terça-feira, 15 de abril de 2014

Receita para formação de estrelas

Berçários estelares: Jouni Kainulainen e colegas estudaram a Nebulosa do Cachimbo (esquerda) e a nuvem Rho Ophiuchi (direita) na Via Lácta. No pando de fundo, uma imagem normal da Via Láctea; cada secção mostra a extensão de luz onde as estrelas de fundo sofrem um atenuamento do seu brilho à medida que passa pela nuvem em questão. Estes mapas formam a base da reconstrução tridimensional da estrutura da nuvem a partir da qual os astrónomos derivaram a sua "receita para a formação estelar". Crédito: S. Guisard, ESO (fundo)/J. Kainulainen, MPIA (mapas de densidade)

Astrónomos descobriram uma nova forma de prever a velocidade com que uma nuvem molecular - um berçário estelar - forma novas estrelas. Usando uma nova técnica para reconstruir a estrutura tridimensional de uma nuvem, os astrónomos podem estimar quantas novas estrelas é provável que a nuvem conceba. A "receita" recém-descoberta permite testes directos das teorias actuais de formação estelar. Também permitirá com que telescópios como o ALMA (Atacama Large Millimetre/Submillimetre Array) estimem a actividade de formação estelar em nuvens moleculares mais distantes e, assim, criar um mapa dos nascimentos das estrelas dentro da nossa Galáxia.

A formação das estrelas é um dos processos fundamentais do Universo - o modo como as estrelas se formam, e sob que condições, molda a estrutura de galáxias inteiras. As estrelas formam-se no interior de nuvens gigantes de gás e poeira interestelar. À medida que uma região suficientemente densa dentro de uma nuvem molecular colapsa sob a sua própria gravidade, contrai até que a pressão e a temperatura no seu interior são altas o suficiente para despoletar a fusão nuclear, assinalando o nascimento de uma estrela. É muito difícil medir a taxa de formação estelar, mesmo na nossa Galáxia, a Via Láctea. Só para nuvens próximas, em distâncias até 1000 anos-luz, é que tais medições são razoavelmente acessíveis: simplesmente contamos as estrelas jovens dentro dessa nuvem.

Para nuvens mais distantes, onde é impossível distinguir estrelas individuais, esta técnica falha, e as taxas de formação estelar permanecem incertas. Agora três astrónomos, Jouni Kainulainen e Thomas Henning do Instituto Max Planck para Astronomia na Alemanha e Christoph Federrath da Universidade de Monash, na Austrália, descobriram uma forma alternativa de determinar a taxa de formação das estrelas: uma "receita para a formação estelar", que liga observações astronómicas directas da estrutura de uma nuvem gigante de gás com a sua actividade de formação estelar.

Os astrónomos chegaram ao seu resultado ao modelar de uma forma simplificada a estrutura tridimensional de nuvens individuais. Os dados que usam vem de uma versão astronómica de uma radiografia médica: à medida que a luz de estrelas longínquas brilha através da nuvem, é esmaecida pela poeira da nuvem. O escurecimento de dezenas de milhares de estrelas diferentes forma a base da reconstrução tridimensional, que por sua vez apresenta a densidade de matéria para várias regiões dentro da nuvem. Para nuvens próximas, Kainulainen e colegas compararam a sua reconstrução e observações directas de quantas novas estrelas tinham sido recentemente formadas nestas nuvens.

Desta forma, foram capazes de identificar uma "densidade crítica" de 5000 moléculas de hidrogénio por centímetro cúbico, e mostraram que apenas aquelas regiões que excedem esta densidade crítica entram em colapso para formar estrelas. Kainulainen explica: "Esta é a primeira vez que se tentou determinar uma densidade crítica para a formação de estrelas a partir de observações da estrutura de nuvens. As teorias da formação estelar há muito que previram a importância de uma tal densidade crítica. Mas a nossa técnica de reconstrução é a primeira a permitir aos astrónomos deduzirem a estrutura densidade destas nuvens - e a confrontar as teorias de formação estelar com dados observacionais."

