31 de outubro de 2017

NASA projeta robô para pousar em Plutão

A imagem mostra a linha de tempo de entrada em Plutão: (1) Aproximação em velocidade interplanetária de aproximadamente 50.000 km/h (14 km/s); (2) lançamento do desacelerador; (3) entrada e descida através da atmosfera; (4) separação, giro e pouso; e (6) saltos para exploração superficial.[Imagem: L. Calçada (ESO)/GAC]

Arrasto aerodinâmico

Contratada pela NASA, a empresa GAC (Global Aerospace Corporation) desenvolveu o conceito de uma sonda espacial para pousar em Plutão. Se antes ir a Plutão era uma curiosidade científica - todos os planetas já haviam sido visitados -, agora essa curiosidade aumentou muito com os resultados obtidos pela sonda New Horizons, que mostrou um planeta-anão extremamente rico em formações geológicas e com estruturas que ainda estão fazendo os cientistas coçarem a cabeça em busca de hipóteses para explicá-las.

Ao contrário da New Horizons, que apenas passou chispando por Plutão, a ideia é desacelerar usando o atrito com a fina atmosfera de Plutão e então pousar suavemente.

"A pressão [atmosférica] na superfície de Plutão é apenas 10 milionésimos a da Terra, mas sua atmosfera é extremamente espalhada, estendendo-se por 1.600 km acima da superfície," explicou o professor Benjamin Goldman, idealizador do projeto. "Essa atmosfera estendida e de densidade ultrabaixa é ideal para dissipar grandes quantidades de energia cinética por meio do arrasto aerodinâmico, mas a chave é fazer a área de arrasto muito grande, ao mesmo tempo mantendo o peso do sistema no mínimo."

Ou seja, a sonda não precisará apenas ser leve - ela deverá ser enorme, com uma área superficial equivalente a um campo de futebol. Essa área será fornecida pelo desacelerador, que irá se abrir na aproximação final ao planeta anão.

Robô saltador

Depois de pousar, o veículo passará para um "modo salto", tirando proveito da baixa força gravitacional do planeta anão. Esses saltos gastarão pouco combustível, tornando essa uma alternativa mais interessante do que um sistema de rodas e motores elétricos, que teriam que ser alimentados por fonte nuclear, já que Plutão está distante demais do Sol para usar painéis solares. Cada disparo do foguete deverá levar a sonda a centenas ou mesmo milhares de quilômetros de distância, o que permitirá estudar várias formações geológicas.

Se a tecnologia for aprovada pelo Escritório de Estudos Avançados da NASA, o próximo passo consistirá no desenvolvimento de um protótipo em pequena escala, a ser lançado da Estação Espacial Internacional como um cubesat. Na hipótese mais otimista, a missão poderia estar pronta para ir a Plutão em 12 anos.
Fonte: Inovação Tecnológica


Cientistas detectam cometas fora do nosso sistema solar

Impressão de artista de um exocometa no sistema KIC 3542116.Crédito: Danielle Futselaar

Cientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e outras instituições, trabalhando em estreita colaboração com astrónomos amadores, avistaram as caudas poeirentas de seis exocometas - cometas para lá do nosso Sistema Solar - em órbita de uma ténue estrela a 800 anos-luz da Terra. Estas bolas cósmicas de gelo e poeira, que eram do tamanho do Cometa Halley e viajavam a cerca de 160 mil quilómetros por hora antes de se vaporizarem, são alguns dos objetos mais pequenos já encontrados fora do nosso próprio Sistema Solar. 

A descoberta marca a primeira vez que um objeto tão pequeno quanto um cometa foi detetado usando fotometria de trânsito, uma técnica na qual os astrónomos observam a luz de uma estrela à procura de indicadoras quedas de intensidade. Estas diminuições assinalam trânsitos potenciais, passagens de planetas ou outros objetos em frente de uma estrela, que bloqueiam momentaneamente uma pequena fração da sua luz. 

No caso desta nova deteção, os investigadores foram capazes de discernir a cauda do cometa, ou cauda de gás e poeira, que bloqueou cerca de um-décimo de 1% da luz enquanto este transitava a sua estrela hospedeira. É incrível que algo muito mais pequeno que a Terra possa ser detetado apenas pelo facto de que está a emitir muitos destroços," comenta Saul Rappaport, professor emérito de física no Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT. "É bastante impressionante poder ver algo tão pequeno e tão distante." 

Rappaport e a sua equipa publicaram os seus resultados a semana passada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Os coautores são Andrew Vanderburg do Centro Harvard-Smithosnian para Astrofísica; vários astrónomos amadores, entre eles Thomas Jacobs de Bellevue, Washington; e investigadores da Universidade do Texas em Austin, do Centro de Pesquisa Ames da NASA e da Universidade de Northeastern.

"Onde poucos viajaram"

A deteção foi feita usando dados do Telescópio Espacial Kepler da NASA, um observatório estelar lançado para o espaço em 2009. Durante quatro anos, monitorizou cerca de 200.000 estrelas à procura de diminuições na luz estelar provocadas pelo trânsito de exoplanetas. Até à data, a missão identificou e confirmou mais de 2400 exoplanetas, a maioria em órbita de estrelas na direção da constelação de Cisne, com a ajuda de algoritmos automatizados que examinam rapidamente os dados do Kepler, procurando as características quedas na luz estelar.

Os exoplanetas mais pequenos detetados até agora medem cerca de um-terço do tamanho da Terra. Os cometas, em comparação, têm apenas o tamanho de alguns campos de futebol, ou o tamanho de uma pequena cidade, tornando-os incrivelmente difíceis de avistar. No entanto, no dia 18 de março, Jacobs, um astrónomo amador cujo passatempo é vascular dados do Kepler, foi capaz de discernir vários curiosos padrões de luz entre o ruído. Jacobs, que trabalha como consultor de emprego para pessoas com deficiências intelectuais, é membro do Planet Hunters - um projeto de cientistas-cidadãos estabelecido pela Universidade de Yale para alistar astrónomos amadores na busca por exoplanetas. Os membros receberam acesso aos dados do Kepler na esperança que possam avistar algo de interesse que um computador pode não notar.

Em janeiro, Jacobs começou a analisar os quatro anos inteiros dos dados do Kepler, obtidos durante a sua missão principal, que inclui mais de 200.000 estrelas, cada com curvas individuais de luz, ou gráficos de intensidade de luz ao longo do tempo. Jacobs passou cinco meses a estudar os dados a olho, muitas vezes antes e depois do trabalho, e durante os fins-de-semana.  A procura de objetos de interesse nos dados do Kepler requer paciência, persistência e perseverança," diz Jacobs. "Para mim, é uma forma de caça ao tesouro, sabendo que há um evento interessante à espera de ser descoberto. É tudo sobre exploração e estar à caça, onde poucos viajaram antes."

