quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Duas regiões de formação de estrelas na Via Láctea

Duas regiões de formação de estrelas na Via Láctea

Duas regiões de formação estelar na Via Láctea austral.[Imagem: ESO/G. Beccari]

Formação de estrelas

Esta imagem, obtida no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, mostra duas regiões de formação estelar na Via Láctea austral. A primeira destas regiões, à esquerda, é dominada pelo enxame estelar NGC 3603 e situa-se a 20.000 anos-luz de distância, no braço em espiral Carina-Sagitário da nossa Via Láctea. A segunda, à direita, é uma coleção de nuvens de gás brilhantes conhecidas pelo nome de NGC 3576, situando-se a apenas metade da distância da primeira região.

Enxame estelar

O NGC 3603 é um enxame estelar muito brilhante, famoso por ter a mais alta concentração de estrelas massivas descobertas na nossa Galáxia até agora. No seu centro situa-se um sistema estelar múltiplo Wolf-Rayet, conhecido por HD 97950. As estrelas Wolf-Rayet encontram-se num estado avançado de evolução e apresentam massas a partir de 20 vezes a massa solar. No entanto, apesar da sua elevada massa, estas estrelas liberam uma quantidade considerável de matéria, devido a intensos ventos estelares, que enviam o material da superfície estelar para o espaço a velocidades de vários milhões de quilômetros por hora, no que pode ser considerado uma dieta drástica de proporções cósmicas.

O NGC 3603 situa-se numa região de formação estelar muito ativa. As estrelas nascem em regiões do espaço escuras e poeirentas, escondidas da vista. À medida que as estrelas muito jovens começam a brilhar e limpam os casulos de material que as rodeiam, tornam-se visíveis e dão origem a brilhantes nuvens de material circundante, conhecidas por regiões HII. As regiões HII brilham devido à interação entre a radiação ultravioleta emitida pelas estrelas jovens quentes brilhantes e as nuvens de gás de hidrogênio. As regiões HII podem ter um diâmetro de várias centenas de anos-luz e a região HII que rodeia a NGC 3603 tem a particularidade de ser a mais massiva da nossa Galáxia.

Nebulosa

A nebulosa NGC 3576, situada no lado direito da imagem, encontra-se igualmente no braço em espiral de Carina-Sagitário da Via Láctea, no entanto está apenas a 9.000 anos-luz de distância da Terra - muito mais perto que o NGC 3603, mas aparece próximo deste no céu. A NGC 3576 apresenta dois enormes objetos curvos que parecem os chifres de um bode. Estes estranhos filamentos são o resultado de ventos estelares emitidos por estrelas quentes e jovens que se situam nas regiões centrais da nebulosa e que lançam gás e poeira para o exterior a centenas de anos-luz de distância. Duas regiões escuras, conhecidas por glóbulos de Bok, são também visíveis neste vasto complexo de nebulosas. As nuvens pretas próximo do topo da nebulosa são igualmente potenciais locais de futura formação estelar.
Fonte: Inovação Tecnológica

Gaia descobre sua primeira supernova

Supernova Gaia14aaa e sua galáxia hospedeira. Crédito: M. Fraser / S. Hodgkin / L. Wyrzykowski / H. Campbell / N. Blagorodnova / Z. Kostrzewa-Rutkowska / Liverpool Telescope / SDSS

Responsável pelo mapeamento da Via Láctea, o telescópio Gaia descobriu sua primeira explosão estelar em outra galáxia muito, muito distante. Este evento poderoso, agora chamado Gaia14aaa, ocorreu em uma galáxia a cerca de 500 milhões de anos-luz de distância e foi revelado através de um súbito aumento no brilho da região entre duas observações do telescópio separadas por um mês. Gaia, que começou seu trabalho científico em 25 de julho, verifica repetidamente todo o céu, de modo que cada uma das cerca de um bilhão de estrelas do catálogo final será examinada uma média de 70 vezes ao longo dos próximos cinco anos. “Esse tipo de levantamento repetitivo vem a calhar para o estudo da natureza mutável do céu”, comenta Simon Hodgkin, do Instituto de Astronomia de Cambridge, Reino Unido.

