quarta-feira, 23 de julho de 2014

Sonda pousará em cometa duplo

Cometa que será visitado por sonda é duplo

Binários de contato

A sonda espacial Roseta está prestes a fazer história ao pousar sobre um cometa. E a tarefa pode ser ainda mais difícil do que se imaginava. Imagens captadas conforme a sonda se aproxima do cometa 67P/Churymov-Gerasimenko - ela deverá alcançá-lo em Agosto - revelaram que o cometa possui uma forma extraordinariamente irregular. São dois componentes bem distintos, com um segmento alongado e outro mais arredondado.

As fotos - uma sequência de 36 imagens captadas com intervalos de 20 minutos - foram tiradas a uma distância de 12 mil quilômetros. [Imagem: ESA]

Objetos duplos como este são conhecidos como "binários de contato", e não são tão incomuns - o asteroide Itokawa, por exemplo, visitado pela missão Hayabusa, da Agência Espacial Japonesa, possui duas seções com densidades muito diferentes. Mas isso coloca desafios adicionais para a aproximação e o lançamento do módulo de pouso. O módulo que deverá pousar no cometa mede um metro de comprimento por 80 centímetros de altura. A sonda leva 21 experimentos no total, sendo 10 no módulo de pouso e 11 no módulo orbital.

Imagens editadas

As fotos - uma sequência de 36 imagens captadas com intervalos de 20 minutos - foram tiradas a uma distância de 12 mil quilômetros. Isso exigiu uma série de tratamentos em computador para gerar uma melhor visualização. A técnica utilizada, chamada "sub-amostragem por interpolação", remove a pixelização e produz uma imagem mais uniforme. É importante notar que a superfície do cometa não deverá ser tão suave como essa imagem tratada sugere. A textura da superfície ainda não está otimizada porque a sonda espacial ainda está muito longe do cometa. Nesta fase inicial, as regiões aparentemente mais brilhantes ou mais escuras na imagem podem ser falsas interpretações do processo de tratamento de imagem.

Pedra de Roseta

O nome da sonda, Rosetta, vem da famosa Pedra de Roseta, a partir da qual se conseguiu decifrar os hieróglifos egípcios, cerca de 200 anos atrás. Da mesma forma, os astrônomos esperam que a sonda Rosetta consiga lançar uma luz sobre os mistérios que envolvem a formação do nosso Sistema Solar - os cometas são de grande interesse porque se acredita que sua composição reflita como o Sistema Solar era em seu nascimento, cerca de 4,6 bilhões de anos atrás.
Fonte: Inovação Tecnológica

IC 4603 – A bela nebulosa de reflexão em Ophiuchus

ic4603_olsen_1598

Por que essa imagem de um belo campo estelar no céu lembra uma pintura impressionista? O efeito é criado, não somente por efeitos digitais utilizados no processamento da imagem, mas também pela grande quantidade de poeira interestelar. A poeira, diminutas esferas, ricas em carbono e do tamanho das partículas emitidas na fumaça do cigarro, frequentemente se originam nas atmosferas externas das estrelas jovens, grandes e frias. A poeira é dispersada à medida que a estrela morre e cresce à medida que as coisas se comprimem no meio interestelar. Nuvens densas de poeira são opacas à luz visível e podem esconder completamente estrelas que estejam num segundo plano. Para as nuvens menos densas, a capacidade da poeira refletir preferencialmente a luz azul das estrelas torna-se importante, florescendo efetivamente a luz das estrelas azuis para fora das nuvens e marcando a poeira que se encontra ao redor. Emissões nebulares de gases, normalmente mais brilhantes na luz vermelha, podem ser combinadas para formar áreas que criam uma verdadeira pintura no céu. A imagem acima mostra a parte central da nebulosa IC 4603, que circunda a brilhante estrela SAO 184376 (uma estrela de magnitude 8), que ilumina a maior parte da nebulosa de reflexão azul. A IC 4603 pode ser vista perto da brilhante estrela Antares (uma estrela de primeira magnitude), na direção da constelação de Ophiuchus.

