Herschel relaciona formação estelar com"BOOMS" sónicos

Densos filamentos gasosos na nuvem interestelar IC5146. Esta imagem foi obtida pelo observatório espacial infravermelho Herschel, a comprimentos de onda de 70, 250 e 500 micrómetros. As estrelas estão a ser formadas ao longo destes filamentos.Crédito: ESA/Herschel/SPIRE/PACS/D. Arzoumanian (CEA Saclay) para o Consórcio do Programa “Gould Belt survey”.

O observatório espacial Herschel da ESA revelou que nuvens interestelares vizinhas contêm redes de filamentos gasosos entrelaçados. Intrigantemente, cada filamento mede aproximadamente o mesmo, o que aponta para que possam ser o resultado de "booms" sónicos interestelares pela Galáxia. Os filamentos são gigantescos, medem dezenas de anos-luz e o Herschel mostrou que as estrelas recém-nascidas são normalmente descobertas nas suas partes mais densas. Um dos filamentos, fotografado pelo Herschel na região de Águia, contém um enxame com aproximadamente 100 jovens estrelas.

Tais filamentos nas nuvens interestelares já foram observados por outros satélites infravermelhos, mas nunca com detalhe suficiente para poderem ser medidos. Agora, o Herschel mostrou que, apesar do tamanho ou densidade de um filamento, a largura é sempre aproximadamente a mesma. "É uma grande surpresa," afirma Doris Arzoumanian, do Laboratório AIM Paris-Saclay, CEA/IRFU, a autora principal de um artigo científico que descreve as investigações. Em conjunto com Philippe André, do mesmo instituto, e outros colegas, analisou 90 filamentos e descobriu que tinham todos cerca de 0,3 anos-luz de largura, ou cerca de 20.000 vezes a distância da Terra ao Sol. Esta consistência de larguras exige uma explicação.

Ao comparar as observações com modelos computacionais, os astrónomos concluíram que os filamentos são provavelmente formados quando ondas de choque lentas se dissipam nas nuvens interestelares. Estas ondas de choque são pouco supersónicas e o resultado de grandes quantidades de energia turbulenta injectada para o espaço interestelar por estrelas em explosão. Viajam pelo diluído mar de gás na Galáxia, comprimindo-o e varrendo-o para formar estes filamentos.
 
A rede de filamentos interestelares em Polaris, observada pelo observatório espacial Herschel da ESA, em comprimentos de onda infravermelhos de 250, 350 e 500 micrómetros. Crédito: ESA/Herschel/SPIRE/Ph. André (CEA Saclay) para o Consórcio do Programa “Gould Belt survey” e A. Abergel (IAS Orsay) para a Evolução da Poeira Interestelar.
 
As nuvens interestelares são normalmente extremamente frias, cerca de 10 K acima do zero absoluto, e isto torna a velocidade do som aí relativamente lenta, apenas 0,2 km/s, em oposição aos 0,34 km/s na atmosfera da Terra ao nível do mar. Estas lentas ondas de choque são o equivalente interestelar dos "booms" sónicos. A equipa sugere que à medida que estes ruídos sónicos viajam pelas nuvens, perdem energia e, onde finalmente se dissipam, deixam para trás estes filamentos de material comprimido. "Não são provas directas, mas fortes evidências de uma relação entre a turbulência interestelar e os filamentos. Providencia uma restrição muito forte nas teorias da formação estelar," afirma o Dr. André. A equipa fez a ligação ao estudar três nuvens vizinhas, conhecidas como IC5146, Aquila e Polaris, usando os instrumentos SPIRE e PACS a bordo do observatório Herschel. "A ligação entre estes filamentos e a formação estelar parecia não ser clara, mas agora graças ao Herschel, podem na realidade ver a formação estelar como 'contas em colares' nalguns destes filamentos," afirma Göran Pilbratt, cientista do projecto Herschel da ESA.
Fonte: http://www.ccvalg.pt/astronomia/noticias/2011/04/15_herschel_booms_sonicos.htm

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