12 de abril de 2018

A vida está difícil para os extraterrestres; falta um ingrediente para que possam existir

Um dos ingredientes químicos essenciais à vida é o fósforo. Mas segundo um estudo recente, parece haver no Universo uma menor quantidade do precioso elemento do que anteriormente se pensava – e isso poderia por em causa a probabilidade de existência de vida inteligente extraterrestre.
Os cientistas acreditam que o fósforo, elemento sem o qual a vida não poderia ter surgido, teria sido trazido para a Terra em meteoritos que colidiram com o nosso planeta. A hipótese induziu os cientistas a considerar que, então, deveria haver também vida em outros planetas. O fósforo é particularmente importante por ser um dos componentes da Adenosina Tri-Fosfato (ATP), a molécula que as células usam para armazenar e transportar energia.
Mas num novo estudo, uma equipe de cientistas examinou dados do Telescópio William Herschel, nas Ilhas Canárias, que tinha medido a radiação infravermelha produzida pelo fósforo e ferro na Nebulosa do Caranguejo, o que resta atualmente da explosão de uma supernova a cerca de 6.500 anos-luz da Terra.
O estudo foi apresentado durante a EWASS2018, Semana Europeia de Astronomia e Ciência Espacial, ocorrido esta semana em Liverpool, no Reino Unido.
Comparando as leituras com os resultados anteriormente obtidos na análise dos restos da supernova Cassiopeia-A (Cas A), os cientistas ficaram surpreendidos por perceber que há muito menos fósforo na Nebulosa do CaranguejoApesar de preliminares, os resultados parecem indicar que há muito menos desse ingrediente vital para a vida no Universo do que antes se supunha.
“As duas supernovas parecem ter sido muito diferentes, talvez porque a Cas A resultou da explosão de uma estrela rara, supermaciça”, explica o astrônomo Phil Cigan, cientista da Universidade de Cardiff, no País de Gales, citado pelo Science Alert.  Precisamos de mais leituras de telescópio para podermos ter a certeza de que não nos escapou alguma região rica em fósforo na Nebulosa do Caranguejo”, diz o astrônomo.
Se a quantidade de fósforo expelida para o espaço pelas supernovas for tão imprevisível como parecem indicar as diferenças entre Caraguejo e Cas A, há uma menor probabilidade que um planeta seja, em algum momento, atingido pelo mix de ingredientes perfeitopara dar início ao surgimento da vida.
Uma possibilidade, que os pesquisadores adiantaram à Popular Mechanics, é que a diferença de idades entre as duas estrelas tenha afetado as quantidades de fósforo disponíveis em uma e na outra. Outra hipótese é que a extrema densidade de Cas A tenha provocado um maior número de reações químicas.
Mas, por enquanto, os cientistas não conseguem explicar a falta de fósforo em Caranguejo.
“Se o fósforo é produzido nas supernovas, e transportado pelos meteoros até os planetas que precisam dele para gerar vida, me pergunto se um planeta jovem pode dar por si sem o fósforo reativo de que precisa só porque teve o azar de ter nascido no local erradodo Universo”, diz Jane Greaves, também membro da equipe.
“Nesse caso”, diz a astrônoma britânica, “a vida pode ter mesmo que lutar muito para conseguir vingar em um planeta semelhante ao nosso – mas sem o fósforo de que as reações químicas vitais tanto precisam”.
Fonte: https://ciberia.com.br

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