28 de fev de 2013

Sonda Messenger revela que Mercúrio teve um vasto oceano de magma

A sonda Messenger orbita Mercúrio desde 17 de março de 2011.
Equipada com nove instrumentos científicos, a missão dela é mapear o planeta, determinar a composição e sondar sua evolução geológica. Nesse mesmo ano, um grupo de cientistas analisaram dados de Raio-X fluorescente enviados da sonda, e identificaram duas composições distintas, e inexplicáveis, de formações rochosas na superfície. Uma equipe do Massachusetts Institute of Technology (MIT) usou os dados para criar em laboratório os dois tipos de rocha. Submetendo cada uma a altas temperaturas e pressões, simulando os processos geológicos do planeta, dizem que há apenas uma explicação: Um vasto oceano de magma criou duas camadas diferentes de cristais, solidificadas, que eventualmente, refundiram-se no magma que entrou em erupção na superfície de Mercúrio. O professor de geologia da MIT, Timothy Grove, diz que "a coisa que é realmente incrível em Mercúrio é, isso não aconteceu ontem".
 
A estimativa da existência do magma não é exata, mas "a crosta é, provavelmente, de mais de quatro bilhões de anos, de modo que este oceano de magma é um recurso realmente antigo".  Inicialmente os cientistas procuravam por cenários em que as duas composições de rochas pudessem estar relacionadas. Por exemplo, as duas rochas poderiam ter vindo de uma mesma região e uma ter se cristalizado mais que a outra. Mas, as duas composições eram muito diferentes para terem se originado de uma mesma região. Para Grove, a explicação mais fácil é que um oceano de lava tenha formado, ao longo do tempo, composições diferentes de cristais, a medida que se solidificava, que depois teriam se refundido com as lavas expelidas de grandes erupções vulcânicas. Estima-se que o oceano de lava existia nos primeiros 10 milhões de anos de existência do planeta, podendo ter sido criado a partir dos violentos processos de formação do, segundo Grove.
 
À medida que a nebulosa solar condensava, pedaços colidiam com outros pedaços maiores e maiores, formando planetas. Esse processo de colisão e acréscimos pode ter criado energia suficiente para derreter completamente o planeta. "Estamos gradualmente preenchendo mais espaços em branco, e a história pode muito bem mudar, mas este trabalho estabelece uma estrutura para pensar sobre os novos dados", diz Larry Nittler da Carnegie Institution of Washington, que não está envolvido no estudo. "É um, muito importante, primeiro passo indo em direção a dados interessantes para a real compreensão."
Fonte: Jornal Ciência

Estrelas “moribundas” são capazes de manter planetas possivelmente habitáveis

Sabemos que a Terra é, por enquanto, o único planeta habitável, porque reúne condições específicas para a existência e manutenção de vida. Sendo o terceiro planeta do Sistema Solar, a Terra está a uma distância de aproximadamente 150.000.000 km do Sol, o que contribuiu para uma série de fatores que foram favoráveis para a formação de vida no planeta. É satisfatória, por exemplo, a quantidade de radiação solar que chega até a atmosfera terrestre, no qual com o auxílio de camada de gases que envolvem a Terra, acaba sendo regulada, mantendo a atmosfera e a presença de água em estado líquido. O Sol é, por assim dizer, o elemento que essencialmente contribui para a existência da vida. No entanto, o planeta deve estar a uma distância consideravelmente segura para que isso possa ocorrer. No caso de Mercúrio e Vênus, por exemplo, eles estão tão próximos do Sol que praticamente não possuem atmosfera, e suas temperaturas são extremas.
 
Mercúrio chega a 400 °C quando um lado está voltado para o Sol, já o lado oposto apresenta - 180 °C! Vênus é o planeta mais quente do sistema solar, superando até Mercúrio, que é o mais próximo. A sua temperatura média à superfície é de aproximadamente 460 °C por conta das fortes ocorrências de efeito estufa, além de não apresentar água. Estar afastado do Sol a uma distância muito grande também não contribui para a existência de vida. Marte e Júpiter, por exemplo, estão logo após a Terra, e não possuem condições favoráveis para serem habitados. Muito já se falou de Marte, e até já foi comprovado que em algum momento existiu água em sua superfície, mas hoje em dia, contudo, este planeta não exibe meios que permitam água no estado líquido. O mesmo pode-se dizer de Júpiter, o gigante gasoso, que se resume a uma imensa bola de hidrogênio e hélio. Sua temperatura é de aproximadamente -150°C, o que também indica a impossibilidade de manutenção da vida.
 
O único planeta que possui condições favoráveis é a Terra, graças ao Sol que segue trabalhando a todo vapor. Entretanto, estudos comprovam que uma estrela que já esteja no final de sua vida também consegue manter planetas com vida, e se caso exista mesmo a vida neles, seria possível detectar esses planetas na próxima década. Este resultado vem de uma pesquisa teórica relacionada a planetas como a Terra que orbitam estrelas anãs brancas. Os pesquisadores descobriram que é possível detectar oxigênio na atmosfera de um planeta ‘anão branco’ com muito mais facilidade que em um planeta como a Terra orbitando uma estrela parecida ao Sol. Avi Loeb, teórico do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian (CFA) e diretor do Instituto de Teoria e Computação disse: “Na busca por assinaturas biológicas extraterrestres, as primeiras estrelas que estudamos devem ser anãs brancas”, em entrevista ao ScienceDaily.
 
 
Estrela anã branca
Está é a terminação dada a uma estrela representando seu estágio de ‘morte’. Sendo assim, ela é menor que as estrelas comuns e com um brilho muito inferior, se comparado com as demais. O fato é que ao consumir todo o hidrogênio de seu núcleo elas podem se converter a um tipo de estrela conhecida como gigante vermelha. Essas são compostas por um núcleo pequeno e denso de carbono e camadas externas onde se fundem hélio e hidrogênio. No entanto, as gigantes vermelhas não possuem tamanho suficiente para produzir o calor necessário para continuar desenvolvendo o processo de fusão do material que está em seu núcleo, fazendo com que esse núcleo diminua. Mesmo assim, a densidade e pressão no núcleo aumentam cada vez mais, e quando chega um ponto no qual o núcleo não consegue diminuir, ele acaba se estabilizando a uma densidade de aproximadamente 1.010 kg/m³.

 Apesar disso, a parte externa da estrela continua liberando energia e consumindo hélio, tornando-se instável e transformando-se em uma imensa nuvem de materiais que compunham a estrela original. O que era antes uma gigante vermelha passa a ser duas coisas diferentes: uma grande nuvem fria e difusa, que se conhece pelo nome de nebulosa planetária, e um mínimo corpo celeste que possui um núcleo de carbono, e que está em baixa atividade de fusão de hélio e hidrogênio em sua crosta. Este corpo celeste é denominado uma anã branca. Voltando ao estudo divulgado recentemente, caso existam planetas nas zonas habitáveis de estrelas anãs brancas, seria preciso encontrá-los antes que se pudesse estudá-los. Aparentemente, a abundância de elementos pesados na superfície da anã branca sugere uma fração significativa de planetas rochosos. Segundo Loeb e seu colega Dan Maoz da Universidade de Tel Aviv, estima-se que pesquisando as próximas 500 anãs brancas seja possível detectar um ou mais planetas habitáveis como a Terra.
 
