13 de ago de 2018

Pesquisadores identificam explaneta com as condições químicas ótimas para a origem da vida


 Cientistas da Universidade de Cambridge e do MRC Laboratory of Molecular Biology, no Reino Unido, identificaram um grupo de exoplanetas onde as mesmas condições que podem ter levado à vida no nosso planeta existem.  Os pesquisadores descobriram que a chance para a vida se desenvolver na superfície de um planeta rochoso como a Terra está conectada com o tipo e com a intensidade da luz que é emitida pela estrela hospedeira.

“Estrelas que emitem luz ultravioleta suficiente podem dar início à vida em planetas que a orbitam do mesmo modo que muito provavelmente a vida se desenvolveu na Terra, onde a luz ultravioleta foi responsável por dar energia a uma série de reações químicas que produziram os blocos fundamentais da vida”, disseram eles. A equipe identificou uma variedade de planetas onde a luz ultravioleta das estrelas é suficiente para permitir que essas reações químicas aconteçam, e que se localizam dentro da zona habitável onde a água líquida pode existir na superfície dos planetas.

“Esse trabalho nos permite estreitar os lugares onde devemos buscar por vida. Ele pode nos levar mais próximo sobre a questão de estarmos ou não sozinhos no universo”, disse o Dr. Paul Rimmer, um pesquisador de pós-doutorado no Cavendish Laboratory de Cambridge e do MRC Laboratory of Molecular Biology. Dr. Rimmer e seus colegas plotaram a quantidade de luz ultravioleta disponível para os planetas na órbita de diferentes estrelas e determinaram onde a química pode ter sido ativada.

Eles descobriram que as estrelas que possuem aproximadamente a mesma temperatura do Sol emitem luz suficiente para que os blocos da vida se formem na superfície dos planetas. Estrelas frias, por outro lado, não produzem luz suficiente para esses blocos fundamentais para a vida se formarem, exceto se elas regularmente emitirem flares para ir passo a passo ajeitando a química para a vida. Os planetas que tanto recebem luz suficiente para ativar a química como possuem água líquida na superfície residem no que os pesquisadores chamam de zona de abiogênese.

Entre os planetas conhecidos que residem na zona de abiogênese, estão alguns dos planetas detectados pelo Telescópio Espacial Kepler da NASA, incluindo o Kepler 452b, um exoplaneta que recebeu o apelido de primo da Terra, embora ele esteja muito distante para ser pesquisado por uma sonda. Claro, é possível também que se existir vida em outros planetas, ela pode ter se desenvolvido de forma diferente de como se desenvolveu aqui na Terra.  Eu não estou certo o quão contingente é a vida, mas dado que n’só só conhecemos um exemplo, faz sentido procurar por lugares que sejam parecidos com a gente”, disse o Dr. Rimmer.

“Existe uma importante distinção entre o que é necessário e o que é suficiente. Os blocos fundamentais são necessários, mas eles podem não ser suficientes, é possível que você possa misturar esses blocos por bilhões de anos e nada aconteça. Mas você quer olhar no mínimo para os lugares onde as coisas necessárias existem”.

De acordo com as recentes estimativas, existem cerca de 700 milhões de trilhões de planetas terrestres no universo observável.  Ter alguma ideia de qual fração deles pode ter tido, ou tem, vida, fascina qualquer um”, disse o coautor, Professor John Sutherland, do MRC Laboratory of Molecular Biology.  Claro, que estar preparado para a vida não é tudo e ainda não sabemos o quão provável é a origem da vida, mesmo dadas as circunstâncias favoráveis, se é realmente improvável podemos estar sozinhos, mas se não, podemos ter companhia”.
Fonte: http://spacetoday.com.br

Construção do megatelescópio GMT avança no Chile


O GMT (Giant Magellan Telescope), que está sendo construído no Chile por um consórcio internacional, terá os espelhos mais avançados do mundo.[Imagem: Todd Mason/Mason Productions/GMTO]

Da montanha para o céu 

No fim de julho, o cume de uma montanha de 2.500 metros de altitude, em Cerro Las Campanas, no deserto do Atacama, no Chile, começou a ser escavado. Foi o início das obras de preparação do terreno para receber as fundações de concreto da base do Telescópio Gigante Magalhães (GMT, na sigla em inglês).

