30 de maio de 2018

Meteorito antigo conta história da topografia de Marte

O meteorito marciano Northwest Africa (NWA) 7034, com a alcunha "Black Beauty", pesa aproximadamente 320 gramas.Crédito: NASA

Ao examinarem um antigo meteorito marciano que pousou no deserto do Saara, cientistas e colaboradores do LLNL (Lawrence Livermore National Laboratory) determinaram como e quando a divisão crustal topográfica e geofísica do Planeta Vermelho se formou. NWA (Northwest Africa) 7034 é o mais antigo meteorito marciano descoberto até à data, com aproximadamente 4,4 mil milhões de anos. O meteorito é uma brecha (contém uma variedade de rochas crustais que foram misturadas e depois sinterizadas por aquecimento) e é a única amostra de Marte com uma composição representativa da crosta média marciana. 

O meteorito forneceu aos investigadores uma oportunidade única para estudar a antiga crosta de Marte. A equipa aplicou um número de técnicas de datação radioisotópica para determinar que a divisão (ou dicotomia) entre os planaltos meridionais fortemente craterados do planeta e as planícies mais lisas das terras baixas do norte se formou antes da produção de NWA 7034 há 4,4 mil milhões de anos. Esta idade antiga é consistente com uma origem de impacto gigante para a dicotomia crustal. A pesquisa foi publicada na edição de 23 de maio da revista Science Advances.

"Se a dicotomia crustal marciana se formou como resultado de um impacto gigante, e os dados e modelos disponíveis sugerem que isso é provável, a história de NWA 7034 exige que se tenha formado muito cedo na história do planeta, há mais de 4,4 mil milhões de anos atrás," comenta o cosmoquímico Bill Cassata, do LLNL e autor principal do artigo. A dicotomia é um contraste forte entre o hemisfério sul e norte. A geografia dos dois hemisférios difere em elevação entre 1 e 3 km. A espessura média da crosta marciana é de 45 km, com 32 km nas terras baixas a norte e 58 km nas terras altas a sul. 

As terras baixas a norte compreendem cerca de um-terço da superfície de Marte e são relativamente planas. Os outros dois-terços da superfície marciana são as terras altas do hemisfério sul. A diferença em elevação entre os hemisférios é dramática (as terras altas são muito montanhosas e vulcânicas). Foram propostas três grandes hipóteses para a origem da dicotomia crustal: endógena (por processos no manto), impacto único ou múltiplos impactos. A equipa teve como objetivo determinar quando e como a dicotomia crustal se formou.

Com base em novas medições radioisotópicas e em conjunto com outros dados publicados, a equipa determinou que todas as rochas que eventualmente foram incorporadas na brecha NWA 7034 foram instaladas há cerca de 4,4 mil milhões de anos no "terreno da fonte" (a região de origem crustal a partir da qual os diferentes componentes rochosos são derivados). Os resultados mostram que este terreno foi submetido a um metamorfismo prolongado associado a uma grande pluma alimentada por um centro vulcânico há ~1,7 a 1,3 mil milhões de anos. As extensões areais de grandes centros vulcânicos alimentados com plumas em Marte têm milhares de quilómetros quadrados, e o terreno da fonte era provavelmente de tamanho comparável. 

Finalmente, mostraram que a rocha foi aglomerada há ~200 milhões de anos ou mais recentemente. Quando vistos em conjunto, os dados de NWA 7034 demonstraram que grandes terrenos vulcânicos sobreviveram a poucos quilómetros da superfície de Marte há mais de 4400 milhões de anos. Isto indica que a dicotomia se formou antes destes 4,4 mil milhões de anos, já que rochas próximas da superfície teriam sido enterradas ou destruídas pelo evento de formação da dicotomia.

"Este estudo multidisciplinar, combinando técnicas geoquímicas tradicionais e inovadoras, forneceu-nos algumas novas ideias sobre os principais processos que moldaram o jovem Marte," comenta Caroline Smith, diretora de Coleções de Ciências da Terra, principal curadora de meteoritos do Museu de História Natural e coautora do artigo.

Os resultados desta equipa têm implicações importantes para a compreensão de quando e como uma das características geológicas globais mais antigas e mais distintas de Marte foi formada.  Este estudo demonstra que os vários sistemas de datação radioisotópica, que são restabelecidos por diferentes processos metamórficos, podem ser usados para desvendar a história térmica de uma amostra ao longo de milhares de milhões de anos," concluiu Cassata.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/

Uma lupa para um pulsar

Astrônomos descobriram um pulsar que vem com sua própria lupa - cortesia de seu companheiro anão marrom que está sendo despedaçado.
O pulsar PSR B1957 + 20 é visto em segundo plano através da nuvem de gás que envolve seu companheiro estrela marrom anão. Mark A. Garlick / Instituto Dunlap de Astronomia e Astrofísica, Univ. de Toronto

Em um sistema a 6.500 anos-luz de distância, um pulsar e uma anã marrom dançam um dervixe cósmico, chicoteando um ao outro a cada nove horas. Sua dança não vai durar - além de seu feixe de ondas de rádio como um farol, o pulsar PSR B1957 + 20 está emitindo um vento feroz de partículas que está lentamente explodindo seu companheiro. Por essa razão, o pulsar ganhou o nome de “viúva negra”, depois das espécies de aranha que comem seu parceiro.  Mas antes que a refeição esteja completa, a anã marrom tem algo a nos oferecer: uma lupa que expõe o pulsar em detalhes incríveis.