"Algo que vimos antes"

O objetivo de Jacobs era procurar algo fora do comum que os algoritmos de computador pudessem não ter notado. Em particular, procurava trânsitos únicos - mergulhos na luz estelar que aconteceram apenas uma vez, o que significa que não eram periódicos como planetas que orbitam uma estrela várias vezes. 
Na sua pesquisa, avistou três trânsitos únicos em redor de KIC 3542116, uma estrela fraca localizada a 800 anos-luz da Terra (os outros três trânsitos foram mais tarde descobertos pela equipa). Ele marcou os eventos e alertou Rappaport e Vanderburg, com quem colaborou no passado para interpretar as suas descobertas. 

"Nós deliberámos durante um mês, porque não sabíamos o que era - os trânsitos planetários são diferentes," lembra Rappaport. "Então ocorreu-me, 'Estes trânsitos parecem-se com algo que já vimos antes.'" 
Num típico trânsito planetário, a curva de luz resultante assemelha-se a um "U", com uma queda acentuada, e posteriormente um aumento igualmente acentuado, como resultado do bloqueio da luz da estrela pelo planeta. No entanto, as curvas de luz que Jacobs identificou pareciam assimétricas, com um mergulho acentuado, seguido por um aumento mais gradual.

Rappaport apercebeu-se que a assimetria nas curvas de luz pareciam-se com planetas desintegrantes, com longas caudas de detritos que continuariam a bloquear parte da luz à medida que o planeta se afastava da estrela. No entanto, tais planetas desintegrantes orbitam a sua estrela, fazendo trânsitos repetidos. Em contraste, Jacobs não observou esse padrão periódico nos trânsitos que identificou.
"Nós pensámos, o único tipo de corpo que poderia fazer o mesmo e não repetir é aquele que provavelmente é destruído no final," realça Rappaport.  Por outras palavras, ao invés de orbitar em torno da estrela, os objetos devem ter transitado e, no final, "voado" demasiado perto da estrela, sendo vaporizados. O único tipo de objeto que se adapta, e tem uma massa suficientemente pequena para ser destruído, é um cometa," salienta Rappaport.

Os investigadores calcularam que cada cometa bloqueou cerca de um-décimo de 1% da luz estelar. Para fazer isto vários meses antes de desaparecer, o cometa provavelmente desintegrou-se completamente, criando um rasto de poeira espesso o suficiente para bloquear essa quantidade de luz estelar. Vanderburg diz que o facto destes seis exocometas parecerem ter transitado muito perto da sua estrela nos últimos quatro anos levanta algumas questões intrigantes, cujas respostas podem revelar algumas verdades sobre o nosso próprio Sistema Solar.  
"Porque existem tantos cometas nas regiões interiores destes sistemas solares?" pergunta Vanderburg. "Será uma era extrema de bombardeamento? Esta foi uma parte realmente importante da formação do nosso próprio Sistema Solar e pode ter trazido água à Terra. Talvez o estudo dos exocometas e a descoberta da razão porque podem ser encontrados em redor deste tipo de estrelas... nos possam dar informações sobre como os bombardeamentos ocorrem nos outros sistemas solares."

Os investigadores dizem que, no futuro, a missão TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) vai continuar o tipo de pesquisa feita pelo Kepler. Além de contribuir para os campos da astrofísica e da astronomia, explica Rappaport, a nova deteção mostra a perseverança e discernimento dos cientistas-cidadãos.  

"Eu podia dizer 10 tipos de coisas que eles descobriram nos dados do Kepler que os algoritmos não conseguiram encontrar, devido à capacidade de reconhecimento de padrões no olho humano," comenta Rappaport. "Podíamos agora desenvolver um algoritmo de computador para encontrar este tipo de forma cometária. Mas não foram avistados em buscas anteriores. Eram suficientemente detalhados, mas não tinham a forma certa programada nos algoritmos. Eu acho justo dizer que nunca teriam sido encontrados por qualquer algoritmo."
Fonte: ASTRONOMIA ONLINE

Detectando água no espaço e por que isso importa

Água no espaço

Das nuvens aos rios, das geleiras aos oceanos, a água está em todos os lugares na Terra. O que não sabemos tão bem é qual é a abundância da molécula H2O no espaço. Ao contrário do que acontece na Terra, a maior parte da água no espaço toma a forma de vapor ou forma camadas de gelo presas nos grãos da poeira interestelar. Isso ocorre porque a densidade extremamente baixa do espaço interestelar - que é trilhões de vezes menor do que a do ar - impede a formação de água líquida.

Mas não se trata apenas de encontrar água para indicação da presença de vida. A água pode clarear áreas que não podem ser vistas diretamente. O nascimento das formações estelares pode nos dizer sobre como o Universo se comporta. Mas, como a única maneira de estudar esse processo de formação estelar em seus ambientes obscurecidos pela poeira é através da luz infravermelha, é de vital importância detectar transições da água que sejam capazes de detectar essa luz.

Transições da água

As moléculas de água apresentam níveis de energia quântica flutuantes. Essa atividade nos permite observá-las e é conhecida como transição da água. O termo refere-se ao melhor ponto para a observação científica, que é o comprimento de onda exato em que as moléculas de água passam de um estado quântico para outro, emitindo luz e aumentando sua visibilidade durante o processo.

A maioria dessas transições não é muito energética, de forma que elas aparecem nas faixas do infravermelho distante e sub-milímetro do espectro eletromagnético, com minúsculos comprimentos de onda, variando de 50 a 1.000 micrômetros (1 mm). Observar essas transições da água a partir do solo é muito difícil porque o espesso vapor na atmosfera da Terra bloqueia quase completamente suas emissões.

Felizmente, melhorias na tecnologia e o desenvolvimento de supertelescópios oferecem um portal cada vez maior para o Universo. Agora já conseguimos detectar as transições da água de um modo que simplesmente não poderíamos fazer antes. Elas são melhor vistas a partir de observatórios situados em altitude elevada, em locais extremamente secos. É o caso do telescópio ALMA, que está localizado no deserto de Atacama (Chile) a 5.000 m acima do nível do mar.

Transição da água especial

Em nosso último estudo, nós utilizamos o ALMA e detectamos a transição de água (670 micrômetros) no espaço pela primeira vez. As moléculas foram vistas em uma galáxia espiral próxima (160 milhões de anos-luz de distância) em um ponto onde o Universo está amplamente expandido, e a atmosfera é, portanto, mais transparente (deslocamento para o vermelho de 676 micrômetros).