Christoph Federrath, que forneceu as simulações numéricas usadas para testar a nova técnica, acrescenta: "Com estes resultados e as ferramentas que desenvolvemos para testar teorias de formação estelar, podemos realmente esperar enfrentar uma das maiores questões não respondidas da astrofísica: se as estrelas se formam dentro de uma nuvem de determinada massa, quantas estrelas com que tipo de massa podemos esperar?"

Thomas Henning, director do Instituto Max Planck para a Astronomia e co-autor do estudo, acrescenta: "Existem muitas observações de nuvens moleculares - e com o advento do ALMA, estarão disponíveis muitos dados mais precisos para nuvens mais distantes. Com a nossa técnica, somos capazes de dizer: mostre-nos os dados, e dizemos-lhe quantas estrelas a sua nuvem está a formar. O ALMA é uma rede de 66 antenas de microondas de alta precisão, espalhadas até 16 km de distância no deserto do Chile, e é capaz de agir como um único telescópio de alta-resolução.

As operações do ALMA começaram há pouco tempo, e pode detectar nuvens de gás e poeira com uma sensibilidade sem precedentes, num detalhe sem precedentes. Kainulainen conclui: "Demos aos astrónomos uma nova ferramenta potente. A formação estelar é um dos processos fundamentais da astronomia - e os nossos resultados permitem com que os astrónomos determinem as taxas de formação estelar para mais nuvens que nunca, tanto dentro da nossa Galáxia como para outras galáxias distantes."
Fonte: Astronomia On-Line

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Lua distante ou estrela fraca? Encontrada possível exolua

Titã, Europa, Io e Fobos são apenas alguns dos membros do panteão de luas do nosso Sistema Solar. Será que existem outras luas orbitando planetas para lá do nosso Sol?
Investigadores detectaram a primeira candidata a "exolua" - uma lua em órbita de um planeta situado fora do nosso Sistema Solar. Usando uma técnica chamada "microlente", observaram o que pode ser ou uma lua e um planeta - ou um planeta e uma estrela. Esta impressão de artista retrata as duas possibilidades. Crédito: NASA/JPL-Caltech

Cientistas financiados pela NASA avistaram pela primeira vez sinais de uma "exolua", e embora digam que é impossível confirmar a sua presença, a descoberta é um tentador primeiro passo em direcção a localizar outras. A descoberta foi feita graças à observação de um encontro fortuito de objectos na nossa Galáxia, que pode ser testemunhado apenas uma vez. Nós não teremos a oportunidade de observar novamente a candidata a exolua," realça David Bennett da Universidade de Notre Dame, Indiana, EUA, autor principal de um novo artigo sobre os resultados publicado na revista Astrophysical Journal. "Mas podemos esperar mais descobertas imprevistas como esta. O estudo internacional é liderado pelos programas MOA (Microlensing Observations in Astrophysics) do Japão-Nova Zelândia-EUA e PLANET (Probing Lensing Anomalies NETwork), usando telescópios na Nova Zelândia e Tasmânia. A sua técnica, chamada microlentes gravitacionais, aproveita alinhamentos fortuitos entre estrelas. Quando uma estrela de primeiro plano passa entre nós e uma estrela mais distante, a estrela mais próxima pode agir como uma lupa, focando e aumentando o brilho da estrela mais distante. Estes eventos de maior iluminação costumam durar cerca de um mês.

Se a estrela de primeiro plano - a que os astrónomos referem como lente - tem um planeta em órbita, o planeta irá actuar como uma segunda lente para aumentar o diminuir o brilho ainda mais. Ao examinar cuidadosamente estes eventos, os astrónomos podem descobrir a massa da estrela em primeiro plano relativamente ao seu planeta. No entanto, em alguns casos o objecto em primeiro plano pode ser um planeta que flutua livremente, não uma estrela. Os cientistas poderiam, então, ser capazes de medir a massa do planeta relativamente à sua companheira em órbita: uma lua. Embora os astrónomos procurem activamente exoluas - por exemplo, usando dados da missão Kepler - até agora, ainda não encontraram nenhuma.

