Pular para o conteúdo principal

O telescópio Fermi resolve mistério e descobre uma nova classe de pulsares

O telescópio espacial Fermi revelou a estrela de nêutrons na remanescente de supernova CTA-1. Crédito: NASA, S. Pineault (DRAO) {1}
A nebulosa remanescente de supernova CTA 1 tem sido estudada pelos astrônomos há tempos. Ela apresenta-se como resultante de uma explosão de uma estrela massiva como supernova há 10.000 anos atrás. Assim a CTA 1 é uma nebulosa em expansão, possui um jato de matéria e um ponto onde se esperava encontrar um pulsar de rádio (estrela de nêutrons em rotação que produz ondas de rádio). Mas até há pouco tempo não haviam sido detectados os pulsos de rádio. Agora o telescópio espacial Fermi (conhecido anteriomente como GLAST) recentemente lançado pela NASA resolveu o mistério. O Fermi descobriu que a estrela de nêutrons de CTA 1 está emitindo jatos de raios-gama que atingem a Terra três vezes por segundo. O pulsar gerado há cerca de 10.000 anos é o que restou de uma estrela massiva que explodiu como uma supernova ejetando cerca de 90% de sua matéria. Essa massa expulsa da estrela formou a nebulosa remanescente de supernova CTA 1 que está localizada aproximadamente 4.600 anos-luz de distância da Terra na constelação de Cepheus. O “farol de raios-gama” atinge a Terra precisamente a cada 316,86 milisegundos. A energia emitida por esse pulsar equivale a 1.000 vezes a energia gerada por nosso Sol.
Pulsares silenciosos?
Essa estranha fonte de energia é o primeiro objeto de uma classe que poderia se chamar “pulsares obscuros”. Essa nova classe conteria as estrelas de nêutrons em rotação que emitem pulsos de radiação somente em alta freqüência (ex. raios gama de alta energia).

Nuvens de partículas carregadas movem-se guiadas pelas linhas (em azul) do campo magnético da estrela de nêutrons em rotação e criam um jato de raios gama lembrando o facho de um gigantesco farol (em violeta) - Crédito da imagem: NASA

Os astrônomos têm catalogados atualmente quase 1.800 pulsares. Embora a maior parte deles tenha sido encontrada através dos pulsos em ondas de rádio, alguns deles também emitem jatos de energia em outras frequências como a luz-visível e raios-X. Excepcionalmente nesse novo pulsar em CTA 1 somente conseguimos detectar suas ondas com alta-energia de raios-gama. “Pensamos que a região que emite pulsos de raios gama é mais larga que a responsável pelos pulsos de radiação de baixa-energia”, conforme explicou Alicia Harding do time da NASA do Goddard Space Flight Center em Greenbelt, Md. “O feixe de rádio provavelmente nunca é apontado na direção da Terra e assim nunca podemos vê-lo. Mas o feixe de raios-gama, mais largo, nos atinge.” Como conseqüência dessa descoberta os cientistas estimam que nossa galáxia deve ter muitos outros pulsares para o Fermi descobrir. Estudando as propriedades dos raios-gama dos pulsares obteremos pistas para entendermos a física das emissões de energia em estrelas de nêutrons. Na foto acima da nebulosa remanescente de supernova CTA 1 está indicada a posição desse pulsar.

Objetivos do Fermi

O Fermi foi lançado em Junho de 2008. Os objetivos da missão são:
1. Entender os mecanismos de aceleração de partículas no núcleos de galáxias ativas (AGNs), estrelas de nêutrons, e nebulosas remanescentes de supernovas (SNRs);
2. Mapear as emissões de raios-gama: caracterizar as fontes não-identificadas e emissões difusas;
3. Determinar o comportamento energético das explosões de raios-gama (GRBs) e fontes variáveis;
4. Sondar a existência da matéria escura e o estudar o Universo primordial.

Comentários

Postagens mais visitadas

Espaço sideral

Espaço sideral é todo o espaço do universo não ocupado por corpos celestes e suas eventuais atmosferas. É a porção vazia do universo, região em que predomina o vácuo. O termo também pode ser utilizado para se referir a todo espaço que transcende a atmosfera terrestre.
Conceituações
Em astronomia, usa-se a denominação "espaço externo" ou "espaço sideral" para fazer referência a todo espaço que transcende o espaço englobado pela atmosfera terrestre. O espaço sideral é frequentemente subdividido em três subespaços:
1.Espaço interplanetário designação usada sobretudo para se referir aos espaços existentes entre os planetas do nosso próprio sistema solar. Por extensão, inclui as distâncias entre os eventuais planetas de qualquer sistema estelar, inclusive o nosso.
2.Espaço interestelar designação usada para se referir às porções de quasi-vácuo existentes entre as estrelas. Refere-se sobretudo aos espaços entre as estrelas da nossa própria galáxia: a Via Láctea.
3.Espaço inte…