A emissão de vapor de água nessa galáxia origina-se em sua parte central, no seu núcleo, onde ocorre a maioria da formação de estrelas. Para se ter uma ideia da magnitude dessa galáxia, seu núcleo contém uma quantidade de água equivalente a 30 trilhões de vezes a água de todos os oceanos da Terra, em um diâmetro de 15 milhões de vezes a distância da Terra ao Sol.

Mas o que diferencia essa transição da água de outras observadas no passado?

Nossa análise revelou que essas moléculas de água intensificam sua taxa de emissão quando entram em contato com fótons de luz infravermelha. Esse aumento de atividade torna mais fácil observá-las. As moléculas de água são atraídas principalmente por fótons com comprimentos de onda específicos de 79 e 132 micrômetros, que, quando absorvidos, fortalecem o contorno da transição, aumentando assim sua visibilidade. Por esta razão, esta transição específica da água tem a capacidade de nos mostrar a intensidade da luz infravermelha no núcleo das galáxias, em escalas espaciais muito menores do que as permitidas por observações diretas de infravermelho.

Evolução das galáxias

A luz infravermelha é produzida durante eventos como o crescimento de buracos negros supermassivos ou rajadas extremas de formação de estrelas. Esses eventos geralmente ocorrem em ambientes extremamente obscurecidos por poeira, onde a luz visível é quase completamente absorvida pelos grãos de pó. A energia absorvida por esses grãos aumenta a temperatura e eles começam a emitir radiação térmica no infravermelho.

Capturar esses eventos pode nos dizer muito sobre o comportamento do Universo, de modo que a detecção de transições da água que podem capturar essa luz infravermelha é vital. 
Indo adiante, planejamos observar essa transição de água em mais galáxias, onde o pó bloqueia toda a luz óptica. Isso revelará o que se esconde por trás dessas cortinas de poeira e nos ajudará a entender como as galáxias evoluem de espirais formadoras de estrelas, como a Via Láctea, para galáxias elípticas mortas, onde nenhuma nova estrela é formada.
Fonte: Inovação Tecnológica

Matéria escura em um universo simulado

Será que o nosso universo é um lugar assombrado? Pode parecer que sim se você olhar para esse mapa, que é uma representação da distribuição da matéria escura no universo. A gravidade da matéria escura é a principal explicação de porque as galáxias giram tão rápido, porque as galáxias orbitam dentro dos aglomerados tão rápidas, porque as lentes gravitacionais defletem tão intensamente a luz e porque a matéria visível é distribuída como é tanto no universo local como na radiação cósmica micro-ondas de fundo. A imagem acima é do Sapce show Dark Universe que acontece no Hayden Planetarium do American Museum of Natural History e destaca um exemplo de quão penetrante a matéria escura pode ser e pode assombrar o universo. 

Essa imagem na verdade é um frame de uma simulação computacional, que mostra os complexos filamentos de matéria escura, mostrados em preto, espalhados sobre o universo como se fossem teia de aranha, enquanto que aglomerações relativamente raras de matéria bariônica familiar são coloridas de laranja. Essas simulações têm um bom ajuste estatístico com as observações astronômicas. Numa mudança de eventos talvez mais assustadora ainda, a matéria escura, embora seja muito estranha, não é considerada como sendo a fonte de gravidade mais estranha do universo. Essa honra agora pertence à chamada energia escura, uma fonte mais uniforme de gravidade repulsiva que parece dominar a expansão do universo.

DAWN encontra possíveis restos de um antigo oceano em CERES

Esta animação mostra o planeta anão Ceres, visto pela sonda Dawn da NASA. O mapa sobreposto à direita dá aos cientistas pistas sobre a estrutura interna de Ceres, graças a medições de gravidade.Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

Ceres está repleto de minerais que contêm água, sugerindo que o planeta anão poderá ter tido um oceano global no passado. O que aconteceu a esse oceano? Será que Ceres ainda tem água líquida hoje? Dois novos estudos da missão Dawn da NASA lançaram luz sobre estas questões.

A equipe da Dawn descobriu que a crosta de Ceres é uma mistura de gelo, sais e materiais hidratados que foram submetidos a atividades geológicas passadas e possivelmente recentes, e que essa crosta representa a maior parte desse antigo oceano. O segundo estudo baseia-se no primeiro e sugere que existe uma camada mais macia e facilmente deformável sob a crosta da superfície rígida de Ceres, que também pode ser a assinatura do líquido residual do oceano.

"Mais e mais, estamos a aprender que Ceres é um mundo dinâmico e complexo que pode ter hospedado muita água líquida no passado, e ainda pode ter alguma água subterrânea," comenta Julie Castillo-Rogez, cientista do projeto Dawn e coautora dos estudos, no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia.

Como é o interior de Ceres? A gravidade pode-nos dizer

Aterrar em Ceres para investigar o seu interior seria um desafio técnico e arriscaria contaminar o planeta anão. Em vez disso, os cientistas usam as observações orbitais da Dawn para medir a gravidade de Ceres, a fim de estimar a sua composição e estrutura interior.

O primeiro dos dois estudos, liderado por Anton Ermakov, investigador pós-doutorado no JPL, usou medições da forma e dados de gravidade da missão Dawn para determinar a estrutura interna e composição de Ceres. As medições foram obtidas pela observação dos movimentos da nave com a DSN (Deep Space Network) da NASA para rastrear pequenas mudanças na órbita da sonda. Este estudo foi publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets.

A investigação de Ermakov e colegas apoia a possibilidade de que Ceres é geologicamente ativo - se não atualmente, então talvez tenha sido no passado recente. Três crateras - Occator, Kerwan e Yalod - e a solitária montanha de Ceres, Ahuna Mons, estão associadas com "anomalias gravitacionais". Isto significa que as discrepâncias entre os modelos da gravidade de Ceres feitos pelos cientistas e o que a Dawn observou nestes quatro locais podem ser associadas com estruturas subterrâneas.

"Ceres tem uma abundância de anomalias gravitacionais associadas com características geológicas excecionais," comenta Ermakov. Nos casos de Ahuna Mons e Occator, as anomalias podem ser usadas para melhor entender a origem destas características, que se pensa serem expressões diferentes de criovulcanismo.

O estudo descobriu que a densidade da crosta é relativamente baixa, mais próxima da do gelo do que das rochas. No entanto, um estudo pelo investigador convidado da Dawn, Michael Bland do USGS (U.S. Geological Survey), indicou que o gelo é demasiado suave para ser o componente dominante da crosta forte de Ceres. Então, como pode a crosta de Ceres ser tão leve quanto o gelo em termos de densidade, mas simultaneamente muito mais forte? Para responder a esta questão, outra equipa modelou como a superfície de Ceres evoluiu com o tempo.

