quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Domingo de carnaval terá raro evento astronômico no Brasil

Além de desfiles, blocos de rua e festas, o domingo de carnaval deste ano será marcado por mais um evento: o 1º eclipse solar anular do ano. O fenômeno, raro devido à sua estreita faixa de observação, poderá ser visto em boa parte do Brasil e deve durar pouco mais de uma hora.  A passagem da lua na frente do sol acontecerá a partir das 10h45 e deve terminar às 12h30. No Brasil, quem mora nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste terá melhor visualização do evento. Isso também vale para quem estiver no sul da Argentina e do Chile, bem como na região centro-sul da África.  
No Nordeste, os estados mais próximos do Sudeste, como a Bahia, poderão também acompanhar o evento.  O eclipse não será total, ele será anular. Isso acontece porque o disco da lua não estará com tamanho o suficiente para encobrir todo o sol. Por conta disso, veremos uma espécie de “anel de fogo” em volta do nosso satélite natural.  
Esse evento é raro por ser visto em uma faixa muito estreita do planeta. Todo ano temos ao menos um eclipse solar anular, mas como ele é visto em poucos lugares, tem gente que nunca o viu”, disse a pesquisadora Josina Nascimento, da Coordenação de Astronomia e Astrofísica do Observatório Nacional, em entrevista a EXAME.comUm eclipse solar só acontece quando a lua está alinhada com o sol e a Terra, em fase de Lua Nova.  Os eclipses da lua e do sol sempre acontecem em datas próximas. Tivemos um eclipse lunar em 10 de fevereiro e agora temos um do sol. Isso não é coincidência”, declarou Nascimento, que indica as órbitas da lua e do sol como motivo para que eles aconteçam com intervalos próximos.
Outro eclipse solar irá acontecer em agosto deste ano, mas ele não será visível no Brasil.  Por meio de observação e cálculo, a previsão de eclipses já acontece desde 2500 antes de Cristo na China e na Babilônia. “A astronomia foi a mãe das ciências porque olhar o céu é algo fantástico”, afirmou a pesquisadora.
Como observar Diferentemente do eclipse lunar, é preciso ter muito cuidado ao observar o sol durante o fenômeno astronômico. Usar óculos escuros ou filme de raio-X não é o suficiente. Claro, nunca se deve olhar para o sol sem proteção. A solução é utilizar um telescópio com proteção contra raios ultra-violeta. Se você não tem um equipamento desses na sua casa, outra forma de observar o fenômeno é utilizar um anteparo, que pode ser algo tão simples quanto uma folha de papel com furos pequenos. Também será possível assistir o fenômeno via internet.
Fonte: Exame

'Encontrar uma 2ª Terra é questão de tempo': por que o novo anúncio de exoplanetas é importante

© NASA Sete planetas têm órbitas próximas a estrela fria, de maneira semelhante a lua de Júpiter

Tantos planetas já foram encontrados em sistemas planetários além do nosso que é fácil não valorizar o possível significado de uma nova descoberta. Atualmente, a Nasa contabiliza 3.449 exoplanetas - por isso, é perigoso fazer uma propaganda excessiva de cada anúncio. Mas a excitação causada pela descoberta de sete planetas do tamanho da Terra, anunciada nesta quarta-feira por cientistas europeus e americanos, não ocorre apenas pela quantidade incomum de exoplanetas encontrados ao mesmo tempo. Nem pelo fato de que a maior parte deles são do tamanho do nosso.
O sistema é formado em torno da já conhecida estrela-anã superfria Trappist-1, que fica a apenas 40 anos-luz do nosso planeta. E os cientistas estão empolgados porque a Trappist-1 é convenientemente pequena e fraca. Isso significa que os telescópios que estão sendo usados para estudar esse novo sistema planetário não são tão ofuscados pelo brilho quanto seriam ao mirar estrelas mais brilhantes. Isso abre um caminho fascinante para estudar esses mundos distantes e, acima de tudo, suas atmosferas", diz David Shukman, correspondente de ciência da BBC News.
© ESO Planetas "e", "f" e "g" teriam mais chances de conter água em estado líquido
"A cobertura dos anúncios de exoplanetas pode facilmente levar a conclusões precipitadas sobre vida alienígena. Mas esse sistema planetário remoto pode realmente fornecer uma boa chance de procurar por pistas dela. A próxima fase da pesquisa já começou a buscar pelos principais gases, como oxigênio e metano, que podem fornecer pistas do que está acontecendo na superfície desses planetas.
Possibilidades
"Encontrar uma nova Terra não é questão de 'se', mas de 'quando'", disse o astrofísico Thomas Zurbuchen, diretor de ciência da Nasa, durante o anúncio da descoberta, em uma transmissão ao vivo no Facebook. Os pesquisadores afirmaram que todos os novos planetas do sistema da Trappist-1 poderiam ter água líquida na superfície, a depender das condições de pressão atmosférica. Dos sete exoplanetas, três estão dentro do que se considera zona "habitável" - a uma distância da estrela Trappist-1 em que a vida é considerada uma possibilidade.
© NASA Cientistas vão usar telescópios para estudar propriedades da atmosfera dos planetas ao redor da Trappist-1
"Os planetas são próximos um do outro e muito próximos da estrela, o que lembra a organização das luas de Júpiter", disse o belga Michaël Gillon, da Universidade de Liège, o principal autor da pesquisa. Mesmo assim, a estrela é tão pequena e fria que os sete planetas são temperados, o que significa que eles podem ter água líquida - e talvez vida, por extensão - na superfície."
  • Os astrônomos dizem também que poderão estudar as propriedades atmosféricas dos planetas usando telescópios disponíveis atualmente. O Telescópio Espacial James Webb, sucessor do Hubble, tem a possibilidade de detectar a marca do ozônio se esta molécula estiver presente na atmosfera de um desses planetas", afirmou Brice-Olivier Demory, da Universidade de Berna, na Suíça.
"Isso pode ser um indicador da atividade biológica no planeta."