A Zona da Tarântula

Crédito: Marco Lorenzi

Nebulosa da Tarântula mede mais de 1000 anos-luz em diâmetro, uma região de formação estelar gigante dentro da nossa galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães (GNM). Esse aracnídeo cósmico reside no campo superior esquerdo desta colorida imagem de céu profundoobtida através de filtros de banda larga e de banda estreita. A imagem abrange quase 2 graus (4 Luas Cheias) no céu e cobre uma parte da GNM com mais de 8000 anos-luz de diâmetro.Dentro da Tarântula (NGC 2070), radiação intensa, ventos estelares e choques de supernovas das estrelas massivas do jovem enxame central, catalogado como R136, energizam o brilho nebular e formam os filamentos de aranha. Em torno da Tarântula estão outras violentas regiões de formação estelar com jovens enxames estelares, filamentos e nuvens em forma de bolha. De facto, a imagem inclui o local da supernova mais próxima dos tempos modernos, SN 1987A, mesmo para cima do centro. O rico campo de visão está localizado na direcção da constelação do Hemisfério Sul, Dourado.
Fonte: Astronomia On-Line - Portugal

Descoberto exoplaneta de trânsito com ano mais longo conhecido

Esta impressão artística mostra o exoplaneta com o tamanho de Úrano, Kepler-421b, que orbita uma estrela laranja da classe K, a cerca de 1000 anos-luz da Terra. Kepler-421b é o exoplaneta de trânsito com o ano mais longo conhecido, completando uma órbita em torno da sua estrela-mãe a cada 704 dias. Está localizado para lá da "linha de neve" - a linha divisória entre os planetas rochosos e gasosos - e pode ter-se formado nesta posição em vez de ter migrado a partir de uma órbita diferente.
Crédito: David A. Aguilar (CfA)

Astrónomos descobriram um exoplaneta em trânsito com o ano mais longo conhecido. Kepler-421b orbita a sua estrela a cada 704 dias. Em comparação, Marte orbita o nosso Sol a cada 780 dias. A maioria dos mais de 1800 planetas extrasolares descobertos até à data estão muito mais perto das suas estrelas e têm períodos orbitais muito mais curtos. A descoberta de Kepler-421b foi um golpe de sorte," afirma David Kipping, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (CfA), autor principal do artigo que relata o achado.

"Quanto mais longe um planeta está da sua estrela, menor a probabilidade de passar à sua frente a partir do ponto de vista da Terra. Tem que estar precisamente alinhado. Kepler-421b orbita uma estrela laranja da classe K, mais fria e ténue que o nosso Sol, a uma distância de aproximadamente 177 milhões de quilómetros. Como resultado, este planeta com o tamanho de Úrano tem uma temperatura gelada de -93 graus Celsius. Como o nome implica, Kepler-421b foi descoberto usando dados do telescópio Kepler da NASA. O Kepler foi especialmente desenhado para fazer descobertas deste género. Estudou a mesma área do céu durante 4 anos, observando a diminuição de brilho de estrelas, diminuição esta que assinalava o trânsito de planetas.
Ilustração da "linha de neve". Crédito: Pearson Education e Addison Wesley

Apesar da sua paciência, o Kepler detectou apenas dois trânsitos de Kepler-421b devido ao seu período orbital extremamente longo. A órbita do planeta coloca-o para lá da "linha de neve" - a linha divisória entre os planetas rochosos e gasosos. Para fora da linha de neve, a água condensa em grãos de gelo que ficam juntos para construir planetas gigantes de gás. A linha de neve é uma distância crucial na teoria de formação planetária. Nós achamos que todos os gigantes de gás devem ter-se formado para lá desta distância," explica Kipping.