Um Oceano "Fóssil" em Ceres

O segundo estudo, liderado por Roger Fu da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, investigou a força e composição da crosta de Ceres e o interior mais profundo ao estudar a topografia do planeta anão. Este estudo foi publicado na revista Earth and Planetary Science Letters.

Ao estudar como a topografia evoluiu num corpo planetário, os cientistas podem entender a composição do seu interior. Uma crosta forte e dominada por rocha pode permanecer inalterada ao longo dos 4,5 mil milhões de anos do Sistema Solar, enquanto uma crosta fraca, rica em gelos e sais, deformar-se-ia ao longo desse período.

Ao modelar a forma como a crosta de Ceres flui, Fu e colegas descobriram que é provavelmente uma mistura de gelo, sais, rocha e um componente adicional que se pensa ser hidrato de clatrato. Um hidrato de clatrato é uma "jaula" de moléculas de água que rodeiam uma molécula de gás. Esta estrutura é 100 a 1000 vezes mais forte do que a água gelada, apesar de ter quase a mesma densidade.

Os cientistas pensam que Ceres já teve características de superfície mais pronunciadas, mas que suavizaram com o passar do tempo. Este tipo de achatamento de montanhas e vales requer uma crosta de alta resistência descansando por cima de uma camada mais deformável, que Fu e colegas interpretam conter um pouco de líquido.

A equipa pensa que a maior parte do oceano antigo de Ceres está agora congelado e preso na crosta sob a forma de gelo, hidratos de clatrato e sais. Assim permanece há mais de 4 mil milhões de anos. Mas a existir líquido residual por baixo, esse oceano ainda não está completamente congelado. Isso é consistente com os vários modelos de evolução térmica de Ceres publicados antes da chegada da Dawn, apoiando a ideia de que o interior mais profundo de Ceres contém o líquido restante do seu antigo oceano.
Fonte: ASTRONOMIA ONLINE

Antares espreita um Telescópio Auxiliar

Nesta imagem do Observatório do Paranal do ESO podemos ver estrelas azuis brilhantes salpicando o céu austral, enquanto o bojo galático da nossa Via Láctea se encontra visível por cima do horizonte. A imagem foi obtida no alto do Cerro Paranal no Chile, local que abriga o Very Large Telescope do ESO (VLT). Em primeiro plano vemos a cúpula aberta de um dos Telescópios Auxiliares de 1,8 metros. Os quatro Telescópios Auxiliares podem ser usados em conjunto para formar o Interferômetro do Very Large Telescope (VLTI). O plano da Via Láctea encontra-se salpicado de regiões brilhantes de gás quente. A estrela muito brilhante na direção do canto superior esquerdo da imagem é Antares — a estrela mais brilhante do Escorpião e a 15ª estrela mais brilhante do céu noturno.
Crédito: ESO

Passagem da Bíblia tem o registro mais antigo de um eclipse solar

Está circulando há cerca de 2.500 anos e deve ter sido lida por milhões e milhões de pessoas. Mas a primeira menção a um eclipse solar tinha passado despercebida até agora. Em uma pesquisa que combina análise linguística de idiomas milenares, antigos escritos astronômicos da Babilônia, estelas (pedras com inscrições) do Egito dos faraós e modernos cálculos da maquinaria celeste, cientistas britânicos acreditam ter encontrado na Bíblia o primeiro registro de um eclipse solar anular.

Deixando de lado a historicidade da Bíblia, ao longo dela há muitas passagens históricas contando a evolução dos israelitas. A arqueologia e a história comparada confirmaram a existência de muitos personagens, lugares e fatos históricos, ao mesmo tempo em que descartaram muitos outros míticos. Um desses personagens é Josué, profeta tanto para judeus quanto para cristãos e muçulmanos, e caudilho e sucessor de Moisés à frente dos hebreus. Josué foi, de acordo com a tradição bíblica, aquele que finalmente conquistou a terra prometida e a dividiu entre as 12 tribos. Suas peripécias e muitas guerras foram registradas no livro homônimo do Antigo Testamento.

No Livro de Josué (10:12-13), lê-se a seguinte passagem:

“Josué falou ao Senhor no dia em que ele entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel, e disse em presença dos israelitas:

«Sol, detém-te sobreGibeão, e tu, ó Lua, sobre o vale de Ajalon».

E o Sol se deteve e a Lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos.

Isto está escrito no Livro do Justo. E, de fato, o Sol parou no zênite e não se moveu durante quase um dia inteiro”.

A lenda bíblica diz que Josué pediu a Jeová parar o Sol e a Lua

Lido ao pé da letra, o relato é tão mítico como a separação das águas do Mar Vermelho por Moisés. Mas um grupo de pesquisadores britânicos acredita que a leitura literal esconde o que realmente aconteceu. As várias traduções modernas do conteúdo bíblico partem da primeira tradução, do hebraico e do aramaico para o grego. Talvez tenha sido aí que se perdeu o significado real das palavras até ficar no que parece dizer: que a Lua e o Sol pararam.

“Mas indo ao texto hebraico original, pensamos que outro possível significado seria que o Sol e a Lua deixaram de fazer o normalmente fazem: pararam de brilhar”, diz o pesquisador da Universidade de Cambridge e coautor da pesquisa, Colin Humphreys, um apaixonado por colocar a lupa da ciência na Bíblia. Concretamente, o texto original usa as palavras hebraicas dôm e ‘amad para designar o que o Sol e a Lua fizeram, respectivamente. A primeira tem vários significados, de estar em silêncio a emudecer, passando por permanecer imóvel. A segunda significa tanto deter-se quanto parar ou manter.

Para ajudar essa alternativa, os autores do estudo, publicado pela revista Astronomy and Geophysics, ressaltam que a palavra dôm compartilha raiz com termos astronômicos referentes a eclipses encontrados em tabuletas babilônicas da mesma época. “Nesse contexto, as palavras hebraicas poderiam se referir a um eclipse solar, quando a Lua passa entre a Terra e o Sol e este parece parar de brilhar”, observa Humphreys. Em particular, aposta em um eclipse anular, no qual o satélite não consegue esconder toda a estrela, deixando ver uma espécie de anel de fogo.

Outra prova circunstancial que os pesquisadores colocam sobre a mesa tem a ver com a historicidade da presença de Josué e dos israelitas nas terras de Canaã há 3.200 anos. Essa parte da história é confirmada na estela de Merneptah, um longo texto escrito em um bloco de granito é conservado no Museu Egípcio do Cairo. Merneptah, filho do faraó Ramsés II, o Grande, reinou entre 1213 e 1203 a. C., de acordo com as cronologias mais aceitas. A estela, gravada no quinto ano do seu reinado, registra como Merneptah teve que enviar tropas a Canaã para ajudar vários de seus feudos que estavam sendo assediados pelos israelitas. São as guerras que o Livro de Josué reúne, embora ambos os textos não coincidam em relação a quem ganhou.

