durante o processo mais mundano de formação de estrelas e planetas. “Apenas um dos mil planetas errantes será um desses bichinhos de segunda geração”, afirma Girma. 
Fonte: https://hypescience.com
[Phys]

A Galáxia Irregular

Descoberta em 1900 pelo astrônomo DeLisle Stewart e aqui imageada pelo Telescópio Espacial Hubble, a IC 4710 é um objeto espetacular. A galáxia é na verdade uma nuvem repleta de estrelas brilhantes, com bolsões brilhantes, que marcam o nascimento de novas estrelas, espalhados ao redor de suas bordas.
A IC 4710 é classificada como uma galáxia irregular. Como o próprio nome já sugere, esse tipo de galáxia é irregular, e tem uma aparência caótica, com a ausência de um bulbo central e braços espirais, algo bem diferente em aparência das galáxias elípticas e espirais. Acredita-se que as galáxias irregulares em algum momento foram elípticas ou espirais, mas se tornaram distorcidas com o passar do tempo e com as forças gravitacionais externas que agiram sobre elas nos momentos de fusão e colisão com outras galáxias. As anãs irregulares, em particular são importantes para se entender a evolução das galáxias, já que elas são muito similares, àquilo que se acredita eram as primeiras galáxias formadas no universo.
A IC 4710, localiza-se a aproximadamente 25 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação do Pavo. Essa constelação está localizada nos céus do hemisfério sul da Terra e contém além dessa galáxia, o terceiro aglomerado globular de estrelas mais brilhante do céu, o NGC 6752, a galáxia espiral NGC 6744, e seis sistemas planetários conhecidos, incluindo o sistema da estrela HD 181433, que abriga uma super-Terra.
Os dados usados para criar essa imagem foram adquiridos pela Advanced Camera for Surveys do Hubble.

AE Aurigae e a nebulosa estrela flamejante

Por que a AE Aurigae é chamada de estrela flamejante? Por uma razão, a nebulosa ao seu redor, a IC 405, é chamada de a Nebulosa da Estrela Flamejante, pois a região parece abrigar uma fumaça, mesmo apesar de nada estar pegando fogo ali, nem mesmo o interior da estrela AE Aurigae. O fogo, tipicamente definido como a rápida aquisição molecular de oxigênio, acontece somente quando oxigênio suficiente está presente e não é importante nesses ambientes de alta energia e de pouco oxigênio. O material que parece como fumaça é na sua maior parte hidrogênio interestelar, mas contém filamentos escuros parecidos com fumaça com grãos de poeira ricos em carbono. A estrela brilhante AE Aurigae é vista perto do centro da nebulosa e é tão quente e azul, emitindo luz tão energética que ela arranca os elétrons dos átomos no gás ao redor. Quando um átomo recaptura um elétron, a luz é emitida criando a nebulosa de emissão ao redor. A Nebulosa da Estrela Flamejante localiza-se a cerca de 1500 anos-luz de distância e se espalha por cerca de 5 anos-luz, ela é visível com pequenos telescópios quando apontados na direção da constelação de Auriga.

23 de fevereiro de 2018

Astrônomos descobrem rosquinha de 40 anos-luz de largura

Através do Observatório ALMA (Atacama Large Millimeter Array, no Chile), astrônomos criaram a imagem do que deve ser a maior rosquinha do universo – o centro da galáxia espiral M77, da qual o seu buraco negro está se alimentando. O coração da M77 é o que é conhecido como núcleo galáctico ativo (NGA), o que significa que gás e matéria são constantemente sugados para o buraco negro central da galáxia, liberando uma luz intensa nesse processo. Essas regiões ativas do universo poderiam nos ajudar a entender como as galáxias e os buracos negros de seus núcleos se desenvolvem em conjunto.

As descobertas foram publicadas na revista científica Astrophysical Journal Letters.

Teoria correta

A imagem foi feita por uma equipe composta de pesquisadores do Observatório Nacional do Japão, da escola de pós-graduação Graduate University for Advanced Studies (SOKENDAI) e da Universidade de Kagoshima. Utilizando o telescópio do ALMA, os cientistas observaram uma estrutura gasosa compacta, parecida com uma rosquinha gigante, cercando o buraco negro no centro da galáxia M77. 

Essa nuvem de gás gira em torno do buraco negro. A existência de tais estruturas giratórias tem sido formulada há décadas, mas esta é a primeira vez em que são observadas diretamente. Para interpretar várias características observacionais dos NGAs, os astrônomos assumiram [que existiam] estruturas giratórias de gás em torno de buracos negros supermassivos ativos”, escreveu Masatoshi Imanishi, autor principal do artigo sobre a descoberta.