Previsto para iniciar suas operações e coletar sua primeira luz em 2024, o GMT fará parte de uma nova geração dos chamados "telescópios extremamente grandes", projetados para fornecer resolução, clareza e sensibilidade comparáveis aos telescópios espaciais na observação de fenômenos astrofísicos - como as origens dos elementos químicos e a formação das primeiras estrelas e galáxias.

Para construir o telescópio, o consórcio internacional criado para gerenciar o desenvolvimento, a construção e a operação do GMT tem tido que lidar com uma série de desafios tecnológicos e de financiamento para viabilizar o projeto. Foi o que relatou Robert Shelton, presidente da Organização GMT, que visitou o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP) nesta semana.

Vidro para espelhos de telescópio

O local onde será instalado o GMT está nivelado e foram construídas estradas de acesso, alojamentos, centrais de abastecimento de energia elétrica e de água e garantida a provisão de internet.

Shelton confirmou que já está pronto o primeiro dos sete espelhos primários do telescópio, com 8 metros de diâmetro cada um e que serão integrados para formar um único telescópio de 25,4 metros de diâmetro. O segundo espelho está prestes a ser finalizado e o polimento dele tem sido mais rápido do que o primeiro.

O terceiro e o quarto espelhos, que serão integrados aos outros na operação do telescópio, deverão ser fundidos em breve. E o vidro para fundição do quinto, do sexto e do sétimo espelhos está disponível. "[A disponibilidade de vidro para fundição dos espelhos] é importante porque só há um único fabricante desse material no mundo, situado no Japão. Compramos 20 toneladas desse vidro e usaremos cerca de 18 toneladas para fazer os sete espelhos. Ter esse material reduz qualquer risco para completar a construção dos espelhos," explicou Shelton.

Agora, o consórcio está terminando o estudo do desenho do telescópio, que terá 61 metros de comprimento (equivalente a um prédio de 22 andares) e pesará 1.100 toneladas.

A segunda etapa do processo de projeto e construção do telescópio deverá ser iniciada ainda em 2018 e prevê a finalização do desenho, a fabricação, os testes e a instalação do instrumento no observatório de Las Campanas.

Um dos desafios será integrar os sete espelhos primários, que terão espaços entre eles. Será preciso garantir que os espelhos sejam integrados de modo que as lacunas entre eles sejam uniformes.

Telescópio antiterremoto

Mas há mais preocupações além do projeto do próprio telescópio - como mantê-lo firme no chão o suficiente para não atrapalhar as observações e não ser danificado por terremotos.

"Há muitos fatores complicadores na montagem do telescópio, como a atividade sísmica no Chile. Felizmente - ou infelizmente - a Califórnia [onde está situada a sede administrativa do GMT, em Pasadena] também está em uma região com atividade sísmica e pudemos aproveitar algumas tecnologias já usadas lá no GMT," disse Shelton.

A solução escolhida foi isolar o telescópio do chão, de modo a impedir que ele seja atingido por um eventual terremoto. Isto será feito instalando rolamentos de isolamento sísmico na parede de concreto da base do telescópio, abaixo do nível do solo. Os rolamentos permitirão que a base do telescópio se mova durante um eventual terremoto de grande magnitude.

Falta dinheiro

Com custo estimado de US$ 1 bilhão, o GMT só levantou até agora cerca de US$ 520 milhões. A fim de obter financiamento da Fundação Nacional de Ciências dos EUA (NSF), o GMT decidiu se unir em maio deste ano a um projeto rival, o Telescópio de Trinta Metros (TMT: Thirty Meter Telescope), previsto para ser construído em Mauna Kea, no Havaí.

A parceria prevê que pelo menos 25% do tempo de observação em cada observatório estará disponível para a comunidade de astrofísicos dos Estados Unidos. Nos planos anteriores, o tempo de observação estava disponível apenas para pesquisadores das nações ou instituições que haviam fornecido financiamento.

Um dos argumentos do GMT e do TMT para defender a construção dos dois megatelescópios paralelamente é que eles têm forças complementares e o fato de ter um telescópio no hemisfério Norte e outro no hemisfério Sul permite cobrir todo o céu e ter um alcance científico maior.