Como encontrar esses possíveis planetas habitáveis
Um planeta que orbita uma anã branca tem aproximadamente o mesmo tamanho da Terra. O melhor método para encontrar esses planetas, segundo pesquisadores, é encontrar uma estrela anã que escurece quando um planeta em órbita cruza a sua frente – esse fenômeno é chamado de trânsito. Só é possível achar esses planetas quando eles estão em trânsito. Pois, quando a luz emitida pela anã branca brilha através do anel de ar que rodeia o planeta, a sua atmosfera absorve um pouco de luz estelar, deixando impressões digitais químicas que podem comprovar se no ar contém vapor de água ou oxigênio. O telescópio espacial da NASA ,James Webb (JWST), será lançado até o final desta década para tentar farejar os gases desses possíveis mundos habitáveis. Os pesquisadores Loeb e Maoz criaram um espectro sintético, simulando o que o JWST iria ver se ele examinasse um planeta habitável em órbita de uma anã branca. Foram constatadas que poucas horas seriam suficientes para detectar oxigênio e vapor de água nesses corpos celestes. "JWST oferece a melhor esperança de encontrar um planeta habitado no futuro próximo", disse Maoz.
Fonte: Jornal Ciência

O nascimento de um planeta gigante?

Candidato a protoplaneta encontrado dentro do seu útero estelar
Impressão artística de um planeta gigante gasoso a formar-se no disco que rodeia a jovem estrela HD100546(ESO)

Astrónomos utilizaram o Very Large Telescope do ESO e obtiveram o que é, muito provavelmente, a primeira observação direta de um planeta em formação, ainda envolvido por um espesso disco de gás e poeira. Se for confirmada, esta descoberta ajudar-nos-á a compreender melhor como se formam os planetas, uma vez que será possível testar as teorias atuais versus um alvo observável. Uma equipa internacional liderada por Sascha Quanz (ETH Zürich, Suíça) estudou o disco de gás e poeira em torno da estrela jovem HD100546, uma estrela relativamente próxima situada a 335 anos-luz de distância da Terra. A equipa surpreendeu-se ao descobrir o que parece ser um planeta em formação, ainda envolvido no disco de material que rodeia a estrela. O candidato a planeta será um gigante gasoso semelhante a Júpiter.
 
Até agora, a formação de planetas tem sido um tópico desenvolvido essencialmente por simulações de computador,” diz Sascha Quanz. “Se se confirmar que a nossa descoberta é efetivamente um planeta em formação, então pela primeira vez os cientistas poderão estudar de forma empírica o processo de formação planetária e a interação entre um planeta em formação e o seu meio circundante, desde a fase primordial.” A estrela HD100546 tem sido muito estudada e foi já sugerida a existência de um planeta gigante situado cerca de sete vezes mais longe da estrela do que a Terra se encontra do Sol. O candidato a planeta agora descoberto situa-se na região exterior do sistema, cerca de dez vezes mais longe. O possível protoplaneta foi detectado como uma ténue mancha situada no disco circunstelar, revelada graças ao instrumento de óptica adaptativa NACO, montado no VLT do ESO, e à técnica inovadora de análise de dados.
 
Esta imagem composta mostra duas imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA (à esquerda) e pelo sistema NACO montado no Very Large Telescope do ESO (à direita) do gás e poeira que rodeiam a estrela jovem HD100546. A imagem Hubble no visível mostra o disco exterior de gás e poeira que se encontra em torno da estrela. A nova imagem infravermelha do VLT de uma pequena parte do disco mostra um candidato a protoplaneta. Ambas as imagens foram obtidas com um coronógrafo especial que suprime intensa radiação emitida pela estrela brilhante. A posição da estrela está marcada com uma cruz vermelha nas duas imagens.
 
 As observações foram obtidas com o coronógrafo do NACO, que opera nos comprimentos de onda do infravermelho, suprimindo a intensa radiação emitida pela estrela na região onde se encontra o candidato a protoplaneta. De acordo com as atuais teorias, os planetas gigantes crescem ao capturar algum do gás e poeira que restam após a formação da estrela. Os astrónomos descobriram várias características na nova imagem do disco em torno da HD100546, que apoiam esta hipótese de formação de protoplaneta. Estruturas existentes no disco circunstelar poeirento, que poderiam ser causadas por interações entre o planeta e o disco, apareceram próximo do protoplaneta detectado. Existem também indícios de que as regiões em volta do protoplaneta estejam a ser aquecidas pelo processo de formação. Adam Amara, outro membro da equipa, está entusiasmado com a descoberta. “A investigação sobre exoplanetas é uma das novas fronteiras da astronomia mais excitantes e a obtenção de imagens diretas de planetas é algo ainda muito recente, que só agora começa a ser explorado, beneficiando imenso das recentes inovações nos instrumentos e nos métodos de análise de dados.
 
Neste trabalho usámos técnicas de análise de dados desenvolvidas especificamente para a investigação cosmológica, o que mostra que a partilha de ideias entre diferentes campos pode levar a progressos extraordinários.” Embora a explicação mais provável para as observações obtidas seja a existência de um protoplaneta, os resultados deste estudo requerem observações suplementares para se confirmar a existência do planeta e invalidar outros cenários menos prováveis mas também plausíveis. Entre outras explicações possíveis, o sinal detectado pode estar a ser emitido por uma fonte de fundo. É igualmente possível que o objeto detectado não seja um protoplaneta, mas sim um planeta completamente formado, que tenha sido ejetado da sua órbita original, próxima da estrela. Quando se confirmar que o novo objeto em torno da HD100546 é, de facto, um planeta em formação, envolvido ainda pelo disco de gás e poeira progenitor, teremos então um laboratório único para estudar o processo de formação de um novo sistema planetário.
Fonte: ESO

Estrelas são ejetadas do centro galáctico a 3 milhões de km/h

 A uma surpreendente velocidade de 3,2 milhões de quilômetros por hora (km/h), seis estrelas percorrem nossa galáxia, supostamente ejetadas pelo buraco negro que fica no centro dela. “São objetos incrivelmente rápidos que estão, de fato, soltos da gravidade da Via Láctea”, explica o estudante de astronomia Keith Hawkins, da Universidade de Ohio (EUA), um dos autores do estudo. Acredita-se que o fenômeno ocorre quando um par de estrelas se aproxima de um buraco negro super massivo (como o que se encontra no centro da nossa galáxia), que engole uma delas e libera uma imensa quantidade de energia, “arremessando” a outra. Como a região central da galáxia está cheia de poeira espacial, estrelas que escapam dessa área podem ajudar cientistas a estudar melhor as propriedades da região.

Embora já tenham sido encontradas anteriormente outras “estrelas de hipervelocidade” (como são conhecidas), estas são as primeiras de tamanho similar ao do sol, algo difícil de observar – como há incontáveis estrelas grandes como o sol espalhadas pela galáxia, mesmo hipervelozes podem acabar passando despercebidas. Para encontrar essas “corredoras”, os pesquisadores responsáveis usaram dados do telescópio Palomar, na Califórnia (EUA). Primeiro, eles conseguiram descobrir 130 estrelas próximas ao buraco negro central da Via Láctea que estavam viajando a altíssimas velocidades. Em seguida, focaram naquelas que tinham uma velocidade consistente com a “ejeção” provocada pelo buraco negro central. Os resultados ainda estão sob análise, mas já há otimismo em relação a eles.
Fonte: Hypescience.com / LiveScience

NuSTAR da NASA ajuda a resolver o enigma da rotação dos buracos negros

O concepção artistica que ilustra um buraco negro supermassivo com milhões de bilhões de vezes a massa do nosso sol. Buracos negros supermassivos são extremamente densos objetos enterrados no coração de galáxias. Crédito da imagem: NASA / JPL-Caltech
 
Dois observatórios de raios-X, o Nuclear Spectroscopic Telescope Array, ou NuSTAR da NASA e o SMM-Newton da ESA, mediram de forma definitiva, pela primeira vez, a taxa de rotação de um buraco negro com uma massa equivalente a 2 milhões de vezes a massa do Sol. O buraco negro supermassivo localiza-se no coração repleto de gás e poeira da galáxia conhecida como NGC 1365, e está girando a uma velocidade quase tão rápida quanto a permitida pela teoria da gravidade de Einstein. As descobertas aparecem num estudo publicado, hoje, dia 28 de Fevereiro de 2013, na Revista Nature. O estudo mostra como os astrônomos resolveram um debate de longa data na astronomia sobre medidas similares feitas em outros buracos negros e levarão a entender melhor como os buracos negros e as galáxias se desenvolvem. “Isso é muito importante para o campo da ciência dos buracos negros”, disse Lou Kaluzienski, um cientista do programa NuSTAR na sede da NASA em Washington.
 
