Buracos negros podem fomentar a vida galáxia afora
Núcleos galácticos ativos
No centro da maioria das grandes
galáxias, incluindo a nossa Via Láctea, há um buraco negro supermassivo.
Eventualmente, gás interestelar fica ao alcance desses poços sem fundo, mudando
o buraco negro para o modo núcleo galáctico ativo (AGN), que dispara radiação
de alta energia em feixes que alcançam toda a galáxia.
Você não vai querer ficar perto de um buraco negro, mas se ele estiver longe o suficiente pode até ajudar no desenvolvimento da vida. [Imagem: NOIRLab/NSF/AURA/J. daSilva/M. Zamani]
Não é um ambiente bom para se
ficar, por isso não deixa de ser surpreendente a conexão que Kendall Sippy e
colegas da Universidade Dartmouth, nos EUA, estão fazendo.
A pesquisa teórica da equipe
revela a possibilidade de que a radiação emitida por esses núcleos galácticos
ativos pode ter como efeito "nutrir" a vida pela galáxia - bem longe
do buraco negro, é certo, quando a radiação atinge planetas distantes.
É a primeira vez que alguém se
propõe a medir - por meio de simulações de computador - como a radiação
ultravioleta de um núcleo galáctico ativo pode transformar a atmosfera de um
planeta para ajudar ou atrapalhar a vida.
Os resultados foram consistentes
com estudos que analisam os efeitos da radiação solar, mostrando que os
benefícios - ou danos - dependem de quão perto o planeta está da fonte da
radiação e se a vida já ganhou um ponto de apoio. Perto demais, e a radiação
elimina qualquer esperança de que a vida floresça. Mas, na distância certa, a
vida pode se beneficiar da radiação do buraco negro.
"Uma vez que a vida existe e
oxigenou a atmosfera, a radiação se torna menos devastadora e possivelmente até
uma coisa boa," disse Sippy. "Uma vez que essa ponte é cruzada, o
planeta se torna mais resiliente à radiação UV e protegido de potenciais
eventos de extinção."
Impacto do buraco negro
sobre a habitabilidade
Recentemente astrônomos flagraram um buraco negro entrando no modo núcleo galáctico ativo. [Imagem: ESO/M. Kornmesser]
Os pesquisadores simularam os
efeitos da radiação do núcleo galáctico ativo não apenas na Terra, mas também
em planetas semelhantes à Terra de composição atmosférica variada. Se o
oxigênio já estiver presente, a radiação desencadeia reações químicas, fazendo
com que a camada protetora de ozônio do planeta cresça - quanto mais oxigenada
a atmosfera, maior é o efeito.
A luz de alta energia reage
prontamente com o oxigênio (O2), dividindo a molécula em átomos individuais que
se recombinam para formar ozônio (O3). À medida que o ozônio se acumula na
atmosfera superior, ele desvia mais e mais radiação perigosa de volta para o
espaço.
A Terra deve seu clima favorável
a um processo semelhante, que aconteceu há cerca de 2 bilhões de anos, quando
do surgimento dos primeiros micróbios produtores de oxigênio. A radiação do Sol
ajudou a vida incipiente da Terra a oxigenar e adicionar ozônio à atmosfera. À
medida que o manto protetor de ozônio do nosso planeta engrossava, isso
permitiu que a vida florescesse, produzindo mais oxigênio e ainda mais ozônio.
Sob a hipótese de Gaia, esses ciclos de retroalimentação benéficos permitiram
que a vida complexa emergisse.
A Terra não está perto o
suficiente do seu buraco negro galáctico, Sagitário A*, para sentir seus
efeitos, mesmo no modo de núcleo galáctico ativo. Mas as simulações mostraram
que o mesmo que aconteceu na Terra sob influência do Sol pode acontecer em um planeta
que esteja muito mais perto de um núcleo galáctico ativo hipotético -
especificamente, em um planeta exposto a uma radiação bilhões de vezes maior do
que a Terra em relação ao Sagitário A*.
Mas, além da distância do planeta
ao buraco negro, o efeito depende também do formato da galáxia. As estrelas e
seus planetas em galáxias mais massivas com uma forma elíptica, como a
Messier-87, ou nossa espiral Via Láctea, estão mais espalhadas e, portanto,
mais longe da radiação do buraco negro, o que significa que é mais provável que
alguma eventual forma de vida se beneficie dessa radiação, em vez de ser
dizimada por ela.
Inovação Tecnológica
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