A FAPESP investirá US$ 40 milhões no GMT, o que equivale a cerca de 4% do custo total estimado. O investimento garantirá 4% do tempo de operação do telescópio para estudos realizados por pesquisadores de São Paulo.
Fonte: inovacaotecnologica.com.br

O fantasma de uma estrela morta


Finos filamentos vermelhos de gás marcam a localização de uma das maiores remanescentes de supernovas na Via Láctea, nessa imagem feita pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA. Uma remanescente de supernova se refere, aos sinais coletivos deixados por uma estrela que explodiu como uma supernova. 

Os filamentos vermelhos nessa imagem pertencem à remanescente de supernova conhecida como HBH-3 que foi observada pela primeira vez em 1966 usando radiotelescópios. Os traços da remanescente também irradia luz visível. O material brilhante é provavelmente gás molecular que foi perturbado pela onda de choque gerada pela supernova. A energia da explosão energizou as moléculas fazendo com que elas começassem a irradiar radiação infravermelha.

A formação branca parecida com uma nuvem que também é visível na imagem é parte de um complexo de regiões de formação de estrelas simplesmente denominadas de W3, W4 e W5. Contudo, essas regiões se estendem além da borda da imagem. Tanto as regiões brancas de formação de estrelas como os filamentos vermelhos estão localizados a aproximadamente 6400 anos-luz de distância da Terra, dentro da Via Láctea.

A HBH 3 tem cerca de 150 anos-luz de diâmetro, e isso faz com que ela seja uma das maiores remanescentes de supernovas conhecida. Possivelmente ela também é uma das mais velhas, os astrônomos estimam que a explosão original pode ter acontecido em qualquer instante entre 80 mil e 1 milhão de anos atrás.

Em 2016, o Telescópio de Raios-Gamma Fermi da NASA, detectou luz de alta energia, os chamados raios-gamma, provenientes de uma região perto da HBH 3. Essa emissão pode ter vindo do gás em uma das regiões de formação de estrelas na vizinhança, excitada pelas poderosas partículas emitidas na explosão da supernova.

O Telescópio Espacial Spitzer é um dos quatro Grandes Observatórios da NASA, juntamente com o Telescópio Espacial Hubble, com o Observatório de Raios-X Chandra, e com o Observatório de Raios-Gamma Compton, e no dia 25 de Agosto irá celebrar 15 anos no espaço. O Spitzer observa o universo na luz infravermelha, que é um pouco menos energética do que a luz óptica observada pelos nossos olhos. 

Nessa imagem, feita em Março de 2010, o comprimento de onda de 3.6 mícron foi mapeado de azul, e o de 4.5 mícron em vermelho. A cor branca da região de formação de estrelas é uma combinação de ambos os comprimentos de onda, enquanto que os filamentos da HBH 3 irradiam somente no comprimento de onda mais longo de 4.5 mícron.

O JPL gerencia a missão do Telescópio Espacial Spitzer para o Science Mission Directorate da NASA em Washington. As operações científicas são conduzidas no Spitzer Science Center na Caltech em Pasadena, na Califórnia. As operações da sonda são baseadas no Lockheed Martin Space Systems, em Littleton, no Colorado. Os dados são arquivados no Infrared Science Archive que fica no IPAC na Caltech. A Caltech gerencia o JPL para a NASA.
Fonte: https://www.nasa.gov/

NASA detectou um vasto e brilhante “muro de hidrogênio” na borda do nosso sistema solar

Os cientistas da NASA acreditam que há um vasto “muro de hidrogênio” na borda do nosso sistema solar, e a sonda New Horizons pode vê-lo.
A parede de hidrogênio é o limite externo do nosso sistema solar, um local onde a “bolha solar” da nossa estrela termina. Ali, massas de matéria interestelar pequenas demais para estourar a bolha se formam, pressionando para dentro.

O muro

Poderosos jatos de matéria e energia fluem por um longo período depois de deixar o sol – muito além da órbita de Plutão. Mas, em certo ponto, se esgotam, e sua capacidade de empurrar poeira e outros pedaços de matéria – o material fino e misterioso que vaga nas fronteiras de nossa galáxia – diminui. Um limite visível então se forma. De um lado, estão os últimos vestígios do vento solar. Do outro, há um acúmulo de matéria interestelar, incluindo hidrogênio.

