sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Hubble ajuda descobrir mundo que "DOBRA LUZ" em redor de duas estrelas

Esta impressão de artista mostra um gigante gasoso em órbita de um par de anãs vermelhas no sistema OGLE-2007-BLG-349, localizado a 8000 anos-luz de distância. O planeta com a massa de Saturno orbita a aproximadamente 480 milhões de quilómetros do duo estelar. As duas anãs vermelhas estão separadas por apenas 11 milhões de quilómetros.  Crédito: NASA, ESA e G. Bacon (STScI)

Um planeta distante em órbita de duas estrelas, descoberto pela sua distorção do espaço-tempo, foi confirmado usando observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. A massa do planeta provocou o que é conhecido como evento de microlente, onde a luz é "dobrada" pelo campo gravitacional de um objeto. O evento foi observado em 2007, fazendo deste evento o primeiro planeta circumbinário confirmado após a deteção de um evento de microlente.

A maioria dos exoplanetas detetados até agora orbitam estrelas individuais. Até à data só foram descobertos alguns planetas circumbinários - planetas em órbita de duas estrelas. A maioria destes foram detetados pela missão Kepler da NASA, que usa o método de trânsito para a deteção. Este recém-descoberto planeta, no entanto, é muito invulgar. "O exoplaneta foi observado como um evento de microlente em 2007.

Uma análise detalhada revelou um terceiro corpo de lente para além da estrela e do planeta, bastante óbvios nos dados," afirma David Bennett do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, EUA, autor principal do estudo. O evento, OGLE-2007-BLG-349, foi detetado usando a experiência OGLE (Optical Gravitational Lensing Experiment), que procura e observa os efeitos de pequenas distorções do espaço-tempo, provocadas por estrelas e exoplanetas, que foram previstas por Einstein na sua teoria da Relatividade Geral. Estas pequenas distorções são conhecidas como microlentes.

O sistema binário está localizado a 8000 anos-luz de distância na direção do centro da nossa Galáxia. O planeta orbita a aproximadamente 480 milhões de quilómetros do duo estelar, mais ou menos a distância da cintura de asteroides ao Sol. Completa uma órbita em redor das estrelas a cada sete anos. As duas anãs vermelhas estão separadas por apenas 11 milhões de quilómetros, ou 14 vezes o diâmetro da órbita da Lua em redor da Terra.

No entanto, a observação OGLE não podia confirmar os detalhes do evento OGLE-2007-BLG-349 por si só, especialmente a natureza do terceiro corpo desconhecido. Um número de modelos podia ter explicado a curva de luz observada. Os dados adicionais do Hubble foram essenciais para permitir com que os cientistas fixassem um planeta circumbinário como a única explicação possível tanto para a curva de luz OGLE como para as observações do Hubble.

"O OGLE já detetou mais de 17.000 eventos de microlente, mas esta é a primeira vez que tal evento foi provocado por um sistema planetário circumbinário," explica Andrzej Udalski da Universidade de Varsóvia, Polónia, coautor do estudo. Esta descoberta pioneira sugere algumas possibilidades intrigantes. Enquanto o Kepler tende a detetar planetas com órbitas pequenas - e, de facto, todos os planetas circumbinários que descobriu estão muito perto do limite inferior de uma órbita estável - as microlentes permitem encontrar planetas a distâncias muito maiores em relação às suas estrelas hospedeiras.

"Esta descoberta sugere que precisamos de repensar a nossa estratégia de observação no que toca a eventos de lentes binárias estelares," explica Yiannis Tsapras, coautor do estudo do Astronomisches Recheninstitut em Heidelberg, Alemanha. "Esta é uma emocionante nova descoberta para o campo das microlentes. Agora que a equipa mostrou que as microlentes podem detetar com êxito os eventos provocados por planetas circumbinários, o Hubble poderá desempenhar um papel essencial neste novo reino da busca por exoplanetas.
FONTE: ASTRONOMIA ONLINE



O ALMA explora o Campo Ultra Profundo do Hubble

As observações milimétricas mais profundas obtidas até à data do Universo primordial
Esta imagem combina uma fotografia de fundo obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA (a azul/verde) com uma nova imagem muito profunda obtida pelo ALMA do mesmo campo (a laranja, marcada com círculos). Todos os objetos que o ALMA vê parecem ser galáxias massivas a formar estrelas. Esta imagem baseia-se no rastreio ALMA obtido por J. Dunlop e colegas, que cobriu toda a área do HUDF. Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/NASA/ESA/J. Dunlop et al. e S. Beckwith (STScI) e Equipa HUDF

Duas equipes internacionais de astrónomos utilizaram o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) para explorar o Universo distante revelado pela primeira vez nas icónicas imagens do Campo Ultra Profundo do Hubble (HUDF, sigla do inglês Hubble Ultra Deep Field). Estas novas observações do ALMA são significativamente mais profundas e nítidas do que rastreios anteriores feitos nos comprimentos de onda milimétricos e mostram claramente a relação inequívoca que existe entre a taxa de formação estelar em galáxias jovens e a sua massa total de estrelas. As observações mostram igualmente as anteriormente desconhecidas abundâncias do gás que está a formar estrelas em diferentes épocas, fornecendo assim novos conhecimentos sobre a “Idade de Ouro” da formação de galáxias, a qual ocorreu há aproximadamente 10 mil milhões de anos.

Os novos resultados ALMA serão publicados numa série de artigos científicos nas revistas da especialidade Astrophysical Journal e Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Os resultados estão também entre os que serão apresentados esta semana na conferência Half a Decade of ALMA (Meia Década com o ALMA), que decorre em Palm Springs, Califórnia, nos EUA. Em 2004, as imagens do Campo Ultra Profundo do Hubble — pioneiras nas observações de campo profundo do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA — foram publicadas. Estas imagens exploravam o céu muito mais profundamente do que o que tinha sido feito até à data e revelavam uma enorme quantidade e variedade de galáxias que podiam ser vistas até menos de um milhar de milhão de anos depois do Big Bang.
Estas imagens foram cortadas da imagem que foi criada a partir de uma fotografia de fundo obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA (a azul/verde) e de uma nova imagem muito profunda obtida pelo ALMA do mesmo campo (a laranja, marcada com círculos). Todos os objetos que o ALMA vê parecem ser galáxias massivas a formar estrelas. Esta imagem baseia-se no rastreio ALMA obtido por J. Dunlop e colegas, que cobriu toda a área do HUDF.  Crédito: ALMA ESO/NAOJ/NRAO)/NASA/ESA/J. Dunlop et al. e S. Beckwith (STScI) e Equipa HUDF

Esta área do céu foi observada várias vezes pelo Hubble e por muitos outros telescópios, o que resultou na imagem mais profunda do Universo obtida até à data. Os astrónomos usaram agora o ALMA para mapear, pela primeira vez, na região dos comprimentos de onda do milímetro, esta janela para o Universo distante, correspondente uma área do céu aparentemente comum mas muito estudada.  Este mapeamento foi feito de modo profundo e bastante nítido, o que permitiu observar o ténue brilho emitido pelas nuvens de gás e também a emissão da poeira quente existente nas galáxias do Universo primordial. O ALMA observou o HUDF cerca de 50 horas no total até agora, o que corresponde à maior quantidade de tempo de observação do ALMA passado numa única região do céu.