As observações também funcionam como um poderoso teste para a teoria da relatividade geral de Einstein, que diz que a gravidade pode curvar o espaço-tempo, a fábrica que forma o nosso universo, e a luz que viaja através dela. “Nós podemos traçar a matéria à medida que cai em rotação na direção do buraco negro, usando os raios-X emitidos das regiões muito próximas do objeto”, disse a coautora do novo estudo, Fiona Harrison, pesquisadora principal do NuSTAR e sediada no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena. “A radiação que nós observamos é dobrada e distorcida pelos movimentos das partículas e pela incrivelmente forte gravidade do buraco negro”. O NuSTAR, uma missão da classe Explorer, lançada em Junho de 2012, foi desenhado para detectar a luz raio-X de mais alta energia e em grande detalhe. Ele complementa telescópios que observam a luz raio-X de baixa energia como o XMM-Newton e como o Observatório de Raio-X Chandra, da NASA.


Os cientistas medem as taxas de rotação de buracos negros supermassivos, espalhando a luz de raios-X em cores diferentes. Crédito da imagem: NASA / JPL-Caltech

Os cientistas usam esses e outros telescópios para estimar a taxa com a qual os buracos negros executam o seu movimento de rotação. Até agora, essas medidas não eram certas pois as nuvens de gás podiam obscurecer os buracos negros confundindo os resultados. Com a ajuda do XMM-Newton, o NuSTAR foi capaz de ver um intervalo muito maior de energias de raios-X e penetrar profundamente na região localizada ao redor do buraco negro. Os novos dados demonstram que os raios-X não estão sendo dobrados pelas nuvens, mas sim pela tremenda gravidade do buraco negro. Isso prova que a taxa de rotação dos buracos negros supermassivos pode ser determinada de forma conclusiva. “Se eu pudesse adicionar um instrumento ao XMM-Newton, esse instrumento seria um telescópio como o NuSTAR”, disse Norbert Schartel, Cientista de Projeto do XMM-Newton do Centro da Agência Espacial Européia em Madrid. “Os raios-X de alta energia fornecem uma peça essencial para resolver esse problema”.
 
Medir a rotação de um buraco negro supermassivo é fundamental para entender sua história passada e da sua galáxia hospedeira também. “Esses monstros, com massas de milhões a bilhões de vezes a massa do Sol, são formados como pequenas sementes no início do universo e crescem engolindo estrelas e gás de suas galáxias hospedeiras, fundindo-se com outros buracos negros gigantes quando as galáxias colidem, ou ambos”, disse o autor principal do estudo Guido Risaliti do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics em Cambridge, Mass., e do Italian National Institute for Astrophysics. Buracos negros supermassivos são envoltos por uma panqueca de discos de crescimento, formados à medida que a sua gravidade puxa matéria para o seu interior. A teoria de Einstein prevê que quanto mais rápido um buraco negro gira, mais próximo do buraco negro o disco de crescimento se localiza. Quanto mais perto o disco de crescimento está, mais gravidade do buraco negro irá dobrar o jato de luz de raio-X que é expelido do disco.
 
Os astrônomos procuram por esses efeitos de dobras para analisar a luz raio-X emitida pelo ferro circulando no disco de crescimento. Nesse novo estudo, eles usaram tanto o XMM-Newton, como o NuSTAR de forma simultânea para observar o buraco negro na NGC 1365. Enquanto que o XMM-Newton revelou que a luz do ferro estava sendo dobrada, o NuSTAR provou que essa distorção vinda da gravidade do buraco negro e não das nuvens de gás na sua vizinhança. Os dados do NuSTAR sobre os raios-X de alta energia mostraram que o ferro estava tão perto do buraco negro que a gravidade deveria causar esse efeito de dobra. Com a possibilidade do obscurecimento das nuvens descartado, os cientistas podem agora usar as distorções na assinatura do ferro para medir a taxa de rotação do buraco negro. As descobertas podem ser aplicadas a alguns outros buracos negros, removendo assim as incertezas nas medidas anteriores da taxa de rotação dos mesmos.
Fonte: http://www.nasa.gov/mission_pages/nustar/news/nustar20130227.html

27 de fev de 2013

E se o Big Bang não tivesse acontecido?

Não haveria nada. Ou o Big Bang não seria como sabemos. Veja como seria a sua vida, o Universo e tudo mais
Ninguém sabe. Mas é possível que a vida, o Universo e tudo mais tivessem surgido mesmo assim. Afinal, o Big Bang é a principal e mais aceita, mas não é a única teoria a respeito da criação. Porque ela tem algumas lacunas. Começou assim: na década de 1920, astrônomos perceberam que as galáxias de nosso universo estão constantemente em movimento, distanciando-se umas das outras. Assim, olhando para trás (beeeem para trás), eles concluíram que em determinado momento toda essa matéria que está espalhada pelo espaço - estrelas, planetas, asteroides, seu cachorro etc. - estava concentrada em um único lugar. Foi daí que surgiu o modelo do Big Bang. Mas ainda não há uma teoria que explique como a gravidade interage com átomos, moléculas e outros componentes primordiais do Universo. Ou seja, como todos esses elementos continuam se afastando. "Tudo o que a gente fala sobre o começo do Universo é especulativo", diz o astrônomo Laerte Sodré Junior, da USP.
 
O que se sabe é que o Big Bang foi uma série de explosões - e não uma única e gigante, como o nome leva a crer. No início, a expansão do Universo foi muito rápida. Nos primeiros 3 minutos, a temperatura chegou a 1 bilhão de graus celsius e possibilitou a formação dos primeiros nêutrons e prótons. Depois de 380 milhões de anos, os primeiros átomos surgiram. E aí veio todo o resto. Em 1998, outra novidade: cientistas descobriram que há 1 bilhão de anos essa expansão ganhou força e o Universo está crescendo mais rápido. E o que causa o movimento? Aquilo que os astrofísicos chamam de energia escura. É uma força oposta à gravidade, que afasta as galáxias em vez de aproximá-las.

 Mas, fora isso, pouco se sabe. A energia escura é um dos grandes desafios da astronomia e da astrofísica. "Se essa expansão acelerada continuar, o grupo local de galáxias vai se separar de outros grupos. O Universo vai ficar um tremendo terreno vazio, com concentrações de galáxias esporádicas. Mas isso é especulativo, depende dessa energia escura, que a gente ainda não sabe o que é", diz Sodré Junior. Enfim, se o Big Bang não tivesse acontecido, as estrelas não teriam surgido, os planetas não se formariam, não haveria Sol, Terra, você nem eu. Muito menos algo para ilustrar estas páginas. Mas, como falamos , o Big Bang é a principal, mas não é a única teoria. Então...

NO INÍCIO
Não haveria nada. Ou o Big Bang não seria como sabemos

Multiverso
Ok, sem o Big Bang nosso Universo não existiria. Mas talvez existissem outros. A ciência não consegue provar isso, mas também não descartou a hipótese, já que uma das características de um universo paralelo é nunca entrar em contato com outro. Fica praticamente impossível comprová-lo ou refutá-lo. Na teoria, a única coisa que pode vazar de um universo para o outro é a gravidade. Seria a energia escura a prova que faltava? Ainda é muito cedo para dizer.

Big-crunch
Se não houvesse a energia escura, responsável pelo espetáculo do crescimento do Universo, ele passaria a encolher e encolher, concentrando toda a matéria outra vez. Isso é o Big-Crunch. Depois de se contrair, o Universo explodiria novamente, gerando outro Big Bang. E isso aconteceria ciclicamente.

Fim da matéria
Essa teoria diz que a expansão continuará até que toda a matéria se dissipe por completo. Então, o campo de energia que envolve o Universo gera outra explosão. Começa tudo de novo.