Radiação

Mas Demory diz que é preciso ter cuidado ao inferir uma atividade biológica nos planetas a partir de observações feitas de longe. Algumas das propriedades de super-anãs frias como a Trappist-1 podem dificultar a existência de vida. Por exemplo, algumas delas emitem grandes quantidades de radiação em forma de chamas, o que poderia esterilizar as superfícies dos planetas próximos.
Além disso, a zona habitável, no caso da Trappist-1, está bem próxima da estrela para que os planetas recebam o calor necessário para que exista água líquida. Mas isso também causa um fenômeno conhecido como rotação sincronizada, que faz com que o planeta sempre mostre a mesma face para a estrela. Um lado do planeta estaria, portanto, sempre no "dia" e o outro, sempre na "noite.  Isso pode ter o efeito de fazer com que a face virada para a estrela fique quente e a outra, fria.

Visita

© NASA Para comemorar descoberta, Nasa lançou 'pôster de viagem para planeta Trappist-Ie

De acordo com os cientistas, o primeiro planeta na zona habitável do novo sistema, Trappist-1e, tem tamanho muito semelhante à Terra, e também recebe quantidade de luz semelhante à que recebemos do Sol. Por isso, pode ter temperaturas parecidas. Já o Trappist-1f, segundo da zona habitável, tem órbita de nove dias, recebe luz de maneira semelhante a Marte e pode ser um planeta rico em água.
"Enquanto vivermos provavelmente não conseguiremos chegar até o sistema da Trappist-1. Estamos muito empolgados para usar nossos telescópios e descobrir o que há lá, mas teremos que deixar a visita para outras gerações", disse a astrônoma Sara Seager, professora do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, na sigla em inglês), durante o anúncio da Nasa. Segundo Seager, se fosse possível viajar na velocidade da luz, o homem levaria 39 anos para chegar até o novo sistema planetário. Num avião como os que existem hoje, o tempo necessário seria 44 milhões de anos.
FONTE: MSN

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A cauda de um buraco negro errante escondido na Via Láctea

Ilustração de um buraco negro errante movendo-se rapidamente através de uma nuvem densa de gás. O gás é arrastado pela gravidade do buraco negro formando uma corrente estreita. Crédito: Keio University.

É difícil encontrar buracos negros, já que eles não emitem luz. Mas em alguns casos os buracos negros produzem efeitos que podem ser visíveis. Por exemplo, se um buraco negro tiver uma estrela companheira, o gás da estrela que flui para dentro dele amontoa-se à sua volta e forma um disco. O disco aquece devido à enorme força gravitacional do buraco negro e emite radiação intensa. Mas se um buraco negro estiver a flutuar sozinho no espaço, nenhuma emissão dele proveniente será observada.

Uma equipe de investigação, liderada por Masaya Yamada, um estudante de pós-graduação na Universidade de Keio, Japão, e por Tomoharu Oka, professor da Universidade de Keio, usou o telescópio ASTE no Chile e o Radiotelescópio de 45 m no Observatório de Rádio Nobeyama, ambos operados pelo NAOJ (Observatório Astronómico Nacional do Japão), para observar nuvens moleculares ao redor do remanescente da supernova W44, localizado a 10 mil anos-luz de distância. O objetivo principal era examinar a quantidade de energia transferida da explosão de supernova para o gás molecular em redor, mas a equipa acabou por encontrar sinais de um buraco negro escondido na orla de W44.