Uma das equipas, liderada por Jim Dunlop (University of Edinburgh, Reino Unido), utilizou o ALMA para obter a primeira imagem profunda e homogénea de uma região tão grande como o HUDF. Estes dados permitiram ajustar claramente as galáxias detectadas pelo ALMA com objetos já observados pelo Hubble ou por outras infraestruturas. Este estudo mostrou claramente pela primeira vez que a massa estelar de uma galáxia é o factor que melhor prevê a taxa de formação estelar no Universo a elevado desvio para o vermelho. A equipa detectou essencialmente todas as galáxias de elevada massa
e virtualmente mais nada.
Esta imagem, chamada Campo Extremamente Profundo do Hubble (XDF, sigla do inglês para Hubble eXtreme Deep Field), combina observações Hubble obtidas durante a última década de uma pequena região do céu situada na constelação da Fornalha. Com um total de mais de dois milhões de segundos de tempo de exposição, trata-se da imagem mais profunda do Universo alguma vez conseguida, combinando dados de imagens anteriores, incluindo o Campo Ultra Profundo do Hubble (obtido em 2002 e 2003) e o Campo Ultra Profundo Infravermelho do Hubble (de 2009).  A imagem cobre uma região com uma área que é menor que um décimo da área da Lua Cheia, ou seja apenas 30 milionésimas partes de todo o céu. Ainda assim, nesta minúscula fracção do céu, esta exposição longa revela cerca de 5500 galáxias, algumas das quais tão distantes que as vemos quando o Universo tinha menos de 5% da sua idade atual.  A imagem do Campo Extremamente Profundo do Hubble contém vários dos objetos mais distantes alguma vez identificados.  Crédito: NASA, ESA, G. Illingworth, D. Magee, e P. Oesch (Universidade da California, Santa Cruz), R. Bouwens (Universidade de Leiden), e Equipa HUDF09

Jim Dunlop, autor principal do artigo científico que descreve as imagens profundas enfatiza a importância desta descoberta: “Este é um avanço revolucionário, pois pela primeira vez conseguimos ligar claramente as imagens visíveis e ultravioletas do Universo distante observadas pelo Hubble com as imagens  no infravermelho longínquo e milímetro obtidas com o ALMA. A segunda equipa, liderada por Manuel Aravela do Núcleo de Astronomía, Universidad Diego Portales, Santiago do Chile, e por Fabian Walter do Instituto Max Planck de Astronomia em Heidelberg, na Alemanha, conduziu uma busca mais profunda em cerca de um sexto do campo total do HUDF.


“Levámos a cabo a primeira busca tridimensional feita "às cegas" de gás frio no Universo primordial,” disse Chris Carilli, astrónomo do National Radio Astronomy Observatory (NRAO), em Socorro, Novo Mexico, EUA, e membro da equipa de investigação. “Deste modo, descobrimos uma população de galáxias que não apareceu de forma nada evidente em qualquer outro rastreio profundo do céu.
Algumas das novas observações ALMA foram especificamente concebidas para detectar galáxias ricas em monóxido de carbono, o qual indica regiões onde se prepara a formação estelar. Estes reservatórios de gás molecular, que dão origem a formação estelar nas galáxias, são muitas vezes difíceis de detectar com o Hubble. O ALMA pode por isso ajudar a revelar a “metade que falta” do processo de formação e evolução das galáxias.
Uma quantidade de galáxias, ricas em monóxido de carbono (o que indica formação estelar potencial) foram observadas pelo ALMA (a laranja) no Campo Ultra Profundo do Hubble. As estruturas azuis são galáxias observadas pelo Hubble. Esta imagem baseia-se num rastreio muito profundo do ALMA realizado por Manuel Aravena, Fabian Walter e colegas, que cobriu cerca de um sexto da área total do HUDF. Crédito: B. Saxton (NRAO/AUI/NSF); ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); NASA/ESA Hubble

“Os novos resultados ALMA apontam para um rápido aumento no conteúdo de gás das galáxias à medida que olhamos para trás no tempo,” acrescenta o autor principal de dois dos artigos científicos que descrevem estes resultados, Manuel Aravela. “Este aumento do conteúdo de gás é provavelmente a causa principal do aumento das taxas de formação estelar durante a época principal de formação de galáxias, a qual ocorreu há cerca de 10 mil milhões de anos atrás. Os resultados apresentados hoje são apenas o início de uma série de observações futuras do ALMA para investigar o Universo distante. Por exemplo, está planeada uma campanha de observação de 150 horas do HUDF para termos mais indícios sobre a potencial história de formação estelar no Universo.  Ao aumentar o nosso conhecimento sobre este material que forma estrelas, anteriormente desconhecido, o Grande Programa do ALMA previsto dar-nos-á uma visão completa das galáxias existentes no icónico Campo Ultra Profundo do Hubble,” conclui Fabian Walter.
FONTE: ESO


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

NASA fará grande anúncio sobre lua de Júpiter com possibilidade de vida

Com seus oceanos submersos, Europa é o lugar com maior probabilidade de atividade biológica do Sistema Solar, depois da Terra
A NASA divulgou em nota para a imprensa que, na próxima segunda-feira (26), fará um importante anúncio sobre Europa, uma das luas de Júpiter. Segundo a agência espacial americana, a conferência terá como objetivo apresentar descobertas sobre uma atividade surpreendente no satélite. Os astrônomos apresentarão resultados de uma campanha de observação única que descobriu evidências surpreendentes de atividade que pode estar relacionada com a presença dos oceanos subterrâneos em Europa", afirma a NASA.