Outros big bangs
O Big Bang como conhecemos pode ter criado apenas um universo, o nosso. Mas, como não temos nenhum conhecimento de supostos outros universos, não sabemos como eles teriam surgido. Ou seja, o nosso pode ser apenas uma de tantas outras Grandes Explosões. E ainda há uma teoria que diz que o Big Bang é resultado da colisão entre dois universos. Um mero tropeção cósmico, como tantos outros. O Big Bang não seria o grande início. Apenas mais um.

Bola de sabão
A teoria lembra aquela música do Babado Novo: o Universo seria uma bolha de sabão que cresce até explodir. Não se sabe quando vai estourar, nem quais as consequências (os planetas poderiam ser expulsos do Sistema Solar, por exemplo). Aí, então, ela geraria outro universo. Pirou minha cabeça.

E a fé?
O Vaticano, por exemplo, reconhece o Big Bang como uma obra divina - e não do acaso. Sem ele, Deus daria um outro jeito para criar tudo isso aí. E fim de papo.
Fonte: Antes do Big Bang, de Roberto Belisario

26 de fev de 2013

Estrelas de Nêutrons em fusão criam explosões de raios Gamma


As explosões de raios-gamma, ou GRBs, do inglês, são uma das mais energéticas explosões do universo. Os astrônomos dividem essas explosões em dois grupos separados: as GRBs Longas com duração de no mínimo 2 segundos e que provavelmente resultam do colapso de uma estrela massiva em um buraco negro, enquanto que as GRBs Curtas duram somente milissegundos e suas origens são desconhecidas. Por anos, os cientistas especularam que duas estrelas de nêutrons em fusão poderiam criar as GRBs Curtas, mas eles não podiam traçar isso de forma observacional, e as simulações computacionais nunca conseguiam durar o tempo suficiente para determinar a causa. Agora, uma equipe de astrônomos conseguiu gerar modelos detalhados em supercomputadores  que mostram que a fusão de estrelas de nêutrons podem, de fato gerar as GRBs Curtas. A simulação começou com duas estrelas de nêutrons, cada uma com uma massa 1.5 vezes maior que a massa do Sol e com 27.2 km de largura. Devido a alta densidade e ao resto altamente magnetizado de uma então estrela massiva em poucos milissegundos, seus campos magnéticos se combinam de uma forma caótica. Um buraco negro então é formado no centro do sistema envolto por um redemoinho de material quente e magnetizado. Os astrônomos então observaram que os campos magnéticos se organizam em jatos, que são observados da Terra como sendo as GRBs Curtas. As estruturas de jatos se formam aproximadamente 20 milissegundos depois da fusão, ou 26.5 milissegundos no modelo. As estruturas se mantêm até o fim da simulação, 8.5 milissegundos depois.
Fonte: http://blog.cienctec.com.br 

LL Orionis ea e a Nebulosa de Orion

Créditos da Imagem:NASA, ESA, and The Hubble Heritage Team
Esse estético detalhe das nuvens cósmicas e ventos estelares mostra a LL Orionis, interagindo com o fluxo da Nebulosa de Orion. Vagando no berçário estelar de Orion e ainda em seus anos de formação, a estrela variável LL Orionis produz um vento mais energético do que o vento da nossa própria estrela, o Sol, que já está em sua meia idade. À medida que o vento estelar sopra no gás se movendo mais vagarosamente uma frente de choque é formada, algo análogo a uma onda formada quando um barco se move pela água ou quando um avião viaja a uma velocidade supersônica. A pequena estrutura em forma de arco um pouco acima e a esquerda do cento é a onda de choque da LL Ori, medindo aproximadamente meio ano-luz de diâmetro. O gás mais lento está fluindo para longe do aglomerado estelar central quente da Nebulosa de Orion, o Trapézio, localizado fora da imagem na direção do canto superior esquerdo da imagem. Em três dimensões, a frente de onda da LL Ori tem a forma de uma taça que parece mais brilhante quando observada ao longo da borda inferior. A bela imagem acima é na verdade parte de um grande mosaico do complexo berçário estelar em Orion, preenchido com uma miríade de formas fluídas associadas com o processo de formação de estrelas.
Fonte: www.nasa.gov

8 asteroides com órbitas próximas à Terra

Trajetórias próximas
Segundo a Nasa, existem 4.700 asteroides que podem ser perigosos para a Terra. A avaliação foi feita com ajuda de observações do telescópio Wide-field Infrared Survey Explorer (Wise).Esses asteroides mapeados pela Nasa como potencialmente perigosos têm órbitas próximas à Terra. Além disso, eles são grandes o suficiente para resistir à passagem pela atmosfera e causar danos ao planeta. Veja a seguir alguns asteroides perigosos - e outros nem tanto - com a órbita próxima ao planeta Terra.
APOPHIS
Batizado com o nome da divindade egípcia do mal e da escuridão, Apophis deve passar raspando pela Terra em 2029 e poderá, eventualmente, atingi-la em 2036. Sua última aproximação aconteceu recentemente, em 9 de janeiro de 2013, a 14,4 milhões de quilômetros de distância. Quando foi observado pela primeira vez, em 2004, os cientistas calcularam em 2,7% a probabilidade de uma colisão catastrófica com a Terra em abril de 2029. No entanto, novas estimativas afastaram o risco, ao prever que nesta data ele passará a 36 mil quilômetros daqui. O asteroide voltará a se aproximar da Terra em 2036, mas ainda é difícil estimar a que distância, visto que a primeira visita, em 2029, deverá modificar sua órbita. O diâmetro de Apophis é de 325 metros. A energia liberada caso ele bata na Terra é equivalente a 25 mil explosões atômicas como a de Hiroshima.
 

1036 GANYMED
O 1036 Ganymed é considerado o maior asteroide próximo ao nosso planeta. Com massa de 500 mil quilos, ele é considerado do tipo Amor. Isso significa que seu caminho fica entre as órbitas da Terra e de Marte. Embora ele possa cruzar ocasionalmente a órbita de Marte, ele nunca cruzará a da Terra, apenas se aproximará bastante. Em outubro de 2012, um grupo de cientistas escoceses sugeriu que a poeira emitida por esse asteroide gigante poderia servir como “guarda-sol” para o planeta Terra e ajudaria a combater o aquecimento global. A ideia dos pesquisadores é atrair o asteroide 1036 Ganymed para mais perto da orbita terrestre e capturar a nuvem de poeira que o acompanha. Ela, então, protegeria o planeta das radiações solares.

EROS
O Eros é o segundo maior asteroide com órbita próxima à Terra. Em 31 de janeiro de 2012, ele se aproximou do planeta como não ocorria há 37 anos, a uma distância de 26,7 milhões de quilômetros. Isso só se repetirá em 2056. O asteroide viaja pelas constelações de Leão, Sextante e Hidra.O asteroide que tem 34 km foi descoberto em 13 de agosto de 1898, pelo astrônomo Carl Gustav Witt, de Berlim, e Auguste Charlois, de Nice. O Eros é do tipo S, composto por silicatos de magnésio e ferro.
2010 TK7
O 2010 TK7 foi o primeiro asteroide encontrado pela Nasa orbitando o Sol na mesma rota em que a Terra. Isso significa que seu caminho se cruza com o do nosso planeta em alguns pontos. Com 300 metros de diâmetro, sua trajetória é bem definida e, pelo menos nos próximos 100 anos, não deve chegar a menos de 24 milhões de km daqui. Esse tipo de asteroide é chamado de Trojan. Isso significa que ele compartilha a trajetória de um planeta em alguns pontos.