No novo estudo, a natureza do objecto de "lente" em primeiro plano não é clara. A relação entre o corpo maior e a sua companheira menor é de 2000 para 1. Isto significa que o par pode ou ser uma pequena estrela com um planeta em órbita cerca de 18 vezes mais massivo que a Terra - ou um planeta mais massivo que Júpiter com uma lua menos massiva que a Terra. O problema é que os astrónomos não têm nenhuma maneira de saber qual destes dois cenários é o correcto. Uma possibilidade é que o sistema de lente seja um planeta com uma lua que, a ser verdade, seria uma descoberta espectacular de um tipo totalmente novo de sistema," realça Wes Traub, cientista-chefe do Programa de Exploração Exoplanetária no JPL da NASA, em Pasadena, no estado americano da Califórnia, que não esteve envolvido no estudo.

"Os modelos dos investigadores apontam para a lua como solução, mas se olharmos simplesmente para qual dos cenários é o mais provável na natureza, a solução estelar ganha." A resposta para o mistério está em aprender a distância ao duo circundante. Um par com massa mais baixa e mais próximo da Terra produzirá o mesmo tipo de evento de aumento de brilho que um par mais distante e mais massivo. Mas assim que o evento termine, é muito difícil recolher medições adicionais do sistema de lente e determinar a distância. A verdadeira identidade da candidata a exolua e seu companheiro planetário, um sistema apelidado MOA-2011-BLG-262, permanecerá desconhecida.

Mesmo assim, no futuro será possível obter estas medidas de distância durante eventos de lente. Por exemplo, os telescópios espaciais Spitzer e Kepler, ambos os quais giram em torno do Sol em órbitas que acompanham a Terra, estão longe o suficiente do nosso planeta para serem óptimas ferramentas para a técnica de distância por paralaxe. O princípio base da paralaxe pode ser explicado segurando o seu dedo, fechando um olho e depois o outro, e vendo o dedo "saltar" para a esquerda e para a direita em relação a algo no pano de fundo. Uma estrela distante, quando vista por dois telescópios separados por uma grande distância, parecerá mover-se.

Quando combinado com um evento de lentes, o efeito de paralaxe altera o modo como o telescópio visualiza a ampliação resultante da luz estelar. Embora a técnica funcione melhor usando um telescópio na Terra e outro no espaço, tal como o Spitzer ou o Kepler, também podem ser usados dois telescópios terrestres em lados diferentes do planeta. Entretanto, estudos como o MOA ou o OGLE (Optical Gravitational Experiment Lensing Experiment) da Polónia estão descobrindo cada vez mais planetas. Estes estudos de microlente descobriram dúzias de exoplanetas até agora, em órbita de estrelas e flutuando livremente. Um anterior estudo financiado pela NASA, também liderado pela equipa MOA, foi o primeiro a descobrir fortes evidências de planetas com o tamanho de Júpiter sozinhos no espaço, presumivelmente depois de terem sido expulsos de sistemas planetários em formação.

A nova candidata a exolua, a ser real, orbitará um destes planetas livres. O planeta pode ter sido expelido do aconchego empoeirado de um sistema planetário jovem, mantendo a sua lua companheira em reboque. Os telescópios terrestres usados no estudo são do Observatório da Universidade Mount John na Nova Zelândia e do Observatório Mount Canopus na Tasmânia. Foram obtidas observações adicionais com o Observatório W.M. Keck em Mauna Kea, Hawaii; pelo telescópio VISTA do ESO no Chile, pelo OGLE (Optical Gravitational Lens Experiment) usando o Observatório Las Campanas no Chile; pelo MicroFUN (Microlensing Follow-Up Network) usando o Observatório Interamericano de Cerra Tololo no Chile; e a colaboração Robonet usando o Telescópio Faulkes Sul em Siding Springs, Austrália.
Fonte: Astronomia On-Line