Tendo em conta que os gigantes gasosos podem ser encontrados muito perto das suas estrelas, em órbitas de dias ou até mesmo horas, os teóricos acreditam que muitos exoplanetas migram para o interior algum tempo depois da sua formação. Kepler-421b mostra que essa migração não é necessária. Pode ter-se formado exactamente onde o vemos agora. "Este é o primeiro exemplo de um gigante gasoso potencialmente não-migratório, encontrado num sistema de trânsito," comenta Kipping. A estrela hospedeira, Kepler-421, está localizada a cerca de 1000 anos-luz da Terra na direcção da constelação de Lira.
Fonte: Astronomia on-Line - Portugal

Um útero estelar moldado e destruído por uma mãe ingrata

 A pouco conhecida nuvem de gás e poeira cósmica chamada Gum 15 é o local de nascimento e moradia de estrelas jovens massivas. Bonitas mas mortíferas, estas estrelas moldam a aparência da nebulosa materna e, à medida que avançam para a idade adulta, serão eventualmente a causa da sua morte.  Esta imagem foi obtida no âmbito do programa Jóias Cósmicas do ESO com o instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, no Observatório de La Silla, no Chile. A imagem mostra Gum 15, situada na constelação da Vela, a cerca de 3000 anos-luz de distância da Terra.  Esta nuvem brilhante é um bom exemplo de uma região HII. Estas nuvens formam alguns dos objetos astronômicos mais espetaculares que vemos; por exemplo a Nebulosa da Águia (que inclui os bem conhecidos “Pilares da Criação”), a enorme Nebulosa de Orion e este exemplo menos famoso, Gum 15.

O hidrogênio (H) é o elemento mais abundante no Universo e pode ser encontrado em praticamente qualquer meio investigado pelos astrônomos. As regiões HII são diferentes porque contêm quantidades substanciais de hidrogênio ionizado - átomos de hidrogênio que perderam os seus elétrons devido a interações com fótons ultravioletas de alta energia. À medida que os núcleos do hidrogênio ionizado recapturam os elétrons, libertam radiação de um característico comprimento de onda vermelho, o que dá às nebulosas, tais como Gum 15, este brilho avermelhado - um brilho a que os astrônomos chamam hidrogênio alfa (Hα).

Nas regiões HII os fótons ionizantes são emitidos pelas estrelas jovens massivas muito quentes da região e a Gum 15 não é exceção. No centro da imagem podemos ver uma das culpadas: a estrela HD 74804, o membro mais brilhante de um aglomerado estelar chamado Collinder 197.  A aparência nodosa e irregular que aumenta a
beleza desta nebulosa não é incomum numa região HII e é, uma vez mais, resultado das estrelas que se encontram no seu interior. As regiões HII têm diversas formas porque a distribuição das estrelas e do gás no seu interior é muito irregular.

A acrescentar à forma interessante da Gum 15, temos ainda uma região escura bifurcada de poeira obscurante visível no centro da imagem e algumas estruturas de reflexão tênues azuis que a atravessam. Esta estrutura na poeira faz com que a nebulosa pareça uma versão maior e mais tênue da bem conhecida Nebulosa Trífida (Messier 20), embora neste caso o nome bífida fosse mais apropriado.

Uma região HII como esta pode dar origem a milhares de estrelas durante um período de vários milhões de anos. Estas estrelas esculpem a forma da nebulosa ao mesmo tempo que a fazem brilhar, e são também elas que eventualmente a destruirão. Assim que as estrelas recém formadas passam as primeiras fases da sua evolução, fortes ventos de partículas são
lançados pelas estrelas, esculpindo e dispersando os gases em seu redor. Quando as mais massivas destas estrelas começarem a morrer, a Gum 15 morrerá com elas, já que estas estrelas são tão grandes que terminarão as suas vidas em explosões de supernova, dispersando os últimos restos de HII e deixando para trás apenas um aglomerado de estrelas jovens.
Fonte:ESO