Hodgkin é parte do Science Alert Team de Gaia, que inclui astrônomos das universidades de Cambridge, Reino Unido, e de Varsóvia, na Polônia, que vasculham o céu em busca de mudanças inesperadas. Não demorou muito até que os cientistas encontraram a primeira “anomalia”, na forma de um aumento repentino na luz que vem de uma galáxia distante, detectada em 30 de agosto. A mesma galáxia apareceu muito menos brilhante na primeira vez que Gaia a observou, apenas um mês antes. “Nós imediatamente pensamos que poderia ser uma supernova, mas precisávamos de mais pistas para sustentar esta hipótese”, explica Łukasz Wyrzykowski, do Observatório Astronômico da Universidade de Varsóvia, na Polônia.
Concepção artística de uma supernova Tipo Ia. Crédito: ESA / ATG medialab / C. Carreau

Outros eventos cósmicos poderosos podem se assemelhar a uma supernova em uma galáxia distante, como explosões causadas por um buraco negro supermassivo no centro da galáxia. No entanto, em Gaia14aaa, a posição do ponto de luz brilhante era ligeiramente deslocada do núcleo da galáxia, sugerindo que era pouco provável que fosse relacionado a um buraco negro central. Assim, os astrônomos analisaram mais informações. Além de gravar a posição e o brilho das estrelas e galáxias, o telescópio também divide a sua luz para criar um espectro. Na verdade, Gaia usa dois prismas que abrangem regiões de comprimento de onda vermelha e azul para produzir um espectro de baixa resolução, permitindo aos astrônomos buscar assinaturas dos vários elementos químicos presentes na fonte dessa luz. No espectro dessa fonte, já podíamos ver a presença de ferro e outros elementos que são conhecidos por serem encontrados em supernovas”, diz Nadejda Blagorodnova, aluna de doutorado no Instituto de Astronomia de Cambridge.

Outro fator importante é que a parte azul do espectro aparecia muito mais brilhante do que a vermelha, característica que não apenas é encontrada neste tipo de fenômeno, mas numa variação bem específica dele. Os astrônomos já suspeitavam que poderia ser uma supernova Tipo Ia: a explosão de uma anã branca presa em um sistema binário com uma estrela companheira. Embora outros tipos de supernovas sejam os óbitos explosivos de estrelas muito mais massivas que o sol, as supernovas Tipo Ia são o produto final de suas contraparte menos maciças.

Para confirmar a natureza desta supernova, os astrônomos complementaram os dados Gaia com mais observações feitas a partir do solo, usando o telescópio Isaac Newton (INT) e o telescópio robótico Liverpool, em La Palma, nas Ilhas Canárias, Espanha. Em poucos meses, Gaia deve estar pronto para descobrir aproximadamente três novas supernovas a cada dia. Além delas, o “cartógrafo da galáxia” deve encontrar milhares de fontes transientes de outros tipos como explosões estelares menores, labaredas de estrelas jovens que vêm à vida, explosões causadas por buracos negros que perturbam e devoram uma estrela próxima, e, possivelmente, alguns fenômenos totalmente novos.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O que é pior: a Terra ser atingida por um cometa ou por um asteroide?

Pois é, a verdade é que nós — apenas reles mortais — somos meros reféns de várias ameaças que estão por aí, orbitando o Planeta Azul. Podem ser asteroides, cometas, explosões solares, buracos negros, colisões com outros planetas, não importa: muita gente fica com medo só de pensar na hipótese de que um desses perigos pode acontecer a qualquer momento. As megaproduções de Hollywood (Armagedom, Impacto Profundo, O Dia Depois de Amanhã, 2012, entre outras) sempre nos fizeram acreditar que um asteroide gigante é a maior ameaça para destruir a Terra, aniquilando todos os habitantes de nosso planeta, não é verdade? Mas eles nos enganaram!Os especialistas de plantão afirmam: o impacto de um cometa poderia ser muito mais devastador do que uma colisão com um asteroide.

Por quê?