Novos dados

Além das imagens, a descoberta foi confirmada por linhas específicas de emissões moleculares e emissões de micro-ondas detectadas a partir de moléculas de cianeto de hidrogênio e íons formílicos. Uma vez que essas moléculas apenas emitem micro-ondas em gás denso, sua presença foi uma pista importante sobre a densidade da rosquinha. Por fim, os pesquisadores notaram que as estruturas não estão girando perfeitamente em consonância com a gravidade do buraco negro – em vez disso, há um alto grau de aleatoriedade em seu movimento. Isso implica um passado violento, que pode ter envolvido uma colisão da M77 com uma galáxia menor. 
Fonte: https://hypescience.com/

JÚPITER em infravermelho pelo HUBBLE

Júpiter parece um pouco diferente, quando observado na luz infravermelha. Para melhor entender os movimentos das nuvens de Júpiter e para ajudar a sonda Juno da NASA, a entender o contexto planetário, o Telescópio Espacial Hubble está sendo direcionado para fazer imagens regulares de todo o sistema Joviano. As cores de Júpiter que estão sendo monitoradas, vão além do intervalo de cores normalmente observado pelo olho humano, já que inclui tanto as emissões no ultravioleta e no infravermelho. A imagem acima mostra Júpiter, fotografado pelo Hubble em 2016, onde três bandas da luz infravermelha próxima foram digitalmente tratadas para apresentar de forma colorida a imagem do planeta. Júpiter aparece diferente no infravermelho, parcialmente pois a quantidade de luz do Sol refletida de volta é distinta, dependendo da altura das nuvens e de brilhos discrepantes devido à latitudes diferentes. 

Mesmo assim, muitas feições tradicionais de Júpiter se mantêm, incluindo a as zonas brilhantes e os cinturões escuros, que circulam o planeta próximo do equador, a Grande Mancha Vermelha também pode ser vista no canto inferior esquerdo da imagem, e o sistema de tempestades ao sul da Grande Mancha Vermelha, conhecido como colar de pérolas. Os polos brilham mais intensamente pois a névoa de alta altitude é energizada por partículas carregadas da magnetosfera de Júpiter. A Juno completou recentemente sua décima passagem mais próxima do planeta e continua a registrar dados para ajudar a humanidade entender cada vez mais e melhor, não somente o clima de Júpiter, mas o que está localizado abaixo de suas nuvens.

Pode ser possível sair vivo de um buraco negro, mas em um mundo totalmente diferente

Na física, o passado determina o que acontece no futuro. Se os físicos sabem como o universo começou, eles podem calcular seu futuro por todo o tempo e espaço. Mas um grupo de pesquisadores dos EUA, de Portugal e da Holanda diz que existem alguns tipos de buracos negros em que esta lei não é válida. Se alguém se aventurasse em um desses buracos negros e sobrevivesse, essa pessoa teria seu passado obliterado e poderia ter um número infinito de futuros possíveis. Estas alegações não são exatamente novidade, mas os físicos invocaram algo chamado “forte censura cósmica” no passado para explicar. Ou seja, algo catastrófico – tipicamente uma morte horrível – impediria que os observadores realmente entrassem em uma região do espaço-tempo em que seu futuro não fosse determinado. Este princípio, proposto pela primeira vez há 40 anos pelo físico Roger Penrose, mantém intocada uma ideia, o determinismo, chave para qualquer teoria física, que afirma que, dado o passado e o presente, as leis físicas do universo não permitem mais do que um possível futuro.

Mas, segundo o matemático Peter Hintz, da Universidade da Califórnia, nos EUA, cálculos mostram que, para alguns tipos específicos de buracos negros em um universo como o nosso, que está se expandindo a uma taxa acelerada, é possível sobreviver à passagem de um mundo determinista para um não determinista.

Ninguém sabe como seria a vida em um espaço onde o futuro é imprevisível. Mas a descoberta não significa que as equações de Einstein da relatividade geral, que até agora descrevem perfeitamente a evolução do cosmos, estão erradas, diz Hintz. “Nenhum físico vai viajar para um buraco negro e medir isso. Esta é uma questão matemática. Mas, a partir desse ponto de vista, isso torna as equações de Einstein matematicamente mais interessantes”, aponta ele. “Esta é uma questão que só pode ser estudada matematicamente, mas tem implicações físicas, quase filosóficas, o que a torna muito legal”.