Conheça as 10 estrelas mais próximas da Terra

O sol é uma estrela entre milhões na nossa galáxia. Mas muitas outras estrelas próximas existem, inseridas nos seus próprios sistemas e possivelmente algumas delas até terão planetas a orbitá-las. A presente lista detalha as 10 estrelas mais próximas das Terra, cada uma com o seu próprio sistema solar e algumas pertencendo a sistemas binários. Algumas delas são anãs vermelhas, sendo que possuem uma magnitude tão baixa que apesar da sua proximidade à Terra não as conseguimos ver a olho nu. 1. O Sol Distância: 8 minutos/luz Obviamente, a estrela mais próxima da Terra é a estrela central no nosso sistema solar, nomeadamente o nosso sol. Ele ilumina diretamente a Terra durante o dia e é responsável pelo brilho da Lua durante a noite. Sem o Sol, a vida como a conhecemos não existiria aqui na Terra. 2. Alpha Centauri Distância: 4,24 anos-luz Alpha Centauri é na verdade um sistema composto por três estrelas. As estrelas principais no sistema de Alpha Centauri, chamadas de Alpha Centauri A e Alp…

Tipos de Estrelas

Anã branca: Estrela pequena e quente, que se acredita assinalar o estágio final de evolução de uma Estrela como o Sol. Uma Anã branca é mais ou menos do tamanho da Terra, embora contenha tanta matéria quanto o Sol. Essa matéria compacta é tão densa que um dedal dela pesaria uma tonelada ou mais. As Anãs brancas são tão fracas que mesmo as mais próximas de nós, que giram em torno de Sirius e de Procyon, só são vistas com telescópio. 
Anã vermelha: Estrela fria e fraca, de massa menor que a do Sol. As Anãs vermelhas são provavelmente as Estrelas mais abundantes em nossa galáxia, embora seja difícil observá-las em virtude de seu brilho fraco. Mesmo as Anãs vermelhas mais próximas, Próxima Centauri e a Estrela de Barnard, são invisíveis sem telescópio. 
Anã Marron: É um corpo celeste cuja massa é pequena demais para que ocorra uma fusão nuclear em seu núcleo, a temperature e a pressão do núcleo são insuficientes para que a fusão aconteça. Por isso, não pode ser considerada realmente uma est…

Os 7 elementos do universo

Fogo, terra, água e ar. Os filósofos gregos do século 6 a.C. acreditavam que esses 4 elementos formavam tudo o que existe. E eles não estavam tão errados assim. Hoje sabemos que você, as pedras, as estrelas, os seres extraterrestres ou qualquer outra coisa que dê para imaginar são o resultado de alguns poucos ingredientes, e da forma como eles interagem entre si. Para entender isso melhor, dê uma olhada para o seu dedo aí ao lado, que está segurando esta revista. Ele é composto de 99,9% de vazio. Não toca nada.

O que mantém esta revista na sua mão são partículas insanamente pequenas trocadas freneticamente entre os átomos dos seus dedos e os do papel. Os próprios átomos são menores do que manda o bom senso. Quer ver? Então olhe de novo para o seu dedo e observe a cutícula. Estique mentalmente esse pedacinho de pele até que ele fique do tamanho de um prédio de 100 andares. Se isso acontecesse, o átomo ficaria com a espessura de uma folha de papel. Acredite se quiser, nesse espaço exíguo…

Galéria de Imagens - Os 8 planetas de nosso Sistema Solar

Mercúrio é um planeta seco, quente e quase não tem ar. O planeta fica a quase 58 milhões de quilômetros do Sol e não tem lua nem atmosfera. Fica tão perto do Sol que as temperaturas da superfície podem chegar a 430oC. Assim como a Lua, o planeta é coberto por uma camada fina de minerais. Mercúrio também tem áreas de terra amplas e planas, precipícios e muitas crateras profundas como as da Lua. Cientistas dizem que o interior de Mercúrio e da Terra é feito de ferro.

Vênus é o segundo planeta mais próximo do Sol e é quase do mesmo tamanho da Terra. A superfície do planeta é cheia de montanhas, vulcões, cânions e crateras. O planeta é coberto por nuvens de ácido sulfúrico, uma substância mortal. Vênus também é um planeta muito quente: a temperatura na superfície é de 460oC. Os cientistas enviaram uma nave para explorar o planeta. A primeira a sonda passar perto do planeta foi a Mariner 2, em 1962.

A Terra é o terceiro mais próximo do Sol e o maior dos quatro planetas rochosos. É uma esfera…

Escuridão do Espaço - Por que o Espaço é Escuro?

Porqueo espaço é escuro? Uma questão, que parece simples, porém é realmente muito difícil de responder! É uma pergunta que muitos cientistas ponderaram por muitos séculos – incluindo Johannes Kepler, Edmond Halley, e médico-astrônomo alemão Wilhelm Olbers. Há duas questões que temos que considerar aqui, vamos começar é pela primeira e mais simples delas: Por que o céu é azul durante o dia aqui na Terra? Essa é uma pergunta que podemos responder facilmente. O céu diurno é azul porque a luz das moléculas próximas ao sol bate na atmosfera da Terra e é espalhada em todas as direções. A cor azul do céu é um resultado deste processo de espalhamento. À noite, quando essa parte da Terra está de costas para o Sol, o espaço parece negro porque não existe uma fonte próxima brilhante de luz, como o Sol, para ser espalhada. Se você estivesse na Lua, que não tem atmosfera alguma, o céu noturno seria negro e o diurno também. Você pode ver isso em fotografias tiradas durante a missão Apollo. Agora vam…