Os asteroides próximos à Terra — conhecidos como Near-Earth Asteroids ou NEA em inglês — têm órbitas bem parecidas com a do Planeta Azul, e suas colisões tendem a golpear a Terra por trás ou de lado, pela lateral. Já os cometas são mais “hippies”: viajam ao redor do Sol em caminhos mais livres — sem uma rota definida —, e por isso a chance de um deles se chocar de frente com o nosso planeta são muito mais catastróficas, fazendo com que a vida humana se tornasse coisa rara por aqui —apenas alguns vermes iriam sobreviver. Além disso, existe outro fator muito importante: a velocidade. No momento do impacto, os cometas podem viajar até três vezes mais rápidos do que os asteroides. Só para você ter ideia, isso significa que um cometa poderia gerar um poder de destruição nove vezes maior do que um asteroide da mesma massa.

Existe algum método de prevenção?

Se fosse uma rocha gigante, até que uma explosão com bombas — como no filme Armagedom — poderia resolver boa parte do impacto, não causando a nossa extinção por completo. Contudo, é muito mais complicado detectar um cometa se aproximando do nosso planeta do que detectar um asteroide próximo. Com a palavra, Bill Ailor (principal engenheiro do Centro de Estudos de Reentrada de Fragmentos Orbitais da Aerospace Corporation): “Eles vêm muito rápido. Em alguns casos, as pessoas acreditam que podemos ter um aviso por volta de dois anos antes de um impacto, e isso na melhor das hipóteses”. Pode até passar pela sua cachola que dois anos podem parecer muito, mas não é: os cientistas e engenheiros precisam de mais tempo para tentar colocar a Terra fora de uma rota de colisão desse tipo. E, só para deixar a brincadeira mais divertida, as órbitas dos cometas são imprevisíveis — não tem como saber exatamente por onde ele vai passar.

Então, por que tanto medo de asteroides?

É simples: os números. Apesar de os cometas serem muito mais devastadores no caso de uma colisão, os asteroides ainda são vistos como a principal ameaça de um impacto apocalíptico com a Terra. De acordo com Mark Boslough — especialista de impactos no laboratório Sandia National, EUA —, a probabilidade de um asteroide se chocar com o Planeta Azul é 100 vezes maior do que de um cometa: “Estou mais preocupado com asteroides do que com cometas, porque há muitos mais asteroides perto da Terra”. Até agora, a NASA já identificou mais de 11 mil asteroides (alguns com quilômetros de diâmetro) e monitora todos eles diariamente.
Fonte: Mega Curioso
Space, Galeria do Meteorito

Medida pela primeira vez a boca de um buraco negro gigante


Um buraco negro é uma região do espaço que concentra muita matéria, ao ponto da gravidade da região não deixar escapar nem mesmo a luz. O local em que a luz não consegue mais sair do buraco negro é chamado de “horizonte de eventos” e é, na prática, uma porta de saída do nosso universo: você passa por ali, e nunca mais vai retornar.

Apesar do horizonte de eventos ser uma superfície imaginária, que é impossível de se observar, astrônomos conseguiram obter imagens da região em torno de um gigantesco buraco negro, no centro de uma galáxia distante, e mediram, pela primeira vez, a órbita estável mais próxima do buraco negro, na qual a matéria pode circular.

O buraco negro supermassivo fotografado é o que está no centro da galáxia M87, a cerca de 50 milhões de anos-luz de distância. Ele é o buraco negro mais massivo conhecido (cerca de 6,8 bilhões de massas solares).O radiotelescópio usado para fazer as imagens foi o Telescópio Horizonte de Eventos, que une 50 discos refletores no Havaí, Arizona e Califórnia. A medida encontrada para a menor órbita possível para a matéria é de aproximadamente 5,5 vezes o tamanho do horizonte de eventos do buraco negro. Isto dá aproximadamente 5 vezes o tamanho do sistema solar, ou 112,2 bilhões de quilômetros (750 vezes a distância da Terra ao Sol).