terça-feira, 22 de julho de 2014

O Universo não deveria existir, afirma nova teoria

O Universo não deveria existir, afirma nova teoria
O universo não deveria existir, pelo menos de acordo com uma nova teoria. A modelagem de condições logo após o Big Bang sugere que o universo deveria ter desmoronado microssegundos após o nascimento explosivo, sugere um novo estudo. Durante o início do universo, esperávamos a inflação cósmica - esta é uma rápida expansão do universo logo após o Big Bang", disse Robert Hogan, do King College de Londres. Essa expansão faz com que um monte de coisas agitassem em redor, e se agitassem demais, poderíamos ir para este novo espaço de energia, que poderia levar o universo ao colapso", acrescentou. Os físicos tiraram essa conclusão a partir de um modelo que representa as propriedades da partícula bosão de Higgs recém-descoberta, que se pensa explicar como as outras partículas obtiveram a sua massa.

Uma possível explicação sustenta que durante o flash de fogo após a explosão primordial do Big Bang, a matéria correu para fora a uma velocidade vertiginosa, num processo conhecido como inflação cósmica. Este espaço-tempo curvado e espremido, criou ondulações conhecidas como ondas gravitacionais, que também torceram a radiação que passou através do universo, disse Hogan. Embora esses eventos tenham ocorrido há 13,8 bilhões de anos, um telescópio no Pólo Sul conhecido BICEP2 detectou recentemente os traços de inflação cósmica na radiação de microondas de fundo que permeia o universo, apesar de outros cientistas terem já questionado a descoberta.

Mas a gravidade não era a única força em jogo no início do universo. Um campo de energia omnipresente, o chamado campo de Higgs, permeia o universo e dá massa às partículas que passam através do campo. Os cientistas descobriram o sinal indicador do campo em 2012, quando se descobriu o bosão de Higgs e, em seguida, determinaram a sua massa. Com uma maior compreensão das propriedades da inflação cósmica e da massa do bosão de Higgs, os pesquisadores tentaram recriar as condições de inflação cósmica após o Big Bang. O que encontraram foi uma má notícia para, bem, tudo o que existe.

Então, se o universo não deveria existir, por que estamos aqui? "A expectativa é que deve haver alguns novos dados físicos que nós não colocamos nas nossas teorias ainda, porque não temos sido capazes de descobri-los", disse Hogan. Uma possibilidade, conhecida como a teoria da supersimetria, propõe que existem partículas superparceiras para todas as partículas conhecidas atualmente e talvez mais poderosos aceleradores de partículas possam vi a encontrar essas partículas, disse Hogan. Mas a teoria da inflação cósmica ainda é especulativa e alguns físicos sugerem que o que pareciam ondas gravitacionais primordiais ao telescópio BICEP2 podem realmente ser sinais de poeira cósmica na galáxia, disse Sean Carroll, um físico do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

Curiosamente, esta não é a primeira vez em que os físicos dizem que os feitiços do bosão de Higgs desgraçam o universo. Outros calcularam que a massa do bosão de Higgs levaria a um universo fundamentalmente instável, que pode acabar apocalipticamente em bilhões de anos. A massa do bosão de Higgs é cerca de 126 vezes maior do que a do protão, estando no limite da estabilidade do universo, disse Carroll. Um pouco mais leve e o campo de Higgs seria muito mais facilmente perturbado; um pouco mais pesado, e o campo de Higgs atual seria estável. Hogan apresentou as suas conclusões a 24 de junho na reunião da Royal Astronomical Society, em Portsmouth, Inglaterra, e o estudo foi publicado a 20 de maio da revista científica Physical Review Letters.
Fonte: Ciência Online

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Luz Escura? Está faltando luz no Universo

Luz Escura? Está faltando luz no Universo

Simulações de computador do hidrogênio intergaláctico em um universo "mal iluminado" (esquerda) e um universo "iluminado" (à direita), que tem cinco vezes mais fótons energéticos que destroem os átomos de hidrogênio neutro.[Imagem: Ben Oppenheimer/Juna Kollmeier]

Luz Escura
Como há um "excesso de gravidade" mantendo as galáxias unidas, formulou-se a hipótese da matéria escura, que seria responsável por essa gravidade. Como a expansão do Universo está se acelerando, formulou-se a hipótese da energia escura, que estaria impulsionando essa expansão. Agora parece haver lugar para uma "hipótese da luz escura" - uma espécie de luz perdida do Universo, responsável pela. Isto porque, se todas as teorias estiverem corretas, há um enorme déficit de luz ultravioleta no cosmos.