Hubble “estica” a régua astronômica

Nova técnica permite medir com precisão a distância de estrelas e objetos a até 10 mil anos-luz da Terra, dez vezes mais do que se podia antes
Há 24 anos na órbita da Terra, o telescópio espacial Hubble continua a se mostrar um instrumento de grande serventia para inovadores usos e descobertas. Desta vez, cientistas desenvolveram uma nova técnica que permite usar suas observações para medir com precisão a distância de estrelas e outros objetos a até 10 mil anos-luz da Terra, “esticando” em dez vezes a régua astronômica do método de paralaxe.  Muito usado também para fazer medições em terra, o método de paralaxe usa a trigonometria básica para calcular distâncias com base no fenômeno que faz com que a posição aparente de um objeto em relação a um fundo ainda mais longínquo mude quando observado de dois pontos de vista diferentes.

Assim, sabendo a distância exata entre os dois pontos de vista, a “base” do triângulo, e medindo a mudança aparente na posição do objeto, é possível saber a que distância ele está também.  No caso da astronomia, o método de paralaxe consiste em observar as mudanças aparentes de posição das estrelas em momentos com seis meses de diferença, quando a Terra está em pontos opostos na sua órbita em torno do Sol. O problema é que as distâncias astronômicas já são muito grandes quando comparadas ao diâmetro da órbita terrestre, cerca de 300 milhões de quilômetros. Além disso, quando mais longe estiver a estrela, menor será a variação na sua posição aparente. Isso faz com que mesmo a posição aparente de Alfa Centauro, o sistema estelar mais próximo do Sol, varie em apenas um segundo de arco, ou o equivalente à largura de uma moeda de dez centavos vista a pouco mais de três quilômetros de distância.

Com a nova técnica baseada na grande resolução de
imagens fornecida pelo Hubble, no entanto, os cientistas foram capazes de medir as mudanças na posição aparente de estrelas de um tipo conhecido como “variáveis cefeidas” de até cinco bilionésimos de grau, ou o equivalente a ler a placa de um carro estacionado na Lua. Além disso, as variáveis cefeidas têm um brilho conhecido, o que faz com que já sejam usadas há mais de um século como “velas padrão” na escala que nos ajuda a medir as distâncias dentro da nossa galáxia, da mesma maneira que as supernovas do tipo Ia, que também têm um brilho conhecido, representam o degrau seguinte, ajudando a medir as distâncias intergalácticas.

Juntando tudo isso, os especialistas esperam poder calcular com ainda mais precisão a velocidade de expansão do próprio Universo e como ela aparentemente está sendo acelerada pela misteriosa energia escura. Esta nova capacidade do Hubble deverá nos dar mais pistas sobre a natureza da energia escura, o misterioso componente do espaço que está esticando o Universo a um ritmo cada vez mais rápido – diz Adam Reiss, pesquisador do Space Telescope Science Institute, responsável pelas operações científicas do telescópio espacial e um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Física de 2011 justamente pela sua descoberta, em 1998, de que a velocidade de expansão do Universo está se acelerando a partir da análise de observações de supernovas do tipo Ia em galáxias distantes.
Fonte: OGlobo

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Câmera de energia escura localiza mais dois planetas-anões

Câmera de energia escura localiza mais dois planetas-anões

A população de corpos celestes do Sistema Solar está crescendo rapidamente graças às descobertas de uma enorme câmera digital projetada para estudar a energia escura. Há poucos dias, astrônomos anunciaram a descoberta de um novo planeta-anão, o 2012 VP113. Ele foi flagrado na parte mais externa do Sistema Solar, em uma região conhecida como a parte interna, ou interior, da Nuvem de Oort. Agora, a mesma equipe está relatando mais dois corpos celestes anões, batizados temporariamente de 2013 FY27 e 2013 FZ27. Os dois estão mais próximos, no cinturão de Kuiper, um agrupamento de objetos celestes relativamente pequenos além da órbita de Netuno, que é também a casa de Plutão e três outros planetas anões conhecidos. O FZ27 está a 50 ua (unidades astronômicas - 1 ua é a distância da Terra ao Sol) de distância do Sol, na borda mais distante do cinturão de Kuiper. O FY27 tem cerca de 1.000 quilômetros de diâmetro e está a cerca de 80 ua do Sol. Se essas medições se confirmarem, ambos seriam grandes o suficiente para terem-se tornado quase redondos sob sua própria gravidade - um dos critérios para classificar um corpo celeste como um planeta-anão.