As observações feitas com o novo telescópio permitiram aos pesquisadores confirmar que a massa espiralando em torno do buraco negro é a fonte do poderoso jato luminoso visto irradiando da galáxia. Até recentemente, não haviam telescópios com poder de resolução suficiente para verificar esta hipótese. Além disso, as medidas obtidas também servem como confirmação da teoria da gravitação de Einstein. De acordo com a teoria de Einstein, a massa e rotação de um buraco negro determinam o quão perto a matéria pode orbitar o mesmo antes de se tornar instável e cair em direção ao horizonte de eventos.
Fonte: HypeScience.com
[LiveScience, Space.com, MIT, Science]

4 teorias sobre planetas hipotéticos que já fizeram parte do Sistema Solar

Muito tempo antes que a ciência declarasse que Plutão não passa de um planeta anão e determinasse oficialmente que o nosso Sistema Solar é composto por oito integrantes, vários corpos hipotéticos foram propostos para explicar discrepâncias orbitais e outras peculiaridades. Mas não pense que todas essas teorias eram absurdas. Algumas das ideias são bem interessantes e, em sua época, chegaram a fazer muito sentido. O pessoal do site Cracked reuniu algumas teorias sobre planetas hipotéticos em um interessante artigo, e nós aqui do Mega Curioso selecionamos quatro para você conferir:

1 – Vulcano

Fonte da imagem: Reprodução/NASA

A existência deste planeta hipotético foi proposta no século 19 por Urbain Le Verrier para explicar algumas bizarrices observadas na órbita de Mercúrio. O cientista se baseou em uma teoria apresentada por ele mesmo, na qual ele concluiu corretamente que a órbita irregular de Urano era provocada pela força gravitacional de algum planeta desconhecido — neste caso, Netuno —, a mesma ideia foi aplicada novamente para justificar o que acontecia com Mercúrio. Netuno foi descoberto no local que Le Verrier calculou que estaria. Entretanto, no caso de Mercúrio, apesar de alguns cálculos realmente indicarem a presença de “Vulcano” — que foi como o cientista batizou o planeta hipotético — por ali, sua existência nunca foi comprovada. A justificativa da órbita bizarra só foi ser compreendida anos mais tarde, com a Teoria da Relatividade de Einstein.

2 – Faeton

Fonte da imagem: Reprodução/Wikipédia

Outro planeta hipotético que já integrou o nosso Sistema Solar é Faeton. Proposto pelo astrônomo Heinrich Wilhelm Matthäus Olbers em 1802, esse planeta estaria localizado entre as órbitas de Marte e Júpiter, e sua destruição teria dado origem ao cinturão de asteroides que existe por ali. Essa teoria, aliás, fazia muito sentido, pois, de acordo com inúmeros cálculos, realmente deveria ter existido um planeta entre Marte e Júpiter, e a presença do cinturão sugeria que em algum momento ele existiu. Contudo, hoje há um consenso entre os astrônomos de que Faeton nunca poderia ter existido, pois as grandes perturbações gravitacionais exercidas por Júpiter jamais teriam permitido que a matéria se fundisse para formar um planeta.

3 – Antiterra

Fonte da imagem: Reprodução/NASA

Imagine o tamanho do Sol com relação à Terra. Gigantesco, não é mesmo? Agora considere que o nosso planeta, além de girar em torno do próprio eixo, também orbita ao redor do Sol, assim como os demais planetas que compõem o Sistema Solar. A Antiterra — ou Antichton, como foi chamada por Filolau, o filósofo grego que propôs sua existência no século 5 a.C. — era um planeta invisível que apresentava o mesmo comportamento que a Terra, e se interpunha entre o nosso planeta e o Sol permanecendo, portanto, sempre escondido atrás da estrela. Contudo, o que Filolau não considerou é que, se realmente existisse um planeta do outro lado do Sol, seria possível observar e medir sua influência sobre as órbitas de Marte e Vênus. Por outro lado, se a Antiterra fosse pequenina, seria a sua órbita a afetada por esses dois planetas, eventualmente tornando-se visível para nós, os terráqueos.