A sonda New Horizons, que passou por Plutão em 2015, pode ver esse limite. O que ela definitivamente vê é uma luz ultravioleta extra, do tipo que os cientistas esperariam que tal muro de hidrogênio produzisse. Isso está de acordo com um sinal ultravioleta que as duas sondas Voyager, as mais longínquas já lançadas pela NASA, capturaram em 1992. No entanto, tais registros não são indicações claras de um muro de hidrogênio. Todas as três sondas poderiam ter na verdade detectado luz ultravioleta de alguma outra fonte, emanando das profundezas da galáxia.

A confirmação

Alice, o instrumento a bordo da New Horizons responsável pela descoberta, é muito mais sensível do que qualquer coisa que as Voyagers tinham a bordo antes de iniciar sua própria jornada para fora do sistema solar. O dispositivo deve funcionar por mais 15 a 20 anos. A New Horizons continuará analisando o céu em busca de luz ultravioleta duas vezes por ano, de forma que os pesquisadores poderão ter certeza do que estão observando dentro de alguns meses.

“Se a luz ultravioleta cair em algum momento, a New Horizons pode ter deixado o muro em seu espelho retrovisor”, explicaram os pesquisadores em um comunicado. “Se a luz nunca diminuir, então sua fonte poderia estar mais adiante – vinda de algum lugar mais profundo no espaço”. 
Fonte: hypescience.com

Um baú do tesouro galáctico

Essa imagem espetacular do Hubble mostra uma grande quantidade de galáxias; braços espirais aparecem em todas as cores e orientações, na sua tradicional forma de redemoinho, e as elípticas, mais difusas podem ser vistas através de toda a imagem brilhando como uma fumaça no céu. Cada uma das galáxias visíveis é o lar de um número incontável de estrelas. Algumas estrelas pertencentes à Via Láctea brilham intensamente em primeiro plano, enquanto que um massivo aglomerado de galáxias domina o centro da imagem, esse aglomerado, por sua vez é o lar de talvez milhares de galáxias, todas elas unidas pela força da gravidade.

Os aglomerados de galáxias estão entre os objetos mais interessantes do cosmos. Eles são os nós da chamada teia cósmica que permeia todo o universo, estudar os aglomerados de galáxias significa estudar a organização da matéria nas maiores escalas do universo. Os aglomerados de galáxias não são ideais somente para estudar a matéria escura e a energia escura, mas eles também permitem estudar as galáxias mais distantes, do cosmos. A sua imensa influência gravitacional distorce o tecido do espaço-tempo ao seu redor, fazendo com que ele funcione como uma gigantesca lente. A luz das galáxias de fundo é então ampliada e distorcida à medida que passa através do aglomerado de galáxias, permitindo assim que os astrônomos possam ter uma ideia do universo primordial.

Essa imagem foi feita pela Advanced Camera for Surveys e pela Wide-Field Camera 3, do Hubble,como parte do programa chamado de RELICS (Reionization Lensing Cluster Survey). O RELICS é um projeto que está fazendo imagens de 41 aglomerados de galáxias massivos, com o objetivo de encontrar as galáxias mais brilhantes e mais distantes para que o Telescópio Espacial James Webb possa estuda-las no futuro.

Descobertos 44 novos exolpanetas


Quarenta e quatro planetas localizados em sistemas solares além do nosso foram descobertos de uma vez só, isso faz com que as confirmações simultâneas de exoplanetas que normalmente são de uma dúzia ou menos, deem um grande salto. As descobertas irão melhorar os modelos existente de sistemas solares e podem ajudar os pesquisadores a investigarem as atmosferas de exoplanetas. Novas técnicas de processamento de dados foram desenvolvidas para validar a descoberta e podem ser usadas para acelerar o processo de confirmação de mais candidatos a exoplanetas.