Outro mundo

A principal característica dos buracos negros é que nada pode escapar de sua gravidade, nem mesmo a luz. Se você se aproximar demais e atravessar o chamado horizonte de eventos, você nunca escapará. Em buracos negros menores, alguém nunca sobreviveria ao chegar tão próximo. As forças de maré próximas ao horizonte de eventos simplesmente desconstruiriam qualquer coisa, transformando a matéria em uma série de átomos.  Mas em grandes buracos negros, como os objetos supermassivos nos núcleos de galáxias como a Via Láctea, que pesam dezenas de milhões, senão bilhões de vezes, a massa de uma estrela, cruzar o horizonte do eventos poderia não ser tão dramático.

E justamente porque pode ser possível sobreviver à transição entre nosso mundo e o mundo do buraco negro, físicos e matemáticos há muito tempo se perguntam como seria esse mundo. Eles procuraram as respostas nas equações de relatividade geral de Einstein para prever o mundo dentro de um buraco negro. Essas equações funcionam bem até que um observador alcance o centro, ou a singularidade, onde, nos cálculos teóricos, a curvatura do espaço-tempo se torna infinita.

O horizonte de Cauchy

Mesmo antes de chegar ao centro, no entanto, um explorador de buracos negros – que nunca poderia comunicar o que achou ao mundo exterior – poderia encontrar alguns marcos esquisitos e mortíferos. Hintz estuda um tipo específico de buraco negro – um buraco negro padrão, não rotativo e com uma carga elétrica – e esse objeto tem algo. É nesse ponto, no horizonte de Cauchy, que o determinismo se degrada, onde o passado já não determina o futuro. Físicos sempre argumentaram que nenhum observador poderia passar pelo ponto do horizonte de Cauchy porque ele seria aniquilado. 

Segundo este ponto de vista, quando o observador se aproxima do horizonte, o tempo anda mais devagar, uma vez que os relógios ficam mais lentos em um forte campo gravitacional. À medida que as ondas de luz, gravitacionais e qualquer outra coisa encontrasse o buraco negro, inevitavelmente se aproximando do horizonte de Cauchy, um observador também caindo para dentro acabaria vendo toda essa energia simultaneamente. Assim, toda a energia que o buraco negro vê ao longo da vida do universo atinge o horizonte de Cauchy ao mesmo tempo, explodindo no esquecimento qualquer observador que chegasse tão longe.

Hintz percebeu, no entanto, que isso pode não se aplicar a um universo em expansão que está acelerando, como o nosso. Como o espaço-tempo está ficando cada vez mais separado, grande parte do universo distante não afetará o buraco negro, já que essa energia não pode viajar mais rápido que a velocidade da luz.

Na verdade, a energia disponível para entrar no buraco negro é apenas aquela contida no horizonte observável: o volume do universo que o buraco negro pode esperar ver ao longo de sua existência. Para nós, por exemplo, o horizonte observável é maior do que os 13.8 bilhões de anos-luz que podemos ver no passado, porque inclui tudo o que veremos para sempre no futuro. A expansão acelerada do universo nos impedirá de ver além de um horizonte de cerca de 46,5 bilhões de anos-luz.

Universo em expansão

Nesse cenário, a expansão do universo neutraliza a amplificação causada pela dilatação do tempo dentro do buraco negro e, em determinadas situações, a cancela totalmente. Nesses casos – especificamente, buracos negros lisos e não rotativos com uma grande carga elétrica, os chamados buracos negros Reissner-Nordström-de Sitter – um observador poderia sobreviver passando pelo horizonte de Cauchy e chegar a um mundo não determinista.

“Existem algumas soluções exatas das equações de Einstein que são perfeitamente lisas, sem torções, sem forças de maré indo para o infinito, onde tudo está perfeitamente bem comportado até este horizonte de Cauchy e além”, diz ele, observando que a passagem pelo horizonte seria dolorosa, mas breve. “Depois disso, todas as apostas estão desligadas, em alguns casos, como em um buraco negro Reissner-Nordström-de Sitter, pode-se evitar a singularidade central e viver para sempre em um universo desconhecido”, teoriza.

Buracos negros com este tipo de carga, entretanto, são muito difíceis de existir, diz o estudioso, uma vez que eles atraem matéria opostamente carregada até ficarem neutros. No entanto, as soluções matemáticas para buracos negros carregados são usadas como uma espécie de teste intermediário para o que aconteceria dentro de buracos negros rotativos, que provavelmente são a norma. Hintz argumenta que buracos negros lisos e rotativos, chamados buracos negros de Kerr-Newman-de-Sitter, se comportariam da mesma maneira.