Durante a investigação, a equipa descobriu uma nuvem molecular compacta com um movimento estranho. Esta nuvem, com o nome de Bullet (Bala), tem uma velocidade de mais de 100 km/s, excedendo a velocidade do som no espaço interestelar em mais de duas ordens de grandeza. Além disso, a nuvem, com o tamanho de dois anos-luz, move-se para trás, em sentido contrário ao da rotação da Via Láctea.
Diagramas esquemáticos de dois cenários para o mecanismo de formação de Bullet. (a) modelo de explosão e (b) modelo de irrupção. Ambos os diagramas mostram uma parte da frente de choque produzida pela expansão do remanescente de supernova W44. A onda de choque penetra no gás quiescente e comprime-o para formar gás denso. Bullet está localizada no centro do diagrama e tem um movimento completamente diferente em relação ao gás circundante. Crédito: Yamada et al. (Keio University).
Para investigar a origem da nuvem Bullet, a equipa observou-a intensivamente com o ASTE e com o Radiotelescópio de 45 m de Nobeyama. Os dados indicam que Bullet parece estar a saltar da orla do remanescente de supernova W44 com imensa energia cinética. “A maior parte de Bullet tem um movimento de expansão com velocidade de 50 km/s, mas a sua ponta tem uma velocidade de 120 km/s,” disse Yamada. “A sua energia cinética é algumas dezenas de vezes superior à injetada pela supernova W44. Parece impossível uma nuvem tão energética ter sido gerada num ambiente tão comum.”
A equipa propôs dois cenários para a formação de Bullet. Em ambos os casos, uma fonte de gravidade compacta, possivelmente um buraco negro, tem um papel importante. Um dos cenários é o modelo de explosão no qual uma bolha de gás em expansão do remanescente da supernova passa por um buraco negro estático. O buraco negro atrai o gás para muito perto, dando origem a uma explosão que acelera o gás na nossa direção. Os astrónomos estimaram para este caso que a massa do buraco negro será de 3,5 massas solares ou superior. O outro cenário é o modelo de irrupção, no qual um buraco negro com elevada velocidade atravessa um gás denso, sendo o gás arrastado pela forte gravidade do buraco negro para formar uma corrente de gás. Para este caso, os investigadores estimaram que a massa do buraco negro será de 36 massas solares ou superior. Com o conjunto de dados que existe, é ainda difícil para a equipa dizer qual dos cenários é o mais provável. 
Os estudos teóricos indicam que devem existir na Via Láctea entre 100 a 1000 milhões de buracos negros, embora até ao momento apenas aproximadamente uns 60 tenham sido identificados através de observações. “Descobrimos uma nova forma de achar buracos negros perdidos,” disse Oka. A equipa espera resolver os dois cenários possíveis e encontrar evidências mais sólidas para um buraco negro em Bullet realizando observações de maior resolução com o ALMA (Atacama Large Milimeter/submillimeter Array).
Fonte: Portal do Astrónomo

A Anã Superfria e os Sete Planetas

Mundos temperados do tamanho da Terra descobertos em sistema planetário extraordinariamente rico

Astrônomos descobriram um sistema com sete planetas do tamanho da Terra a cerca de apenas 40 anos-luz de distância. Com o auxílio de telescópios no espaço e também no solo, incluindo o Very Large Telescope do ESO, os planetas foram todos detectados quando passavam em frente da sua estrela progenitora, a estrela anã superfria chamada TRAPPIST-1. De acordo com o artigo científico publicado hoje na revista Nature, três dos planetas situam-se na zona habitável da estrela e poderão ter oceanos de água à superfície, aumentando a possibilidade deste sistema planetário poder conter vida. 
O sistema tem ao mesmo tempo o maior número de planetas do tamanho da Terra descoberto até agora e o maior número de mundos que poderão ter água líquida em sua superfície. Os astrônomos utilizaram o telescópio TRAPPIST-South instalado no Observatório de La Silla do ESO, o Very Large Telescope (VLT) situado no Paranal e o Telescópio Espacial Spitzer da NASA, além de outros telescópios em todo o mundo para confirmar a existência de pelo menos sete pequenos planetas em órbita da estrela anã vermelha fria TRAPPIST-1 Todos os planetas, com os nomes TRAPPIST-1b, c, d, e, f, g, h — por ordem crescente de distância à sua estrela — têm tamanhos semelhantes à Terra.
Diminuições na emissão da luz estelar causados por cada um dos sete planetas ao passarem em frente à estrela — os chamados trânsitos — permitiram aos astrônomos retirar informação sobre os seus tamanhos, composições  e órbitas. Os pesquisadores descobriram que pelo menos os seis planetas mais internos são comparáveis à Terra em termos de tamanho e temperatura.
O autor principal Michaël Gillon do Instituto STAR da Universidade de Liège, Bélgica, está muito contente com os resultados: “Trata-se de um sistema planetário extraordinário — não apenas por termos encontrado tantos planetas mas porque todos eles são surpreendentemente parecidos com a Terra em termos de tamanho!”

Com apenas 8% da massa do Sol, TRAPPIST-1 é muito pequena em termos estelares — apenas um pouco maior que o planeta Júpiter — e por isso apesar de se encontrar próxima a nós na constelação de Aquário, é muito fraca. Os astrônomos esperavam que tais estrelas anãs pudessem conter muitos planetas do tamanho da Terra em órbitas apertadas, o que as tornam alvos interessantes para a busca de vida extraterrestre, no entanto a TRAPPIST-1 é o primeiro sistema deste tipo a ser encontrado.

O co-autor Amaury Triaud explica: “A energia emitida por estrelas anãs como TRAPPIST-1 é muito menor do que a liberada pelo nosso Sol e por isso os planetas têm que ocupar órbitas muito mais próximas da estrela do que as que observamos no Sistema Solar para poderem ter água na superfície. Felizmente, parece que este tipo de configuração compacta é exatamente o que observamos em torno de TRAPPIST-1!”
A equipe determinou que todos os planetas no sistema são semelhantes à Terra e a Vênus em termos de tamanho, ou ligeiramente menores. As medições de densidade sugerem que pelo menos os seis planetas mais internos têm provavelmente uma composição rochosa.  

As órbitas dos planetas não são muito maiores que as apresentadas pelo sistema de satélites galileanos situado em torno de Júpiter, sendo muito menores que a órbita de Mercúrio no Sistema Solar. No entanto, o pequeno tamanho da TRAPPIST-1 assim como a sua temperatura baixa significam que a emissão de energia dirigida aos seus planetas é semelhante à recebida pelos planetas internos do nosso Sistema Solar; os planetas TRAPPIST-1c, d, f recebem quantidades de energia comparáveis às que os planetas Vênus, Terra e Marte, respectivamente, recebem do Sol.
Os sete planetas descobertos neste sistema estelar podem potencialmente conter água líquida em sua superfície, apesar das distâncias orbitais tornarem alguns candidatos mais prováveis a esta condição do que outros. 