Uma equipe internacional de astrônomos pesquisou nos dados do telescópio espacial Kepler da NASA e nos dados da missão Gaia da ESA, bem como usou dados de telescópios baseados em Terra no EUA. Com John Livingson, principal autor do estudo e estudante da Universidade de Tóquio, as fontes combinadas da equipe levaram à confirmação da existência desses 44 exoplanetas e os astrônomos conseguiram descrever vários detalhes sobre eles.

Uma parte dos exoplanetas descobertos possui características surpreendentes. “Por exemplo, 4 dos exoplanetas orbitam suas estrelas num período de menos de 24 horas”, disse Livingston. “Em outras palavras, um ano em cada um desses planetas é menor do que um dia na Terra”. Esses exoplanetas contribuem para uma pequena lista, mas que está crescendo de planetas de período ultra-curtos, sugerindo que eles poderiam ser mais comuns do que se pensava anteriormente.

“Também foi gratificante verificar a existência de muitos exoplanetas pequenos”, continua Livingston. “Dezesseis dos exoplanetas descobertos têm a mesma classe da Terra, um em particular é extremamente pequeno, do tamanho de Vênus, aproximadamente, o que é uma bela afirmação, já que esse exoplaneta está muito perto do limite de detecção atual.  As observações usadas como fonte para esse estudo foram feitas pelo Kepler, que desde 2013 está operando a chamada missão K2. Os dados usados nessa pesquisa são da chamada Campanha 10 de observação do Kepler. Só lembrando que nesse momento o Kepler está no final da sua missão, pois seu combustível praticamente esgotou e ele começou a Campanha 19.

Os planetas observados pelo Kepler são conhecidos como planetas que transitam suas estrelas, já que suas órbitas, vistas da perspectiva do Kepler, passam na frente de suas estrelas, reduzindo levemente o brilho., Contudo, outros fenômenos astrofísicos podem causar sinais similares, assim, observações chamadas de observações de follow-up além de análises estatísticas detalhadas dos dados foram realizadas para confirmar a natureza planetária dos sinais. 

Como parte do seu trabalho de doutorado Livingston viajou até o Observatório de Kitt Peak, no Arizona, para obter dados do interferômetro de alta precisão instalado nesse grande telescópio. Essas observações juntamente com outras observações realizadas por telescópios no Texas, foram necessárias para caracterizar as estrelas de maneira precisa e assim descartar os chamados falsos positivos. A combinação de análises detalhadas dos dados desses telescópios em terra, com os dados do K2, e com os dados da missão Gaia, permitiram a precisa determinação do tamanho e da temperatura dos planetas descobertos. As descobertas realizadas pela equipe ainda incluem 27 candidatos adicionais que provavelmente são planetas também, mas que ainda precisam de mais observações para serem confirmados.

Os cientistas esperam entender quais tipos de planetas podem estar aí pelo universo, mas conclusões válidas só podem ter tiradas com um número suficiente de exoplanetas para que se possa fazer uma análise estatística robusta. A adição de um grande número de novos planetas, leva a um melhor entendimento teórico da formação do sistema solar. Os planetas também fornecem bons alvos para estudos individuais detalhados, como medidas da composição planetária, da atmosfera e da estrutura interna, em particular para 18 dos exoplanetas descobertos que se encontram em sistemas múltiplos. “A investigação de outros sistemas solares pode nos ajudar a entender como os planetas e até mesmo como o nosso sistema solar se formou”, disse Livingston. “O estudo de outros mundos tem muito a nos ensinar”.
Fonte: phys.org

8 de ago de 2018

Elegância elíptica


Esta imagem profunda da região do céu em torno da galáxia elíptica NGC 5018 mostra-nos uma visão privilegiada das tênues correntes de gás e estrelas deste objeto. Estas estruturas delicadas são marcas de interações galáticas e fornecem-nos pistas vitais sobre a estrutura e dinâmica das galáxias do tipo precoce. Crédito:ESO/Spavone et al. 
Um brilhante conjunto de galáxias povoa esta imagem obtida pelo Telescópio de Rastreio do VLT do ESO, um telescópio de última geração com espelho de 2,6 metros de diâmetro, concebido para mapear o céu em luz visível. As características daa muitas galáxias que enchem esta imagem permitem aos astrônomos revelar os detalhes mais delicados da estrutura galáctica. 