Luz jovem e luz antiga
As vastas extensões de espaço quase vazio entre as galáxias estão ligadas por filamentos de hidrogênio e hélio, que podem ser usados como "medidores de luz" muito precisos porque eles são fortemente afetados pela luz. O que se descobriu agora é que a luz das galáxias e quasares que já se conhece não é suficiente para explicar as observações do hidrogênio intergaláctico. A diferença é de impressionantes 400% - só se detecta um fóton onde deveriam ser detectados cinco. "É como se você estivesse em um quarto grande e bem iluminado, mas você olha ao redor e vê apenas uma lâmpada de 40 watts. De onde toda aquela luz está vindo?" ilustra Juna Kollmeier, da Carnegie Institution, principal autora do estudo. Estranhamente, essa falta de luz só aparece nas regiões do cosmos mais próximas de nós e relativamente bem estudadas. Quando os telescópios se voltam para as galáxias a bilhões de anos-luz de distância, toda a luz que deveria estar lá aparece corretamente.

Luz Escura? Está faltando luz no Universo
As linhas de emissão no ultravioleta das galáxias mais antigas mostram toda a luz que se espera. O problema é no chamado "universo mais jovem", aquele mais próximo de nós. [Imagem: SO/M.Kornmesser]


A luz que sumiu
A luz em questão consiste de fótons ultravioleta altamente energéticos que são capazes de converter os átomos de hidrogênio eletricamente neutros em íons eletricamente carregados. As duas fontes conhecidas desses fótons ionizantes são os quasares - alimentados pelo gás quente caindo sobre buracos negros supermassivos com mais de um milhão de vezes a massa do sol - e as estrelas jovens mais quentes. As observações indicam que os fótons ionizantes provenientes de estrelas jovens são quase sempre absorvidos pelo gás em sua galáxia hospedeira, de forma que eles nunca escapam para afetar o hidrogênio intergaláctico.

Mas o número de quasares conhecidos é muito menor do que o necessário para produzir luz suficiente para ionizar o hidrogênio que aparece nas observações. Ou a nossa contabilidade da luz das galáxias e quasares está muito errada, ou há alguma outra importante fonte de fótons ionizantes que nós nunca reconhecemos," disse Kollmeier. "Estamos chamando isto de 'luz perdida', ou crise da subprodução de fótons. "Mas são os astrônomos que estão em crise porque, de um modo ou de outro, o universo está funcionando muito bem," apressa-se em acrescentar a astrônoma.

Fonte exótica
"A possibilidade mais interessante é que os fótons que faltam são provenientes de uma nova fonte exótica, e não das galáxias ou dos quasares," acrescenta Neal Katz, coautor do estudo. Por exemplo, a misteriosa matéria escura, que mantém as galáxias coesas, mas nunca foi observada diretamente, poderia decair e ser responsável por esta luz extra. E falar seriamente em decaimento da matéria escura parece ser um sinal claro de crise, acrescenta Katz. De fato, uma discrepância de 400% parece ser um sinal claro de que algo está muito errado. "Nós ainda não sabemos ao certo o que é, mas pelo menos uma coisa que pensávamos que sabíamos sobre o Universo atual não é verdade," disse David Weinberg, da Universidade Estadual de Ohio, também membro da equipe. Se a explicação final será algo exótico ou não é algo ainda difícil de prever, mas os astrônomos afirmaram já estar trabalhando duro para lançar alguma luz sobre o mistério da "luz escura".
Fonte: Inovação Tecnológica