Os modelos climáticos sugerem que os planetas mais internos, TRAPPIST-1b, c, d, são provavelmente muito quentes para possuírem água líquida, exceto talvez numa pequena fração das suas superfícies. A distância orbital do planeta mais exterior do sistema, TRAPPIST-1h, ainda não foi confirmada, embora este objeto pareça encontrar-se muito afastado e frio para poder conter água líquida — assumindo que não ocorrem nenhuns processos de aquecimento alternativos.  No entanto, os planetas TRAPPIST-1e, f, g representam o “santo graal” para os astrônomos que procuram planetas, uma vez que orbitam na zona habitável da estrela e poderão conter oceanos de água em suas superfícies.

Estas novas descobertas fazem do sistema TRAPPIST-1 um alvo muito importante para um futuro estudo. O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA já está sendo utilizado para procurar atmosferas em torno destes planetas e o membro da equipe Emmanuël Jehin está entusiasmado com as perspectivas futuras:”Com a próxima geração de telescópios, como o European Extremely Large Telescope do ESO e o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, vamos muito rapidamente poder procurar água e talvez até evidências de vida nestes mundos.”
Fonte: ESO

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Todo mundo pode procurar seu novo planeta neste site financiado pela NASA

A NASA está convidando o público para ajudar a descobrir planetas desconhecidos na nossa galáxia. Um novo site chamado Backyard Worlds: Planet 9 permite que todos participem da busca ao assistir a pequenos vídeos feitos com imagens captadas pela missão WISE da NASA. Os vídeos dão destaque a objetos que se moveram gradualmente pelo espaço.
“Há apenas quatro anos-luz entre Netuno e Proxima Centauri, a estrela mais próxima, e a maioria deste vasto território ainda não foi explorado”, afirma o astrofísico da NASA Marc Kuchner. Ele explica que essa dificuldade acontece porque a região recebe pouca luz solar. “Mesmo objetos grandes nesta região mal brilham em luz visível. Mas ao olhar no infravermelhor da WISE, podemos ter captado objetos que de outra forma teriam passado batido”, diz.
A missão WISE, ou Wide-field Infrared Survey Explorer, escaneou o céu inteiro entre 2010 e 2011, produzindo uma inspeção detalhada. Quando completou sua missão principal em 2011, a missão foi interrompida. Ela foi então reativada em 2013 e recebeu uma nova missão da NASA para identificar Objetos Próximos da Terra que podem ser perigosos. Eles são asteroides e cometas com orbita que vão trazê-los para perto da Terra. A missão foi renomeada NEOWISE, ou Near-Earth Objetct Wide-field Infrared Survey Explorer.
O novo site usa esses dados para procurar por objetos ainda desconhecidos próximos do nosso Sistema Solar. Em 2016, por exemplo, astrônomos da Caltech em Pasadena mostraram que vários objetos distantes tinham órbitas que indicavam que eram afetados pela gravidade de um planeta ainda não detectado. Este planeta foi apelidade de Planeta 9.
A busca também pode revelar objetos mais distantes como anãs marrons, ou estrelas falhas, no espaço próximo da Terra. “Anãs marrons se formam como estrelas mas viram planetas, e as mais frias delas são parecidas com Júpiter”, explica Jackie Faherty, astrônomo do Museu Americano de História Natural em Nova York. “Ao usar o Backyard Worlds: Planet 9, o público por nos ajudar a descobrir mais desses planetas estranhos”.

Por que a NASA precisa de você?

A melhor forma de encontrá-los é através de uma busca sistemática de objetos em movimento nas imagens do WISE. Enquanto parte desta busca pode ser feita por computadores, máquinas não são muito boas em trabalhar com artefatos imagéticos, especialmente em partes do espaço que têm muitos objetos. Por isso, a NASA precisa de olhos humanos para identificar rapidamente objetos em movimento enquanto ignoram outros ruídos imagéticos.

Como ajudar

Por exemplo, a imagem abaixo mostra um objeto em movimento (em laranja) que foi catalogado como uma anã marrom chamada WISE 0855?0714. Ao ver vídeos como esses, qualquer pessoa pode ajudar a descobrir mais objetos semelhantes.
No site, pessoas do mundo inteiro podem explorar pequenos vídeos que mostram pequenas seções do espaço e suas mudanças através dos anos. Objetos em movimento apontados pelos participantes vão ser investigados por equipes de cientistas. O mais legal disso tudo é que o participante receberá crédito pela sua descoberta em toda publicação científica que acontecer como consequência de sua participação.
“Backyard Worlds: Planet 9 tem o potencial de revelar descobertas únicas, e é empolgante pensar que elas podem ser apontadas primeiro por cientistas cidadãos”, diz o pós-doutorando Aaron Meisner, da Universidade da Califórnia em Berkeley.  O projeto é uma parceria entre a NASA, UC Berkeley, Museu Americano de História Natural de Nova York, Universidade do Estado de Arizona, Space Telescope Science Institute em Baltimore e Zooniverse.
Quer começar a procurar por objetos em movimento? Clique aqui para explorar o espaço. 
Fonte: HypeScience.com