O sistema inteiro é minúsculo: a anã marrom é do tamanho de Júpiter e o pulsar é apenas do tamanho de Manhattan; a distância que os separa é aproximadamente cinco vezes a distância entre a Terra e a Lua. Do ponto de vista da Terra, a anã marrom é grande o suficiente para eclipsar o pulsar por 40 minutos toda vez que eles circulam um ao outro.

É essa geometria afortunada que dá à anã marrom seu poder de ampliação. Se você já admirou os belos padrões de luz ao longo da costa, observou a luz se curvar à medida que passa pela água. Ondas na água concentram a luz solar para criar esses padrões de ondulação na areia. O casulo de plasma em torno da anã marrom tem um efeito similar no feixe do farol do pulsar - quando tudo se alinha exatamente à direita, vemos o pulso de ondas de rádio passar pelo plasma, que concentra a radiação.

Não era óbvio que isso deveria acontecer. Mas, em 2014, Robert Main (Universidade de Toronto) e seus colegas observaram uma órbita completa de 9,2 horas usando o telescópio de 305 metros William E. Gordon no Observatório de Arecibo. Pouco antes e logo após cada eclipse pulsar, eles viram os pulsos de rádio clarearem. Além disso, os pulsos se iluminaram de maneiras diferentes em freqüências diferentes, exatamente como esperado para um evento de lente.

“A outra coisa espetacular que acontece”, explica Main, “é que a emissão dos dois pólos do pulsar não é amplificada igualmente. Há momentos em que a emissão de um pólo é grandemente aumentada, enquanto o outro não é afetado ”.

Em outras palavras, a "lente" gasosa ao redor da anã marrom às vezes aumentava a emissão do pólo norte do pulsar e às vezes do pólo sul - resolvendo duas áreas de emissão a apenas 10 km (6 milhas) além de 6.500 anos-luz de distância. Isso equivale a resolver uma pulga na superfície de Plutão usando telescópios baseados na Terra. (Para referência, o New Horizons voou direto para Pluto e ainda conseguiu apenas 80 metros de largura!) A equipe publicou seus resultados na Nature .

Como Jason Hessels (Universidade de Amsterdã, Holanda) aponta em uma peça de acompanhamento , esta não é a primeira vez que os astrônomos viram as lentes de plasma. Outros exemplos incluem quasares distantes e o pulsar da Nebulosa do Caranguejo. No entanto, levou 30 anos entre a descoberta do PSR B1957 + 20 e a detecção de suas lentes. Tudo se resume ao aumento do poder de computação, argumenta Hessels, que permitiu aos astrônomos examinar as mudanças nas escalas de microssegundos em várias frequências de rádio. Ele conclui: “O futuro é brilhante para usar pulsares para iluminar o universo invisível”.
Fonte: http://www.skyandtelescope.com

Uma vizinhança superlotada

Brilhando intensamente a cerca de 160 000 anos-luz de distância da Terra, a Nebulosa da Tarântula é a estrutura mais impressionante da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa Via Láctea. O Telescópio de Rastreio do VLT, instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, observou esta região e os seus arredores ricos com extremo detalhe, revelando uma paisagem cósmica de aglomerados de estrelas, nuvens de gás brilhante e restos espalhados de explosões de supernovas. Trata-se da imagem mais nítida obtida até hoje de toda a região.
Aproveitando as capacidades do VST — VLT Survey Telescope, situado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, astrônomos capturaram esta nova imagem muito detalhada da Nebulosa da Tarântula e dos seus numerosos aglomerados estelares e nebulosas vizinhas. A Tarântula, também conhecida por 30 Doradus, é a região de formação estelar mais brilhante e energética do Grupo Local de galáxias.

A Nebulosa da Tarântula, no alto da imagem, tem uma dimensão de mais de 1000 anos-luz e situa-se na direção da constelação do Dourado, no céu austral. Esta bela nebulosa faz parte da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã com 14 000 anos-luz de dimensão. A Grande Nuvem de Magalhães é a terceira galáxia mais próxima da Via Láctea, depois da Galáxia Elíptica Anã de Sagitário e da Galáxia Anã de Cão Maior.

No coração da Nebulosa da Tarântula situa-se um jovem aglomerado estelar gigante chamado NGC 2070, uma região com formação explosiva de estrelas cujo núcleo denso, R136, contém algumas mais estrelas mais massivas e luminosas que se conhecem. O intenso brilho da Nebulosa da Tarântula foi inicialmente observado e anotado pelo astrônomo francês Nicolas-Louis de Lacaille em 1751.

