1 de dezembro de 2010

Analisada Primeira Atmosfera de Super-Terra

 Esta impressão artistica mostra o exoplaneta super-Terra orbitando a estrela próxima GJ 1214. É o primeiro super-Terra que a sua atmosfera analisados. O exoplaneta, que orbita uma estrela pequena de apenas 40 anos-luz de distância de nós, tem uma massa cerca de seis vezes a da Terra. O planeta GJ 1214b parece estar cercado por uma atmosfera que seja dominada pelo vapor ou coberta por nuvens espessas ou neblinas. O planeta aparece como um grande crescente no primeiro plano com sua estrela vermelha para trás.
A atmosfera de um exoplaneta do tipo super-Terra foi analisada pela primeira vez por uma equipa internacional de astrónomos utilizando o Very Large Telescope do ESO. O planeta, conhecido como GJ 1214b, foi estudado à medida que passava em frente da sua estrela hospedeira e alguma da radiação estelar atravessava a atmosfera do planeta. Sabemos agora que a atmosfera é composta essencialmente por água, ou sob a forma de vapor ou dominada por nuvens espessas ou névoas. Os resultados sairão na revista Nature no número de 2 de Dezembro de 2010.  O planeta GJ 1214b foi descoberto em 2009 com o instrumento HARPS, montado no telescópio de 3.6 metros do ESO, situado no Chile (eso0950) . Os resultados iniciais sugeriam que este planeta possuísse uma atmosfera, a qual foi agora confirmada e estudada em detalhe por uma equipa internacional de astrónomos, liderada por Jacob Bean (Harvard–Smithsonian Center for Astrophysics), utilizando o instrumento FORS montado no Very Large Telescope do ESO. “Esta é a primeira super-Terra para a qual analisámos a atmosfera, alcançando assim um marco verdadeiramente notável na caracterização destes mundos,” diz Bean. GJ 1214b tem um raio cerca de 2.6 vezes maior do que o da Terra e possui cerca de 6.5 vezes mais massa, o que o coloca claramente na classe dos exoplanetas conhecidos como super-Terras. A sua estrela hospedeira encontra-se a cerca de 40 anos-luz de distância da Terra na constelação de Ofiúco (ou Serpentário). É uma estrela de baixa luminosidade, mas é também pequena, o que quer dizer que o tamanho do planeta é grande quando comparado com o disco estelar, tornando-o relativamente fácil de estudar. O planeta passa em frente do disco da estrela progenitora a cada 38 horas, à medida que a orbita a uma distância de apenas dois milhões de quilómetros: cerca de setenta vezes mais perto do que a órbita da Terra em torno do Sol. Para estudar a atmosfera, a equipa observou a radiação vinda da estrela à medida que o planeta passava à sua frente. Durante estes trânsitos, alguma da radiação estelar atravessa a atmosfera do planeta e, dependendo da composição química e do tempo atmosférico no planeta, comprimentos de onda específicos são absorvidos. A equipa comparou depois estas novas medições muito precisas com o que se esperaria observar para várias composições atmosféricas específicas.
Esta impressão de artistica mostra o super-Terra 1214b exoplaneta GJ passando em frente de sua estrela-mãe vermelho fraco. Este é o exoplaneta super-Terra primeiro a ter sua atmosfera analisados. O exoplaneta, que orbita uma estrela pequena de apenas 40 anos-luz de distância de nós, tem uma massa cerca de seis vezes a da Terra. GJ 1214b parece estar cercado por uma atmosfera que seja dominada pelo vapor ou coberta por nuvens espessas ou neblinas.
Anteriormente a estas novas observações, três atmosferas possíveis para GJ 1214b tinham sido propostas. A primeira consistia na possibilidade intrigante do planeta estar rodeado por água, a qual, devido à proximidade à estrela, estaria sob a forma de vapor. A segunda possibilidade era a de um planeta rochoso cuja atmosfera seria essencialmente constituída por hidrogénio, mas com nuvens altas ou nevoeiros que obscureceriam a visão. A terceira opção era a de que este exoplaneta seria uma espécie de mini-Neptuno, com um núcleo rochoso pequeno e uma atmosfera espessa rica em hidrogénio. As novas medições não mostram sinais de hidrogénio e por isso excluem a terceira hipótese. Portanto, a atmosfera ou é rica em vapor ou encontra-se coberta por nuvens ou nevoeiros, semelhantes aos observados nas atmosferas de Vénus e Titã no nosso Sistema Solar, as quais escondem a assinatura do hidrogénio.
“Embora não possamos ainda dizer exactamente de que é feita a atmosfera, este é um grande passo em frente na caracterização da atmosfera de um mundo tão distante, diminuindo as opções para uma atmosfera constituída ou por vapor ou por nevoeiro,” diz Bean. ”São agora necessárias observações na radiação infravermelha de maior comprimento de onda para determinar qual destas atmosferas existe realmente em GJ 1214b.”

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