Delimitados os fatos e os personagens históricos, os pesquisadores lançaram a máquina de calcular eclipses, algo não tão simples como se acredita. “Podemos calcular eclipses futuros ou passados. Mas quanto mais voltamos no tempo, mais temos de levar em consideração as mudanças na velocidade de rotação da Terra”, explica o físico britânico. O movimento do planeta sobre si mesmo não é constante. “Somente nos últimos 20 anos conseguimos fazer esses cálculos para eclipses realmente antigos”, acrescenta Humphreys.

As variações da velocidade de rotação da Terra complicam o cálculo de eclipses passados e futuros

De acordo com suas estimativas, o único eclipse anular visível em Gibeão, a poucos quilômetros a nordeste de Jerusalém, entre 1500 e 1050 a. C. aconteceu (seguindo o calendário atual) às 15h27 de 30 de outubro de 1207 a. C. O Sol ainda deveria estar parcialmente eclipsado no crepúsculo, às 17h38. Durante a fase central do eclipse, a Lua cobriu até 86% da área do disco solar, reduzindo a visibilidade a um décimo da habitual. A passagem da Bíblia não mente, embora exagere um pouco.

Se a data for aceita pela comunidade científica, seria o registro mais antigo de um eclipse solar. Embora existam referências a pelo menos outros três possíveis eclipses anteriores ao ano 1000 a. C. em uma lenda chinesa, uma tabuleta da Mesopotâmia ou na Odisseia de Homero, nenhuma delas resistiu aos cálculos astronômicos. É preciso avançar até 700 a. C., quando os chineses começaram a registrar os eclipses. Na época, os assírios os gravavam em tabuletas de argila.


Esses registros são fundamentais para a história da Astronomia, mas também para fixar outros eventos da história. O eclipse solar de 15 de junho de 763, visto sobre as terras da Mesopotâmia, serviu para datar grande parte da história do Oriente Médio. Agora, a passagem do Livro de Josué poderia ajudar a esclarecer outros 500 anos de história antiga, começando pelas cronologias hebraica e egípcia.
Fonte: msn.com

30 de outubro de 2017

O fantasma de MIRACH

No que diz respeito aos fantasmas, o Fantasma de Mirach não é tão assustador. O Fantasma de Mirach é apenas uma galáxia apagada e difusa, bem conhecida pelos astrônomos, que é vista quase ao longo da linha de visão de Mirach, uma estrela brilhante. Centrada nesse campo estelar, Mirach, que é também conhecida como Beta Andromedae. Localizada a cerca de 200 anos-luz de distância da Terra, Mirach é uma estrela do tipo gigante vermelha, mais fria que o Sol, mas muito maior e intrinsicamente mais brilhante do que a nossa estrela. Na maioria das visões telescópicas, o brilho e os spikes de difração, tendem a esconder as coisas que se localizam perto da estrela Mirach, e isso faz com que a galáxia apagada e difusa pareça uma reflexão interna fantasmagórica da luz da estrela. Você não achou a galáxia na imagem acima, olhe novamente, ela está logo acima e a esquerda da estrela Mirach. O Fantasma de Mirach é uma galáxia catalogada como NGC 404 e estima-se que ela esteja a cerca de 10 milhões de anos-luz de distância da Terra.
Fonte: NASA

NGC 7635 – Uma bolha num mar CÓSMICO

À deriva em um verdadeiro mar cósmico repleto de estrelas e gás incandescente, a aparição delicada e flutuante à esquerda do centro dessa visão de campo amplo é catalogada como NGC 7635, a Nebulosa da Bolha. Com 10 anos-luz de largura, a Nebulosa da Bolha foi soprada por ventos de uma estrela massiva. Ela localiza-se dentro de um complexo maior de nuvens de gás e poeira interestelar a cerca de 11 mil anos-luz de distância da Terra, na fronteira entre as constelações de Cepheus e Cassiopeia. Nessa bela imagem, ainda podemos ver o aglomerado estelar aberto M52 (na parte esquerda inferior), localizado a cerca de 5000 anos-luz de distância da Terra. Acima e a direita da Nebulosa da Bolha está uma região de emissão identificada como Sh2-157, também conhecida como Nebulosa da Garra. A imagem acima foi feita com 47 horas de exposição usando dados de banda larga e estreita, essa imagem se espalha por cerca de 3 graus no céu. Isso corresponde a uma largura de 500 anos-luz se considerarmos a distância estimada até a Nebulosa da Bolha.
Fonte: NASA

HUBBLE descobre "GALÁXIAS OSCILANTES"


Abell S1063, um enxame de galáxias, observado pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA como parte do programa Frontier Fields.A enorme massa do enxame age como uma lupa cósmica e amplia galáxias ainda mais distantes, que se tornam suficientemente brilhantes para o Hubble as observar.Crédito: NASA, ESA e J. Lotz (STScI)

Usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos descobriram que as galáxias mais brilhantes dentro de enxames galácticos "oscilam" em relação ao centro de massa do enxame. Este resultado inesperado é inconsistente com as previsões feitas pelo modelo padrão atual da matéria escura. Com uma análise mais aprofundada, pode fornecer informações sobre a natureza da matéria escura, talvez até indicando a presença de uma nova física. 
A matéria escura constitui um pouco mais que 25% de toda a matéria no Universo, mas não pode ser observada diretamente, o que a torna num dos maiores mistérios da astronomia moderna. Halos invisíveis da elusiva matéria escura englobam tanto galáxias como enxames de galáxias. Estes últimos astros são agrupamentos gigantescos de até mil galáxias imersas em gás intergaláctico quente. Estes grupos têm núcleos muito densos, cada um contendo uma galáxia massiva chamada de "galáxia mais brilhante do enxame" (em inglês, "brightest cluster galaxy", ou BCG).
Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra o enxame galáctico MACS J1206. Enxames como este têm massas gigantescas, e a sua gravidade é forte o suficiente para curvar o percurso da luz, como uma espécie de lupa cósmica. Estes enxames são ferramentas úteis para o estudo de objetos muito distantes, porque este comportamento tipo-lupa amplia a luz de galáxias de fundo. Também contribuem para vários tópicos da cosmologia, pois a natureza precisa das imagens das lentes gravitacionais contém informações sobre as propriedades do espaço-tempo, sobre a expansão do cosmos e sobre a distribuição da matéria escura no enxame. Este é um de 25 enxames estudados como parte do programa CLASH (Cluster Lensing and Supernova survey with Hubble), um grande projeto para construir uma biblioteca de dados científicos sobre enxames com efeito de lente gravitacional.Crédito: NASA, ESA, M. Postman (STScI) 
O modelo padrão da matéria escura (modelo da matéria escura fria) prevê que assim que um enxame galáctico regresse a um estado "relaxado" após sofrer turbulência de um evento de fusão, a BCG não se move do centro do enxame. É mantida no lugar pela enorme influência gravitacional da matéria escura. Mas agora, uma equipa de astrónomos suíços, franceses e britânicos analisou dez enxames galácticos com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e descobriu que as suas BCGs não estão fixas no centro como esperado. 
Os dados do Hubble indicam que "oscilam" em torno do centro de massa de cada enxame muito tempo depois do enxame galáctico regressar a um estado relaxado após uma fusão. Por outras palavras, o centro das partes visíveis de cada enxame galáctico e o centro da massa total do enxame - incluindo o halo de matéria escura - não coincidem, até um máximo de 40.000 anos-luz. 
"Descobrimos que as BCGs oscilam em torno do centro dos halos," explica David Harvey, astrónomo da EPFL (École polytechnique fédérale de Lausanne), Suíça, e autor principal do artigo. "Iso indica que, ao invés de uma região densa no centro do enxame de galáxias, conforme previsto pelo modelo da matéria escura fria, há uma densidade central muito menor. Este é um sinal impressionante de formas exóticas da matéria escura no coração dos enxames galácticos." 
O enorme enxame galáctico no centro desta imagem contém tanta matéria escura que a sua gravidade curva a luz de objetos mais distantes. Isto significa que para galáxias muito distantes no fundo, o campo gravitacional do enxame atua como uma espécie de lupa cósmica, dobrando e concentrando a luz de objetos distantes na direção do Hubble. Estas lentes gravitacionais são uma ferramenta que os astrónomos podem usar para alargar a visão do Hubble além do que seria normalmente capaz de observar. Desde modo, algumas das primeiras galáxias do Universo podem ser estudadas pelos astrónomos. O efeito de lente também pode ser usado para determinar a distribuição da matéria - tanto matéria normal quando matéria escura - no enxame.Crédito: NASA, ESA, J. Richard (CRAL) e J.-P. Kneib (LAM). Reconhecimento: Marc Postman (STScI)
A oscilação das BCGs só podia ser analisada caso os enxames galácticos estudados também atuassem como lentes gravitacionais. São tão massivos que distorcem o espaço-tempo o suficiente para curvar a luz de objetos mais distantes por trás. Este efeito, chamado lente gravitacional forte, pode ser usado para mapear a matéria escura associada com o enxame, permitindo que os astrónomos determinem a posição exata do centro de massa e depois meçam o deslocamento da BCG em relação a esse centro. 
Se esta "oscilação" não é um fenómeno astrofísico desconhecido e for, de facto, o resultado do comportamento da matéria escura, então é inconsistente com o modelo padrão da matéria escura e só pode ser explicado caso as partículas de matéria escura possam interagir umas com as outras - uma forte contradição da compreensão atual da matéria escura. Isto poderá indicar que é necessária uma nova física fundamental para resolver o mistério da matéria escura. 
O coautor Frederic Courbin, também da EPFL, conclui: "estamos ansiosos por levantamentos maiores - como o levantamento Euclides - que irá ampliar o nosso conjunto de dados. Podemos então determinar se a oscilação das BCGs é o resultado de um fenómeno astrofísico novo ou de uma nova física fundamental. Ambos os quais seriam excitantes!"
Fonte: Astronomia OnLine

Bela imagem da nebulosa escura LDN 183

A imagem acima mostra a Nebulosa Escura Beverly Lynds 183 localizada a cerca de 325 anos-luz de distância da Terra, vagando bem acima do plano da nossa Via Láctea. Obscurecendo a luz das estrelas atrás dela quando observada no comprimento de ondas da luz visível, a nuvem molecular escura e empoeirada, parece não ter estrela alguma. Mas no comprimento de onda do infravermelho distante é possível revelar densas aglomerações no seu interior, provavelmente estrelas nos seus primeiros estágios de formação enquanto que regiões destacadas da nuvem estão em processo de colapso gravitacional. Essa nebulosa é uma das nuvens moleculares mais próximas da Terra, e aparece na constelação da Serpens Caput. Essa bela imagem se espalha por cerca de meio grau no céu. Isso é o equivalente a 3 anos-luz na distância estimada da Nebulosa Escura Lynds 183.
Fonte: NASA

Uma estrela simbiótica em Aquário

A estrela variável R Aquarii é de fato duas estrelas uma orbitando a outra com um período de cerca de 44 anos. A estrela primária é uma variável gigante vermelha, significando que ela pulsa, esses pulsos seguem mudanças na temperatura e drásticas flutuações de brilho num ciclo de cerca de 390 dias. A estrela secundária é uma anã branca que suga material da gigante vermelha. Parte do material sugado algumas vezes é ejetado, formando uma nebulosa espetacular em loop. Esse tipo de par de estrelas, ou seja, uma anã branca e uma gigante vermelha é conhecido como uma estrela simbiótica. A imagem acima foi feita com algumas imagens obtidas em diferentes comprimentos de onda pelo Telescópio Espacial Hubble.

26 de outubro de 2017

Revelando segredos galáticos

Podemos ver inúmeras galáxias nesta enorme imagem do Aglomerado de Galáxias da Fornalha, algumas aparecendo apenas como pequenos pontos de luz, outras dominando o primeiro plano da imagem. Uma delas é a muito estudada galáxia lenticular NGC 1316, cujo passado turbulento lhe deu uma delicada estrutura de laços, arcos e anéis, da qual os astrônomos, com o auxílio do Telescópio de Rastreio do VLT, capturaram agora as imagens mais detalhadas obtidas até hoje. Esta imagem profunda revela uma miríade de objetos fracos, além da tênue radiação intra-aglomerado.

Capturada com o auxílio das capacidades excepcionais de mapeamento do céu do Telescópio de Rastreio do VLT (VST), instalado no Observatório do Paranal do ESO no Chile, esta imagem profunda revela os segredos dos membros luminosos do aglomerado da Fornalha, um dos aglomerados de galáxias mais ricos e próximos da Via Láctea. Esta imagem de 2,3 bilhões de pixels é uma das maiores divulgadas até hoje pelo ESO.