Olho escuro

Essa população de corpos tão pequenos fica tão longe do Sol que reflete muito pouca luz, o que explica por que só agora eles estão sendo descobertos. E essa enxurrada de descobertas não é uma coincidência. Todos os três objetos foram localizados em imagens da Câmera de Energia Escura (DECam) do Telescópio Blanco, no Chile, que produziu suas primeiras imagens em 2012.  Com seus 570 megapixels, esta câmera foi projetada para coletar a luz tênue de milhões de galáxias muito distantes em busca de pistas sobre a natureza da energia escura, a força misteriosa teorizada para explicar a aceleração da expansão do Universo. A câmara coleta centenas de gigabytes de dados continuamente, que são disponibilizados à comunidade científica. Assim, enquanto os astrônomos da missão se concentram na matéria escura, outros podem peneirar as informações para encontrar corpos distantes do nosso Sistema Solar, invisíveis às câmeras menos potentes usadas até agora.
Fonte: Inovação Tecnológica

Um exoplaneta diferente

Os quase 1.500 planetas extrassolares, ou exoplanetas, não são visíveis diretamente por nossos olhos. Várias técnicas são utilizadas para descobri-los, como o trânsito (uma espécie de eclipse), velocidade radial, etc. Mesmo assim, podemos obter várias características destes objetos, como sua distância à estrela central, seu tamanho e sua massa.  Um exoplaneta, o HD 106906 b, apresenta características que intrigam os cientistas. Ele está muito distante da estrela em torno da qual orbita. Cerca de 650 vezes a distância Terra-Sol. Sua massa é 11 vezes a do maior planeta do Sistema Solar, Júpiter.

Ele foi observado através da radiação infravermelho, pois apresenta uma emissão de calor ainda alta, por ter pouca idade (13 milhões de anos apenas), como resquício de sua formação.  A questão é que ele não possui massa suficiente para ter sido uma estrela – para isso seria necessário ter pelo menos 8 vezes mais do que tem. Nos sistemas duplos de estrelas, em que elas estão girando ao redor de um centro de massa comum, a relação entre as massas não é maior que 10 para 1.

Neste caso, a relação está em 100 para 1, ou seja, a massa da estrela é 100 vezes maior que a do planeta. Outro problema ainda não compreendido é a criação de um planeta gasoso gigante a essa distância. Nenhum modelo explica a sua formação, pois não haveria massa suficiente disponível naquela região. O caminho mais possível é que os dois astros foram formados de nebulosas próximas e, por influência da gravidade, se juntaram. O hoje exoplaneta não conseguiu, por um motivo ainda desconhecido, juntar massa suficiente para começara a fusão nuclear e virar uma estrela.
Fonte: Fundação Planetário

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Nasa encontra ponto de luz misterioso em solo marciano

Imagem curiosa aparece distante da câmera e não tem um fundo no horizonte, o que dá a entender que não pode ser nem uma estrela e nem um outro planeta. Especialistas não chegaram a um consenso
Mistério da luz brilhante observada em Marte é explicado por cientistas
Ponto luminoso aparece no fundo da foto, próximo às "montanhas", no horizonte de Marte Foto: Reprodução NASA

A Nasa divulgou, nesta terça-feira, 08, imagens coletadas em Marte, que mostram o que pode ser um indício de vida em mais um planeta do sistema solar. No material divulgado, pode-se perceber uma espécie de luz, que não possui, até então, uma fonte específica. O ponto luminoso aparece distante da câmera da Nasa e não tem um fundo no horizonte, o que dá a entender que não pode ser uma estrela ou um outro planeta. A sonda Curiosity rover registrou a misteriosa luz quando estava em direção à base do Monte da Sharp, na cratera Gale, em Marte. As imagens divulgadas são dos dias 2 e 3 de abril. Há a possibilidade de que a luz seja o brilho de uma superfície rochosa, de encontro ao sol, ou ainda algum outro tipo de reflexo. Além disso, a imagem pode ter sido causada por um erro técnico, o que já aconteceu nas câmeras do Curiosity e de outros robôs. 
Fonte: TERRA