Outro aglomerado estelar na Nebulosa da Tarântula é o muito mais antigo Hodge 301, no qual se estima que pelo menos 40 estrelas tenham explodido sob a forma de supernovas, liberando gás para a região. Outro exemplo de um resto de supernova é a superbolha SNR N157B, que envolve o aglomerado estelar aberto NGC 2060. Este aglomerado foi inicialmente observado pelo astrônomo britânico John Herschel em 1836, usando um telescópio refletor de 18,6 polegadas no Cabo da Boa Esperança, África do Sul. Na periferia da Nebulosa da Tarântula, embaixo à direita, podemos ver a localização da famosa supernova SN 1987A.

Deslocando-nos para o lado esquerda da Nebulosa da Tarântula, podemos ver ainda o brilhante aglomerado estelar aberto chamado NGC 2100, que mostra uma concentração brilhante de estrelas azuis rodeadas por estrelas vermelhas. Este aglomerado foi descoberto pelo astrônomo escocês James Dunlop em 1826, quando trabalhava na Austrália, usando um telescópio refletor de 23 cm construído por ele próprio.

No centro da imagem encontra-se o aglomerado estelar e nebulosa de emissão NGC 2074, outra região de formação de estrelas massivas descoberta por John Herschel. Olhando com mais atenção, podemos observar uma estrutura escura de poeira com uma forma semelhante a um cavalo marinho — o “Cavalo Marinho da Grande Nuvem de Magalhães”. Esta gigantesca estrutura em forma de pilar tem cerca de 20 anos-luz de dimensão — quase cinco vezes a distância entre o Sol e a sua estrela mais próxima, Alfa Centauri. Esta estrutura está condenada a desaparecer nos próximos milhões de anos, já que, à medida que mais estrelas se formam no aglomerado, a sua luz e ventos vão varrendo lentamente os pilares de poeira.

A obtenção desta imagem foi possível graças à câmera especial de 256 milhões de pixels do VST, a OmegaCAM. A imagem foi criada a partir de dados obtidos por esta câmera através de quatro filtros de cor diferentes, incluindo um concebido para isolar o brilho vermelho do hidrogênio ionizado.
Fonte: ESO

29 de maio de 2018

Rochas Marcianas podem conter sinais de vida


O delta da Cratera Jezero, o delta de um rio antigo bem preservado em Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/JHU-APL

Uma investigação sugere que rochas ricas em ferro, perto de lagos antigos em Marte, podem conter pistas cruciais que mostram que a vida lá existiu. Estas rochas - que se formaram em leitos de lagos - são o melhor lugar para procurar evidências fósseis de vida de há milhares de milhões de anos atrás, dizem os cientistas.  Um novo estudo que lança luz sobre o local onde fósseis podem e star preservados pode ajudar a procurar vestígios de criaturas minúsculas - conhecidas como micróbios - em Marte, que se pensa ter tido a capacidade para suportar formas de vida primitivas há cerca de 4 mil milhões de anos.

Rochas antigas

Uma equipe liderada por um investigador da Universidade de Edimburgo determinou que rochas sedimentares feitas de barro ou argila compacta são as mais propensas a conter fósseis. Estas rochas são ricas em ferro e um mineral chamado sílica, que ajuda a preservar os fósseis.  As rochas formaram-se durante os períodos Noachiano e Hesperiano da história marciana, há 3 ou 4 mil milhões de anos. Naquela época, a superfície do planeta era abundante em água, o que poderia ter sustentado a vida. As rochas estão muito mais bem preservadas do que as da mesma idade cá na Terra, dizem os cientistas. Isto porque Marte não está sujeito a tectónica de placas - o movimento de enormes placas rochosas que formam a crosta de alguns planetas - que, com o tempo, podem ajudar a destruir rochas e fósseis dentro delas.

Missões a Marte

A equipe reviu estudos de fósseis na Terra e avaliou os resultados de experiências de laboratório que replicavam as condições de Marte para identificar os locais mais promissores do planeta para explorar vestígios de vida passada. As suas descobertas podem ajudar a informar a próxima missão rover da NASA ao Planeta Vermelho, que se concentrará na busca por evidências de vida passada. O rover Mars 2020 da agência espacial vai recolher amostras rochosas para serem transportadas para a Terra por uma missão futura para análise.

Uma missão similar, liderada pela ESA, também está planeada para os próximos anos. O estudo mais recente poderá ajudar na seleção de locais de pouso para ambas as missões e ajudar a identificar os melhores locais para recolher amostras de rochas.  O Dr. Sean McMahon, da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Edimburgo: afirma: "Existem muitos afloramentos rochosos e minerais interessantes em Marte onde gostaríamos de procurar fósseis, mas já que não podemos enviar rovers para todos, tentamos priorizar os depósitos mais promissores com base nas melhores informações disponíveis."
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/

Hubble mostra o universo local em luz ultravioleta

Dados sobre estrelas e aglomerados de 50 galáxias na nossa ‘vizinhança’ cósmica vão ajudar a melhorar compreensão sobre a formação e evolução destes objetos

Uma equipe internacional de astrônomos criou um catálogo de observações em luz ultravioleta, composto por cerca de 8.000 aglomerados e 39 milhões de estrelas azuis quentes, pertencentes a 50 galáxias. As observações foram feitas usando o Telescópio Espacial Hubble.

