As estrelas roubadas da Via Láctea

Região externa da galáxia captura astros de aglomerados globulares

Aglomerado globular M4: possível origem da estrela G53-41

Um trio de astrofísicos peruanos do qual faz parte Jorge Meléndez, da Universidade de São Paulo (USP), obteve a primeira evidência direta de que parte das estrelas do halo, a região mais externa e com menor densidade de gás e estrelas da Via Láctea, originou-se em pequenas áreas de altíssima concentração estelar conhecidas como aglomerados globulares.

Com a forma de uma gigantesca esfera que envolve toda a galáxia, o halo abriga estrelas com 10 a 12 bilhões de anos de idade, que estão entre as mais antigas da galáxia e se distribuem de duas formas: ou estão muito dispersas (são as chamadas estrelas de campo) ou extremamente adensadas nos aglomerados globulares. Segundo Meléndez, cujo trabalho foi financiado pela FAPESP, há algum tempo se acredita que boa parte das estrelas de campo se formou nos aglomerados globulares, dos quais se desprenderam mais tarde, mas ainda não se havia encontrado prova disso. Na mais recente assembleia geral da União Astronômica Internacional, realizada no final de agosto na China, houve uma sessão para discutir exclusivamente esse assunto. “Não se chegou a um consenso”, diz Meléndez, “mas a maioria dos astrônomos concorda que ao menos 10% das estrelas do halo vieram dos aglomerados globulares”.

Em um estudo publicado na edição de 1º de outubro da revista Astrophysical Journal, Meléndez, Iván Ramírez, da Universidade do Texas, e Júlio Chanamé, da Universidade Católica do Chile, apresentaram a primeira evidência de que estrelas de campo do halo podem ter escapado de aglomerados globulares e, atraídas pela gravidade, ido parar em regiões do halo onde as estrelas são mais esparsas.

Com o auxílio de três poderosos telescópios – o Magellan, instalado no Chile; o Mcdonald, na região continental dos Estados Unidos; e o Keck, no Havaí –, eles realizaram uma análise de altíssima precisão da composição química de 67 estrelas do halo. Duas dessas estrelas, a G150-40 e a G53-41, mostravam as características químicas de estrelas nascidas em aglomerados globulares: tinham baixa concentração do elemento químico oxigênio e abundância maior de sódio. Os pesquisadores ainda não sabem dizer com precisão em quais dos quase 160 aglomerados conhecidos elas teriam se formado. Comparando o conteúdo de ferro dessas estrelas com o dos aglomerados, os pesquisadores identificaram 10 deles que podem ter gerado a G150-40. Já no caso da G53-41, há cerca de 20 aglomerados que a podem ter originado, entre eles, o M4.

Calcula-se que as estrelas roubadas tenham entre 10 bilhões e 12 bilhões de anos de idade. Isso é mais que o dobro da idade do Sol, que se encontra em um dos braços que formam o disco da Via Láctea, uma das últimas estruturas a surgir na galáxia. Meléndez planeja ampliar o estudo das estrelas do halo. No final de setembro ele enviou para o Observatório Europeu Austral (ESO) um pedido de tempo para fazer o mapeamento de 1.500 estrelas do halo e, se tudo der certo, conseguir uma estimativa melhor de onde se originaram.
Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br

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