O pulsar mais brilhante e distante do universo

O pulsar identificado como NGC 5907 X-1, na galáxia espiral NGC 5907. A imagem tem dados de emissão de raios-X (azul/branco) obtidos pelo XMM-Newton da ESA e pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA, e dados óticos do SDSS (Sloan Digital Sky Survey - galáxia e estrelas de fundo). A inserção mostra a pulsação de raios-X da estrela de neutrões giratória, com um período de 1,13 segundos.Crédito: ESA/XMM-Newton; NASA/Chandra e SDSS

O XMM-Newton da ESA descobriu um pulsar - o remanescente giratório de uma estrela anteriormente massiva - que é mil vezes mais brilhante do que se pensava ser possível. O pulsar é também o mais distante do seu tipo já detetado, tendo a sua luz viajado 50 milhões de anos-luz antes de ser detetada pelo XMM-Newton. Os pulsares são estrelas de neutrões giratórias e magnetizadas que varrem pulsos regulares de radiação em dois feixes simétricos através do cosmos. 

Se devidamente alinhados com a Terra, estes feixes são como um farol que parece ligar e desligar-se à medida que gira. São remanescentes de estrelas gigantes que explodiram como poderosas supernovas no final da sua vida natural, antes de se tornarem "cadáveres" estelares pequenos e extraordinariamente densos. Esta fonte de raios-X é a mais luminosa do seu tipo já detetada até à data: é 10 vezes mais brilhante do que o anterior detentor do recorde. Num segundo, emite a mesma quantidade de energia libertada pelo nosso Sol em 3,5 anos.

O XMM-Newton observou o objeto várias vezes ao longo dos últimos 13 anos, sendo a descoberta o resultado de uma busca sistemática por pulsares nos dados de arquivo - e foi o seu pulso periódico de 1,13 segundos que saltou à vista. O sinal também foi identificado em dados de arquivo do NuSTAR da NASA, fornecendo informações adicionais.

"Antes, pensava-se que apenas os buracos negros com pelo menos 10 vezes a massa do nosso Sol, alimentando-se das suas companheiras estelares, podiam alcançar tais luminosidades extraordinárias, mas as pulsações rápidas e regulares desta fonte são as impressões digitais de estrelas de neutrões e distinguem-se claramente dos buracos negros," comenta Gian Luca Israel, do INAF-Observatório Astronómico de Roma, Itália, autor principal do artigo que descreve o resultado, publicado esta semana na revista Science.

Os dados de arquivo também revelaram que a rotação do pulsar mudou ao longo do tempo, de 1,43 segundos em 2003 para 1,13 segundos em 2014. A mesma aceleração relativa, na rotação da Terra, encurtaria o dia por cinco horas no mesmo período de tempo. Só uma estrela de neutrões é compacta o suficiente para se manter unida enquanto gira tão depressa," acrescenta Gian Luca. Embora não seja invulgar para a rotação de uma estrela de neutrões mudar, neste caso o aumento tão elevado está provavelmente relacionado com o rápido consumo de massa de uma companheira.

"Este objeto é realmente um desafio para a nossa compreensão atual do processo de acreção para estrelas de alta luminosidade," realça Gian Luca. "É 1000 vezes mais luminosa do que se pensava ser possível para uma estrela de neutrões com acreção, de modo que algo mais é necessário nos nossos modelos, a fim de poderem explicar a quantidade enorme de energia libertada pelo objeto. Os cientistas pensam que deve haver um campo magnético forte e complexo perto da sua superfície, de tal forma que a acreção na superfície da estrela de neutrões é ainda possível enquanto ainda gera a alta luminosidade.

"A descoberta deste objeto muito invulgar, de longe o mais extremo já descoberto em termos de distância, luminosidade e aumento da sua rotação, estabelece um novo para o XMM-Newton, e está a mudar as nossas ideias de como estes objetos realmente 'trabalham'," conclui Norbert Schartel, cientista do projeto XMM-Newton da ESA.
Fonte: Astronomia OnLine

Pela primeira vez cientistas observam o violento início de uma supernova

Cientistas observaram os efeitos imediatos da formação de uma supernova pela primeira vez, detectando apenas três horas depois da explosão o enorme brilho da morte de uma estrela supergigante vermelha.  O evento foi batizado de SN 2013fs, e foi a primeira chance que os pesquisadores tiveram de estudar uma supernova tão jovem. Normalmente o brilho resultante de sua formação só é descoberto alguns dias depois. Neste caso, foi mais sorte que qualquer outra ação mais ativa; os telescópios já estavam apontados para a região correta por coincidência.
A supernova aconteceu na galáxia chamada NGC 7610, que está a 160 milhões de anos-luz da Terra. Depois da luz desta explosão anciã ter viajado por 160 milhões de anos através do espaço, ela finalmente atingiu a Terra em 2013, onde foi detectada em uma inspeção automática do céu que acontecia no observatório Palomar, perto de San Diego, na Califórnia.  Até alguns anos atrás, flagrar uma supernova uma semana depois da explosão já era considerado pouco tempo. Este já não é mais o caso, e com novas inspeções automáticas e totalmente robotizadas, temos flagrado eventos um dia ou até menos depois da explosão”, diz o astrofísico Ofer Yaron, do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel.