A luz ultravioleta é usada para rastrear as estrelas mais jovens e quentes. Essas estrelas têm uma vida útil relativamente curta e são extremamente brilhantes. Os astrônomos obtiveram detalhes, em luz visível e ultravioleta, de 50 galáxias localizadas a não mais de 60 milhões de anos-luz da Terra. 
 NGC 6744
As 50 galáxias foram escolhidas de um grupo de 500 candidatos que cumpriram certos requisitos de observação, por exemplo: sua massa, a taxa de formação de estrelas e a abundância de elementos mais pesados ​​que o hidrogênio e o hélio. Devido à proximidade das galáxias escolhidas, o Hubble conseguiu distinguir seus principais componentes: estrelas e aglomerados. As 39 milhões de estrelas observadas são pelo menos 5 vezes mais massivas que o sol.
Messier 106
Ao ser capaz de observar todas essas galáxias em detalhes, os astrônomos aspiram a identificar o mecanismo físico por trás da distribuição das estrelas. Ele também procura entender a ligação definitiva entre a formação de gás e estrelas, que é fundamental na evolução das galáxias.
UGCA 281 
Fonte: http://blog.nuestroclima.com

Físico acredita em “teoria unificada” para o estudo das singularidades do espaço-tempo

As singularidades são os objetos mais extremos do universo. Elas se formam quando estrelas ficam sem “combustível” e entram em colapso sob seus próprios campos gravitacionais. Quando as singularidades são cercadas por uma superfície de onde nada, nem mesmo a luz, pode escapar, conhecida como horizonte de eventos, este objeto é o que conhecemos como buraco negro.

As singularidades são também um mistério. Isso porque, para explorar a verdadeira natureza das singularidades, precisaríamos de uma teoria que unificasse a relatividade geral e a mecânica quântica. Por enquanto, essa é uma tarefa que ninguém conseguiu realizar.

Porém, em um texto publicado no site da revista Scientific American, o físico Avi Loed, professor da Universidade de Harvard, diz acreditar que seja possível avançarmos até o ponto de chegarmos a uma teoria que nos faça “ver” as singularidades. Mesmo no contexto de propostas específicas para um modelo unificado, como a teoria das cordas, a natureza das singularidades dos buracos negros raramente é discutida por causa de sua complexidade matemática. Mas talvez esteja na hora de abrir essa discussão, já que o Prêmio Nobel de 2017 foi concedido à equipe do LIGO por descobrir ondas gravitacionais de colisões de buracos negros. Um sinal quântico observável das singularidades incorporadas poderia nos guiar na busca por uma teoria unificada”, defende ele em seu texto.

Reservatório de matéria

Ele explica que essa ideia surgiu em sua mente após um evento cotidiano em sua casa. “Esse pensamento me ocorreu durante duas conferências consecutivas que realizamos na Universidade de Harvard de 7 a 11 de maio, uma sobre astrofísica de ondas gravitacionais e a segunda sobre a conferência anual da Iniciativa do Buraco Negro de Harvard. Alguns dias antes, o porão de minha casa estava inundado, já que o cano de esgoto estava entupido de raízes de árvores, e as cinco horas que passei com um encanador para consertar esse problema me levaram a perceber que a água que escorre pelo ralo é coletada em algum lugar”.

“Normalmente, o cano de esgoto leva a água para um reservatório da cidade e não pensamos onde ela vai, porque não vemos a água quando ela sai de nossa propriedade. Mas como o cano de esgoto da minha casa estava entupido, a água inundou meu porão e então comecei a pensar sobre o problema análogo de onde a matéria que faz um buraco negro é coletada. O reservatório nesse caso é a singularidade”.

“É verdade que a singularidade de um buraco negro estacionário está escondida atrás de um horizonte de eventos para qualquer observador externo. Essa “censura cósmica” é uma boa razão para ignorar as consequências observacionais das singularidades ao sondar o espaço-tempo calmo em torno de buracos negros isolados, por exemplo – enquanto imaginamos a silhueta de Sagitário A * no centro da Via Láctea com o Telescópio Event Horizon”.

Porém, Loed diz que essa barreira não significa que os pesquisadores não possam estudar estes objetos. “Isso não implica que os observadores, de maneira mais geral, nunca possam estudar empiricamente a natureza das singularidades. Quando as crianças recebem um presente de aniversário embrulhado em uma caixa, elas tentam aprender sobre sua natureza sem vê-lo diretamente sacudindo a caixa e ouvindo suas vibrações. 