Em outras ocasiões, a aprópria agência afirmou que, tirando a Terra, Europa é o lugar com maior probabilidade de abrigar vida no nosso Sistema Solar. Um estudo publicado em maio no periódico Geophysical Research Letters mostrou que os oceanos de água salgada que ficam abaixo da enorme crosta de gelo do satélite podem ter uma química bem parecida com os terrestres. A partir disso os cientistas argumentaram que é possível que exista hidrogênio e oxigênio em quantidades suficientes para a formação de vida.

“Estamos estudando um oceano alienígena usando métodos para entender o movimento de energia e nutrientes do próprio sistema da Terra”, afirmou Steve Vance, o pesquisador responsável pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, na ocasião. “O ciclo de hidrogênio e oxigênio dos oceanos de Europa serão o grande propulsor de vida por lá, assim com é na Terra.”

Quando o estudo em questão foi publicado, os pesquisadores estavam intrigados com o fato de que, quando comparada com a da Terra, a produção de oxigênio na lua de Júpiter ser dez vezes maior do que a de hidrogênio. O próximo passo da pesquisa na época era descobrir como ocorria a formação de hidrogênio e calor em Europa, dois fatores essenciais para o surgimento da vida. Na Terra, os processos acontecem quando a água salgada do mar penetra nas fissuras do planeta e reage com os minerais de lá.
FONTE: GALILEU

12 reflexões que vão te introduzir ao pensamento de Carl Sagan

O astrônomo que divulgava ciência como ninguém nos deixou um legado intelectual abrangente e de alto impacto filosófico – separamos algumas reflexões que ilustram várias facetas do pensamento humanista e inspirador de Sagan
Carl Sagan foi um cientista que, definitivamente, não teve medo de especular. É claro que ele sabia muito bem separar o que era ciência do que era especulação. Mas o jeito irresistível através do qual relacionava conceitos científicos com conteúdos imaginativos pertinentes tornava seu pensamento único e fascinante para o público leigo. Não é à toa que ele é considerado um dos maiores divulgadores de ciência de todos os tempos. Além de inspirar toda uma geração de novos cientistas (em grande medida com a série Cosmos), Sagan também adotava um tom poético e filosófico nos assuntos que discutia, tornando suas reflexões ao mesmo tempo belas e dotadas de elementos capazes de despertar uma consciência humanista nas pessoas. Se fôssemos apresentar todas as frases de impacto do astrônomo que têm o potencial de tornar uma pessoa melhor, provavelmente teríamos de escrever um livro. Mesmo assim, resolvemos escolher algumas citações e pensamentos de Carl Sagan que sintetizam certos aspectos centrais da visão que ele tinha das coisas. Se “somos todos poeira de estrelas” é a única referência que você tem sobre as ideias de Sagan, então os tópicos abaixo podem lhe ajudar a se aprofundar um pouco mais no jeito tão especial que ele tinha de encarar o cosmos – e nós mesmos. Confira:

A ciência é muito mais do que um corpo de conhecimentos. É uma maneira de pensar. A afirmação é fundamental para entender a forma como o cientista enxergava o próprio ofício. Completamente apaixonado pelo que fazia, para ele ciências como a física ou a astronomia não se limitavam a um punhado de fórmulas frias e conceitos abstratos. Muito pelo contrário, eram ferramentas poderosas e fascinantes que nos permitiam sondar o desconhecido, além de expandir nosso entendimento sobre a realidade da maneira mais confiável possível.
Toda criança começa como uma cientista nata, e então nós arrancamos isso delas. Entre as características que ele valorizava em um cientista e em qualquer outra pessoa estão a curiosidade e a imaginação, traços típicos das crianças. Para o astrônomo, pensar cientificamente era algo como interrogar de forma metódica diversos aspectos da natureza, o que não deixa de ser uma forma de curiosidade aplicada. A respeito da imaginação, ele acreditava ser um dos motores fundamentais do conhecimento humano.
Um livro é a prova de que os humanos são capazes de fazer mágica. Além da forte inclinação por especular, Sagan também era um intelectual com enorme capacidade de relacionar diferentes áreas do conhecimento – e fazia isso excepcionalmente bem. Para conseguir esta naturalidade em transitar por diversos repertórios, é preciso muita leitura e erudição multidisciplinar. Cosmos, por exemplo, é repleto de narrativas sobre a história da ciência, e em vários momentos o astrônomo declara sua admiração pelos livros.
Nós somos uma maneira de o cosmos se autoconhecer. Se somos feitos de poeira de estrelas sistematicamente organizada para formar seres dotados de consciência, então podemos dizer que somos o universo pensando sobre si próprio. A abordagem se insere na convicção de que nós, humanos, não somos tão diferentes assim da realidade física que nos cerca, e de que interagimos com ela constantemente – de formas que estamos apenas começando a entender. Em outras palavras, você e o cosmos estão intimamente conectados. O astrônomo costumava citar mitos de nossos antepassados que nos concebiam como filhos tanto do céu quanto da terra.
Nossa obrigação de sobreviver e prosperar é devida não apenas a nós mesmos, mas também ao cosmos, antigo e vasto, do qual surgimos. Sagan possuía um profundo senso de reverência com relação à vida e ao ser humano. Ele acreditava que estar vivo e ter uma consciência era não apenas um privilégio, mas também uma grande responsabilidade. Como salientou em diversos momentos, nossa espécie atingiu um ponto crítico de sua história, no qual tem o próprio destino nas mãos. Todo o conhecimento e bagagem evolutiva que acumulamos nestes poucos milênios podem ser usados de forma a engrandecer nossa civilização – ou então destruí-la por completo, se insistirmos nos erros do passado.
Cada um de nós é, sob uma perspectiva cósmica, precioso. Se um humano discorda de você, deixe-o viver. Em cem bilhões de galáxias, você não vai achar outro. A reflexão segue a mesma linha do raciocínio apresentado acima – a vida inteligente é rara. Nosso conhecimento sobre o Universo ainda é limitado, é verdade, mas pelo pouco que exploramos já conseguimos chegar a esta conclusão. Sob esta perspectiva, a vida na Terra, principalmente a humanidade, ganha um status quase que sagrado, pois é fruto de um processo contínuo de evolução que se arrasta há 4,5 bilhões de anos. Todos carregam esta bagagem compartilhada dentro de si. Quando enxergamos a vida desta forma, o ato de matar qualquer ser vivo ganha novas e gigantescas proporções.
Diante da vastidão do espaço e da imensidão do tempo, é uma alegria dividir um planeta e uma época com Annie. A frase é adereçada a Ann Druyan, esposa do astrônomo, mas poderia muito bem se aplicar a qualquer outra pessoa. A constatação é de um poder imenso. Apenas pense em como é improvável, nos termos de uma perspectiva cósmica, você e outro amontoado de átomos que formam um ser consciente terem a chance de interagir um com o outro, em um minúsculo planeta chamado Terra e em um período de tempo específico. Reflita: são mais de 100 bilhões de galáxias em nosso Universo, que existe há pelo menos 13,8 bilhões de anos.
Nós somos, cada um de nós, um pequeno universo. Um assunto abordado com frequência por Carl Sagan era a dimensão das coisas muito pequenas, como aquelas que compõem nossos corpos. Ele frequentemente colocava o minúsculo em escala com o gigantesco, equiparando, por exemplo, a quantidade de átomos em uma molécula de DNA com a de estrelas em uma galáxia típica. É uma forma elegante de demonstrar como somos muito pequenos e muito grandes ao mesmo tempo. Em uma outra comparação do gênero, dizia que existem mais estrelas no Universo do que grãos de areia em todas as praias da Terra.
O Universo não parece nem benigno nem hostil, mas meramente indiferente às preocupações de criaturas tão insignificantes como nós. O cientista defendia que era melhor tentar se agarrar à realidade do jeito que ela realmente é do que persistir em ilusões, por mais reconfortantes que elas sejam. No fundo, ele queria dizer que, por menos acolhedor e mais adverso que o cosmos possa nos parecer, a verdade é que ele opera independentemente de nossos desígnios. Seremos nós que sempre vamos precisar nos adaptar ao Universo se quisermos sobreviver nele, e não o contrário. A chave para esta adaptação estaria em tentar constantemente entender a natureza das coisas por meio da ciência.
O céu nos chama. Se não nos autodestruirmos, um dia vamos nos aventurar pelas estrelas. A exploração espacial era um tópico especialmente caro a Sagan, e ele próprio participou de diversos projetos da NASA, como o da sonda Voyager 1, que deixou recentemente o Sistema Solar. Em sua concepção, os poucos milênios de vida sedentária da humanidade não apagaram nosso instinto por explorar novos lugares e expandir nossos horizontes, traços típicos das sociedades voltadas para a caça e coleta. Ele acreditava que o gosto pela exploração era uma herança evolutiva para aumentar as chances de sobrevivência de nossa espécie, e que portanto, cedo ou tarde, vamos nos espalhar pelo espaço.
Toda civilização sobrevivente é obrigada a se tornar viajante espacial, pela razão mais prática que se pode imaginar: manter-se viva. A ideia da expansão pelo espaço no pensamento do astrônomo não se reduzia a um capricho meio romântico ou então à tendência humana de explorar. Ela tinha mais a ver com uma espécie de instinto de sobrevivência. Não é tão difícil de entender este argumento: se a humanidade inteira está confinada na Terra e algo acontece com o planeta, estamos condenados à extinção. Asteroides são uma grande ameaça, mas nosso próprio sol pode nos engolir daqui a 5 bilhões de anos, quando seu combustível acabar e ele virar uma gigante vermelha.
Uma das grandes revelações da era da exploração espacial é a imagem da Terra, finita e solitária, de alguma forma vulnerável, transportando a espécie humana inteira pelos oceanos do espaço e do tempo. Entre as mensagens inspiradas pela ciência mais belas da história certamente está Pale Blue Dot (pálido ponto azul), de autoria de Carl Sagan. Pouco depois de a sonda Voyager  1 ultrapassar Saturno, foi ele quem deu a ideia de tirar uma foto da Terra, que dali aparecia como um pixel azul suspenso em um raio de sol. Ou então um grão de areia suspenso no céu da manhã, como ele mais tarde interpretou. Entre as muitas formas que podemos enxergar nosso frágil planeta, uma delas é como uma nave, que sempre nos transportou pelo espaço e pelo tempo.
FONTE: GALILEU

A nebulosa da Hélice em infravermelho

O que faz esse olho cósmico parecer tão vermelho? Poeira. A imagem acima foi feita pelo Telescópio Espacial Spitzer e mostra a luz infravermelha da bem estudada Nebulosa da Hélice, a NGC 7293, localizada a cerca de 700 anos-luz de distância da Terra na constelação de Aquarius. O escudo de poeira e gás com dois anos-luz de diâmetro ao redor da anã branca central é considerado um belo exemplo de uma nebulosa planetária, que representa os estágios finais da evolução de estrelas parecidas com o Sol. Mas os dados do Spitzer mostram que a estrela central da nebulosa está imersa num surpreendente brilho infravermelho intenso. Os modelos sugerem que o brilho é produzido por um disco de detritos de poeira. Mesmo que o material nebular tenha sido ejetado da estrela a muito milhares de anos atrás, a poeira pode ter sido gerada por colisões ocorridas em reservatórios de objetos análogos ao Cinturão de Kuiper ou à Nuvem de Oort do Sistema Solar. Se os objetos parecidos com cometas tivessem se formado no distante sistema planetário, eles teriam sobrevivido até mesmo aos dramáticos estágios finais de vida de uma estrela.
Fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap160920.html

Terra não verá colisão entre Via Láctea e Andrômeda

Interação poderá expulsar o Sistema Solar da Via Láctea e formar uma nova galáxia
De acordo com uma nova simulação, uma colisão cósmica como a que ocorreu entre as galáxias espirais NGC 2207 e IC 2163 ocorrerá entre a Via Láctea e Andrômeda, enquanto o Sol ainda existir.

Caso o Homo Sapiens sobreviva na Terra por mais dois bilhões de anos, nossos descendentes poderão testemunhar um belo espetáculo no céu noturno. Pesquisadores reafirmam que a Via Láctea deverá colidir com nossa vizinha mais próxima, a galáxia de Andrômeda ─ bem antes de o Sol colapsar numa anã branca ─ destruindo a Terra nesse processo. A aproximação dessas galáxias poderá facilmente lançar o Sistema Solar para uma região isolada da Via Láctea ou transferi-lo para a galáxia de Andrômeda, segundo os astrônomos T. J. Cox e Abraham Loeb do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian, em Cambridge, Massachusets.  Os dois pesquisadores simularam essa colisão com base na velocidade relativa entre as galáxias e a quantidade de gás e matéria escura existente no espaço entre elas, o que provoca o arraste de seus movimentos. Andrômeda se encontra atualmente a 2,3 milhões de anos-luz.