O Very Large Telescope do ESO (VLT) consegue observar objetos astronômicos de baixíssimo brilho com grande detalhe, mas quando os astrônomos querem compreender o processo de formação da grande variedade de galáxias que existe, recorrem a um tipo de telescópio diferente, com um campo de visão muito maior. O Telescópio de Rastreio do VLT (VST) é o telescópio perfeito, uma vez que foi concebido para explorar a enorme vastidão dos céus noturnos chilenos, fornecendo aos astrônomos rastreios astronômicos detalhados do hemisfério sul. 

Com o auxílio das grandes capacidades do VST, uma equipe internacional de astrônomos realizou o rastreio VEGAS (VST Early-type GAlaxy Survey, Rastreio de Galáxias Precoces com o VST), com o objetivo de investigar um conjunto de galáxias elípticas no hemisfério sul. Utilizando a OmegaCAM, o detector muito sensível situado no coração do VST, a equipe liderada por Marilena Spavone do INAF-Observatório Astronômico de Capodimonte em Nápoles, Itália, capturou imagens de uma grande variedade deste tipo de galáxias em diferentes meios. 

Uma destas galáxias é NGC 5018, a galáxia de um branco leitoso que se encontra próximo do centro da imagem. Este objeto situa-se na constelação da Virgem e à primeira vista pode parece nada mais do que uma mancha difusa. No entanto, após uma inspeção mais cuidada, podemos ver uma corrente tênue de estrelas e gás — uma cauda de maré — estendendo-se em direção ao exterior desta galáxia elíptica. Estruturas galáticas delicadas, tais como caudas de maré e correntes estelares, são marcas de interações galáticas, fornecendo-nos pistas vitais sobre a estrutura e dinâmica das galáxias. 

Para além de muitas galáxias elípticas, e de algumas espirais, podemos ver também, em primeiro plano nesta imagem notável de 400 milhões de pixels, uma variedade de estrelas coloridas brilhantes que pertencem à nossa Via Láctea. Estas intrusas estelares, tais como HD 114746 de cor azul viva que se vê próximo do centro da imagem, não foram observadas intencionalmente, encontrando-se simplesmente entre a Terra e as galáxias distantes alvos deste estudo. 

Menos proeminentes, mas igualmente fascinantes, são os rastros tênues deixados pelos asteroides do nosso Sistema Solar. Abaixo de NGC 5018 podemos ver, estendendo-se ao longo da imagem, um traço fraco deixado pelo asteroide 2001 TJ21 (110423) e capturado ao longo de observações sucessivas. Mais para a direita, outro asteroide – 2000 WU69 (98603) — deixou também o seu rastro na imagem. 

Apesar do objetivo dos astrônomos ter sido investigar as estruturas delicadas de galáxias distantes situadas a milhões de anos-luz de distância da Terra, no processo acabaram também por capturar imagens de estrelas próximas situadas a apenas centenas de anos-luz de distância e até rastros fracos de asteroides que se encontram a uns meros minutos-luz no nosso próprio Sistema Solar. Mesmo quando estudamos as regiões mais afastadas do cosmos, a sensibilidade dos telescópios do ESO e os límpidos céus noturnos chilenos juntam-se para nos oferecer observações fascinantes de objetos muito mais próximos de casa.
Fonte: ESO

Olho vermelho marcante de um aglomerado globular

Essa imagem mostra o colorido aglomerado globular NGC 2108. O aglomerado está localizado dentro da Grande Nuvem de Magalhães, na constelação de Dorado. Ela foi descoberta em 1835, pelo astrônomo, matemático, químico e inventor, John Herschel, filho do famoso William Herschel. A feição que mais chama a atenção nesse aglomerado globular é o ponto vermelho localizado na parte central esquerda da imagem. O que parece ser o olho do aglomerado, na verdade é uma estrela de carbono. Estrelas de carbono são quase sempre estrelas gigantes vermelhas frias com atmosferas contendo  mais carbono do oxigênio, o que é oposto ao Sol. O monóxido de carbono se forma nas camadas externas da estrela através de uma combinação desses elementos até que não haja mais oxigênio disponível. Os átomos de carbono estão então libres para formar uma grande variedade de outros compostos de carbono como o C2, o CH, o CN e o SiC2, que espalham a luz azul dentro da estrela, permitindo que a luz vermelha passe sem ser perturbada.  Essa imagem foi registrada com a Advanced Camera for Surveys, a ACS do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA usando 3 diferentes filtros.
Fonte: http://spacetelescope.org