Cenário da explosão

Ao identificar a luz apenas algumas horas depois da explosão, cientistas tiveram a rara oportunidade de examinar as condições cósmicas que cercavam a estrela pouco antes da explosão.  O brilho da supernova é visível por cerca de um ano, mas para observar o cenário da explosão, é preciso descobrir a supernova o quanto antes. No caso da SN 2013fs, observações mostraram que a estrela estava cercada por um disco de fragmentos que havia sido ejetado pela estrela no ano anterior à explosão. Essa camada de material cobriu a estrela com uma nuvem de gás de 10 bilhões de km de profundidade, antes de ser destruída pela supernova.
“Antes de virar supernova, a estrela passa por instabilidades muito significantes no seu interior, afetando as camadas externas e superfície, o que causa essa perda de massa logo antes da explosão”, explica Yaron. “É como se a estrela soubesse que está no fim da vida e que vai morrer logo, e expulsa o material como se fosse o último suspiro”.
SN 2013fs é uma supernova do tipo II, o tipo mais comum de explosão estelar, envolvendo estrelas entre 8 e 50 vezes a massa do Sol. “O fato dela ser do tipo comum II e estar com material ao seu redor significa que esse fenômeno de grande perda de massa logo antes da explosão pode ser comum entre colapsos de supernovas”, diz o cientista.
Em breve poderemos confirmar se a perda de massa realmente é normal nesse tipo de explosão ou não, já que a tecnologia dos telescópios tem melhorado rapidamente. O esperado é que em pouco tempo possamos identificar essas explosões apenas minutos depois delas acontecerem. Essa possibilidade deverá ajudar cientistas a estudar essas mortes violentas das estrelas com grandes detalhes. Eles até esperam observar uma supernova na Via Láctea – contanto que ela não aconteça muito perto de nós. “Se você perguntar a um nadador no mar, ele não quer ver um tubarão. Mas se perguntar a um mergulhador, isso é tudo o que ele quer ver”, compara Yaron. 

Cientistas da NASA têm um plano para transformar Plutão em um planeta de novo



É uma besteira”, falou Alan Stern, o principal investigador da missão New Horizons da NASA para Plutão, sobre o fato de Plutão ter deixado oficialmente de ser um planeta. Agora Stern está comandando um time de cientistas da NASA que propuseram uma nova definição do que é um planeta que faria mais do que resgatar a antiga glória do gelado planeta anão. 
proposta que o time de Stern mandou para aprovação do IAU redefiniria a nossa compreensão de um planeta em termos bem simples. Os cientistas reduziriam a definição para “objetos redondos no espaço que são menores do que estrelas”. Sim, isso transformaria a Lua da Terra, assim como muitas outras, em planetas.

Uma descrição mais detalhada da proposta define o método de classificação planetar como “um corpo de massa sub-estelar que nunca passou por fusão nuclear e que tem auto-gravitação o bastante para assumir um formato esferoidal adequadamente descrito por um elipsóide triaxial independente de seus parâmetros orbitais”.

Stern obviamente é parte interessada nessa discussão, considerando que ele foi o líder da missão New Horizons que trouxe imagens impressionantes e novas informações sobre Plutão. Essa missão lembrou as pessoas de quão incrível o planeta anão é, e ele tem questões com a mudança de status do planeta há anos. Em 2015, disse para a Business Insider que os astrônomos não deveriam decidir o que é ou não um planeta. “Você deveria ouvir cientistas planetários, que sabem algo sobre esse assunto”, afirmou. “Quando olhamos para um objeto como Plutão, não sabemos outro nome pelo qual chamá-lo”.

Science Alert resume as críticas da proposta do sistema atual de classificação planetária:  Primeiro, ele reconhece como planetas só aqueles objetos que orbitam o Sol, não aqueles orbitando outras estrelas ou orbitando livremente na galáxia como ‘planetas interestelares’”, eles explicam.  Segundo, o fato de que ele necessita de uma área limpa significa que “nenhum planeta no Sistema Solar” satisfaz o critério, já que um pequeno número de pequenos corpos cósmicos está constantemente voando por meio das órbitas planetares, incluindo da Terra.  

Finalmente, e “mais sério”, eles dizem, essa estipulação de zona livre significa que a matemática usada para confirmar se um corpo cósmico é um planeta de verdade é dependente da distância, porque uma “zona” precisa ser limpa. Isso precisa de objetos progressivamente maiores em cada zona sucessiva, e “até objetos do tamanho da terra na Cintura de Kuiper não teriam uma zona limpa”.  Vai depender da União Astronômica Internacional dizer por fim se esse novo sistema deve ou não ser adotado. Pode parecer meio cedo para redefinir o que é um planeta, mas a humanidade tem mudado a definição desde sempre.  Se você realmente ama Plutão, isso pode ser uma boa notícia. Se você ainda está com problemas de lembrar que só existem oito planetas ao invés de nove, essa proposta vai continuar a tornar sua vida difícil. 
Fonte: MSN

Mapeando a árvore genealógica das estrelas


Imagem que mostra famílias genealógicas de estrelas na nossa Galáxia, incluindo o nosso Sol. Crédito: Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge


Os astrónomos estão a usar princípios aplicados na biologia e na arqueologia para construir uma árvore genealógica das estrelas na Galáxia. Ao estudar as assinaturas químicas encontradas nas estrelas, estão a reunir essas árvores evolutivas olhando para como as estrelas se formaram e como estão ligadas entre si. As assinaturas atuam como um homólogo das sequências de ADN. É semelhante à marcação química de estrelas e forma a base de uma disciplina que os astrónomos chamam de arqueologia galáctica.