“Isso é perturbador”, diz Hintz. “A ideia de que você poderia ter uma estrela eletricamente carregada que sofre um colapso em um buraco negro, e então Alice viaja dentro desse buraco negro e, se os parâmetros do buraco negro são suficientemente extremos, pode ser que ela possa atravessar o horizonte de Cauchy, sobreviver e chegar a uma região do universo onde, conhecendo o estado inicial completo da estrela, não poderá dizer o que vai acontecer com ela”, completa, usando a metáfora de Alice no País das Maravilhas para ilustrar essa mudança de mundos universal.

“(O futuro) não é mais determinado pelo pleno conhecimento das condições iniciais. É por isso que é muito problemático”, aponta. O artigo de Hintz já provocou outros trabalhos, um dos quais sugere que mesmo os buracos negros mais “bem comportados” não violam o determinismo. Mas Hintz insiste que uma instância de violação já é demais. As pessoas foram complacentes por cerca de 20 anos, desde meados da década de 90, essa forte censura cosmológica sempre é verificada”, disse ele. “Nós desafiamos esse ponto de vista”. 
Fonte: https://hypescience.com/

Astrónomo amador captura rara primeira luz de massiva explosão estelar

Graças aos fortuitos instantâneos captados por um astrónomo amador na Argentina, cientistas obtiveram a sua primeira visão do surto inicial de luz da explosão de uma estrela massiva. Durante testes de uma nova câmara, Víctor Buso capturou imagens de uma galáxia distante antes e depois da "rutura de choque" da supernova - quando uma onda de pressão supersónica do núcleo explosivo de uma estrela atinge e aquece o gás à superfície a uma temperatura muito alta, fazendo com que emita luz e aumente rapidamente de brilho.

Até à data, ninguém tinha conseguido capturar a "primeira luz ótica" de uma supernova normal - isto é, uma não associada com uma explosão de raios-gama ou raios-X - uma vez que as estrelas explodem aparentemente ao acaso no céu, e a luz da rutura de choque é fugaz. 

Os novos dados fornecem pistas importantes sobre a estrutura física da estrela logo antes do seu desaparecimento catastrófico e sobre a natureza da própria explosão. "Os astrónomos profissionais há muito tempo que procuram este evento," comenta o astrónomo Alex Filippenko, da Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA, que acompanhou a descoberta com observações nos observatórios Lick e Keck, que se mostraram fundamentais para uma análise mais detalhada da explosão com o nome SN 2016gkg. "As observações de estrelas nos primeiros momentos em que começam a explodir fornecem informações que não podem ser obtidas diretamente de qualquer outra forma."

"Os dados de Buso são excecionais," acrescenta. "Este é um excelente exemplo de uma parceria entre astrónomos amadores e profissionais. A descoberta e os resultados das observações de acompanhamento de todo o mundo foram publicados na edição de 22 de fevereiro da revista Nature. No dia 20 de setembro de 2016, Buso, de Rosario, Argentina, testava uma nova câmara no seu telescópio de 16 polegadas, captando uma série de exposições de curta duração da galáxia espiral NGC 613, localizada a aproximadamente 80 milhões de anos-luz da Terra na direção da constelação do hemisfério sul de Escultor.

Por sorte, examinou estas imagens imediatamente e notou um fraco ponto de luz que aumentou rapidamente de brilho perto do final de um braço espiral e que não era visível no seu primeiro conjunto de imagens. A astrónoma Melina Bersten e colegas do Instituto de Astrofísica de La Plata, na Argentina, souberam rapidamente da descoberta serendipitosa e perceberam que Buso havia capturado um evento raro, parte da primeira hora após a luz emergir da explosão de uma enorme estrela. 

Ela estimou que as hipóteses de uma tal descoberta, a primeira supernova de Buso, são de uma em 10 milhões, talvez até ainda menos, uma em 100 milhões.
"É como ganhar a lotaria cósmica," comenta Filippenko.

Estrela libertou três-quartos da sua massa antes de explodir

Bersten entrou imediatamente em contato com um grupo internacional de astrónomos para ajudar a realizar observações frequentes e adicionais de SN 2016gkg ao longo dos dois meses seguintes, revelando mais sobre o tipo de estrela que explodiu e a natureza da explosão.

Filippenko e colegas obtiveram uma série de sete espectros, onde a luz é dividida nas suas cores componentes, como um arco-íris, com o telescópio Shane de 3 metros do Observatório Lick da Universidade da Califórnia perto de San Jose, e com os telescópios gémeos de 10 metros do Observatório W. M. Keck em Maunakea, Hawaii. Isto permitiu que a equipa internacional determinasse que a explosão era uma supernova do Tipo IIb: a explosão de uma estrela massiva que já tinha perdido a maior parte do invólucro de hidrogénio, uma espécie de explosão estelar primeiramente identificada observacionalmente por Filippenko em 1987.