Da mesma forma, podemos ouvir as vibrações de um horizonte de buraco negro que é fortemente abalado através de sua colisão com outro buraco negro, na esperança de aprender mais sobre a natureza das singularidades escondidas no interior. As futuras gerações de detectores LIGO podem servir como “ouvidos de criança” na extração de novas informações dessas vibrações”, compara. 
Fonte: https://hypescience.com

28 de maio de 2018

Estudo examina a história das pequenas luas de Saturno

A formação de Atlas, uma das pequenas luas interiores de Saturno. A sua forma achatada, em forma de ravioli, é o resultado de uma colisão e fusão entre dois corpos de tamanho idêntico. A imagem é uma instantâneo da colisão, antes da reorientação da lua, devido às marés, ficar completa.Crédito: A. Verdier

As pequenas luas interiores de Saturno parecem-se com ravioli e com "spaetzle" (massa alemã) gigantes. A sua forma espetacular foi revelada pela sonda Cassini. Pela primeira vez, investigadores da Universidade de Berna mostram como essas luas foram formadas. As formas peculiares são um resultado natural das colisões e fusões entre pequenas luas de tamanho semelhante, como demonstram simulações em computador.

Quando Martin Rubin, astrofísico da Universidade de Berna, viu as imagens das luas de Saturno, Pã e Atlas, na internet, ficou intrigado. As imagens obtidas pela sonda Cassini em abril de 2017 mostravam objetos que a NASA descreveu no seu comunicado de imprensa como discos voadores com diâmetros de aproximadamente 30 km. Com os seus grandes cumes e centros bulbosos, Pã e Atlas também se assemelham com raviolis gigantes. Martin Rubin queria saber como é que estes objetos peculiares se formaram e perguntou ao colega Martin Jutzi se poderiam ser o resultado de colisões, semelhantes àquela que formou o cometa Chury, como Jutzi havia demonstrado anteriormente com simulações em computador.

Martin Jutzi e Adrien Leleu, ambos membros do NCCR PlanetS, aceitaram o desafio de calcular o processo de formação das pequenas luas interiores de Saturno. Os primeiros testes simples funcionaram bem. "Mas depois levámos em consideração as forças de maré e os problemas acumularam-se," recorda Adrien Leleu. "As condições perto de Saturno são muito especiais," confirma Martin Jutzi. Dado que Saturno tem 95 vezes mais massa do que a Terra e as luas interiores orbitam o planeta a uma distância menos de metade da distância Terra-Lua, as marés são enormes e separam quase tudo. Portanto, as luas interiores de Saturno não poderiam ter-se formado com estas formas peculiares através da acreção gradual de material em torno de um único núcleo. Um modelo alternativo chamado regime piramidal sugere que estas luas foram formadas por uma série de fusões de pequenas luas de tamanho similar.

Tendo resolvido os seus problemas iniciais, os investigadores puderam verificar o regime piramidal, mas ainda mais: mostraram que as colisões das pequenas luas resultaram, exatamente, nas formas fotografadas pela Cassini. Fusões de frente (ou quase de frente) levaram a objetos achatados com grandes cristas equatoriais, como observado em Atlas e Pã. Com ângulos de impacto um pouco mais oblíquos, as colisões resultaram em formas mais alongadas parecidas com massa da Alemanha ("spaetzle"), como na lua Prometeu, de 90 km de comprimento, fotografada pela Cassini.

Colisões frontais têm uma alta probabilidade

Com base na órbita atual das luas e no seu ambiente orbital, os cientistas foram capazes de estimar que as velocidades de impacto foram da ordem das dezenas de metros por segundo. Simulando colisões nesta gama para vários ângulos de impacto, obtiveram várias formas estáveis parecidas com raviolis e com "spaetzle", mas apenas para ângulos de impacto baixos. "Se o ângulo de impacto for maior do que dez graus, as formas resultantes já não são estáveis," comenta Adrien Leleu. Qualquer objeto em forma de "patinho de borracha", como o Cometa Chury, desmoronaria por causa das marés de Saturno. "É por isso que as pequenas luas de Saturno parecem muito diferentes dos cometas que geralmente têm formas bilobadas," explica Martin Jutzi.

Curiosamente, as colisões frontais não são tão raras quanto se poderia achar. Pensa-se que as pequenas luas interiores tenham origem nos anéis de Saturno, um disco fino localizado no plano equatorial do planeta. Como Saturno não é uma esfera perfeita, mas sim oblata, torna difícil que qualquer objeto deixe esse plano estreito. Assim, colisões quase de frente são frequentes e o ângulo de impacto tende a diminuir ainda mais em encontros subsequentes. "Uma fração significativa de tais colisões ocorre no primeiro encontro ou após um ou dois eventos 'toca-e-foge'," concluem os autores no seu artigo publicado na revista Nature Astronomy. "A este respeito, Saturno é um local quase perfeito para estudar estes processos," realça Martin Rubin.

Embora os investigadores se tivessem concentrado principalmente nas pequenas luas interiores de Saturno, também descobriram uma possível explicação para um mistério de longa data a respeito da terceira maior lua de Saturno, Jápeto. Porque é que Jápeto tem uma forma oblata e uma crista equatorial distinta? "Os nossos resultados de modelagem sugerem que essas características podem ser o resultado de uma fusão entre luas de tamanho idêntico que ocorrem a um ângulo próximo do frontal, semelhante às luas mais pequenas," resumem os investigadores.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/

15 curiosidades sobre asteroides que você talvez desconheça

1 – O primeiro asteroide a ser descoberto na História foi Ceres — hoje classificado como planeta-anão —, que foi identificado pelo padre e astrônomo italiano Giuseppe Piazzi em 1801.