Os pesquisadores sabem que elas estão se aproximando a 230 mil km/h, mas desconhecem sua velocidade transversal Se seu deslocamento transversal for suficientemente rápido ela não atingirá a Via Láctea. 

Loeb observa que “é muito provável que as duas se choquem, mas sabe-se lá quando, em três, cinco, dez bilhões de anos”. Considerando os últimos modelos de estrutura das galáxias e assumindo uma velocidade transversal reduzida, Cox e Loeb concluíram que em dois bilhões de anos Andrômeda deverá tocar a Via Láctea. Eles anunciaram este resultado num trabalho submetido à revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Os dois núcleos galácticos ficariam orbitando, um em torno do outro, por mais três milhões de anos até se fundirem.

Nessa época, as estrelas que compõem as duas galáxias espirais coalescerão lentamente formando então uma galáxia elíptica ─ talvez a “Androláctea” ─ com características próprias. Embora a maioria das estrelas esteja muito afastada para colidirem, a força gravitacional de uma das galáxias atrai as estrelas da outra.

O Sol deverá se manter ativo até que esse cataclisma ocorra. Seu destino vai depender do ponto onde estará na órbita de 24 mil anos luz que executa em torno do centro da Via Láctea. Os pesquisadores calculam que quando os núcleos das duas galáxias se fundirem, o Sistema Solar terá 50% de chance de ser expulso para uma fina cauda que se estenderá da Androláctea, a uma distância três vezes maior do núcleo que a distancia a que está hoje do centro galáctico.

Cox e Loeb também verificaram que existem 3% de chance de o Sol entrar em órbita de Andrômeda, quando as duas galáxias colidirem. Alterando os dados iniciais a simulação leva a outros resultados. É interessante notar, comenta o astrônomo Gregory Laughlin, da University of Califórnia, em Santa Cruz, é que Cox e Loeb determinaram órbitas razoáveis para o Sol e algumas resultaram numa faixa plausível de cenários que o Sistema Solar poderá encontrar.
FONTE: Scientific American - Brasil

M8: a larga e profunda ‘lagoa cósmica’

M8 – a Nebulosa da Lagoa por Michael Miller e Jimmy Walker

Cumes de gás interestelar brilhante e nuvens de poeira escuras habitam as turbulentas profundezas cósmicas da Nebulosa da Lagoa. Também conhecida como M8, essa brilhante região de formação de estrelas reside a cerca de 5.000 anos luz de distância do Sol. Essa região consiste em uma parada popular em viagens telescópicas na constelação de Sagitário, em direção ao centro da nossa Via Láctea. Dominada pela emissão avermelhada reveladora emanada pelos átomos de hidrogênio ionizado ao se recombinar com os elétrons livres, esta deslumbrante vista profunda da Nebulosa da Lagoa cobre uma área de quase 100 anos luz de diâmetro. À direita do centro, em forma de ampulheta brilhante compacta, o compacto gás ionizado é esculpido por radiação energética e ventos estelares extremos de uma jovem estrela massiva, Herschel 36. Na verdade, as muitas estrelas brilhantes do aglomerado estelar aberto NGC 6530, à deriva dentro da nebulosa, se formaram recentemente na região há vários milhões de anos.

ALMA descobre segredos de bolha espacial gigante


Simulação de computador de uma Bolha de Lyman-alfa Créditos:
J.Geach/D.Narayanan/R.Crain


Uma equipe internacional de astrónomos usou o ALMA, assim como o Very Large Telescope do ESO e outros telescópios, para descobrir a verdadeira natureza de um objeto raro no Universo distante, chamado Bolha de Lyman-alfa. Até agora, os astrónomos não compreendiam o que é que fazia estas enormes nuvens de gás brilhar tão intensamente, mas o ALMA viu agora duas galáxias no coração de um destes objetos, galáxias estas que estão a formar estrelas a um ritmo muito acelerado, fazendo brilhar todo o meio que as envolve. Estas enormes galáxias estão por sua vez no centro de um conjunto de galáxias mais pequenas, no que parece ser a fase inicial de formação de um enxame de galáxias massivo. As duas fontes ALMA deverão evoluir numa única galáxia elíptica gigante.

As Bolhas de Lyman-alfa são enormes nuvens de hidrogénio gasoso com dimensões que podem ir até às centenas de milhares de anos-luz e que se encontram a grandes distâncias cósmicas. O nome reflete o comprimento de onda característico da radiação ultravioleta que emitem, conhecida por radiação de Lyman-alfa. Desde a descoberta destes objetos, os processos que lhes dão origem têm constituído um puzzle astronómico. Novas observações obtidas agora com o ALMA acabam de resolver o mistério.

Uma das maiores Bolhas de Lyman-alfa conhecidas e estudadas com muito detalhe é a SSA22-Lyman-alfa 1, ou LAB 1. Situada no núcleo de um enorme enxame de galáxias na fase inicial de formação, este foi o primeiro objeto do tipo a ser descoberto — em 2000 — e localiza-se tão longe que a sua luz demorou 11,5 mil milhões de anos a chegar até nós. Uma equipa de astrónomos, liderada por Jim Geach, do
Centre for Astrophysics Research of the University of Hertfordshire, RU, utilizou a capacidade sem precedentes do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) para investigar a LAB-1, observando a radiação emitida por nuvens de poeira fria em galáxias distantes, o que permitiu localizar e resolver várias fontes de emissão submilimétrica.


Este diagrama explica como é que brilha uma Bolha de Lyman-alfa, um dos maiores e mais brilhantes objetos no niverso.Créditos:ESO/J. Geach


A equipe combinou seguidamente as imagens ALMA com observações obtidas com o instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer), montado no Very Large Telescope do ESO (VLT), as quais mapeiam a radiação Lyman-alfa. Isto mostrou que as fontes ALMA estão localizadas mesmo no centro da Bolha de Lyman-alfa, onde se encontram a formar estrelas a uma taxa cerca de 100 vezes maior que a da Via Láctea. Adicionalmente, imagens profundas obtidas com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e espectroscopia do Observatório W. M. Keck  mostraram que as fontes ALMA estão rodeadas por numerosas galáxias companheiras ténues que podem estar a bombardeá-las com material, ajudando assim a aumentar as taxas de formação estelar nas fontes ALMA centrais.