Combinando os dados com modelos teóricos, a equipa estimou que a massa inicial da estrela rondava as 20 vezes a massa do nosso Sol, embora tenha perdido a maior parte dela, provavelmente para uma estrela companheira, e ficado reduzida a mais ou menos 5 massas solares antes da explosão.

A equipe de Filippenko continuou a monitorizar a mudança de brilho da supernova ao longo de dois meses com outros telescópios do Observatório Lick: o Telescópio Automático de Imagem Katzman de 0,76 metros e o Telescópio Nickel de 1 metro.
Fonte: Astronomia OnLine


21 de fevereiro de 2018

O futuro do sol



Quando olhamos para as estrelas, temos a impressão de que elas não mudam nunca, que estão sempre do mesmo jeito. Isso não é verdade: como vimos em um artigo anterior ("As três mortes das estrelas", Ciência Hoje das Crianças, no. 20), as estrelas "nascem" e :"morrem", só que isso demora muito tempo (milhões ou bilhões de anos). Como vivemos pouco em relação à "vida" das estrelas, não conseguimos acompanhar as mudanças.
O Sol também é uma estrela e por isso vai morrer um dia. Quando e como isso acontecerá é uma questão que os astrônomos tentam resolver. Para chegar a esta resposta, eles criaram uma teoria, com a qual podemos entender a formação de uma estrela, o que ocorre com ela ao longo do tempo, as mudanças de brilho e tamanho, e várias outras coisas.

Algumas pessoas perguntam como se pode ter certeza de que a teoria está certa, já que, em geral, não podemos perceber as mudanças nas estrelas. Felizmente, podemos observar muitas estrelas, com várias idades diferentes. É como se um extraterrestre visitasse a Terra por um dia apenas: ele não poderia ver as pessoas crescendo, já que em um dia não crescemos muito, mas poderia observar que existem bebês, crianças, adolescentes, adultos e velhos. Com um pouco de imaginação, ele poderia entender como é a vida dos seres humanos.

No começo, o Sol era uma gigantesca nuvem de gás e poeira, muitas vezes maior que o sistema solar hoje. Essa nuvem foi se contraindo e se tornando mais densa, até se transformar em uma verdadeira estrela. Isso demorou cerca de 50 milhões de anos.

A partir de então, o Sol entrou em uma fase bem tranquila, na qual ainda se encontra. Seu tamanho e sua temperatura quase não mudam. Pouco varia também a quantidade de energia que elem emite para o espaço em cada segundo, o que chamamos "luminosidade". Isso nos interessa muito, porque a vida na Terra depende da energia que vem do Sol: se ela aumentar ou diminuir muito, mudanças profundas e até catastróficas vão acontecer. Essa fase de "tranquilidade" deve durar, no total, cerca de 11 bilhões de anos. Como ela se iniciou há cerca de 4,5 bilhões de anos, o Sol ainda tem pela frente aproximadamente 6,5 bilhões de anos de tranquilidade.

Mas, para nós da Terra, essa fase não será tão calma assim, porque a luminosidade do Sol sempre aumenta, ainda que de forma lenta, e deverá dobrar ao final dos 11 bilhões de anos. Ficando mais brilhante, o Sol vai aquecer mais a Terra. Com mais calor, toda a água do nosso planeta vai evaporar. Não sabemos exatamente quando isso vai acontecer, mas poderá ser em pouco mais de 3 bilhões de anos, dependendo da quantidade de nuvens, porque elas absorvem parte da energia que vai para a Terra.

O que mantém o Sol nessa fase tranquila é a queima de um elemento que está em seu interior (núcleo), chamado hidrogênio. Após 11 bilhões de anos, esse hidrogênio vai acabar. Com a interrupção da produção de energia, o núcleo não conseguirá suportar o peso das camadas mais externas e sofrerá um colapso, o que aumentará muito a sua temperatura. Então, a "fornalha" funcionará outra vez, queimando o hidrogênio que existe nas camadas próximas ao núcleo. Esse processo é tão violento que empurrará as camadas externas do Sol para fora, transformando-o em uma estrela gigante.