Foi Charles Darwin que, em 1859, publicou a sua revolucionária teoria de que todas as formas de vida são descendentes de um antepassado comum. Esta teoria tem informado a biologia evolutiva desde então, mas foi um encontro casual entre uma astrónoma e um biólogo, durante um jantar em King's College, Cambridge, que fez a astrónoma pensar sobre como podia ser aplicado às estrelas da Via Láctea.  A Dra. Paula Jofré, do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge, descreve na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society como criou uma "árvore genealógica" filogenética que liga várias estrelas da Galáxia.

"O uso de algoritmos para identificar famílias de estrelas é uma ciência que está constantemente em desenvolvimento. As árvores filogenéticas dão uma dimensão extra aos nossos esforços, razão pela qual esta abordagem é tão especial. Os ramos das árvores servem para nos informar sobre a história partilhada das estrelas," comenta. A equipa escolheu vinte e duas estrelas, incluindo o Sol, para estudar. Os elementos químicos foram cuidadosamente medidos a partir de dados provenientes de espectros terrestres de alta resolução obtidos com grandes telescópios localizados no norte do Chile.

Assim que as famílias foram identificadas usando ADN químico, a sua evolução foi estudada com a ajuda das suas idades e propriedades cinemáticas obtidas pela missão espacial Hipparcos, o percursor do Gaia, o observatório que foi lançado pela ESA e que está a meio do seu projeto de 5 anos de mapear o céu.
As estrelas nascem nas nuvens de poeira da Galáxia, graças a explosões violentas que espalham matéria-prima. É provável que duas estrelas, com as mesmas composições químicas, tenham nascido na mesma nuvem molecular. 

Algumas vivem durante mais tempo que a idade do Universo e servem como registos fósseis da composição do gás no momento em que foram formadas. A estrela mais antiga da amostra analisada pela equipa tem uma idade estimada em quase 10 mil milhões de anos, duas vezes mais velha que o Sol. A mais jovem tem 700 milhões de anos.

Na evolução, os organismos estão ligados entre si por um padrão de descendência com modificações à medida que evoluem. As estrelas são muito diferentes dos organismos vivos, mas ainda têm uma história de descendência partilhada uma vez que se formam em nuvens de gás e transportam essa história na sua estrutura química. Ao aplicar os mesmos métodos filogenéticos que os biólogos usam para traçar a descendência em plantas e em animais, é possível explorar a "evolução" das estrelas na Via Láctea.

"As diferenças entre estrelas e animais são imensas, mas partilham a propriedade de mudar ao longo do tempo e, portanto, ambas podem ser analisadas pela construção de árvores da sua história," afirma o professor Robert Foley, do Centro Leverhulme para Estudos Evolutivos Humanos em Cambridge.
Com um número cada vez maior de conjuntos de dados sendo disponibilizados tanto pelo Gaia como por telescópios mais avançados no solo, e por grandes levantamentos espectroscópicos atuais e futuros, os astrónomos estão cada vez mais perto de construir uma árvore genealógica que pode ligar todas as estrelas da Via Láctea.
Fonte: Astronomia OnLine

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Falsa Aurora

O céu está cheio de fenômenos ópticos que nos dificultam uma visão clara do cosmos, o que representa muitas vezes um desafio frustrante para os astrônomos. No entanto, estes fenômenos são perfeitos do ponto de vista dos astrofotógrafos! Esta imagem mostra o centro da Via Láctea a ser atravessado pelo brilho fantasmagórico da luz zodiacal, repleto de estruturas criadas pela poeira que dificultam as observações científicas - apesar disso, a vista é tão bonita que nem nos importamos.

Nesta imagem, o centro da Via Láctea parece estar repleto de gás preto. De fato, estas regiões escuras ondulantes devem-se simplesmente à ausência de luz visível, porque enormes nuvens de poeira obscurecem a radiação emitida por estrelas mais distantes. No entanto, a poeira, tal como pode dar a ilusão de escuridão, também pode dar-nos a ilusão de luz. É o caso da luz zodiacal, uma banda difusa de luz que vemos projetada ao longo das constelações do zodíaco. 

Este fenômeno é causado quando a radiação solar é dispersada pelo disco de poeira cósmica que rodeia o Sistema Solar interior. Observadores particularmente atentos podem notar estruturas intrincadas através dessa faixa de luz — vemos aqui o fenômeno de Gegenschein, o tênue brilho elíptico do ponto anti-solar que se pode ver na direção do lado esquerdo da imagem. À direita, a brilhante coluna de luz zodiacal, ou “falsa aurora”, projeta-se no céu a partir do horizonte.