2012 BX34
Esse asteroide foi descoberto dois dias antes de passar bem próximo a Terra, em janeiro de 2012. Batizado de 2012 BX34, o objeto de 11 metros de diâmetro chegará a 60 mil quilômetros do planeta.
Segundo cientistas da Nasa, a distância que o asteroide chegou próximo da Terra é um quinto da distância para a Lua e o mais próximo desde junho de 2011. Mesmo assim, não houve risco de colisão. O asteroide é pequeno demais para representar uma ameaça para a Terra. No Twitter da Nasa, os cientistas publicaram que mesmo que o asteroide alcançasse nossa atmosfera, não iria causar grandes acidentes ou algum impacto global.

2012 QG42
Em 13 de setembro de 2012, um asteroide potencialmente perigoso passou perto da Terra. Ele foi descoberto em 26 de agosto pelo programa de monitoramento Catalina Sky Survey, no Arizona, nos Estados Unidos da América. O 2012 QG42 tem um tamanho equivalente a um prédio de 14 andares. Os pesquisadores consideram esse asteroide um pouco ameaçador porque ele poderá bater no nosso planeta. Porém, isso só corre o risco de acontecer em um futuro muito distante.

TOUTATIS
A sonda espacial chinesa Chang’e 2 passou bem próxima ao asteroide Toutatis e divulgou imagens do fenômeno em dezembro de 2012, quando o asteroide de 4,3 quilômetros voou quase na mesma órbita que a Terra. O asteroide foi detectado pela primeira vez em 1934. Por sua vez, a órbita de Toutatis foi confirmada em 1989. Ele passa perto da Terra a cada quatro anos. Segundo a agência de notícias Reuters, a pedra celeste passou a cerca de 7 milhões de quilômetros da Terra na quarta-feira. Essa distância é 18 vezes mais longe do que a Lua. Apesar de ser uma distância considerada perto da Terra pelos cientistas, o astrônomo Lance Benner, da Nasa, garantiu que não existiu possiblidade de colisão. Alguns cientistas acreditam que ele pode se tornar potencialmente perigoso. No entanto, Benner imagina que o Toutatis não vai bater na Terra durante centenas de anos.
YU55
A última passagem de YU55 aconteceu em dezembro de 2011. Segundo a Nasa, o asteroide é todo preto e tem forma quase esférica. Ele chegou a 325 mil quilômetros da Terra, 85% da distância da órbita lunar. Embora o YU55 transite regularmente perto da Terra (assim como de Vênus e de Marte), esta será sua maior aproximação, ao menos nos últimos 200 anos. Segundo a agência espacial, pelo menos nos próximos 100 anos, não há risco de o YU55 colidir com a Terra.
Fonte:Info Abril

Asteróides são cada vez mais uma ameaça para Terra, diz cientista russo

Os grandes asteróides são uma ameaça cada vez maior para a Terra, por isso será preciso investir mais no estudo destes corpos celestes, que até agora não estavam no centro das investigações espaciais, afirmou nesta terça-feira o cientista Yuri Zaitsev, da Academia de Engenharia da Rússia, em uma entrevista à agência "Interfax". "Os asteróides nunca ocuparam um lugar central na astronomia nem nas investigações espaciais", disse Zaitsev. O cientista russo explicou que este baixo investimento ocorre pois se pensava que a probabilidade de um asteróide se chocar com a Terra era ínfima, portanto não fazia sentido gastar um volume muito grande de recursos para neutralizar uma ameaça tão improvável.
 
"Acho que após o que ocorreu em Chelyabinsk este enfoque será revisado. Se o asteróide de Chelyabinsk tivesse explodido mais próximo da cidade, o desastre na usina nuclear de Chernobyl não nos pareceria tão grave", alertou Zaitsev. O acadêmico se referia ao meteorito que em 15 de fevereiro se desintegrou na atmosfera e provocou uma chuva de meteoritos nas imediações desta cidade russa, o que deixou mais de mil pessoas feridas, a maioria pela quebra de vidros e janelas. Záitsev acrescentou que o perigo que representam os asteróides começou a ser considerado após a descoberta do Apophis, que de acordo com os cálculos dos cientistas passará a cerca de 40.000 quilômetros da Terra em 2029.
 
É nesta distância que se localizam as órbitas da maioria dos satélites de telecomunicações. "Não se descarta que a gravidade terrestre afete a trajetória do Apophis, por isso se poderia esperar que em 2036 ele passe mais próximo da Terra, e inclusive se choque com nosso planeta", acrescentou. O cientista disse que as consequências da colisão serão muito mais graves que as do meteorito de Tunguska, que caiu na Sibéria em 1908 e destruiu milhões de árvores em uma área de mais de 2.000 quilômetros quadrados. No entanto, afirmou que o impacto "seguramente não teria caráter global". Em sua opinião, para que o choque de um asteróide contra a Terra seja uma catástrofe mundial, o corpo celeste teria que ter em sua parte mais larga mais de um quilômetro, enquanto o Aponhis mede cerca de 325 metros.
 
"A Terra teve sorte com as rochas celestiais", disse Zaitsev. O cientista lembrou que a superfície da Lua, Marte e Mercúrio está coberta de crateras deixadas por meteoros. Zaitsev acrescentou que Júpiter, por sua grande massa, recebe um grande número de asteróides, e que a atmosfera terrestre é uma boa defesa, mas só contra corpos relativamente pequenos. Mas não há garantias de segurança", sustentou o cientista, para quem a Terra entrou em uma espécie de rastro de grandes corpos celestes. O cientista explicou que na última década foram descobertos mais asteróides do que nos dois séculos anteriores, e que anualmente se detectam mais de mil novos corpos. "Os choques são inevitáveis. A pergunta é: quando ocorrerão?", concluiu.
Fonte:EFE /TERRA

Cometa ISON passará pelo Sol a mais de 1 milhão de km/h

A cada dia que passa, além de se tornar mais brilhante o cometa C/2012 S1 ISON também está ficando mais rápido. Atualmente, sua velocidade é de cerca de 220 mil km/h, uma verdadeira carroça se compararmos com a velocidade que atingirá quando chegar ao periélio.
 
À medida que se aproxima do Sol, além de ficar mais brilhante o cometa ISON também ganha velocidade, pois quanto mais perto da estrela, maior a interação gravitacional. Isso "atrai" o cometa com mais força, fazendo-o despencar mais rápido em direção à estrela. Os cálculos mostram que no dia 27 de dezembro de 2013 ISON chegará a apenas 63 milhões de quilômetros de distância do SOL. Neste dia, sua velocidade de deslocamento será de nada menos que 1.36 milhões de km/h ou 377 km/s. Se fosse um avião, seria possível fazer uma viagem de São Paulo à Nova York em menos de 20 segundos! Apesar de parecer bastante rápido, outros cometas do tipo "sungrazers" podem facilmente ultrapassar esta marca. Em 2011, o cometa Lovejoy chegou ao periélio a 536 km/s ou 1.92 milhões de km/h. Sungrazer ó nome que se dá aos cometas que rumam em direção ao Sol.

Devido à altíssima velocidade de deslocamento, ISON não deverá mergulhar no Sol, mas contorna-lo com velocidade cada vez menor. Isso acontece devido à interação gravitacional entre a estrela que "puxa e freia" o cometa e a fantástica velocidade de deslocamento, que "tenta" fazer o cometa seguir sua órbita. Uma analogia bastante parecida pode ser feita com uma montanha-russa. Do topo da montanha o veículo é acelerado até atingir a máxima velocidade na parte inferior da curva. Em seguida sobe, mas perde velocidade à medida que se eleva, "freado" pela ação da gravidade e perda da energia cinética. Atualmente, ISON está a 700 milhões de quilômetros do Sol, viajando a 19.5 km/s ou 70 mil km/h, mas os números estão mudando. Apertem os cintos, pois em 27 de novembro a velocidade será máxima!
Fonte: Apolo11.com - http://www.apolo11.com/

25 de fev de 2013

Conheça melhor os 5 planetas anões do Sistema Solar

A palavra “planeta” era usada para descrever os pontinhos de luz que passeavam entre estrelas imóveis pelo céu na Grécia Antiga. Desde então, a definição do termo mudou bastante. Até o século 17, por exemplo, Lua e Sol eram classificados como planetas. Em 1930, a descoberta de Plutão levantou muita poeira cósmica. Ele entrou para o time de astros do Sistema Solar, mas nunca deixou de causar controvérsias. Com os avanços tecnológicos que apareceram a partir dos anos 1990, o campo de observação do espaço se expandiu e ficou mais fácil encontrar corpos celestes que ninguém sabia que existiam.