6 de ago de 2018

Em alguns dias, a NASA lançará uma nave para “tocar o sol”

Depois de alguns atrasos, a NASA determinou a data de lançamento de sua próxima missão científica, a sonda Parker Solar Probe, que vai “tocar o sol”: 11 de agosto. Se tudo correr conforme o planejado, a nave decolará a bordo de um foguete Delta, da United Launch Alliance, no próximo sábado a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida (EUA).  A janela de lançamento abre às 4h45 da manhã, no horário de Brasília (07h45 GMT). A sonda deve ser lançada dentro de 45 minutos. Você pode assistir ao evento ao vivo no portal da NASA TV.  Para alcançar o sol com sucesso, a sonda precisa ser lançada em alta velocidade. O Delta é o foguete com a segunda melhor potência de lançamento utilizado pela agência espacial norte-americana, atrás apenas do novo foguete Falcon Heavy da SpaceX. 

Uma vez que a Parker se despedir da Terra, irá circular em torno de Vênus em uma manobra chamada “assistência gravitacional” que irá desacelerá-la para controlar cuidadosamente sua aproximação à nossa estrela. A assistência gravitacional está programada para ocorrer em 2 de outubro. Isso deve colocar a sonda no caminho certo para chegar ao seu primeiro ponto de aproximação do sol, em 5 de novembro. Esse sobrevoo inaugurará 24 órbitas em torno da estrela, realizadas ao longo de sete anos, que irão gradualmente deixar a nave mais perto do sol.

Em sua aproximação final, em 2025, a Parker Solar Probe chegará a 6 milhões de quilômetros da superfície do sol. Parece muito, mas isso é tão perto que ela vai de fato voar através da atmosfera fervente da estrela, chamada de corona. Conforme já contamos em outro artigo aqui no Hype, a sonda vai sobreviver ao calor do sol por tantos anos graças a um poderoso escudo que os engenheiros projetaram para ela, que mantém os instrumentos a bordo a uma temperatura segura de 30 graus Celsius. 

Durante a missão, esses instrumentos vão trabalhar para resolver três grandes mistérios científicos sobre nossa estrela: por que sua atmosfera se torna mais quente quanto mais distante da superfície do sol, como se origina o vento solar de partículas carregadas que fluem para o espaço, e o que causa as explosões gigantescas que os cientistas chamam de ejeções de massa coronal.  As respostas podem ser cruciais para uma compreensão mais geral do funcionamento das estrelas, além do nosso sistema solar. 

O trabalho da sonda também deve ajudar os cientistas a entender e prever os riscos de se viver perto de uma estrela. Dependendo de sua intensidade, a atividade solar pode interferir com satélites de comunicação e navegação ao redor da Terra, e até mesmo derrubar redes de energia na superfície do planeta.  Inicialmente pensada para 4 de agosto, a data de lançamento precisou ser adiada para o dia 11 devido a alguns problemas, incluindo testes adicionais de software e um pequeno pedaço de espuma encontrado dentro do nariz do foguete.
Fonte: www.space.com

Eta Carinae: os segredos da maior explosão estelar que não resultou em uma supernova

Imagem colorida tirada com a câmera WFPC2 do Hubble Space Telecope, mostrando a nuvem em forma de haltere de gás e poeira ao redor da estrela. Esta nebulosa contém mais de 10 vezes a massa do nosso Sol, que foi ejetado por Eta Carinae na Grande Erupção do século XIX. Crédito: N. Smith (U. Arizona) e NASA.

Imagine viajar para a lua em apenas 20 segundos. É nessa velocidade que o material de uma erupção se afastou do instável e extremamente massivo sistema estelar Eta Carinae, 170 anos atrás.  Quando gás é lançado tão rápido assim, resulta na completa aniquilação da estrela. Eta Carinae sobreviveu, no entanto, o que torna esse o gás mais rápido já medido a partir de uma explosão estelar que não levou a uma supernova na história.

