Detectada polarização na radiação cósmica de fundo

O sinal do modo B da polarização pode favorecer cálculos relacionados a neutrinos e informações sobre inflação
A imagem mostra a anisotropia da radiação cósmica de fundo (cosmic microwave background) depois de subtraídas a anisotropia de dipolo, emissão decorrentes de poeira (emissão térmica), gás (emissão livre), e as partículas carregadas qie interagem com campos magnéticos (emissão síncrotron) na Via Láctea. A anisotropia CMB - pequenas flutuações na luminosidade do céu (um em cem mil) - foi detectada pela primeira vez pelo instrumento DMR COBE.
 
Astrônomos detectaram um sinal de polarização previsto há muito tempo nas ondulações do Big Bang. O sinal, conhecido como polarização de modo B, é provocado pelo arrasto gravitacional da matéria sobre fótons de microondas deixados pelo Big Bang. Sua detecção, feita por um telescópio de microondas no Polo Sul e postada esta semana no servidor de preprints arXiv, aumenta as esperanças de que o sinal possa ser usado para mapear a quantidade de matéria do Universo e determinar as massas de três tipos de neutrinos – na prática, usando a astronomia para atingir um dos principais objetivos da física de partículas. A detecção também sugere que pode ser possível detectar outro tipo de modo B, que poderia ser evidência de que o Universo, no momento após o Big Bang, passou por uma violenta expansão conhecida como inflação.

“O motivo de ninguém ter conseguido ver isso antes é que esse é um sinal muito pequeno – cerca de uma parte em 10 milhões”, explica Duncan Hanson, astrofísico da McGill University em Montreal, no Canadá, que liderou o trabalho, usando receptores ultra-sensíveis no Telescópio do Polo Sul (TPS), de 10 metros. Em comparação, as primeiras medidas de ondulações na radiação cósmica de fundo, divulgadas em 1992 por pesquisadores usando o satélite Cosmic Background Explorer, da Nasa, registrava diferenças de quatro partes em 100 mil.

Outros instrumentos também estão tentando detectar modos B, incluindo o experimento POLARBEAR e o Telescópio Cosmológico do Atacama (TCA), ambos em Chajnantor, no Chile. “Eles nos derrotaram, e eu tiro o chapéu para eles”, elogia Lyman Page, astrônomo da Princeton University, em Nova Jersey, e principal pesquisador do ACT. “Esse é um sinal intrinsecamente claro, e todos nós acreditamos que ele se tornará uma ferramenta importante para medir o conteúdo do Universo”. David Spergel, astrofísico teórico também de Princeton, concorda. “Essa é a primeira vez em que a polarização foi usada para identificar estruturas de grande escala no Universo”, observa ele.

O TPS, ativado em 2007, usa a radiação cósmica de fundo para mapear as posições de galáxias e aglomerados estelares. Seus sensíveis receptores de microondas foram instalados em 2012 e conseguiram detectar variações no sinal de modo B por escalas muito pequenas no céu, aponta John Carlstrom, astrofísico da University of Chicago, em Illinois, e principal pesquisador do SPT. Para usar o sinal para localizar as massas de neutrinos, que compõem uma porção desconhecida da matéria sendo mapeada, astrônomos terão que varrer um trecho do céu muito maior que os 100 graus quadrados mapeados pelo TPS.
 
Mesmo assim, Carlstrom lembra que não é impossível que telescópios determinem a massa de neutrinos nos próximos anos, antes que experimentos planejados para a física de partículas tentem fazer a mesma coisa com feixes de neutrinos na Terra. Mas o objetivo final dos experimentos de polarização de microondas não é fazer física de partículas, mas cosmologia. Eles estão perseguindo uma classe diferente de modos B “primordiais”, que acredita-se serem gerados pela rápida expansão do espaço durante a inflação. Qualquer detecção seria uma confirmação definitiva da inflação – uma das principais teorias da cosmologia – e estabeleceria sua escala de energia, o que seria útil para físicos que trabalham para desenvolver teorias da gravidade quântica.

Mas modos B primordiais existiriam como pequenas variações em grandes escalas com mais de um grau de diâmetro – grandes demais para que o TPS encontre importância estatística com o trecho celeste relativamente pequeno que ele observa. O satélite Planck, da Agência Espacial Europeia, que varre o céu inteiro, pode ser capaz de identificá-los. Também é possível que eles sejam discerníveis em conjuntos de dados menores, como o TPS, uma vez que modos B gravitacionais tenham sido mapeados e removidos, com o potencial de revelar qualquer sinal primodial abaixo. De acordo com Spergel, a observação mais recente do TPS sugere que essa abordagem para detectar modos B é um bom prospecto. “É um bom sinal que eles conseguiram medir isso a partir do solo”.

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