sexta-feira, 18 de julho de 2014

Buraco negro cria fogos de artifícios em galáxia próxima


pia18461-640

Um evento similar está acontecendo na galáxia Messier 106, como vistos pelo Telescópio Espacial Spitzer, pelo Observatório de Raios-X Chandra, da NASA e pelo Observatório Espacial Herschel da ESA, missão essa que tem importante contribuição da NASA. Jatos energéticos, que explodem do buraco central da Messier 106, estão aquecendo o material na galáxia e fazendo-a brilhar, como os ingredientes dos fogos de artifícios. Os jatos também energizam as ondas de choque que estão eliminando gases do interior da galáxia. Esses gases constituem o combustível para forjar novas estrelas. Um novo estudo estima que as ondas de choque já aqueceram e ejetaram dois terços do gás do centro da Messier 106. Com a habilidade reduzida de criar novas estrelas, a Messier 106 parece estar num período de transição, se transformando numa galáxia lenticular, repleta de estrelas velhas e vermelhas. As galáxias lenticulares são discos achatados sem braços espirais proeminentes. “Os jatos do buraco negro supermassivo no centro da Messier 106 estão tendo uma influência profunda no gás disponível para criar estrelas nessa galáxia”, disse Patrick Ogle, um astrofísico no Infrared Processing and Analysis Center no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, e perincipal autor de um novo artigo que descreve os resultados. “Esse processo pode eventualmente transformar a galáxia espiral Messier 106 numa galáxia lenticular, esgotando o material bruto usado para formar estrelas”.

Muitas galáxias contêm um buraco negro central que ativamente se alimenta do gás próximo. Parte desse material, à medida que cai em direção ao buraco negro, é acelerado dramaticamente sendo espelindo violentamente como jatos gêmeos próximos dos polos do buraco negro. Sendo um dos vizinhos galacticos mais próximos da Via Láctea, a Messier 106 oferece uma grande oportunidade para se investigar esses poderosos jatos. A Messier 106, também conhecida como NGC 4528, está localizada a 23.5 milhões de anos-luz de distância da Terra, e pode ser observada com binóculos, se apontados na direção da constelação de Canes Venatici. Para o novo estudo, os pesquisadores usaram dados obtidos com o Telescópio Infravermelho Spitzer antrs do Observatório esgotar seu líquido de resfriamento em 2009, como planejado.

Os dados foram usados para mapear a emissão de luz infravermelha emitida pelas moléculas de hidrogênio aquecidas na Messier 106. O hidrogênio aquecido é uma assinatura do jato propagado pelo buraco negro central energizando o disco galáctico. Especificamente, o Spitzer, observou o hidrogênio aquecido nos dois misteriosos braços espirais pelos quais a Messier 106 é famosa. Esses braços não sao normais, como aqueles braços espirais repletos de estrelas encontrados em galáxias espirais , como a Via Láctea. Em uma pesquisa anterior, com o Spitzer e com o Chandra, os pesquisadores descobriram esses jatos gêmeos do buraco negro atingindo os bracos anômalos, que contêm gás aquecido a milhões de graus que brilham em raios-X, detectados pelo Chandra.

Nas porções mais internas dos braços espirais anômalos, as imagens infravermelhas do Spitzer revelaram o equivalente a 10 milhões de vezes a massa do Sol em hidrogênio molecular aquecido a temperaturas entre -28 e 760 graus Celsius, pelas ondas de choque. Sem as ondas de choque, esse gás seria mais frio, provavelmente a algumas centenas de graus abaixo de zero. A partir de uma comparação direta das imagens do Chandra e do Spitzer, Ogle e seus colegas viu que existia uma conexão próxima entre o gás que é aquecido a milhões de graus, visto pelo Chandra e o gás hidrogênio mais denso aquecido a centenas de graus visto pelo Spitzer. O jato é circundado por um casulo de gás super quente, que guia as ondas de choque no gás molecular ao redor, como um fogo de artifício pipocando no ar. O hidrogênio molecular então é aquecido, e emite luz infravermelha que é registrada pelo Spitzer.