A explosão
Eta Carinae é a estrela mais luminosa conhecida em nossa galáxia. A explosão liberou quase tanta energia quanto uma supernova típica, que teria deixado para trás um cadáver estelar. Nos últimos sete anos, uma equipe de astrônomos liderada por Nathan Smith, da Universidade do Arizona, e Armin Rest, do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, nos EUA, têm determinado a extensão dessa explosão, observando ecos de luz de Eta Carinae e seus arredores.

Os ecos ocorrem quando a luz de eventos brilhantes e de curta duração é refletida por nuvens de poeira, que atuam como espelhos distantes redirecionando-a em nossa direção. Como um eco de áudio, o sinal de chegada da luz refletida tem um atraso após o evento original, devido à velocidade finita da luz.  No caso de Eta Carinae, o evento brilhante foi uma grande erupção que expeliu uma enorme quantidade de massa em meados do século XIX. O sinal tardio desses ecos permitiu que os astrônomos decodificassem a luz da erupção com telescópios e instrumentos astronômicos modernos, embora o episódio original tenha sido visto da Terra centenas de anos atrás.

Estudando o evento
A grande erupção promoveu temporariamente Eta Carinae para a segunda estrela mais brilhante visível em nosso céu noturno, superando a luz de todas as outras estrelas da Via Láctea. Material equivalente a cerca de dez vezes mais do que a massa do sol foi expelido, o que também formou a intensa nuvem de gás conhecida como Homunculus em torno da estrela.

Este remanescente é visível até por pequenos telescópios amadores a partir do hemisfério sul e das regiões equatoriais, mas é melhor observado em imagens obtidas com o Telescópio Espacial Hubble. Para decodificar os ecos de luz da erupção em si, a equipe usou instrumentos do Observatório Gemini (Havaí), do Telescópio Blanco do Observatório Interamericano Cerro Tololo (Chile), e do Telescópio Magellan do Observatório Las Campanas (Chile).

Com os dados, os pesquisadores puderam fixar a velocidade da explosão: entre 10.000 e 20.000 quilômetros por segundo. “Nós vemos essas velocidades realmente altas o tempo todo em explosões de supernovas onde a estrela é obliterada. No entanto, neste caso, a estrela sobreviveu. Algo deve ter despejado muita energia nela em um curto espaço de tempo”, explicou Smith.

A hipótese
O material expulso por Eta Carinae está viajando até 20 vezes mais rápido do que o esperado de erupções típicas de uma estrela massiva. Os cientistas acreditam que a ajuda de duas estrelas parceiras pode explicar o fluxo extremo. A maneira mais direta de explicar simultaneamente a ampla gama de fatos observados em torno da erupção e do sistema remanescente é uma interação de três estrelas, incluindo um evento dramático em que duas delas se fundiram em uma estrela monstro.  Se for esse o caso, então o sistema binário atual deve ter começado como um sistema triplo, com uma daquelas duas estrelas sendo a que engoliu sua irmã.

Importância
Compreender a dinâmica e o ambiente em torno das maiores estrelas da nossa galáxia é uma das áreas mais difíceis da astronomia. Estrelas muito massivas têm vidas curtas comparadas a estrelas como o nosso sol. Capturar uma no ato de uma grande etapa evolutiva é estatisticamente improvável. É por isso que um caso como o de Eta Carinae é tão importante.

Eta Carinae é um tipo de estrela instável conhecida como “variável luminosa azul”, localizada a cerca de 7.500 anos-luz. É uma das mais brilhantes da nossa galáxia, cerca de cinco milhões de vezes mais do que o sol, com uma massa cerca de cem vezes maior. Também tem a maior taxa conhecida de perda de massa antes de passar por uma explosão de supernova.

A quantidade de massa expelida na grande erupção de Eta Carinae no século XIX excede todas as outras conhecidas. Ela provavelmente sofrerá uma verdadeira explosão de supernova nos próximos meio milhão de anos, possivelmente muito mais cedo. Isso porque outras supernovas observadas passaram por erupções semelhantes apenas alguns anos ou décadas antes de sua morte.

Os resultados do estudo foram publicados em dois artigos na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. [ScienceDaily]
Fonte: hypescience.com
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...