Foi o caso dos astros gelados do Cinturão de Kuiper, uma região do Sistema Solar além dos planetas que se estende desde a órbita de Netuno e que reúne objetos chamados de KBO (Kuiper Belt Object). Em 2005, os cientistas descobriram Éris, um KBO aparentemente maior que Plutão. Pã. Um ano depois, a União Internacional de Astronomia (IAU) definiu uma nova categoria para estes astros diminutos: “planetas anões”.

 De acordo com a IAU, um planeta anão é um corpo celeste que órbita o sol, tem massa suficiente para ter uma forma arredondada, não é uma lua e, principalmente, é incapaz de limpar a vizinhança das suas órbitas – ou seja, é pequeno demais, em termos de massa, para alterar o ambiente que o cerca da forma que um planeta faria. De acordo com a classificação, o velho e amado Plutão, o recém descoberto Éris e outros três pequenos astros passaram a ser considerados planetas anões. Mas os cientistas acreditam que haja mais de 100 por aí, aguardando a descoberta. Enquanto a contagem não aumenta, conheça mais sobre os 5 planetas anões do Sistema Solar:
 
1.Ceres
Foi em 1801 que o astrônomo siciliano Giuseppe Piazzi identificou no céu este pequeno astro, o primeiro objeto descoberto do Cinturão de Asteroides – região do Sistema Solar que fica entre as órbitas de Marte e Júpiter. Antes de ganhar o título de planeta anão em 2006, Ceres já tinha sido considerado um asteroide. Observações do Telescópio Hubble mostraram que ele é parecido com alguns planetas do time “oficial”, como Marte e Terra. Uma das semelhanças é o interior diferenciado, com material mais denso no núcleo e minerais leves perto da superfície. Além disso, há indícios de que o planeta anão pode conter grandes quantidades de água pura abaixo de sua superfície, o que torna seu nome ainda mais apropriado: na mitologia romana, Ceres é a deusa da colheita.
 
2.Plutão
O rebaixamento do Timão, em 2007, não foi nada perto da queda do amado Plutão. A reclassificação do ex-planeta, descoberto em 1930, gerou comoção mundo afora e não faltaram tentativas para “salvar” o astro da vergonha. Mas, neste caso, tamanho foi sim documento: Plutão tem apenas cerca de dois terços do diâmetro da Lua Terrestre e sua massa corresponde a apenas um sexto da massa do satélite. Suas dimensões são tão diminutas que Charon, sua maior lua, descoberta em 1978, tem quase a metade do seu tamanho. O planeta nanico tem outros quatro satélites: Nix e Hydra foram descobertos em 2005 e, em 2012, duas novas luas foram identificadas.

Para acalmar os ânimos e homenagear o antigo 9º planeta do Sistema Solar, a União Internacional de Astronomia determinou que os planetas anões que orbitam o Sol para além de Netuno serão designados também como “plutoides”. O distante planeta, cujo nome remete ao deus romano dos mortos (equivalente a Hades, na mitologia grega), deve receber visitas terráqueas em breve. A New Horizons, da NASA, será a primeira nave espacial a visitar Plutão e do Cinturão de Kuiper – a viagem de nove anos e meio começou em janeiro de 2006 e a chegada ao planeta gelado está prevista para 2015.
 
3.Haumea
Não é só o formato esquisito que diferencia este anão dos demais. Os giros ligeiros do planeta, que tem tamanho quase equivalente ao de Plutão, explicam sua forma única: o Haumea é um dos objetos do nosso sistema solar com rotação mais rápida, completando uma volta sobre seu eixo a cada quatro horas. A translação é bem mais devagar: o astro, descoberto em 2003, leva 285 anos para completar uma órbita ao redor do Sol. Diferentemente da maioria dos outros planetas, seu nome não deriva da mitologia grega: Haumea é o nome da deusa havaiana do nascimento e da fertilidade.
 
4.Makemake
Observado pela primeira vez em março de 2005, o planeta anão foi inicialmente batizado com o codinome não-oficial de “Coelho da Páscoa”. Foi divertido enquanto durou. Reconhecido como um planeta anão pela União Internacional de Astronomia em 2008, o planeta foi batizado Makemake, nome da deusa da fertilidade da mitologia Rapanui – habitantes nativos polinésios da Ilha de Páscoa no Oceano Pacífico, pertencente ao Chile. A alusão à abundância é apropriada: astrônomos encontraram sinais de nitrogênio, etano e metano congelado na superfície do planeta que leva 310 anos para completar uma órbita ao redor do Sol.
 
5.Éris
Brevemente considerado o décimo planeta do Sistema Solar, este anão foi avistado pela primeira vez em 2003 e sua descoberta confirmada em 2005. Grande responsável por desencadear o debate que fez de Plutão um ex-planeta, o astro recebeu um nome apropriado: foi batizado como Éris, deusa grega da discórdia. Inicialmente cientistas pensaram que o semeador de desavenças possuía diâmetro maior do que de Plutão, mas, segundo dados da NASA, observações mais recentes indicam que Éris pode ser um pouco menor que o companheiro anão. Acredita-se que a temperatura na superfície do planeta gelado, que leva 557 anos para completar sua órbita ao redor do Sol, varia entre -217ºC e -243ºC.
Fonte: NASA

Como surgiram as galáxias


Nos últimos anos, nossa visão do universo passou por grandes transformações. Uma delas é que os pesquisadores descobriram que ele está se expandindo muito e é povoado por uma infinidade de corpos celestes. Isso porque no começo do século passado, todos acreditavam que a Via Láctea era a única galáxia do universo, apesar de avistarem outras, acreditavam que fazia parte da nossa galáxia. Mas no ano de 1924, Edwin Hubble deu uma luz na situação, e provou que existem centenas de bilhões de galáxias, muito mais do que se imaginava, e que elas estavam se distanciando entre si, todas estavam se afastando de nós. Isso levantou muitas questões a respeito de que estávamos no centro do universo, mas esse é tema para outro artigo. Mas então se essas galáxias estão se afastando cada vez mais, é de se imaginar que um dia elas estavam mais unidas. E voltando ainda mais no tempo, estavam todas amontoadas num único ponto, o Big Bang. Mas o assunto de hoje é como elas surgiram.
 
Se o universo está se expandindo, as galáxias não podem ser um mero aglomerado de matéria. Será que elas não deveriam se dispersar pelo cosmo por causa da expansão? Sim, se não houvesse uma força agindo por de trás disso tudo. A força da gravidade é sempre atrativa, e o motivo das galáxias não se dispersarem é devido a força gravitacional de sua matéria sendo muito superior aos efeitos da expansão cósmica. Mas que matéria é essa?

Você já deve saber que a matéria comum, que compõe as estrelas, planetas, nebulosas, as pessoas… é somente uma pequena parte da matéria total que compõe uma galáxia. A outra parte é invisível e é totalmente diferente da matéria comum, feita de prótons, nêutrons e elétrons. Ela é chamada de matéria escura, que obviamente não emite luz, mas pode-se ser observada pelos efeitos gravitacionais que exercem sobre os corpos celestes. Ou seja, já sabemos que para uma galáxia existir, é necessária matéria comum e matéria escura. Mas não é só. Ainda falta a semente, a matéria inicial para que pudesse atrair mais matéria. Essas sementes, de acordo com a teoria mais aceita, foram criadas nos primórdios do universo, à quase 14 bilhões de anos atrás. São os restos de um tipo de matéria exótica hoje inexistentes, os fósseis do Big Bang.
Fonte:www.cftc.cii.fc.ul.pt 

Alguns meteoritos são impossíveis de prever

A Terra recebe aproximadamente 100 toneladas de material cósmico todo dia
Dois eventos espaciais assustaram os terráqueos há uma semana, no dia 15 de fevereiro. O asteroide 2012 DA14 chegou a 27,6 mil km da superfície da Terra, mais próximo do que muitos satélites comerciais. Esse fato já havia sido previsto com quase um ano de antecedência. Horas antes, no entanto, a queda de um meteorito deixou mais de mil feridos na Rússia. Desse bólido, ninguém sabia. Com a tecnologia atual, objetos relativamente pequenos são identificados com antecedência mínima. Mas, se visitas diminutas como o da cidade de Chelyabinsk podem provocar danos grandes, materiais e humanos, não seria importante investir mais em detecção a fim de evitar acidentes como esse?
 