As observações do Herschel, enquanto isso, registraram o calor irradiado pelos grãos de poeira que estão misturados com o gás aquecido pelas ondas de choque da galáxia. “Uma quantidade relativamente grande de emissão de gás molecular se comparada com a emissão da poeira confirma que a turbulência guiada pela onda de choque dos jatos do buraco negro está aquecendo o gás molecular”, disse o coautor do artigo Philip Appleton do NASA Herschel Science Center na Caltech. O Spitzer e o Herschel foram também capazes de registrar o nível de atividade de formação de estrelas na região central da Messier 106. O pouco gás deixado ali, leva a uma taxa de formação de estrelas de somente 0.08 massas solares por ano, só para comparação, uma galáxia com uma taxa de formação estelar, digamos saudável, gera cerca de 3 massas solares por ano.

A taxa de formação nas regiões mais internas da Messier 106 continuará a declinar até que os jatos ejetem todo o gás do centro da galáxia, transformando a Messier 106 numa galáxia lenticular. Nosso resultasos demonstram que esse jatos do buraco negro podem ter um impacto significante na evolução das galáxias que os hospedam, eventualmente esterelizando-as e fazendo com que elas fiquem sem gás necessário para formar novas estrelas”, disse Ogle. O Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, em Pasadena, na Califórnia, gerencia a missão do Telescópio Espacial Spitzer para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. Em 2009, o telescópio iniciou sua missão quente, que tira vantagens de ainda trabalhar com os canais que registram os comprimentos de onda mais curtos do observatório. As operações científicas são conduzidas no Spitzer Science Center no Caltech.

As operações da sonda estão baseadas na Lockheed Martin Space Systems Company em Littleton, no Colorado. Os dados são arquivados no Infrared Science Archive abrigado no Infrared Processing and AnalysisCenter na Caltech, a Caltech gerencia o JPL para a NASA. O Herschel é uma missão da ESA, com instrumentos científicos fornecidos por um consórcio de institutos europeus e com importante participação da NASA. embora o observatório tenha parado de fazer observações científicas em Abril de 2013, depois de esgotar o seu líquido de resfriamento, como esperado, os cientistas continuam a analisar os seus dados.

O Herschel Project Office da NASA fica baseado no JPL. O JPL contribuiu para a missão com dois dos três instrumentos científicos do Herschel. O NASA Herschel Science Center é parte do Infrared Processing and Analysis Center no Caltech. O Caltech gerencia o JPL para a NASA. O Marshall Space Flight Center em Huntsville, Alabama, gerencia o programa do Chandra para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. O Smithsonian Astrophysical Observatory em Cambridge, Mass., controla as operações científicas e de voo do Chandra.
 Fonte: http://www.jpl.nasa.gov/

Encontrado! Trio de enormes buracos negros no núcleo da Galáxia Distante

Os dois buracos negros mais próximos emitem jatos ondulados, enquanto o terceiro buraco negro no trio está mais distante, emitindo jatos lineares
Um buraco negro já incomoda muita gente. Dois, então, nem se fala. Mas já imaginou uma galáxia com três buracos negros, um do lado do outro, sugando tudo que encontram pela frente?  Pois foi isso que um grupo de cientistas acabou de descobrir. Uma galáxia distante com não um, mas três buracos negros supermassivos em seu núcleo. A nova descoberta sugere que grupos muito unidos de buracos negros gigantes são muito mais comuns do que se pensava e, potencialmente, revela uma nova forma de detectá-los facilmente. Especula-se que buracos negros supermassivos com milhões a bilhões de vezes a massa do sol se escondem nos corações de praticamente todas as grandes galáxias no universo. A maioria das galáxias tem apenas um buraco negro supermassivo em seu centro. No entanto, galáxias evoluem através da fusão, e esse processo às vezes pode resultar em galáxias com vários buracos negros supermassivos.

