6 de outubro de 2011

Vênus também possui uma camada de ozônio

Sonda europeia analisou a luz de estrelas atravessando a atmosfera de Vênus. Modelo será usado para refinar busca de planetas que possam abrigar vida
Astrônomos conseguiram encontrar a camada de ozônio de Vênus graças à sonda europeia Venus Express (ESA)
Astrônomos descobriram que Vênus também possui uma camada de ozônio. A descoberta foi feita pela sonda da agência espacial europeia Venus Express. O planeta é o terceiro do Sistema Solar com uma camada do tipo na alta atmosfera. Terra e Marte são os outros dois. Os resultados são importantes para ajudar os cientistas a refinar a busca por planetas que possam abrigar vida. É a camada de ozônio que defende os seres vivos da radiação ultravioleta que vem do Sol e de outras fontes do espaço. A informação foi divulgada nesta quinta-feira em um encontro das sociedades de ciência planetária da Europa e dos Estados Unidos. Os cientistas descobriram a camada de ozônio de Vênus ao observar a luz de estrelas atravessando a atmosfera do planeta. Um instrumento na sonda Venus Express analisou as características dos gases à medida que absorviam a luz dos astros. O ozônio foi identificado porque ele absorve parte da radiação ultravioleta das estrelas. De acordo com os modelos de computador, o ozônio venusiano é formado quando a luz do Sol quebra as moléculas de CO2, liberando átomos de oxigênio. Esses átomos são levados ao lado oposto do planeta, onde é noite, por ventos na atmosfera. Depois disso, eles se combinam para formar ozônio e gás oxigênio. A molécula do ozônio (O3) é composta de três átomos de oxigênio, e a do gás oxigênio (O2), dois.
Vida alienígena — Além de entender melhor a química de Vênus, os cientistas poderão usar o modelo recém-descoberto para ajudar na busca por vida em outros mundos. Além de proteger a vida na Terra ao absorver a maior parte dos raios ultravioleta do Sol, acredita-se que a camada de ozônio foi gerada pela própria manifestação da vida. O oxigênio e o ozônio na atmosfera da Terra começaram a se formar há 2,4 bilhões de anos. Não se sabe muito bem como isso aconteceu, mas os cientistas apostam que micróbios que liberam oxigênio tenham sido um dos fatores mais importantes. Até hoje, plantas e organismos microscópicos continuam restaurando o suprimento de oxigênio e ozônio da Terra. Por causa disso, alguns astrobiólogos sugerem que a presença simultânea de gás carbônico, oxigênio e ozônio na atmosfera pode ser usada para identificar vida em um planeta. Contudo, a quantidade de ozônio é crucial. A pequena quantidade do gás na atmosfera de Marte não foi gerada por vida. Assim como em Vênus, o ozônio em Marte foi formado por influência da luz do Sol, que quebra moléculas de gás carbônico presentes na atmosfera. No planeta vermelho, a camada de ozônio fica a 100 quilômetros de altitude, quatro vezes a distância na atmosfera da Terra. Além disso, ela é centenas de vezes menos densa. Para o suporte à vida, os teóricos estimam que a concentração de ozônio na atmosfera de um planeta deva ser, no mínimo, 20% do que se observa na Terra. Os novos resultados confirmam a teoria, pois a camada de ozônio de Vênus está abaixo desse limite. "Poderemos usar esses dados para testar e refinar os cenários para a detecção de vida em outros mundos", disse Franck Montmessin, chefe da pesquisa.
Fonte: http://veja.abril.com.br

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