Esta imagem foi obtida durante toda uma noite e é o resultado de um sofisticado processo fotográfico realizado pelo Embaixador Fotográfico do ESO Petr Horálek, que pretendeu capturar a estrutura da luz zodiacal a partir do solo de modo inovador. A imagem foi obtida no Observatório de La Silla do ESO no Chile.
Créditos: ESO/P. Horálek

Conheça a super-Terra e outros 59 novos vizinhos do Sistema Solar

Uma equipe internacional de astrônomos encontrou 60 novos planetas que orbitam estrelas próximas ao Sistema Solar da Terra. Baseados em observações feitas durante 20 anos com o telescópio Keck-I, no Havaí, os resultados chamam atenção para Gliese 411b, uma super-Terra quente e com uma superfície rochosa que orbita a quarta estrela mais próxima do nosso Sol. Além dos nossos novos vizinhos, os cientistas também encontraram evidências de outros 54 planetas adicionais, que ficam em regiões mais distantes, totalizando 114 astros descobertos. Os achados serão publicados no periódico The Astrophysical Journal.
De acordo com os cientistas, a descoberta demonstra que quase todas as estrelas mais próximas do Sol têm planetas que as orbitam – e alguns podem ser parecidos com a Terra. “Esses novos planetas também nos ajudam a entender o processo de formação de sistemas planetários e trazem objetivos interessantes para futuros esforços de captar imagens desses planetas diretamente”, afirma em comunicado Mikko Tuomi, da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, o único astrônomo que participou do estudo em uma base europeia.

A investigação é parte do Lick-Carnegie Exoplanet Survey, um programa de buscas por novos planetas que teve início em 1996. Para fazer as descobertas, a equipe de astrônomos se baseou em 61.000 pesquisas de observação individual de 1.600 estrelas. É fascinante pensar que, quando olhamos para estrelas mais próximas, todas parecem ter planetas em sua órbita. Isso é algo de que os astrônomos não estavam convencidos até cinco anos atrás”, diz Tuomi.
Fonte: MSN

Estrelas desaparecidas da vizinhança solar revelam velocidade do sol e distância ao centro da Via Láctea

Impressão de artista do Gaia a mapear as estrelas da Via Láctea. Crédito: ESA/ATG medialab; fundo - ESO/S. Brunier

Usando um novo método e dados do telescópio espacial Gaia, astrónomos da Universidade de Toronto estimaram que a velocidade do Sol, à medida que orbita o centro da Via Láctea, é de aproximadamente 240 quilómetros por segundo. Por sua vez, usaram esse resultado para calcular que o Sol está a aproximadamente 7,9 kiloparsecs do Centro da Galáxia - ou quase vinte e seis mil anos-luz.

Usando dados do telescópio espacial Gaia e do levantamento RAVE (RAdial Velocity Experiment), Jason Hunt e colegas determinaram as velocidades de mais de 200.000 estrelas em relação ao Sol. Hunt é membro do Instituto Dunlap para Astronomia e Astrofísica da Universidade de Toronto. Os colaboradores encontraram uma distribuição pouco surpreendente de velocidades relativas: havia estrelas movendo-se mais lentamente, mais depressa e à mesma velocidade que o Sol.

Mas também encontraram uma escassez de estrelas com uma velocidade orbital galáctica aproximadamente 240 km/s inferior à do Sol. Os astrónomos concluíram que as estrelas em falta tinham sido estrelas com momento angular zero; isto é, que não orbitam a Galáxia como o Sol e as outras estrelas na Via Láctea;

"Estrelas com um momento angular muito próximo de zero teriam mergulhado em direção ao Centro Galáctico, onde seriam fortemente afetadas pelas forças gravitacionais extremas aí presentes," comenta Hunt. "Isto espalhá-las-ia em órbitas caóticas levando-as muito acima do plano Galáctico e para longe da vizinhança Solar."
"Através da medição da velocidade com que as estrelas próximas rodam em torno da Galáxia, em relação ao Sol," realça Hunt, "podemos observar uma falta de estrelas com uma velocidade relativa negativa específica. E como sabemos que este mergulho corresponde a 0 km/s, diz-nos, por sua vez, quão rapidamente nos estamos a mover."

Hunt e colegas combinaram então esta descoberta com o movimento próprio do buraco negro supermassivo conhecido como Sagitário A* que fica no centro da Galáxia, para calcular a distância de 7,9 kiloparsecs. O movimento próprio é o movimento de um objeto através do céu em relação a distantes objetos de fundo. 

Eles calcularam a distância da mesma maneira que um cartógrafo triangula a distância a um marco terrestre, observando-o de duas posições diferentes separadas por uma distância conhecida. O resultado foi publicado na revista Astrophysical Journal Letters em dezembro de 2016. O método foi usado pela primeira vez pelo coautor de Hunt, o atual presidente do Departamento de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Toronto, o Prof. Ray Calberg, e pelo colaborador de Carlberg, o Prof. Kimmo Innanen. Mas o resultado a que Carlberg e Innanen chegaram teve por base menos de 400 estrelas.

O Gaia está a criar um mapa dinâmico e tridimensional da Via Láctea medindo as distâncias, posições e movimentos próprios das estrelas. Hunt e colegas basearam o seu trabalho no primeiro conjunto de dados do Gaia, que incluiu centenas de milhares de estrelas. No final da sua missão de 5 anos, a missão espacial terá mapeado mais de mil milhões de estrelas.
Os resultados da velocidade e distância não são significativamente mais precisos do que outras medições. Mas, segundo Hunt, "a divulgação final do Gaia, lá mais para o fim de 2017, deverá permitir-nos aumentar a precisão das nossas medições da velocidade do Sol até aproximadamente 1 km/s, o que por sua vez aumentará drasticamente a precisão da nossa medição da distância ao Centro Galáctico."
Fonte: Astronomia OnLine