Encontro ocasional dá origem a anel de diamantes celeste

A explosão de uma estrela produziu uma nebulosa planetária anormalmente circular. Por sorte, uma fotografia tirada pelo Very Large Telescope, no Chile, apanhou uma estrela sobreposta à circunferência desenhada pela nebulosa.
Os astrónomos utilizaram o Very Large Telescope do ESO no Chile para capturar esta bela imagem da nebulosa planetária PN A66 33 - conhecida normalmente por Abell 33. Formada quando uma estrela em envelhecimento lançou para o espaço as suas camadas externas, esta bonita bolha azul está, por mero acaso, alinhada com uma estrela que se encontra em primeiro plano, o que torna o conjunto extremamente parecido a um anel de noivado com um diamante. Esta jóia cósmica é invulgarmente simétrica, aparecendo como um círculo quase perfeito no céu.

A maioria das estrelas com massas da ordem da no nosso Sol terminarão as suas vidas sob a forma de anãs brancas - corpos quentes, pequenos e muito densos que vão arrefecendo lentamente ao longo de milhares de milhões de anos. Antes desta fase final das suas vidas, as estrelas libertam para o espaço as suas atmosferas, criando nebulosas planetárias - nuvens de gás coloridas e luminosas que envolvem as pequenas relíquias estelares brilhantes.

Esta imagem, obtida pelo Very Large Telescope do ESO (VLT), mostra a Abell 33, uma nebulosa planetária extraordinariamente circular, situada a cerca de 2500 anos-luz de distância da Terra. O facto de ser perfeitamente redonda é bastante invulgar neste tipo de objetos, pois geralmente existe algo que perturba a simetria e faz com que a nebulosa planetária apresente formas irregulares. A estrela muito brilhante situada na periferia da nebulosa dá origem a uma bonita ilusão óptica nesta imagem do VLT. O alinhamento verificado acontece por mero acaso - a estrela, chamada HD 83535, situa-se em primeiro plano, a meio caminho entre a Abell 33 e a Terra, no local exato para tornar esta imagem ainda mais bonita. Juntas, a HD83535 e a Abell 33 formam um cintilante anel de diamante.

O que resta da estrela progenitora de Abell 33, e que irá formar uma anã branca, pode ser vista, ligeiramente descentrada no interior da nebulosa, como uma pequeníssima pérola branca. Ainda é bastante brilhante - mais luminosa que o nosso Sol - e emite radiação ultravioleta suficiente para fazer com que a bolha de material expelido brilhe. Abell 33 é apenas um dos 86 objetos catalogados pelo astrónomo George Abell em 1966 no seu
Catálogo de Nebulosas Planetárias. Abell perscrutou também os céus em busca de enxames de galáxias, tendo compilado no Catálogo de Abell mais de 4000 enxames, tanto no hemisfério norte como no sul. Esta imagem foi obtida a partir de dados colectados pelo instrumento FOcal Reducer and low dispersion Spectrograph (FORS), montado no VLT, no âmbito do programa Jóias Cósmicas do ESO.
Fonte: ESO


Alinhamento entre Terra, Sol e Marte antecipa 'fim do mundo'

Um evento cósmico raro aconteceu na noite de terça feira, antecedendo as 'quatro luas de sangue' que alguns acreditam ser presságio do fim do mundo
Para alguns fiéis, as luas de sangue são mais que um evento cósmico raro, mas sim, um presságio para o fim do mundo  Foto: Nasa / Divulgação
Marte, Terra e Sol se alinharam no Espaço na noite desta terça-feira, um evento conhecido também como “oposição de Marte” que só acontece uma vez a cada 778 dias. Porém, o que faz o acontecimento cósmico marcante é ele antecede as "luas de sangue", um fenômeno que poderá ser visto da terra na próxima semana e que é interpretado por muitos como um sinal bíblico do fim dos tempos. De acordo com a Nasa, a rara sequência de quatro eclipses lunares (as ”luas de sangue”) é conhecida como tétrade, e será seguida por seis luas cheias. O ciclo começa na semana que vem, no dia 15 de abril, e terminará apenas em 28 de setembro deste ano. 