A equipa fez seguidamente uma sofisticada simulação de formação galáctica para demonstrar que a enorme nuvem brilhante de emissão Lyman-alfa pode ser explicada se radiação ultravioleta produzida pela formação estelar nas fontes ALMA for dispersada pelo hidrogénio gasoso circundante. Este efeito daria origem à Bolha de Lyman-alfa que observamos. Jim Geach, autor principal do novo estudo, explica: “Pensemos nas luzes da rua numa noite de nevoeiro — vemos um brilho difuso porque a luz é dispersada pelas minúsculas gotas de água. Algo semelhante acontece aqui, excepto que a luz da rua é uma galáxia a formar estrelas com muita intensidade e o nevoeiro é uma enorme nuvem de gás intergaláctico. As galáxias iluminam o seu meio envolvente.”

Compreender como é que as galáxias se formam e evoluem é um enorme desafio. Os astrónomos pensam que as Bolhas de Lyman-alfa são importantes porque parecem ser os locais onde a maioria das galáxias massivas do Universo se formam. Em particular, o brilho extenso de Lyman-alfa fornece informações sobre o que está a acontecer nas nuvens de gás primordial que rodeiam as jovens galáxias, uma região muito difícil de estudar, mas critica para a compreensão destes fenómenos.

Jim Geach conclui, “O que é excitante nestas Bolhas é que estamos a ver o que se passa em torno destas jovens galáxias em crescimento. Durante muito tempo, a origem desta radiação extensa de Lyman-alfa permaneceu controversa. No entanto, combinando novas observações e simulações de vanguarda, pensamos ter resolvido um mistério de 15 anos: a Bolha de Lyman-alfa 1 é o local de formação de uma galáxia elíptica gigante, que um dia será o coração de um enorme enxame de galáxias. Estamos a ver uma “fotografia” da formação dessa galáxia há 11,5 mil milhões de anos atrás.”
FONTE: ESO

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Cinco fatos sobre o Big Bang

O Big Bang é a pedra angular da cosmologia, mas o que exatamente ele significa?

Os Astrônomos Edwin Hubble e Milton Humason no início do século 20 descobriram que as galáxias estão se afastando da Via Láctea. Mais direto ao ponto: Cada galáxia está se afastando de qualquer outra galáxia, em média, o que significa que todo o universo está se expandindo. No passado, então, todo o cosmos deve ter sido muito menor, porém quente e denso. Essa descrição, conhecida como o modelo do Big Bang, foi contra as novas descobertas e teorias concorrentes por cerca de um século. Então, o que é toda essa coisa "Big Bang"?

O Big Bang aconteceu em todos os lugares ao mesmo tempo. 

O universo não tem nenhum centro ou da borda, e cada parte do cosmos está se expandindo. Isso significa que, se correr o relógio para trás, podemos descobrir exatamente quando tudo estava amontoado: 13,8 bilhões de anos atrás. Uma vez que cada lugar que podemos mapear no universo hoje ocupou o mesmo lugar 13,8 bilhões de anos atrás, não podemos dizer que houve um local para o Big Bang: Ele aconteceu em todos os lugares ao mesmo tempo!

O Big Bang não descreve realmente o início de tudo. 

O "Big Bang" em geral refere-se a teoria da expansão cósmica e início do universo quente. No entanto, por vezes, até mesmo os cientistas usam o termo para descrever um momento no tempo, quando tudo foi embalado em um único ponto. O problema é que não temos qualquer observação ou teoria que descreva esse momento, que é adequadamente (se desajeitadamente) chamado "singularidade primordial". 

A singularidade primordial é o ponto de partida para o Universo que observamos, mas pode ter havido algo antes. 

A dificuldade é que a expansão muito quente, rápida e precoce chamada "inflação", que provavelmente aconteceu logo após a singularidade dizimar a maioria, se não todas, as informações sobre qualquer história que precedeu o Big Bang. Os físicos continuaram pensando em novas maneiras de verificar se há sinais de um universo anterior, e embora nós não tenhamos evidências de nenhum deles até o momento, não podemos descartá-los ainda.
 
teoria do Big Bang explica de onde veio todo o hidrogênio e hélio no universo.

Na década de 1940, Ralph Alpher e George Gamow calcularam que o universo primitivo era quente e denso o suficiente para fazer praticamente todo o hélio, lítio e deutério (hidrogênio com um nêutron) presente no cosmos hoje; Estudos posteriores mostraram que o hidrogênio primordial realmente veio do início do Cosmos. Isto é conhecido como "nucleossíntese do Big Bang", e que se destaca como uma das previsões mais bem sucedidas da teoria. Os elementos mais pesados ​​(como oxigênio, ferro e urânio) foram formados em estrelas e explosões de supernovas. 

A melhor evidência para o Big Bang é na forma de microondas. Logo no início, todo o Universo era denso o suficiente para ser completamente opaco. Mas em um momento cerca de 380.000 anos após o Big Bang, a expansão espalhou a matéria suficientemente para fazer com que o universo ficasse transparente. 

A luz emitida a partir dessa transição, conhecida como radiação cósmica de fundo (CMB), ainda existe. Ela foi observada pela primeira vez em 1960 por Arno Penzias e Robert Wilson. Essa descoberta consolidou a teoria do Big Bang como a melhor descrição do universo; desde então, observatórios, tais como o WMAP e Planck usaram a CMB para nos dizer muito sobre a estrutura total, o teor do cosmos.

Uma das primeiras pessoas a pensar cientificamente sobre a origem do universo era um padre católico. 

Além de sua formação religiosa e de trabalho, Georges Lemaître foi um físico que estudou a teoria da relatividade geral e trabalhou em alguns dos primeiros estudos do cosmos nos anos 1920 e 30. Suas metáforas preferida para a origem do universo era o "ovo cósmico" e o "átomo primordial", mas elas nunca pegaram, o que é muito ruim, porque...

Parece que ninguém gosta o nome de "Big Bang". 

Até os anos 1960, a ideia de um universo com um começo foi controversa entre os físicos. O nome "Big Bang" foi na verdade inventado pelo astrônomo Fred Hoyle, que foi o principal proponente de uma teoria alternativa, onde universo continua para sempre sem um começo. Sua abreviação para a teoria pegou, e até hoje todos usam esse cunho, "Big Bang", para se referir à teoria.