4 – O Décimo Planeta

Fonte da imagem: Reprodução/NASA

Embora a contagem atual no Sistema Solar seja de oito planetas, por muito tempo Plutão fez parte da lista, sendo considerado como o nono. Aliás, não faz tanto tempo assim, houve um grande debate sobre a existência de um décimo planeta também, localizado mais além de Plutão, e ele não seria o único. Calma... já explicamos. Nem todos os planetas que existem por aí são corpos gigantescos. Muitos são pequeninos e, portanto, difíceis de encontrar. Mas, nos últimos anos, uma enorme quantidade de “décimos” planetas foi descoberta pelos astrônomos e, para não acabarmos com uma lista interminável de integrantes no Sistema Solar, foi necessário que os cientistas reconsiderassem a ideia de planeta. A partir dessa discussão, ficou estabelecido que, para ser considerado “planeta”, o objeto deve estar em órbita ao redor do Sol, ser massivo o suficiente para ter formato esférico e manter o equilíbrio hidrostático a partir da própria gravidade, e ser gravitacionalmente dominante. Assim, segundo a nova definição, Plutão perdeu o título de planeta e o nosso Sistema Solar passou a contar oficialmente com oito planetas.
 Fonte: Mega Curioso

A morte de um buraco negro é uma coisa bem estranha

a morte de um buraco negro

Os buracos negros são, basicamente, o fim da linha para qualquer coisa que fica muito próxima deles. Mas isso não significa que eles mesmos sejam invencíveis. Mas, então, como é a morte de um buraco negro? Na verdade, eles estão sempre em um processo de autodestruição. Realisticamente falando, você está morto logo que chega perto de um buraco negro. Você vai ser esticado como um elástico por causa da diferença na atração gravitacional nas suas metades superior e inferior, ou vai ser frito pela radiação. Ninguém, no futuro próximo vai chegar perto de um buraco negro. Passar o “horizonte de eventos”, a fronteira imaginária do buraco negro (também conhecida como ponto de não retorno), então, não é nem sequer considerado em um futuro longínquo. Quando a matéria vai além desse horizonte, é puxada para dentro do buraco negro com tanta força que não pode escapar. Nem mesmo a luz sai. Já não “conta” mais como parte do universo. O horizonte de eventos é a parte mais assustadora do buraco negro. E é também a razão pela qual cada buraco negro morre. No mundo da mecânica quântica, o universo tem um ás na manga: a Radiação Hawking.

Partículas e antipartículas que surgem do nada

Para algo que contém tanto vazio, o universo é surpreendentemente completo. Os buracos negros não são realmente buracos. São pacotes gigantes de matéria extremamente densa. Até mesmo trechos de espaço vazio não são completamente feitos de nada como parecem. Partículas aparecem e desaparecem dentro deles o tempo todo. Mas por quê?

A explicação começa com algo chamado tunelamento quântico. Partículas já apareceram de repente do outro lado de barreiras que elas não deveriam ser capazes de violar, graças ao princípio da incerteza de Heisenberg. Quanto mais perto de definir a posição de uma partícula, mais descontroladamente a sua quantidade de movimento pode variar. Se sabemos a quantidade de movimento, a sua posição pode variar. Coloque uma partícula perto de uma barreira e, de repente, pode se obter a explosão de quantidade de movimento necessária para atravessar um túnel. Esta explosão do momento é também uma explosão de energia.

E a energia e a matéria são a mesma coisa, de acordo com Einstein. Se a energia pode aparecer de repente, matéria também pode. E quanto mais perto olhamos para o espaço (mais restrita a área que olhamos), mais devemos ver matéria surgindo. Nós não vemos grandes pedaços de matéria aparecendo espontaneamente porque, quando uma partícula é criada, sua antipartícula é criada ao mesmo tempo. Coloque as duas juntas e elas se aniquilam. Claro, às vezes elas se afastam uma da outra e sobrevivem por um tempo, mas isso não acontece muitas vezes. O seu estado temporário extremo levou os cientistas a chamá-las, por vezes, de partículas virtuais.