Essa fase é mais rápida que a anterior e irá durar "apenas" pouco mais de 1 bilhão de anos. Nessa fase, o Sol alcançará uma luminosidade 2 mil vezes maior que a atual e um diâmetro quase 200 vezes maior que o presente. Com um diâmetro tão grande, a superfície total por onde escapa a energia emitida pelo Sol fica enorme, de modo que essa superfície esfria um pouco, mesmo que a luminosidade do Sol esteja aumentando. A temperatura da superfície ficará, então, próxima dos 3 mil graus, quase a metade do valor que tem hoje. Muito grande, avermelhado e frio, o Sol será, então, uma estrela gigante vermelha.

A fase de gigante vermelha não será muito sossegada: o hidrogênio das camadas próximas ao núcleo também se esgotará e o Sol passará a queimar um novo elemento, o hélio. Essa queima ocorre por meio de pulsos, ou seja, em episódios rápidos. O brilho e o tamanho do Sol vão variar muito, sempre em valores mais altos que os atuais. Nessa fase do Sol, os planetas vão sofrer várias alterações. Por exemplo, Mercúrio, que é o planeta mais próximo do Sol (cerca de 60 milhões de quilômetros), será completamente engolido. Quanto aos planetas seguintes, Vênus e Terra, não temos certeza do que acontecerá. O destino desses dois planetas dependerá basicamente da quantidade de matéria que o Sol irá perder daqui para a frente. 

A perda de matéria é algo que acontece com todas as estrelas, mais ou menos como em um regime de emagrecimento. Por exemplo, atualmente podemos observar partículas muito pequenas vindas do Sol, que formam o chamado "vento solar". Outras estrelas, como as gigantes vermelhas, perdem uma quantidade muito grande de matéria. Existem várias causas para que as estrelas percam massa. No caso do Sol, os astrônomos sabem há muito tempo que ele tem uma região muito quente, com temperaturas de milhões de graus, chamada "coroa solar". Sendo tão quente, essa coroa está se evaporando, e o resultado é o vento solar. Já as estrelas gigntes são muito luminosas e a própria luz pode empurrar parte da massa para fora da estrela.

E o que tem a ver a perda de matéria com as órbitas (caminho que os planetas fazem em torno do Sol) dos planetas? A resposta é simples: os planetas, como Vênus e Terra, têm órbitas situadas a uma distância que depende da massa do Sol. Quanto menor essa massa, maior a distância do planeta em relação ao Sol. Assim, se o Sol perder muita matéria na fase gigante, Vênus e Terra "fugirão" para órbitas mais distantes e não serã destruídos. Caso contrário, um processo semelhante ao de Mercúrio ocorrerá com esses dois planetas. Para poder esclarecer melhor essa questão, os astrônomos precisam ainda pesquisar muito sobre o processo de perda de massa e sua influência na evolução das estrelas.

No final da fase de gigante vermelha, o Sol ficará muito instável e perderá praticamente de uma vez só todas as suas camadas externas. Essas camadas vão expandir-se pelo espaço, na forma de um dos objetos mais bonitos que podemos observar: uma nebulosa planetária. A nebulosa será muito brilhante, porque será iluminada pela parte que restou do interior do Sol, que é muito quente.Essa fase dura menos que a anterior. Em apenas 100 mil anos o Sol passa de uma estrela gigante fria a uma estrela pequena e quente, uma "anã branca". Então, esgotados seus principais combustíveis nucleares, o hidrogênio e o hélio, não haverá mais produção de energia. O Sol irá esfriar calmamente até se transformar em uma "anã negra", espécie de cinza invisível no céu.
Fonte: http://www.astro.iag.usp.br

Os mistérios da mancha escura de Netuno

Netuno, o oitavo e mais distante planeta a partir do Sol, foi visitado pela primeira e última vez, pela sonda Voyager 2 da NASA em 1989. Desde então, o Telescópio Espacial Hubble, tem tentado entender a miríade de mistérios que cercam esse majestoso planeta frio, incluindo, decifrar por que esse planeta possui os ventos mais rápidos do Sistema Solar, e o que existe no seu núcleo.
Essas novas imagens do Hubble revelam um desses mistérios, a famosa mancha escura, ou vórtice escuro da atmosfera de Netuno. Esse raro vórtice é um sistema atmosférico de alta pressão normalmente acompanhado por nuvens mais brilhantes. Essa mancha escura em particular é denominada de SDS-2015 (Southern Dark Spot descoberta em 2015), e é somente a quinta já observada em Netuno. Embora ela pareça menor do que as manchas escuras previamente observadas, observações da SDS-2015 feitas de 2015 a 2017 revelaram que a mancha já foi grande o suficiente para englobar toda a China, e desde então, vem rapidamente diminuindo de tamanho.
Cada uma das 5 manchas escuras de Netuno curiosamente são diferentes, mas todas apareceram e desapareceram dentro de poucos anos, o que é oposto à Grande Mancha Vermelha de Júpiter, que está ali no planeta a séculos. Nuvens brilhantes se formam ao longo das manchas escuras, quando o fluxo do ar ambiente é perturbado e tem um movimento ascendente sobre a mancha, fazendo com que os gases congelem em cristais de gelo de metano.
Só o Hubble possui o poder suficiente, atualmente para fazer imagens das manchas escuras de Netuno, e produzir imagens espetaculares como essas, essas visões feitas no decorrer de 2 anos, utilizaram a Wide Field Camera 3 do Hubble, ou a WFC3.