Talvez o membro mais interessante deste aglomerado seja NGC 1316, uma galáxia que teve uma história bastante dinâmica, já que se formou a partir da fusão de várias galáxias menores. As distorções gravitacionais do passado aventureiro desta galáxia deixaram a sua marca na sua estrutura lenticular.  Enormes laços, ondas e arcos inseridos no envelope exterior estrelado foram inicialmente observados nos anos 1970, permanecendo um assunto de estudo ativo para os astrônomos contemporâneos, que utilizaram as mais recentes tecnologias de telescópios para observar os mais finos detalhes da estrutura incomum de NGC 1316, através de uma combinação de imagens e modelos.

As fusões que deram origem a NGC 1316 levaram a um influxo de gás, que alimentou o exótico objeto astrofísico situado no seu centro: um buraco negro supermassivo com uma massa de cerca de 150 milhões de vezes a do Sol. À medida que acreta material do meio ao seu redor, este monstro cósmico produz jatos de partículas de alta energia imensamente poderosos, que por sua vez dão origem aos característicos lóbulos de emissão observados nos comprimentos de onda do rádio, fazendo de NGC 1316 a quarta fonte rádio mais brilhante do céu.

Foi também em NGC 1316 que se observaram 4 eventos de supernovas de tipo Ia, os quais são muito importantes para os astrônomos. As supernovas de tipo Ia têm uma luminosidade claramente definida , podendo por isso ser usadas para medir a distância à galáxia hospedeira; neste caso, 60 milhões de anos-luz. Estas “velas-padrão” são muito procuradas pelos astrônomos, já que são uma ferramenta excelente para medir de forma viável a distância a objeto remotos. De fato, estes objetos desempenharam um papel fundamental na descoberta revolucionária de que o nosso Universo se encontra em expansão acelerada.

Esta imagem foi obtida com o VST no Observatório do Paranal do ESO, no âmbito do Rastreio Profundo da Fornalha, um projeto que pretende mapear profundamente o aglomerado da Fornalha por meio de imagens múltiplas. A equipe, liderada por Enrichetta Iodice (INAF – Osservatorio di Capodimonte, Nápoles, Itália), já tinha observado esta região anteriormente com o VST e revelado uma fraca ponte de luz entre NGC 1399 e uma galáxia menor, NGC 1387.

O VST foi especificamente concebido para efetuar rastreios do céu em larga escala. Com o seu enorme campo de visão corrigido e uma câmera de 256 milhões de pixels especialmente concebida, a OmegaCAM, o VST pode produzir imagens profundas de enormes áreas do céu rapidamente, deixando que os telescópios maiores — tais como o Very large Telescope do ESO (VLT) — explorem os detalhes de objetos individuais.
Fonte: ESO

Marius Hills e um furo na lua

Poderiam os seres humanos viverem na subsuperfície da Lua? Essa intrigante possibilidade foi cogitada quando a sonda japonesa SELENE em 2009 fez imagens de um curioso buraco na região de Marius Hills na Lua, possivelmente esse buraco seria um tubo de lava. Observações posteriores feitas com a sonda LRO da NASA, indicaram que o Buraco de Marius Hills, se estendia por aproximadamente 100 metros, e tinha alguns metros de largura. 

Mais recentemente, usando dados de radar de penetração de solo, o famoso GPR da sonda SELENE, uma série de feições foram reanalisadas, e nessa nova análise, pôde-se comprovar que em Marius Hilss existe sim um tubo de lava que se estende por quilômetros e tem quilômetros de largura, ou seja, caberia dentro dele casas e até prédios. Esses tubos poderiam proteger uma possível colônia lunar das grandes variações de temperatura, de impactos asteroides e da mortífera radiação solar. 

Potencialmente, esses tubos de lava poderiam até ser selados para poder conter ar que poderia ser respirável. Esses tubos de lava provavelmente se formaram quando vulcões lunares estavam ativos a bilhões de anos atrás. A foto acima, mostra a superfície da região de Marius Hills, registrada na década de 1960 pela sonda da NASA Lunar Orbiter 2, e no detalhe podemos ver o Buraco de Marius Hills fotografado pela sonda LRO da NASA. Na imagem maior é possível ver alguns domos vulcânicos enquanto que a Cratera Marius aparece na parte superior direita da imagem.

Arqueologia cósmica

Essa imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA está repleta de galáxias, cada ponto brilhante na imagem é uma galáxia diferente, lógico com exceção para o brilhante flash no meio da imagem, que na verdade é uma estrela localizada na nossa galáxia. No centro da imagem está algo especialmente interessante, o centro do massivo aglomerado de galáxias conhecido como WHL J24.3324-8.477, incluindo a galáxia mais brilhante do aglomerado. 

O universo contém estruturas de várias escalas, planetas ao redor de estrelas, estrelas que se aglomeram e formam galáxias, galáxias que se aglomeram e formam grupos de galáxias, e grupos de galáxias que se juntam em aglomerados. Aglomerados de galáxias contêm centenas de milhares de galáxias, unidas pela gravidade. A matéria escura e a energia escura tem um papel fundamental na formação e na evolução desses aglomerados, assim estudar os aglomerados massivos de galáxias, pode ajudar os cientistas a revelarem os mistérios desses elusivos fenômenos. 

Essa imagem em infravermelho foi obtida com a Advanced Camera for Surveys do Hubble e com a Wide-Field Camera 3, como parte do projeto de observação intitulado, RELICS, sigla, para, Reionizatio Lensing cluster Survey. O RELICS fez imagem de 41 aglomerados massivos de galáxias, com o objetivo de descobrir as galáxias mais brilhantes de cada aglomerado que serão posteriormente estudadas pelo Telescópio Espacial James Webb. Essa pesquisa irá nos dizer muito sobre a nossa própria origem cósmica.