Radiação de Hawking e a dissolução de buracos negros

A menos que essa criação de duas partículas virtuais aconteça bem no horizonte de eventos de um buraco negro. Se uma partícula e sua antipartícula surgem ali, uma dela é sugada e a outra foge. Agora uma delas é real, e não virtual. A sua presença e energia fazem parte do universo. Radiações reais vazando de um buraco negro significam que ele está encolhendo lentamente. Esta radiação, sugerida por Stephen Hawking e chamada de Radiação Hawking, pode permitir que um buraco negro definhe com o tempo. Quanta diferença partículas individuais podem fazer? O próprio Stephen Hawking acredita que elas fazem tanta diferença que a definição de “buraco negro” precisa mudar. Os buracos negros não têm um horizonte de eventos. Eles têm um “horizonte aparente”.

A borda do buraco negro faz com que os efeitos quânticos sejam selvagens, as partículas virtuais que surgem fazem com que o horizonte aparente flutue, e toda a coisa é uma cintilante bagunça que aumenta e diminui. Quando essa flutuação do horizonte cessa, o buraco negro pode acabar. Mesmo com toda a Radiação Hawking e o horizonte aparente cintilando, seria necessário um longo, longo tempo para um buraco negro desaparecesse. Um buraco negro do tamanho do nosso sol leva muitos milhares de milhões de vezes a idade atual do universo para desaparecer completamente. É coisa pouca, mas ainda assim é uma brecha na armadura. Os buracos negros não são eternos.
Fonte: HypeScience.com

Está escolhido o local de atwrragem do PHILAE

O Philae vai aterrar no Local J, a região no centro da imagem, maracada pela cruz. Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA

O "lander" Philae da Rosetta terá como alvo o Local J, uma região fascinante do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko que oferece um potencial científico único, com pistas de actividade nas proximidades e risco mínimo para o "lander" em comparação com outros locais candidatos. O Local J está na "cabeça" do cometa, um mundo de forma irregular com pouco mais de 4 km de comprimento. A decisão de escolher o Local J como o local primário foi unânime. O local secundário, Local C, está situado no "corpo" do cometa. O Philae, com 100 kg, tem pouso planeado à superfície no dia 11 de Novembro, onde irá realizar medições detalhadas para caracterizar o núcleo "in situ" de uma maneira totalmente inédita.

Mas a escolha do local de pouso adequado não foi uma tarefa fácil.

"Como vimos a partir de imagens recentes, o cometa é um mundo maravilhoso mas dramático - é cientificamente interessante, mas a sua forma faz com que seja operacionalmente complicado," afirma Stephan Ulamec, da equipa do Philae no Centro Aeroespacial DLR alemão. Nenhum dos locais candidatos cumpria todos os critérios operacionais a 100%, mas o Local J é claramente a melhor solução. "Vamos fazer a primeira análise 'in situ' de um cometa neste local, dando-nos uma visão sem precedentes da composição, estrutura e evolução," comenta Jean-Pierre Bibring, cientista do "lander" e investigador principal do instrumento CIVA e do IAS (Institut d'Astrophysique Spatiale) em Orsay, França.

"O Local J, em particular, oferece-nos a oportunidade de analisar material pristino, de caracterizar as propriedades do núcleo e de estudar os processos que alimentam a sua actividade. A corrida para encontrar um local de aterragem só pôde começar quando a Rosetta chegou ao cometa no dia 6 de Agosto, quando foi visível de perto pela primeira vez. No dia 24 de Agosto, usando dados recolhidos quando a Rosetta estava ainda a 100 km do cometa, foram escolhidas cinco regiões candidatas para posterior análise. Desde aí, a sonda moveu-se até 30 km do cometa, proporcionando medições científicas mais detalhadas dos locais candidatos. Em paralelo, as equipas de operação e de dinâmica de voo têm vindo a explorar opções para a aterragem do "lander" em todos os cinco candidatos.