20 de fevereiro de 2018

Nova foto da Terra nos lembra que somos apenas poeira

As nossas incríveis sondas espaciais estão sempre nos presenteando com imagens de nosso planeta, lembretes constantes de nosso verdadeiro lugar no universo. A nova perspectiva acima foi feita pela nave OSIRIS-REx, da NASA, e mostra a Terra e a lua como meros pontos brilhantes flutuando em um imenso vazio negro – mais uma evidência do quanto somos pequenos. A fotografia foi capturada em 17 de janeiro, a partir de uma distância de 63,6 milhões de quilômetros do nosso planeta.

Além do que podemos enxergar

A OSIRIS-REx estava se afastando da Terra a uma velocidade de cerca de 30.600 km/h quando fez a foto com sua câmera de navegação, como parte de um teste de engenharia. À primeira vista, o olho destreinado só consegue ver dois pontos em um grande preto, mas a imagem na verdade mostra mais coisas do que imaginamos.

“Várias constelações também são visíveis no espaço circundante. O brilhante conjunto de estrelas no canto superior esquerdo são as Plêiades da constelação de Touro. Hamal, a estrela mais brilhante da constelação de Áries, está localizada no canto superior direito da imagem. O sistema Terra-lua está centrado no meio de cinco estrelas que compõem o topo da constelação Cetus, a Baleia”, escreveu a NASA em um comunicado de divulgação da imagem.

Missão OSIRIS-REx

A missão OSIRIS-REx, lançada em setembro de 2016, tem como objetivo principal capturar amostras do asteroide Bennu, potencialmente perigoso para nós. A sonda está programada para se encontrar com a rocha espacial no meio deste ano. Ela estudará Bennu em órbita por um tempo, depois deve alcançá-lo para arrancar uma amostra em julho de 2020. Se tudo correr conforme o planejado, esta amostra retornará à Terra em setembro de 2023, em um pouso auxiliado por paraquedas no deserto americano de Utah.

Além da amostra, no entanto, a missão tem uma vasta gama de metas científicas, o que é evidenciado pelo seu nome completo: “Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security, Regolith Explorer”, que, em tradução livre, significa “Origens, Interpretação Espectral, Identificação de Recursos, Segurança, Explorador de Regolito”.

Os cientistas esperam que a sonda lhes ensine mais sobre o papel que os asteroides primitivos e ricos em carbono, como Bennu, podem ter desempenhado nas origens dos blocos de construção da vida na Terra há muito tempo. A missão também deve coletar informações valiosas para futuras minerações de asteroides, bem como para desenvolvermos maneiras de desviar rochas espaciais potencialmente perigosas para longe de nosso planeta. 
Fonte: https://hypescience.com

Os maiores buracos negros crescem mais rápido que suas galáxias, diz novo estudo

Buracos negros supermassivos são enormes poços de gravidade encontrados no centro de grandes galáxias. Um buraco negro supermassivo é mil vezes maior do que o buraco negro no centro da Via Láctea. Dois novos estudos de pesquisadores diferentes trouxeram novas informações sobre eles. 

Um dos estudos, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, diz que os grandes buracos negros crescem mais rapidamente que suas galáxias. Mas não há motivo para preocupação: os buracos negros não conseguem engolir suas galáxias.

“O buraco negro é pequeno comparado com a galáxia toda, então estamos seguros”, diz Guang Yang, aluno da pós-graduação da Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA), autor de um dos estudos. 

Yang descobriu que quanto maior a galáxia, mais rapidamente o buraco negro cresce em comparação com a velocidade de criação das estrelas da galáxia. “Nosso artigo sugere que grandes galáxias conseguem alimentar seus buracos negros com mais eficiência do que galáxias pequenas. Então essas galáxias grandes acabam com buracos negros maiores. Mesmo assim, ainda é um mistério se buracos negros conseguem afetar a formação de galáxias também”, afirma Yan ao Live Science. 