2 – Quem “inventou” a denominação asteroide foi o astrônomo William Herschel, em 1802, e a palavra deriva do vocábulo grego “aster” — que significa “estrela”.

3 – Até onde se sabe, existem mais de 600 mil asteroides “residindo” no nosso Sistema Solar e a maioria deles se encontra em órbita no cinturão de asteroides que existe entre Marte e Júpiter.

4 – Existem quase 1,4 mil asteroides conhecidos que poderiam causar um baita estrago se colidissem contra o nosso planeta.

5 – Marte se encontra mais próximo do cinturão de asteroides do que nós e, por isso, tem mais chances de ser atingido por uma dessas rochas espaciais.

6 – Alguns asteroides que existem por aí são antigos cometas que perderam todo o gelo de sua composição e mantiveram apenas o material rochoso.

7 – No ano de 2015, o presidente dos EUA em exercício na época, Barak Obama, aprovou uma lei que permite que os norte-americanos possam ser “donos” de asteroides.

8 – A maioria dos asteroides tem formato irregular porque eles são corpos espaciais pequenos demais para ter gravidade suficiente para garantir que eles tenham forma esférica.

9 – O consenso atual é o de que foi a colisão de um asteroide aqui na Terra há cerca de 65 milhões de anos que desencadeou os eventos que levaram à extinção dos dinossauros não-aviários.

10 – Segundo as estimativas, o nosso planeta sofre o impacto de um asteroide do tamanho de um campo de futebol a cada 2 mil anos, mais ou menos.

11 – Já impactos menores, de meteoroides (pedaços de asteroides) do tamanho de carros, ocorrem pelos menos uma vez ao ano, mas essas rochas espaciais, por serem “pequenas”, geralmente acabam se transformando em bolas de fogo na atmosfera e se desintegrando antes de atingir a superfície.

12 – Existe um asteroide que foi batizado em homenagem a Frank Sinatra — e um em homenagem a Charlie Chaplin, outro a Tom Hanks e também a Freddie Mercury.

13 – Sabia que um único asteroide pode conter uma quantidade de metais equivalente a por volta de US$ 20 trilhões — ou mais de R$ 70 trilhões.

14 – E a NASA estima que o asteroide Eros — que se encontra em uma órbita próxima à do nosso planeta — contêm 20 bilhões de toneladas de ouro.

15 – Segundo cálculos estatísticos, temos uma chance mil vezes maior de morrer em consequência da colisão de um asteroide na Terra do que de ganhar na loteria.
Fonte: Mega Curioso

E0102-72.3: Uma estrela de nêutrons distante e solitária


Composição de E0101, no óptico e em raios-X. Crédito: raios-X (NASA/CXC/ESO/F. Vogt et al.); ótico (ESO/VLT/MUSE & NASA/STScI)

Os astrónomos descobriram um tipo especial de estrela de neutrões pela primeira vez fora da Via Láctea, usando dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA e do VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile.  As estrelas de neutrões são os núcleos ultradensos de estrelas massivas que colapsam e explodem como supernovas. Esta estrela de neutrões recém-identificada é de uma variedade rara pois tem um campo magnético fraco e não tem uma companheira estelar. A estrela de nêutrons está localizada no remanescente de uma supernova - conhecida como 1E 0102.2-7219 (abreviada E0102) - na Pequena Nuvem de Magalhães, a 200.000 anos-luz da Terra.  A nova composição de E0102 permite que os astrônomos aprendam novos detalhes sobre este objeto que foi descoberto há mais de três décadas atrás. Nesta imagem, os raios-X do Chandra têm tons azuis e roxos, enquanto os dados ópticos do instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) do VLT têm um tom vermelho brilhante. Os dados adicionais do Telescópio Espacial Hubble têm tons vermelhos escuros e verdes.

Remanescentes de supernova ricos em oxigênio, como E0102, são importantes para compreender como as estrelas massivas fundem os elementos mais leves nos mais pesados antes de explodirem. Vistos até alguns milhares de anos após a explosão original, os remanescentes ricos em oxigênio contêm os detritos expelidos do interior da estrela moribunda. Estes detritos (visíveis como a estrutura filamentar verde na imagem combinada) são observados hoje a passar pelo espaço depois de expulsos a milhões de quilômetros por hora.

As observações de E0102 pelo Chandra mostram que o remanescente de supernova é dominado por uma grande estrutura em forma de anel em raios-X, associada à onda de choque da supernova. Os novos dados MUSE revelaram um anel mais pequeno de gás (em vermelho brilhante) que está a expandir-se mais lentamente do que a onda de choque. No centro deste anel está uma fonte de raios-X semelhante a um ponto azul. Juntos, o pequeno anel e a fonte pontual agem como um alvo celeste.

Os dados combinados do Chandra e do MUSE sugerem que esta fonte é uma estrela de nêutrons isolada, criada na explosão de supernova há cerca de dois milênios. A assinatura de energia de raios-X desta fonte, ou "espectro", é muito semelhante à das estrelas de nêutrons localizadas no centro de outros dois famosos remanescentes de supernova: Cassiopeia A (Cas A) e Puppis A. Estas duas estrelas de nêutrons também não têm estrelas companheiras.