O Big Bang é a pedra angular da cosmologia, mas isso não é toda a história. Os cientistas ainda tentam refinar a teoria do universo, motivados pela nossa observação de todo o material estranho lá fora. A matéria escura (que detém as galáxias juntas) e a energia escura (que faz com que a expansão do universo acelere) são os maiores mistérios que não são descritos pela teoria do Big Bang por si só. 

A nossa visão do Universo, como o próprio cosmos, continua a evoluir à medida que descobrimos mais e mais coisas novas. Mas em vez de desvanecer, o Big Bang continua sendo a nossa melhor explicação do por que as coisas são do jeito que são - o fogo no início do universo.
FONTE: MISTERIOS DO UNIVERSO



Está pronto o projeto do novo LHC

Sem todas as respostas que esperavam, os físicos apostam em um novo aumento de energia para desvendar os muitos mistérios que envolvem a matéria - a matéria escura, por exemplo. [Imagem: Daniel Dominguez/Maximilien Brice]

LHC de Alta Luminosidade
Está pronto o projeto para a próxima grande atualização do Grande Colisor de Hádrons, ou LHC (Large Hadron Collider). Com o upgrade, o maior laboratório científico do planeta se tornará essencialmente uma nova máquina, o que justifica até um novo nome: HiLumi LHC, ou LHC de Alta Luminosidade. A luminosidade - ou luminosidade integrada, para ser mais preciso - é uma indicação do número de colisões de partículas, normalmente prótons, produzidas em um determinado período de tempo. No LHC de Alta Luminosidade, o número de partículas no interior de cada feixe irá dobrar. O objetivo é estudar os fenômenos no cerne da estrutura da matéria em maiores detalhes, eventualmente permitindo que a física saia da encruzilhada do Modelo Padrão, a explicação científica básica sobre a matéria. "Nós sabemos que o Modelo Padrão da física de partículas, com todos os seus méritos, é muito incompleto," justificou Lucio Rossi, do CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear) que coordena o LHC e está dirigindo o processo de construção do LHC HiLumi.

Aumento de colisões
Além de dobrar o número de partículas em cada "disparo", os feixes de partículas também serão mais concentrados com a ajuda de novos ímãs supercondutores, aumentando a chance de colisões. Estes magnetos serão feitos de uma liga de nióbio e estanho (Nb3Sn), um material supercondutor que nunca foi utilizado em um acelerador até agora, mas que promete uma eficiência maior. Além disso, cavidades eletromagnéticas conhecidas como "cavidades-caranguejo" serão construídas para inclinar os feixes para que eles colidam de frente, sem o pequeno ângulo existente no LHC atual. Esta correção de curso vai melhorar ainda mais as possibilidades de que as partículas dos dois feixes que circulam em sentidos opostos colidam umas com as outras.

Os colimadores também serão otimizados. Estes componentes são basicamente os freios do LHC: eles protegem o dispositivo do seu próprio feixe, mantendo-o contido. Com as atualizações propostas, esses freios ficarão melhores, diminuindo o desgaste nos equipamentos e a perda de energia. Outro avanço está relacionado com a transmissão de energia. Na configuração de alta luminosidade, os conversores ficarão localizados a uma distância de 100 metros do anel. Linhas de transmissão supercondutoras inovadoras estão sendo desenvolvidas para transportar correntes ainda maiores para os ímãs sem perdas ao longo do caminho.
O anel completo do LHC, medindo 27 km, exigirá a construção de pelo menos 150 tipos diferentes de ímãs supercondutores. [Imagem: F.Savary/CERN]

LHC HiLumi
A expectativa dos físicos é que a atualização do LHC aumente o potencial de descobertas em 30%, contou Rossi. De acordo com ele, com o término da fase de concepção e projeto, começa já a fabricação de protótipos para os novos componentes - na verdade esse esforço já começou, já que muitos desses equipamentos nunca foram usados na prática. As obras de preparação do local para a nova configuração terão início em 2018. Mas não se espera que as claras luzes do LHC HiLumi comecem a brilhar antes de 2026.
FONTE: INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

Somos poeira de estrelas

A matéria-prima do ar, das rochas e da vida foi e continua sendo forjada pelas pressões gigantescas que existem no coração das maiores estrelas.
O astrônomo americano Carl Sagan, provavelmente o maior divulgador científico de todos os tempos, costumava dizer que nós – humanos, seres vivos da Terra, o próprio planeta e todo o sistema solar – somos poeira das estrelas. Era o modo lírico dele de explicar nossas origens no Universo. Só surgimos porque outras estrelas morreram há bilhões de anos, espalhando pelo espaço matéria composta de elementos químicos que viriam a nos constituir tempos depois.

Esse, na verdade, é o processo de vida e morte que permeia todo o Cosmo. As primeiras estrelas nasceram por volta de 100 milhões de anos depois do big-bang (que aconteceu há 13,7 bilhões de anos), em condições bastante diferentes das que formam novas estrelas hoje. Foi a morte delas, no entanto, em eventos violentos e espetaculares, que abriu caminho para a formação de sistemas solares como o nosso. Nos primórdios do Universo só havia no espaço os elementos químicos hidrogênio e hélio. Foi o calor gerado pela explosão dessas primeiras estrelas, mais ou menos 1 bilhão de anos depois, que ajudou a produzir e espalhar os elementos necessários à vida: carbono, nitrogênio e oxigênio, além de ferro, fósforo etc.

Até o surgimento da Terra, no entanto, passou-se mais um bom tempo. Essas explosões espetaculares de estrelas são conhecidas como supernovas. Elas ocorrem, por exemplo, quando estrelas enormes, com massa superior a 8 vezes a do nosso Sol, consomem todo o combustível em seu interior e ficam incapazes de se sustentar. Sem o suporte, a matéria de seu exterior acaba despencando em direção ao núcleo, e a estrela sofre um colapso. Isso provoca um aumento de temperatura e pressão e ela explode, lançando estilhaços de carbono, oxigênio etc.

 Nesse momento, o brilho é tão forte que lembra mais o de um cometa – sem cauda, claro. Essas explosões acabam funcionando como os grandes motores das transformações cósmicas. O material jogado no espaço vai formar outras estrelas, outros planetas. Como diria o físico brasileiro Marcelo Gleiser, “do espaço viemos e para o espaço retornaremos”.