Ainda segundo a Nasa, as quatro luas de sangue só foram vistas por três vezes em mais de 500 anos: a primeira vez na Idade Média, em 1493, quando os judeus foram expulsos pela Inquisição Católica na Espanha; a segunda, em 1949, quando o Estado de Israel foi estabelecido na Palestina, e a terceira em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias entre Árabes e Israelenses. Para alguns fiéis, as luas de sangue significam mais que um evento cósmico raro: são um presságio para o “fim do mundo” e o retorno de Cristo à Terra para o Juízo Final. Na passagem bíblica do Livro de Joel, no Antigo Testamento, diz: “O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor” (Joel, 2:31). 
Fonte: TERRA

terça-feira, 8 de abril de 2014

M42 – Por dentro da nebulosa de Orion

m42_HLAvillaverde_2235

A Grande Nebulosa de Orion, uma imensa, e próxima, região de nascimento de estrelas, é provavelmente a nebulosa astronômica mais famosa. Aqui, o gás brilhante, ao redor de estrelas jovens e quentes na borda da imensa nuvem molecular interestelar localizada a somente 1500 anos-luz de distância da Terra. Na imagem profunda acima, composta, em cores assinaladas pelo Telescópio Espacial Hubble filamentos e lençóis de poeira e gás são particularmente evidentes. A Grande Nebulosa de Orion pode ser encontrada a olho nu perto do cinturão de três estrelas na popular constelação de Orion. Além de abrigar um brilhante aglomerado aberto de estrelas conhecido como o Trapézio, a Nebulosa de Orion contém muitos berçários estelares. Esses berçários contém muito gás hidrogênio, estrelas jovens quentes e jatos estelares expelindo material a altas velocidades. Também conhecida como M42, a Nebulosa de Orion se espalha por cerca de 40 anos-luz e está localizada no mesmo braço espiral da Via Láctea que está localizado o nosso Sistema Solar.

Como é um eclipse solar visto da Lua?

soleclipsemoon_nasa_700

Um eclipse solar já foi observado da Lua? Sim, primeiro em 1967 – mas ele pode acontecer novamente na próxima semana. A missão robótica Surveyor 3 fez milhares de imagens de grande angular de televisão da Terra, em 1967, sendo que algumas dessas imagens capturaram a Terra se movendo em frente ao Sol. Algumas dessas imagens foram recuperadas dos arquivos da NASA e foram compiladas no vídeo apresentado acima. Embora as imagens sejam bem granuladas, a atmosfera da Terra claramente refrata a luz do Sol ao redor e pode-se ver o famoso Efeito Beading, quando algumas trajetórias da luz do Sol foram bloqueadas pelas nuvens.

Dois anos depois, em 1969, a tripulação da Apollo 12 viu também um eclipse de um ponto de vista diferente quando eles estavam voltando da Lua. Em 2009, a sonda robô Kaguuya, fez imagens de alta resolução de um eclipse similar enquanto orbitava a Lua (imagem e vídeo abaixo). Na próxima semana, contudo, a missão Chang’e 3 da China, incluindo o rover Yutu, pode testemunhar um novo eclipse do Sol pela Terra, desde a superfície da Lua. Simultaneamente, da órbita lunar, a missão LADEE da NASA pode também capturar o evento incomum do dia 15 de Abril de 2014. Outro ângulo desse mesmo evento certamente será visível pelas pessoas na superfície da Terra, ou seja, um eclipse total da Lua.