Yang e seus colegas usaram informações de mais de 30 mil galáxias do Great Observatories Origins Deep Survey (GOODS), que usa observações dos telescópios Hubble, Chandra e Spitzer. As galáxias estão a 4.3 bilhões e 12,2 bilhões de anos-luz da Terra. 

Outro estudo que deve ser publicado em abril de 2018 na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society concluiu que as massas de buracos negros supermassivos são 10 vezes maiores do que o esperado se esses buracos crescessem na mesma velocidade que as galáxias em que eles estão. 

O autor principal deste artigo é Mar Mezcua, do instituto de Ciências Espaciais de Barcelona (Espanha). Ele focou em 72 galáxias a menos de 3.5 bilhões de anos-luz da Terra. Usando dados do observatório Chandra, do telescópio Austrália Compact Array, do Very Large Array e do Very Long Baseline Array, os pesquisadores compararam as massas de buracos negros supermassivos a estimativas feitas por métodos tradicionais que levavam em consideração que buracos negros e suas galáxias crescem na mesma proporção. 

Ao invés de observar um crescimento proporcional, a equipe de pesquisadores descobriu que os buracos negros neste estudo são 10 vezes maiores que a previsão por métodos tradicionais. Na realidade, alguns são até maiores que supermassivos; eles são ultramassivos, com 40 milhões de vezes a massa do Sol. Até então, ninguém sabia que esses aglomerados de galáxias poderiam ter buracos negros tão massivos. 

Esses buracos negros podem ter se formado de duas maneiras: ou o buraco surgiu antes e a galáxia depois, ou eles são descendentes de “sementes” de buracos negros que se formaram quando as galáxias eram muito mais jovens e produziam mais estrelas. 

Astrônomos estão interessados na relação entre buracos negros e suas galáxias por dois motivos. O primeiro é para calcular o tamanho de um baseado no outro. Assim eles conseguiriam determinar, digamos, a massa de um buraco negro supermassivo sem medi-lo diretamente. Em segundo lugar, qualquer relação constante entre os dois pode ajudar a explicar leis que governam a formação de galáxias. 
Fonte: hypescience.com 

19 de fevereiro de 2018

Mais um passo foi dado no projeto do telescópio James Webb

Você já deve ter ouvido falar do telescópio Hubble nas aulas de Ciências, certo? Agora, chegou a vez do sucessor dele. O telescópio espacial James Webb é um dos projetos mais ambiciosos da NASA, projetado para ter especificações técnicas que sejam ainda mais potentes do que aquelas em seus antecessores. Os espelhos do Webb, por exemplo, são sete vezes maiores do que os do Hubble, o que garante uma área bem maior de captura de imagens.

O James Webb está com uma missão muito importante para completar no espaço. No ano que vem, quando for lançado, ele será considerado o telescópio mais potente já construído e deverá continuar a exploração a partir de onde o Hubble e o Spitzer, seus antecessores, pararam, para ajudar os cientistas a saber mais sobre os mistérios do Universo.

Agora, o equipamento está finalmente passando pelos últimos testes antes de ser enviado para o espaço. Na prática, isso significa que o James Webb foi introduzido em uma câmara gigante com puro vácuo – sim, com a intenção de simular o que aconteceria com seus componentes quando estivessem no espaço. É bom arrumar um casaco, porque o calor passou bem longe do experimento: a temperatura lá beirava os 180 °C negativos.

Nem é preciso dizer que um humano não sobreviveria de jeito nenhum a uma temperatura dessas, mas acabou que o James Webb se deu muito bem – e, para completar, ainda tirou uma foto do interior da câmara. Além de registrar o momento, a imagem capturada mostrou para os cientistas como os componentes do equipamento reagiram a temperaturas tão baixas, para garantir que tudo corra bem no espaço.

Não é a primeira vez que a NASA utiliza câmaras para testar seus telescópios; até mesmo a famosa aeronave Apollo – e, acredite se quiser, os membros da tripulação também – já foram parar dentro desses locais; porém, para trabalhar com o Webbs, a câmara sofreu algumas modificações. Mesmo assim, Bill Ochs, responsável pelo projeto do Webbs, declarou que o sucesso desse teste já representa um marco na história do telescópio, o que confirma que a NASA e as empresas parceiras possuem um equipamento de destaque e um belo conjunto de instrumentos de ciência.

Mas, calma, pois ainda há caminhos a serem percorridos. Quando essa etapa for finalizada, o telescópio Webbs vai passar por mais alguns testes de acústica. Depois disso, a última etapa é enviá-lo para a Guiana Francesa, onde o lançamento ocorrerá.
Fonte: https://www.tecmundo.com.br
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