Imagem que mostra a posição do local de aterragem primário para o "lander" Philae da sonda Rosetta.  Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipe OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA

Durante o fim-de-semana, os engenheiros e cientistas encarregues de tomar a decisão reuniram-se para escolher o local primário e o secundário. Tiveram de ser considerados um certo número de aspectos críticos, entre eles a identificação de uma trajectória segura para a aterragem do Philae e a densidade de perigos visíveis na zona de aterragem. Uma vez na superfície, outros factores entram em jogo, entre eles o número de horas diurnas e nocturnas e a frequência de passagens para comunicação com a sonda.A descida para o cometa é passiva e só é possível prever que o ponto de pouso será dentro de uma "elipse de aterragem", normalmente com algumas centenas de metros de tamanho.

Para cada local candidato, foi avaliada uma área com 1 quilómetro quadrado. No Local J, a maioria das encostas tem menos de 30º relativamente ao chão local, reduzindo a probabilidade do Philae tombar durante a aterragem. O Local J também parece ter relativamente poucos pedregulhos, e recebe iluminação diária suficiente para recarregar o Philae e continuar as operações científicas à superfície para lá da fase inicial alimentada a bateria. A avaliação provisória da trajectória até ao Local J descobriu que o tempo de descida do Philae, até à superfície, ronda as sete horas, um espaço de tempo que não compromete as observações do cometa através da utilização da bateria durante esta fase.

Tanto o Local B como o C foram considerados para locais secundários, mas o C foi o escolhido devido a um maior perfil de iluminação e menos rochas. Os Locais A e I pareciam atraentes durante a primeira ronda da discussão, mas foram eliminados durante a segunda ronda pois não satisfaziam uma série de critérios-chave. Uma linha temporal adicional será agora preparada para determinar a trajectória de aproximação da Rosetta com precisão a fim de entregar o Philae ao Local J. A aterragem deve ocorrer antes de meados de Novembro, antes que o cometa aumente consideravelmente de actividade à medida que se aproxima do Sol. Não há tempo a perder, mas agora que estamos mais perto do cometa, as operações científicas e de mapeamento vão ajudar a melhorar a análise dos locais primário e secundário," afirma Andrea Accomazzo, directora de voo da Rosetta.

Imagem contextual do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko com os cincos candidatos a local de aterragem para o "lander" Philae da Rosetta. O Local C é o local secundário.  Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS PS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA

"É claro que não podemos prever a actividade do cometa até à aterragem, e durante o próprio dia do pouso. Um aumento repentino na actividade pode afectar a posição orbital da Rosetta e, por sua vez, o local exacto onde o Philae vai pousar, e é isso que torna esta operação muito arriscada. Uma vez livre da Rosetta, a descida do Philae vai ser autónoma. Os comandos terão que ser preparados pelo Centro de Controlo e enviados pelo controle da missão antes da separação. Durante a descida, serão obtidas imagens e outras medições do ambiente do cometa. Quando o Philae tocar o chão, a uma velocidade equivalente ao andar de um ser humano, usará arpões e parafusos para se prender à superfície. Fará então uma imagem panorâmica de 360º do local de aterragem para ajudar a determinar onde e em que orientação pousou.

A fase científica inicial começará depois com outros instrumentos que vão analisar o plasma, ambiente magnético e a temperatura à superfície e subsuperfície. O Philae vai também perfurar e recolher amostras, entregando-as a um laboratório no seu interior para análise. A estrutura interior do cometa também será explorada através do envio de ondas de rádio até à Rosetta. "Nunca ninguém tentou pousar antes num cometa, por isso é um verdadeiro desafio," afirma Fred Jansen, gestor da missão Rosetta da ESA. "A complicada estrutura 'dupla' do cometa tem um impacto considerável nos riscos globais relacionados com a aterragem, mas são riscos que valem a pena enfrentar pela hipótese de fazer a primeira aterragem controlada num cometa."