Os astrônomos observaram uma galáxia cujo nome é a sopa de letrinhas e números SDSS J150243.09 111.557,3, que, suspeitava-se, poderia ter um par de buracos negros supermassivos. Ela fica a cerca de 4,2 bilhões de anos-luz de distância da Terra, a cerca de “um terço do caminho através do universo”, brinca o autor chefe do estudo Roger Deane, um radioastrônomo da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul. Porém, usando uma técnica que permite uma visualização 50 vezes maior de detalhes do que o telescópio Hubble, os astrônomos descobriram, inesperadamente, que a galáxia era na verdade o lar de três buracos negros supermassivos. Dois deste trio são muito próximos um do outro, o que fazia parecer que eles eram um só.

“Todos os três buracos negros têm massas em torno de 100 milhões de vezes maior do que o sol”, mensura Deane. Os cientistas já conheciam quatro sistemas de buracos negros triplos. No entanto, os buracos negros mais próximos uns dos outros nestes sistemas estão cerca de 7.825 anos-luz de distância um do outro. No trio recém-descoberto, o par mais próximo dos buracos negros está a apenas cerca de 455 anos-luz de distância – o segundo mais próximo par de buracos negros supermassivos conhecidos. Os pesquisadores descobriram este “par apertado” de buracos negros depois de procurar apenas em seis galáxias. Isto sugere que os pares apertados de buracos negros supermassivos são muito mais comuns do que observações anteriores haviam apontado, sugere Deane.

Embora pares apertados de buracos negros supermassivos possam ter sido anteriormente difíceis de distinguir, os pesquisadores descobriram que o par que viram deixou um padrão helicoidal – no formato saca-rolhas – nos grandes jatos de ondas de rádio que eles emitem. Isto sugere que os jatos torcidos podem servir como maneiras fáceis de encontrar pares próximos, sem a necessidade de observações telescópicas de extrema alta resolução. Buracos negros que orbitam próximos uns dos outros supostamente geram ondulações no tecido do espaço e do tempo, conhecidas como ondas gravitacionais, teoricamente detectáveis mesmo do outro lado do universo.

 Ao encontrar pares mais apertados de buracos negros, os cientistas podem estimar melhor a quantidade de radiação gravitacional que esses pares geram.  O objetivo final é uma compreensão autoconsistente de como dois buracos negros separados, que se encontram em duas galáxias que interagem entre si, lentamente se aproximam um do outro, causam impacto em suas galáxias, emitem ondas gravitacionais e, eventualmente, fundem-se para se tornar um, no que, presume-se, seja um evento violento”, aponta Deane.

Pilares da Criação ou da Destruição?




Em 1995, fomos abençoados com a imagem de um grupo de colunas com 4 anos-luz de altura, localizadas na Nebulosa da Águia, um jovem aglomerado estelar aberto a 7.000 anos-luz daqui: os chamados Pilares da Criação. O único problema é que eles não existem realmente. Como assim?!  Os cientistas descobriram que eles foram destruídos, explodidos por uma supernova que aconteceu há 6.000 anos. Com nossos telescópios, podemos ver a supernova avançando e destruindo tudo o que toca. O único problema é que, como a Nebulosa está a 7.000 anos-luz de distância de nós e a explosão aconteceu há 6.000 anos…
Isso mesmo! Em mil anos, haverá um grande show na Terra. A onda de choque chegará aos Pilares da Criação e, assim como eles foram criados, serão destruídos. Só que o show na verdade aconteceu muito tempo atrás. Ou seja, os pilares como nós vemos hoje não existem mais, pois vemos imagens emitidas milhares de anos atrás. Uma vez que a luz tem de viajar uma grande distância, só vai chegar depois que o evento ocorreu. Quando olhamos para o céu, passam-se segundos, minutos, anos, séculos e milênios de distância. Apesar de termos conhecimento que uma supernova destruiu essa nebulosa como a conhecemos, só poderemos presenciar este evento daqui a mil anos. O universo é intrigante, não?