Fonte: http://www.spacetelescope.org 

Tabela periódica mostra de onde, no universo, veio cada elemento

A tabela periódica com códigos coloridos mostra os melhores palpites dos cientistas sobre a origem nuclear de todos os elementos conhecidos. Ela foi publicada como “imagem do dia” pelo site da NASA, no dia 24 de outubro. A cor azul significa fusão no Big Bang; a verde mostra elementos produzidos por estrelas de massa baixa que estavam morrendo; a cor amarela é para elementos criados por estrelas massivas que explodiram; a rosa é para a fissão de raios cósmicos; a lilás para a união de estrelas de nêutron; e a cinza para estrelas anãs brancas que explodiram. O hidrogênio no seu corpo, presente em cada molécula de água, veio do Big Bang. Não há outra fonte de hidrogênio no universo. Já o carbono do seu corpo foi feito pela fusão nuclear que acontece no interior de estrelas, assim como o oxigênio. Já a maioria do ferro das suas hemoglobinas foi produzido em estrelas supernovas há muito tempo e muito longe daqui.  O ouro das joias foi provavelmente feito a partir das estrelas de nêutron que colidiram. Elementos como o fósforo e cobre estão presentes em nosso corpo em apenas pequenas quantidades, mas são essenciais para a vida. O local da criação do núcleo do cobre, porém, não é totalmente conhecido. Este e outros elementos continuam sendo estudados de perto por pesquisadores através da observação e de modelos computacionais. 
Fonte: NASA

O universo nem deveria existir, de acordo com a descoberta bizarra

Ao que tudo indica, nosso universo não deveria existir.
Quando o universo surgiu, de acordo com o modelo padrão da física, havia quantidades iguais de matéria e antimatéria nele. Uma vez que essas substâncias se cancelam, o universo deveria ter se destruído imediatamente.  Alguns dos melhores cientistas do mundo já tentaram, mas não conseguiram explicar por que isso não aconteceu. O que as equipes de pesquisa têm feito é procurar por qualquer diferença entre a matéria e a antimatéria, que sugerisse por que elas não se aniquilaram assim que entraram em contato.

Simetria

O novo estudo, realizado pela Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN, na sigla em inglês), testou uma série de possibilidades, incluindo massa e carga elétrica, para encontrar essa diferença.

Todas as nossas observações encontraram uma simetria completa entre matéria e antimatéria, razão pela qual o universo não deveria existir. Uma assimetria deve existir em algum lugar, mas simplesmente não entendemos onde está essa diferença”, disse Christian Smorra, um dos autores do estudo.

Os pesquisadores até já analisaram a hipótese de que havia uma diferença no magnetismo, mas a matéria e a antimatéria são idênticas nesse quesito também.

Em resumo: não temos muitas pistas mais para seguir, e não temos uma resposta também.

Avanço

Como conclusão, descobrimos que a matéria e a antimatéria são ainda mais simétricas do que pensávamos anteriormente. E isso só foi possível graças a novas tecnologias muito precisas.

No estudo, cientistas capturaram antiprótons em armadilhas com campos magnéticos e elétricos especializados, a fim de estudá-los. Esta técnica permitiu que eles medissem o magnetismo da antimatéria com muita eficácia.

“Este resultado é o ponto culminante de muitos anos de pesquisa e desenvolvimento contínuos, e a conclusão bem-sucedida de uma das medidas mais difíceis já realizadas”, afirmou o porta-voz do CERN, Stefan Ulmer.

A equipe agora espera examinar a antimatéria em ainda mais detalhes para tentar resolver o mistério. Enquanto isso, outros cientistas estão examinando teorias alternativas, como a antimatéria possuir uma gravidade “ao contrário”, o que significa “cairia para cima”.
Fonte: Hypescience.com

24 de outubro de 2017

É maluquice querer ir a Marte antes de colonizar a Lua?

A construção de uma base lunar está ganhando força entre as agências espaciais.[Imagem: ESA]

Bases lunares

Em um bem-vindo surto de realismo, as agências espaciais e as empresas privadas de foguetes parecem ter decidido apoiar planos para a construção de bases lunares. A boa notícia é que isto aparentemente joga para mais longe a ideia entusiasmante, mas frágil e um tanto absurda, de tentar colonizar Marte antes da Lua. Tem havido sérias dúvidas sobre o objetivo declarado pela NASA de levar humanos ao Planeta Vermelho primeiro, na década de 2030 - dúvidas tanto técnicas quanto orçamentárias. E um projeto para retornar à Lua seria muito mais barato e viável sob todos os aspectos. 
A ideia de priorizar a ida de astronautas a Marte tem sido favorecida há uma década, quando alguns especialistas espaciais começaram a defender a noção pouco convincente de explorar Marte antes da Lua. Mas a noção é, no mínimo, estranha: Por que deveríamos deixar de aprender a viver em outro mundo na nossa vizinha Lua, onde podemos resolver os enormes desafios técnicos, sociais e psicológicos da vida confinada, a apenas três dias de distância, e ir direto para Marte, em uma viagem de seis meses repleta de radiação, onde as tripulações estariam além de qualquer possibilidade de resgate?

Vila lunar

Uma massa crítica agora parece estar-se formando para apoiar a ideia de uma Lua colonizada no século 21, antes de voos mais arriscados a Marte. Durante o Congresso Internacional de Astronáutica, em Adelaide, na Austrália, as conversas sobre Marte deram lugar a uma série de planos para a exploração da Lua. A principal delas foi, sem dúvida, a declaração da Agência Espacial Europeia (ESA) de que construir uma vila lunar antes de uma colônia marciana faz mais sentido. 
E a ESA é parceira da NASA na nova nave espacial Órion, projetada para transportar tripulações além da órbita terrestre - seja para a Lua, para asteroides ou, e nisso há mais dúvidas, para Marte. Da mesma forma, a agência russa Roscosmos e a NASA revelaram que estão em negociações para desenvolver conjuntamente o Portal do Espaço Profundo (Deep Space Gateway), uma nova estação espacial que deverá ser posicionada perto da Lua, servindo de porto para viagens para "destinos distantes". 
Finalmente, durante uma reunião do Conselho Nacional do Espaço dos EUA, o vice-presidente do país, Mike Pence, declarou que os EUA estão comprometidos com "o retorno dos humanos à Lua para uma exploração de longo prazo" - e desta vez, enfatizou Pence, não apenas para deixar "pegadas e bandeiras".
O Portal do Espaço Profundo (Deep Space Gateway) servirá de porto de ancoragem para a saída para viagens a destinos mais distantes. [Imagem: NASA/Lockheed]
 Exploração espacial realista

A defesa de uma ida a Marte primeiro, desta forma, parece ter deixado isolado o presidente da SpaceX, Elon Musk, que já declarou que "quer morrer em Marte, mas não no impacto". Conhecido por anunciar cronogramas impossíveis de cumprir, ele já havia prometido uma viagem a Marte em 2018 - agora ele fala em 2024. Contudo, também presente no congresso na Austrália, ele não deu sinais de que pretenda bater em ferro frio: "É 2017. Quero dizer, devemos ter uma base lunar já," disse Musk. Para mostrar-se comprometido com a ideia, ele até mostrou o projeto inicial da Base Lunar Alfa, batizada em homenagem à série de TV Espaço 1999. 
Assim, com um maior senso de realismo, a expectativa é que tenhamos de volta os projetos espaciais de verdade que, ainda não sejam feitos "até o final da década", como se disse uma vez, pelo menos virem realidade no tempo de vida dos seus idealizadores.
Fonte: Inovação Tecnológica
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