A ausência de evidências de emissão de rádio estendida ou de radiação de raios-X pulsada, tipicamente associadas com estrelas de nêutrons altamente magnetizadas e de rotação veloz, indica que os astrônomos detectaram os raios-X da superfície quente de uma estrela de nêutrons isolada com campos magnéticos fracos. Foram detectados, na Via Láctea, cerca de 10 objetos deste tipo, mas este é o primeiro detectado fora da nossa Galáxia.

Mas como é que esta estrela de nêutrons acabou na sua posição atual, aparentemente deslocada do centro da chamada concha circular de emissão de raios-X produzida pela onda de choque da supernova? Uma possibilidade é que a explosão de supernova ocorreu perto do meio do remanescente, mas a estrela de nêutrons foi expulsa do local por uma explosão assimétrica, a uma velocidade alta de aproximadamente 3,2 milhões de quilômetros por hora. No entanto, neste cenário, é difícil explicar por que a estrela de nêutrons está hoje tão bem cercada pelo recém-descoberto anel de gás visto nos comprimentos de onda visíveis.

Outra explicação possível é que a estrela de nêutrons está a mover-se lentamente e a sua posição atual é aproximadamente onde a explosão de supernova teve lugar. Neste caso, o material no anel ótico pode ter sido expelido ou durante a explosão de supernova, ou pela progenitora condenada até alguns milhares de anos antes.

Um desafio deste segundo cenário é que o local da explosão estaria localizado bem longe do centro do remanescente, conforme determinado pela emissão prolongada de raios-X. Isto implicaria um conjunto especial de circunstâncias para os arredores de E0102: por exemplo, uma cavidade esculpida pelos ventos da estrela progenitora antes da explosão de supernova e variações na densidade do gás e poeira interestelar em torno do remanescente.  As futuras observações de E0102 em comprimentos de onda de raios-X, óticos e de rádio devem ajudar os astrônomos a resolver este novo e empolgante mistério apresentado pela solitária estrela de nêutrons.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição de abril da Nature Astronomy e está disponível online.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia

Um arco cósmico verde

Essa imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra um aglomerado com centenas de galáxias localizado a aproximadamente 7.5 bilhões de anos-luz de distância da Terra. A galáxia mais brilhante do aglomerado é a SDSS J1156+1911 e é conhecida como a Galáxia Mais Brilhante do Aglomerado, em inglês BCG, e pode ser visível na parte central inferior do frame. Ela foi descoberta pelo Sloan Giant Arc Survey, que estuda dados dos mapas que cobrem imensas partes do céu do Sloan Digital Sky Survey. E o resultado é que esse projeto encontrou mais de 70 galáxias que são fortemente afetadas pelo fenômeno cósmico conhecido como lente gravitacional.

A lente gravitacional é das previsões da Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein. A massa contida dentro de uma galáxia é tão grande que ela pode contorcer o chamado tecido do espaço-tempo, fazendo com que a luz viaje então por trajetórias curvas. Como resultado, a imagem das galáxias mais distantes aparecem distorcidas e ampliadas para um observador, já que a luz está sendo desviada ao redor da galáxia mais massiva na frente. Esse efeito pode ser muito útil na astronomia, permitindo que os astrônomos possam ver galáxias que até então eram muito distantes para serem observadas com os instrumentos astronômicos convencionais.

Os aglomerados de galáxias são gigantescas estruturas que possuem centenas ou milhares de galáxias com massa equivalente a trilhões de vezes a massa do Sol. O SDSS J1156+1911 tem uma massa aproximada de 600 bilhões de vezes a massa do Sol, fazendo dele um aglomerado menos massivo do que a média. Contudo, ele ainda é massivo o suficiente para produzir o arco esverdeado logo abaixo da galáxia mais brilhante, esse arco nada mais é que a imagem de uma galáxia distante sofrendo os efeitos da lente gravitacional.

Busca de vida em outros planetas não pode ser terra-cêntrica


Seja algum tipo de vida orgânica em planetas extrassolares ou mesmo tipos exóticos de vida, muito além da vida que conhecemos, o fato é que a busca por vida espalhada pelo Universo agora é uma pesquisa levada a sério.[Imagem: ESO/M. Kornmesser]