A avó da terra
Há uns 5 bilhões de anos, um astro com massa várias vezes a do nosso Sol explodiu. Ele deixou um cadáver imenso de gás e poeira, com cerca de 24 bilhões de quilômetros. Assim nasceu o nosso sistema solar.

Explosão no Universo
Os elementos que formam a Terra vieram do Big Bang, a explosão que deu origem ao Universo, e das estrelas. Depois do Big Bang, uma infinidade de átomos de hélio (He) e hidrogênio (H) ficou boiando no espaço. A gravidade primeiro uniu os átomos, formando as estrelas. Depois, fundiu-os até produzirem novos tipos de átomos. Com o tempo, as estrelas explodiram, lançaram os novos elementos químicos no espaço e viraram outros corpos celestes. A nuvem de átomos ficou solta no espaço até que a gravidade juntou-os novamente. A união dos vários elementos formou o Sistema Solar. A Terra e tudo o que está sobre ela, inclusive você, é resultado da fusão disso tudo.

"A vida é apenas um vislumbre passageiro das maravilhas que existem no Universo."
Carl Sagan
FONTE: SUPER INTERESSANTE

Próxima b: 7 questões sobre o exoplaneta mais próximo de nós

Se o exoplaneta Próxima b é árido como nessa visualização artística, ou verdejante e cheio de vida, é algo que levará tempo para sabermos.[Imagem: ESO/M. Kornmesser]

EXOPLANETA VIZINHO
A descoberta do exoplaneta Próxima b já tem seu lugar nos livros de história. Circundando a estrela mais próxima do nosso Sistema Solar e com potencial para abrigar vida, Próxima b é o exoplaneta mais festejado até agora, e com muita razão. Você provavelmente tem muitas perguntas sobre ele, e aqui nós preparamos algumas respostas, baseadas no que sabemos até agora e no que é mais plausível.

HÁ ALIENÍGENAS EM PRÓXIMA B?
No momento, ninguém sabe dizer. Próxima b é provavelmente semelhante à Terra em alguns aspectos, em massa e temperatura por exemplo, o que aumenta a possibilidade de haver algum tipo de vida lá. Mas ele também é muito diferente em outros aspectos: ao contrário da Terra, ele deve ter uma órbita travada, com um lado sempre voltado para sua estrela e outro onde é sempre noite. Teoricamente a vida até poderia evoluir nessas condições, mas é difícil dizer dado que só conhecemos um exemplo de planeta onde há vida - o nosso - e ele não funciona desse jeito. Mesmo que houvesse apenas micróbios por lá, e não homenzinhos verdes, já seria um achado e tanto.

COMO PODEMOS TER CERTEZA?
A prioridade número um é determinar se Próxima b tem uma atmosfera. Se pudermos capturar sinais de sua atmosfera e estudar sua composição química, isto poderia nos dizer se há algum tipo de vida similar à vida na Terra.  Sinais de oxigênio e metano, que quebram rapidamente, seriam fortes indícios de algo vivo, uma vez que implicaria que a atmosfera possui um abastecimento regular desses gases.  Outros gases, como os clorofluorocarbonetos, poderiam apontar para alienígenas inteligentes que poluíram o planeta deles, como nós, enquanto etano poderia revelar um mundo onde a vida já se extinguiu.

VAI DEMORAR MUITO PARA DECOBRIR?
Infelizmente vai.
A não ser que tenhamos sorte e calhe de Próxima b passar bem na frente da sua estrela quando observado da Terra, não teremos telescópios poderosos o suficiente para ver sua atmosfera pelo menos pelos próximos 10 anos.

ENTÃO POR QUE NÃO VAMOS ATÉ LÁ OLHAR?
Uma missão tripulada a Próxima b é basicamente impossível com a tecnologia atual, e mesmo o envio de uma sonda robótica será um desafio. A estrela Próxima Centauro está a 4,25 anos-luz de distância, ou cerca de 40 trilhões de quilômetros. Isto significa que uma viagem à velocidade da luz, o mais rápido possível e no momento bem além das nossas capacidades, levaria 4,25 anos para chegar lá, e teríamos então que esperar outro tanto para receber as primeiras comunicações. Para se ter uma ideia, a sonda New Horizons levou quase uma década para percorrer 5 bilhões de quilômetros e chegar a Plutão no ano passado - e teve que passar chutada, sem conseguir parar para estudar o planeta anão em detalhes, porque não tinha combustível para isso. Uma missão semelhante a Próxima b levaria milênios.

NÃO PODEMOS CONSTRUIR UMA NAVE MAIS RAPIDA?
Os primeiros esforços já estão em andamento. Um projeto para enviar minúsculas naves espaciais a Alfa Centauro, o mesmo sistema onde Próxima b está, pretende usar lasers para atingir um quinto da velocidade da luz, o que reduziria o tempo de viagem para 20 anos. Já existem algumas naves do tamanho de chips prontas para os primeiros testes, mas poucos apostam que a missão a Alfa Centauro seja viável em menos do que algumas décadas. Isto contando que ela se mostre factível e consiga mesmo sair do chão, o que exigirá vários bilhões de dólares de investimentos.

QUE TAL ENVIAR UMA MENSAGEM?
Isto podemos fazer. Astrônomos já usaram radiotelescópios gigantes para enviar mensagens para outros sistemas estelares, embora alguns argumentem que deveríamos ficar em silêncio para evitar atrair a atenção de ETs hostis - é o chamado "argumento Klingon". Se decidirmos enviar uma mensagem, ela vai demorar 4,25 anos para chegar a Próxima b, e qualquer resposta levaria o mesmo tempo para viajar de volta, por isso ficaríamos quase uma década na expectativa.

EXISTEM OUTROS PLANETAS COMO PRÓXIMA B?
Definitivamente, sim. O GJ 667Cc, descoberto em 2012, parece ser rochoso e potencialmente habitável, assim como muitos outros planetas. Dados do telescópio espacial Kepler, que descobriu milhares de exoplanetas, sugerem que cerca de 40% das estrelas como a nossa ou Próxima Centauro devem hospedar mundos semelhantes, ou seja, poderia haver 40 bilhões de planetas potencialmente habitáveis na Via Láctea - ou algo como 100 bilhões de bilhões no Universo. Mas Próxima b será sempre especial, porque é o mais próximo que pode existir da nossa Terra.
FONTE: INOVAÇÃO TECNOLÓGICA