A data de aterragem deverá ser confirmada no dia 26 de Setembro, depois de uma análise mais aprofundada da trajectória e o "Go/No Go" final do pouso no local primário será antecedido de uma abrangente revisão de prontidão no dia 14 de Outubro.
Fonte: Astronomia OnLine - Portugal

M27: A Nebulosa do Haltere

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A primeira pista sobre o que o Sol se tornaria foi descoberta inadvertidamente em 1764. Naquela época, Charles Messier estava compilando uma lista de objetos difusos para não serem confundidos com cometas. O vigésimo sétimo objeto na lista de Messier, agora conhecido como M27 ou Nebulosa do Haltere, é uma nebulosa planetária, o tipo de nebulosa que o nosso Sol produzirá quando a sua fusão nuclear se encerrar em seu núcleo. A M27 é uma das nebulosas planetárias mais brilhantes do céu, e pode ser vista na direção da constelação da Raposa (Vulpecula) com binóculos. Sua luz leva cerca de 1000 anos para chegar até nós. A imagem acima mostra a M27 em cores representativas das emissões de hidrogênio e oxigênio. O entendimento sobre a física e o significado da M27 estava bem além da ciência do século 18. Mesmo hoje, muitas coisas ainda se mantêm misteriosas sobre as nebulosas planetárias bipolares, como a M27, incluindo o mecanismo físico que expele o envelope externo gasoso de uma estrela de pouca massa, deixando para trás uma estrela anã branca que é quente com relação à emissão de raios-X.

Buraco negro gigantesco cria bolha de partículas



Quando se fala em “buraco negro”, normalmente imaginamos uma espécie de “aspirador de matéria”, do qual nem mesmo a luz escapa. Contudo, alguns não apenas absorvem partículas, mas as expelem – e os feixes chegam perto de atingir a velocidade da luz. Quando desaceleram, criam uma espécie de “bolha” que, apesar do tamanho, é invisível para telescópios convencionais. Assim, usando um equipamento capaz de capturar imagens a partir de ondas de rádio de baixa frequência, o Telescópio Internacional LOFAR, uma equipe de astrônomos de vários países conseguiu registrar o fenômeno. “O resultado é de grande importância”, destaca Francesco de Gasperin, um dos autores do estudo. “Ele mostra o enorme potencial do LOFAR e traz fortes evidências do vínculo entre buracos negros, galáxias e seus arredores”.


Bolha espacial

Durante o teste do LOFAR, os astrônomos observaram o centro da galáxia Messier 87 (que é 2 mil vezes mais massiva do que a nossa), onde está um dos maiores buracos negros já descobertos, cuja massa é 6 bilhões de vezes maior que a do sol. Em poucos minutos, o buraco absorve uma quantidade de matéria equivalente à da Terra, converte parte dela em radiação e expele grande parte em altíssima velocidade – emitindo ondas de rádio. Em comparação com o resto do universo, a bolha é especialmente “nova”: tem “apenas” 40 milhões de anos. Além disso, o que vemos com a ajuda do LOFAR não é apenas um registro de uma atividade que ocorreu há muito tempo, pois a bolha recebe constantemente novas partículas expelidas pelo buraco negro. “O que é mais fascinante é que esse resultado dá pistas sobre a violenta conversão matéria-energia que ocorre muito perto do buraco negro”, destaca a pesquisadora Andrea Merloni. “Nesse caso, o buraco negro é particularmente eficiente em acelerar o jato [de matéria], e muito menos efetivo em produzir emissões visíveis”.
Fonte: ScienceDaily

Via Láctea acima da lagoa Salgada no deserto de Atacama no Chile

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Crédito de imagem e direitos autorais: Alex Tudorică (AIFA, U. Bonn)

Galáxias, estrelas e uma serena piscina refletindo toda a cena, criam essa memorável imagem mostrada acima. A imagem na verdade é um panorama resultante de um mosaico que integra 12 imagens feitas no mês de Agosto de 2014 desde o Salar de Atacama, um planalto de sal no norte do Chile. A água calma é a Laguna Cejar, uma lagoa salgada que apresenta um grande buraco na sua região central. Na parte esquerda da imagem, a noiva do astrofotógrafo é vista capturando a mesma cena fotogênica. O céu noturno é iluminado com inúmeras estrelas, a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães, as galáxias satélites da Via Láctea se apresentam à esquerda da banda brilhante da nossa galáxia, que cruza a imagem diagonalmente para a direita. A Via Láctea pode parecer incendiando o horizonte, mas essas luzes são de cidades próximas dessa região.