Objetos maiores do que quatro metros já podem ser registrados com a tecnologia atual, segundo o professor Jorge Ricardo Ducati, do Departamento de Astronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mas nem todos - e só quando estão realmente próximos, o que acarreta a antecedência de apenas um dia ou menos. “Qualquer tentativa de prever a queda de meteoritos como o de sexta-feira (do dia 15, na Rússia) é tecnologicamente inviável, independentemente do investimento”, avalia Fernando Roig, doutor em astronomia, pesquisador do Observatório Nacional e especialista em asteroides. Ainda de acordo com Roig, mesmo que fosse possível identificar as trajetórias de meteoros desse tamanho, seria difícil prever seu comportamento: se explodiria na atmosfera e se provocaria danos em áreas urbanas.
 
Há outro fator que influencia na detecção de asteroides. As observações por telescópio precisam ser realizadas à noite, quando a luz refletida pelos asteroides pode ser observada em contraste com o plano de fundo escuro. “O grande problema com o objeto que caiu na Rússia no dia 15 é que ele se aproximou da Terra da direção do Sol, ou seja, sem que pudesse ser detectado com o telescópio”, explica Nigel Bannister, astrônomo e palestrante do Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Além de ser maior, o objeto que passou próximo à Terra no mesmo dia vinha da direção contrária. Uma possível solução para esse tipo de problema está tomando forma a partir de um grupo chamado B612 Foundation. O plano desses cientistas e engenheiros é construir e lançar ao espaço um telescópio com infravermelho que orbitaria o Sol e rastrearia objetos com trajetória próxima da Terra. “Investir nesse tipo de missão certamente ajudaria”, diz Bannister.
 
Investimento Mesmo que se tenha avançado muito nas últimas décadas, é consenso que maior investimento no setor resultaria ganhos significativos. Mas, em tempos de crise, o orçamento da Nasa, a agência espacial americana, está cada vez menor. Assim, não dá para depender apenas dos EUA. Para o professor Antonio Gil Vicente de Brum, doutor em Engenharia e Tecnologia Espaciais, é necessária uma rede mais ampla de monitoramento. “Países como o Brasil, por exemplo, poderiam ajudar muito. Contudo tais investimentos não são prioritários para o país, e não há nada previsto sobre isso no plano nacional de atividades espaciais”.
 
Ocorrências Identificado no ano passado - como revela seu nome -, o asteroide 2012 DA14 tem aproximadamente 45 metros de diâmetro, de acordo com a Nasa. Segundo cálculos da agência espacial americana, há 500 mil asteroides desse tamanho “próximos da Terra”. Desses, apenas 1% foram descobertos. Mas objetos desse tamanho não são a maior preocupação em se tratando de corpos celestes. Com até 40 metros de diâmetro, eles se desintegram na atmosfera e, quando, raramente, promovem estragos, são bem localizados. Foi o caso do meteorito que explodiu em Chelyabinsk, de diâmetro estimado em 17 metros e massa de 10 mil toneladas. Embora tenha causado danos avaliados em aproximadamente R$ 60 milhões, deixou feridos apenas por efeitos secundários, como estilhaços de vidro. Curiosos pelo facho de luz que divisavam pela janela de casa ou do trabalho, muitos corriam para vê-lo. Dessa forma, mais de mil pessoas tiveram algum tipo de ferimento. Fazia tempo que um bólido não tinha impacto tão grande na Terra. Esse meteorito foi o maior a atingir nosso planeta desde 1908. Naquele ano, em uma floresta em Tugunska, também na Rússia, um objeto pouco menor do que o 2012 DA14, de diâmetro estimado em 40 metros, devastou uma área de 2 mil quilômetros quadrados, maior do que a cidade de São Paulo.
 
Calma Eventos como esse não devem causar pânico. “Não é tão comum a ponto de assustar, nem tão raro a ponto de não acontecer”, pontua o astrônomo e professor Adolfo Stotz Neto, presidente do Grupo de Estudos de Astronomia do Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo Bannister, pode-se estimar uma queda como essa a cada 100 anos. “Ainda não há como encontrar todas essas pedras que andam por aí pelo espaço, então, por um bom tempo, esses pequenos objetos continuarão caindo sem que consigamos detectá-los antes”, afirma Antonio Kanaan, professor da Universidade Federal de Santa Catarina e doutor em astrofísica pela Universidade do Texas. A maioria dos meteoritos são muito menores. A Terra recebe aproximadamente 100 toneladas de material cósmico todo dia, mas essas partículas são normalmente pequenas. "Como grãos de areia", ilustra Bannister. As “estrelas cadentes” (na verdade, fragmentos de cometas e asteroides) têm tamanho comparável ao de uma bola de beisebol, por exemplo. Não podem ser detectadas com antecedência, porém não apresentam ameaça, já que se desintegram na atmosfera.
 
Mapeamento A tendência é mapear objetos cada vez menores. Há 10 anos, a meta dos pesquisadores era rastrear os objetos potencialmente perigosos de tamanho maior do que 1 quilômetro de diâmetro, os quais seriam ameaças globais. Já foram identificados quase 95% dos aproximadamente 980 corpos celestes que poderiam sacudir nosso planeta violentamente. Mas nenhum deles registra rota de colisão com a Terra, segundo os dados mais recentes do telescópio Wide-field Infrared Survey Explorer (Wise), que faz uma espécie de censo cósmico. De acordo com Daniela Lazzaro, responsável pela Iniciativa de Pesquisa e Mapeamento de Asteroides nas Cercanias da Terra no Observatorio Nacional, a meta atual de astrônomos da área é detectar todos os objetos com tamanho de até 150 metros, suficiente para destruir um país. Não será tarefa fácil: o mapeamento do WISE revela a possível existência de 19,5 mil asteroides de 100 metros a 1 quilômetro de diâmetro. Para asteroides de até 100 metros, como o 2012 DA14, o cálculo é de que haja mais de 1 milhão.
O projeto Atlas, capitaneado por astrônomos da Universidade do Havaí e financiado com US$ 5 milhões cedidos pela Nasa, é uma das iniciativas que visa objetos menores, a partir de 45 metros. Com dois observatórios, munidos de telescópios e câmeras ultrapotentes, a iniciativa pretende monitorar bólidos espaciais e fornecer avisos com sua trajetória e local de impacto. Segundo os organizadores, a construção deve levar três anos. "O meteorito de Chelyabinsk foi assustador, e muitas centenas de pessoas ficaram feridas, mas os danos foram pequenos quando comparados com o que poderia acontecer com objetos um pouco maiores”, afirma John Tonri, pesquisador do projeto. "Nosso objetivo ao construir o Atlas é encontrar esses objetos e fornecer avisos para medidas de emergência". Caso o projeto Atlas tenha êxito na detecção de pequenos objetos, não haverá tempo de pensar em como desviá-los ou destruí-los. Mas se poderá, quem sabe, evacuar uma cidade antes da colisão. "As pessoas precisam entender que, no geral, as chances de um impacto são pequenas", pondera Bannister. "É mais provável que você morra em um acidente de carro ou de avião do que por um meteorito. Por outro lado, é menos provável que você morra por um raio do que por uma pedra espacial".
Fonte: Terra