Vidas passadas a limpo 
Assim que a busca por sinais de vida em outros planetas se estabeleceu como uma disciplina científica de pleno direito, ficou claro que as coisas são bem mais complicadas do que simplesmente colocar um radar no espaço para encontrar discos voadores. Em vez disso, o caminho natural parece ser identificar bioassinaturas, sinais de processos biológicos nas atmosferas dos exoplanetas que possam ser detectados aqui da Terra. 
O problema é que descobertas feitas aqui mesmo no Sistema Solar estão colocando em dúvida as primeiras hipóteses sobre a vida em outros planetas, que se baseiam na definição de zonas habitáveis ou na presença de placas tectônicas nos exoplanetas, por exemplo. 
"Vinha sendo padrão pensar que a vida só poderia existir em uma zona estreita perto da estrela de um planeta, porque você precisa estar lá para manter a água líquida," disse Adrian Lenardic, da Universidade Rice, nos EUA. Mas nossas sondas espaciais já mostraram fortes indícios de oceanos subterrâneos nas geladas luas de Júpiter, muito distante do que seria a zona habitável do nosso próprio sistema planetário. 
"Isso porque existe uma outra fonte de energia, derivada da intensa atração gravitacional de Júpiter," explicou Lenardic. "Isso ampliou a região do nosso próprio Sistema Solar na qual a vida pode existir, e acho que muito da essência [das próximas pesquisas] é que muito do que estamos vendo está expandindo a zona e expandindo nossas ideias sobre as condições necessárias para a vida. Então, à medida que procuramos vida em torno de outras estrelas, devemos também expandir nossas estratégias de busca ou podemos perder alguma coisa."
O inverso também é verdadeiro: Há poucas semanas, uma molécula que se acreditava ser um indicador de vida foi encontrado onde não há vida.

Busca de vida em outros planetas não pode ser terra-cêntrica
Hoje já se aceita que é grande a chance de haver vida na lua Europa, de Júpiter - Ganimedes e Calisto também parecem ter oceanos líquidos de subsuperfície. [Imagem: NASA/JPL]
O que é vida?
Já foram catalogados mais de 3.700 exoplanetas, e a comunidade astronômica espera com ansiedade o lançamento do Telescópio Espacial James Webb, cujo espelho de sete metros de diâmetro será capaz de examinar as atmosferas dos planetas rochosos em torno de estrelas distantes.
Assim, uma das tarefas será equacionar a busca, chegando a um meio de atribuir uma probabilidade de vida baseada em um determinado conjunto de observações de um planeta.
Para isso, a primeira pergunta básica é: O que é a vida? Não há uma resposta fácil, apesar das inúmeras tentativas de estabelecer definições - cada definição adicional parece aumentar exponencialmente as divergências entre os cientistas.
"Mas se podemos concordar em uma coisa, é que a vida precisa de energia. Nós pensamos sobre o Sol como uma fonte de energia por um longo tempo, e chegamos a calcular a energia interna de um planeta, que vem da decomposição de elementos radioativos dentro do seu interior rochoso. As luas de Júpiter nos ensinaram a calcular também a força das marés, e estamos começando a encontrar exoplanetas que têm órbitas que permitem forças de maré significativas," acrescentou Lenardic.
As placas tectônicas também não parecem ser uma exigência assim tão especial - a tectônica de placas é o processo de larga escala que governa os movimentos da crosta terrestre. "É uma manifestação superficial particular da energia interna de um planeta, mas não é o único modo possível de atividade vulcânica e tectônica em um planeta," disse Lenardic.
"Pode ser fácil ser terra-cêntrico e assumir que a vida exige um planeta como o nosso. Mas o que estamos vendo dentro do nosso Sistema Solar está nos fazendo questionar isso. Uma das coisas que aprendi com a história da exploração do nosso próprio Sistema Solar é que devemos estar preparados para surpresas. À medida que nos movemos para além [do Sistema Solar], em nossa busca pela vida, essa lição está nos levando a adaptar nossas estratégias de busca," finalizou o pesquisador.
FONTE: Inovação Tecnológica

O Centro da Galáxia SEYFERT NGC 5643

Esta Foto da Semana do ESO mostra o centro da galáxia NGC 5643, situada a 55 milhões de anos-luz de distância, na constelação do Lobo, também conhecida como uma galáxia Seyfert. Estas galáxias possuem centros muito luminosos — que se pensa serem alimentados por matéria que está sendo acretada por um buraco negro supermassivo que se encontra no seu interior — que podem também estar envolvidos ou obscurecidos por nuvens de poeira e material intergaláctico.

O resultado disto é que pode ser difícil observar o centro ativo de uma galáxia Seyfert. NGC 5643 apresenta um desafio suplementar: quando observada a partir da Terra apresenta-se com uma inclinação elevada, o que faz com que seja ainda mais difícil observar o seu interior. No entanto, os cientistas utilizaram o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array(ALMA) juntamente com dados de arquivo do instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer), instalado no Very Large Telescope do ESO, para revelar esta imagem de NGC 5643 — com correntes de gás ionizado muito energético sendo lançadas para o espaço.

Estas correntes impressionantes estendem-se ao longo de cada um dos lados da galáxia e têm origem na matéria que está sendo ejetada pelo disco de acreção do buraco negro supermassivo situado no núcleo de NGC 5643. Os dados combinados do ALMA e do VLT mostram que a região central desta galáxia possui duas componentes distintas: um disco em rotação espiral (em vermelho), constituído por gás molecular frio, localizado através do monóxido de carbono; e gás deslocando-se para o exterior, localizado através do oxigênio e hidrogênio ionizados (em tons azul/verde), perpendicular ao disco nuclear interior. 
Crédito: ESO/A. Alonso-Herrero et al.; ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
FONTE: ESO
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