Mapa aponta locais onde já caíram meteoritos em todo o mundo

Trabalho foi feito com base em dados de quase 35 mil pedras. No Brasil, quase não há registros na Região Norte.
Mapa mostra áreas onde já caíram mais meteoritos no mundo (Foto: Reprodução/CartoDB)
 
A queda de um meteoro na Rússia no último dia 15 deixou mais de mil feridos e aumentou a curiosidade em relação ao fenômeno. Ao longo da semana, leitores do G1 enviaram registros de uma mancha no céu, e em Campos dos Goyatacazes (RJ), astrônomos amadores chegaram a afirmar que seriam grandes as chances de que fragmentos de um meteoro cairiam na cidade. No entanto, a queda de meteoros é um fenômeno relativamente comum. O site “CartoDB” fez uma montagem em um mapa mostrando todos os lugares onde já foram registrados oficialmente quedas de meteoritos, incluindo os que já foram encontrados em terra e aqueles cuja descida foi presenciada. O mapa foi montado a partir da base de dados da “Meteoritical Society”, um grupo internacional que mantém o registro de todos os meteoritos reconhecidos pela comunidade científica. Ao todo, a relação usada no mapa tem pouco menos de 35 mil pedras. A lista conta com meteoritos encontrados desde a Antiguidade, como o Ur, encontrado pelos mesopotâmios por volta do ano 2.500 a.C. no atual Iraque. O maior já registrado é o Hoba, encontrado na Namíbia em 1920, que tem 60 toneladas e é composto de aço. No mapa, as áreas em vermelho mais escuro representam os locais onde já foram encontrados mais meteoritos. Os círculos maiores representam também meteoritos mais pesados. Isso não significa que as demais áreas não tenham tido o fenômeno, apenas que não há registro oficial – na floresta amazônica, por exemplo, seria naturalmente mais difícil encontrar essas pedras, o que explica o clarão no Norte do Brasil.
Fonte: G1

Estrelas de sistema binário provocam explosões quando se aproximam

Paulo Garcia, investigador da FEUP, participa em estudo internacional
Durante a órbita, no ponto de maior proximidade, as suas magnetosferas tocam-se, libertando muita energia
 
Duas estrelas muito jovens, que formam um sistema binário, rodeadas de poeira e gás, provocam um evento explosivo quando estão no seu maior ponto de proximidade. Este fenómeno, nunca observado em estrelas com esta massa, foi agora descrito numa investigação internacional em que está envolvido Paulo Garcia, do Departamento de Engenharia Física da Faculdade de Engenharia Universidade do Porto. O estudo está publicado no «Monthly Notices of the Royal Astronomical Society». Em conversa com o «Ciência Hoje», o investigador explicou, a partir da imagem que se pode ver acima, as particularidades este sistema. Na imagem (visão artística concebida a partir de observações feitas pelo Very Large Telescope Interferometer) “as duas estrelas estão no centro de uma região relativamente aberta de material, à volta dela da qual há um disco de material; essas estrelas têm uns arcos que são parecidos com os arcos magnéticos no Sol”.

Como as estrelas são muito jovens, têm um milhão de anos (o Sol tem cinco mil milhões), a sua actividade magnética é muito maior. “Têm uma magnetosfera muito grande”, explica. “Como andam em órbita à volta uma da outra, fazem uma espécie de cavidade na parte interior do disco onde não há nada. Existem apenas umas espirais de material que caem do bordo interno do disco circumbinário para dentro”. Durante a órbita, no ponto de maior proximidade, as suas magnetosferas tocam-se e liberta-se muita energia. “Nós descobrimos que no momento em que estão juntas existe uma emissão muito forte em riscas de hidrogénio. Essa explosão dá-se no momento de maior aproximação”.

É possível estimar o tamanho da magnetosfera para cada estrela e perceber que, de facto, elas se tocam, o que à partida não era óbvio. É a primeira vez que este fenómeno é observado em estrelas com esta massa, tendo já sido observado em estrelas com massa mais pequena. Uma das imagens mais conhecidas da «Guerra das Estrelas» é quando se vê um ocaso com dois sóis. “Este sistema binário é um caso semelhante”, diz Paulo Garcia. À volta deste sistema, o disco continua mais ou menos intacto. “É um disco normal só que a parte interna foi escavada. Por isso, não estamos à espera de encontrar planetas aí; se existirem será devido a algum fenómeno esquisito”. No entanto, “na parte externa circumbinária, os planetas podem formar-se normalmente porque todos os processos normais de formação planetária estão lá”. É um sistema que está a formar planetas na órbita externa às duas estrelas. “Se tivéssemos num desses planetas, veríamos um por-do-Sol igual ao do filme”.
Fonte: Ciência Hoje

A partícula profeta do apocalipse

Como se já não bastasse a confusão causada quando chamam o bóson de Higgs de "partícula de Deus", eis que, recentemente, a mesmíssima partícula voltou à berlinda, agora como profeta do fim. Isso mesmo, leitores, o destino do Universo está nas mãos dessa partícula ou, mais precisamente, no valor de sua massa. Tudo começa na cozinha, que é um excelente laboratório. Como sabemos, as propriedades de uma substância, como a água, dependem de sua temperatura: muito frio, a água congela; muito quente, evapora. Essas mudanças são conhecidas como transições de fase. Surpreendentemente, o próprio Universo --ou a matéria nele--passou por ao menos uma ou duas transições de fase. E talvez possa passar por mais uma. A história cósmica começa no Big Bang, que marca o início do tempo. Logo após o "bang", o espaço começou a crescer feito um balão, e a matéria nele se resfriou. Voltando à cozinha, vemos que a expansão do Universo funciona como uma geladeira, fazendo a temperatura baixar. Será que a matéria cósmica também pode passar por uma transição de fase?
Sabemos que sim.
 
 Logo no início, a temperatura era tal que as partículas não tinham massa. A única que tinha era o Higgs, mas ele não interagia com as outras partículas. Quando a temperatura foi baixando, o Higgs passou a interagir com as partículas com maior intensidade, dando-lhes massa. Esse processo é uma transição de fase que ocorreu quando o Cosmo tinha um trilionésimo de segundo. Em julho do ano passado, cientistas do laboratório europeu de partículas Cern (onde estarei durante toda a semana --podem esperar algo para domingo que vem) descobriram uma partícula com toda a cara do Higgs. Ainda não temos certeza se é o mesmo Higgs que dá massa para todo mundo, mas tudo indica que sim. O problema é a massa dele, que é entre 124 e 126 vezes maior do que a do próton. Dependendo da massa do Higgs, o Universo pode passar por outra transição de fase, como a água, que pode ir do estado gasoso ao líquido e do líquido ao sólido.
 
 Se isso for verdade, estaríamos na fase líquida e poderíamos cair na fase sólida. Quando muda a fase --por meio do surgimento de bolhas da fase nova na fase antiga--, muda toda a física e não sobra ninguém para contar essa história. Seria o fim do Universo, ao menos como o conhecemos hoje. Antes de causar pânico total, algumas boas novas. Os cálculos indicando que a massa do Higgs é próxima da que causa a instabilidade baseiam-se na suposição de que nenhuma nova física (outras partículas ou forças) aparece até as energias vigentes perto do Big Bang. Possível, mas pouco provável. Também dependem de valores muito precisos das massas de certas partículas, que ainda contêm erros. Os mesmos cálculos indicam que o tempo para que o Universo mude para a nova fase é de bilhões de anos. Resumindo, a possibilidade de transição existe, mas nada é conclusivo e, se ocorrer, deve demorar. Na semana que vem, falarei com os físicos responsáveis pelo cálculo para ver se têm algo novo. Talvez eu mesmo adicione algo à conta, quem sabe ajudando a salvar o Universo.
Créditos:Marcelo Gleiser- Folha
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