'Seria uma descoberta fundamental': A misteriosa matéria escura pode interagir com 'partículas fantasmas' cósmicas.
"Se essa interação entre
matéria escura e neutrinos for confirmada, será um avanço fundamental."
Ilustração mostrando um halo de matéria escura ao redor de uma galáxia espiral (Crédito da imagem: Robert Lea (criada com Canva)
Uma nova pesquisa apresenta
evidências convincentes de que a matéria escura interage com "partículas
fantasmas" cósmicas chamadas neutrinos. Se isso se confirmar, essa
interação poderá representar um sério desafio para o modelo padrão da cosmologia,
nosso melhor modelo atual do universo.
A matéria escura é semelhante;
embora represente cerca de 85% da matéria do universo, o que quer que a
componha também quase não interage com a matéria comum e a luz, se é que
interage. Na verdade, efetivamente invisível, a matéria escura só pode ser inferida
devido à sua interação com a gravidade e ao efeito que isso tem sobre a luz e a
matéria convencional.
No entanto, novas descobertas de
uma equipe de pesquisadores da Universidade de Sheffield sugerem que existe uma
leve interação, na forma de uma pequena troca de momento, entre a matéria
escura e os neutrinos. Isso contradiz o chamado modelo " Lambda Cold Dark
Matter (LCDM)", que tenta explicar a estrutura e a evolução do universo, e
que afirma que a matéria escura e os neutrinos existem independentemente e não
interagem entre si.
As evidências para essa sugestão
potencialmente revolucionária vêm de observações do universo em seu estado
atual, conduzidas pela Dark Energy Camera no Telescópio Victor M. Blanco, no
Chile, de mapas de galáxias criados pelo Sloan Digital Sky Survey e de detalhes
do passado remoto do universo coletados pelas espaçonaves Atacama Cosmology
Telescope (ACT) e Planck Telescope da Agência Espacial Europeia (ESA).
Essas observações revelaram que o
universo moderno é menos "aglomerado" do que deveria ser. Esse enigma
cósmico poderia ser explicado pelas interações entre a matéria escura e os
neutrinos, que impactariam a forma como estruturas cósmicas como as galáxias se
formam e evoluem.
"Nossos resultados abordam
um enigma de longa data na cosmologia. Medições do universo primordial preveem
que as estruturas cósmicas deveriam ter crescido mais intensamente ao longo do
tempo do que observamos hoje", disse Eleonora Di Valentino, membro da
equipe e professora da Universidade de Sheffield, em um comunicado. "No
entanto, observações do universo moderno indicam que a matéria é ligeiramente
menos aglomerada do que o esperado, apontando para uma pequena discrepância
entre as medições do universo primordial e do universo atual. Essa discrepância
não significa que o modelo cosmológico padrão esteja errado, mas pode sugerir
que ele está incompleto."
"Nosso estudo mostra que as
interações entre a matéria escura e os neutrinos podem ajudar a explicar essa
diferença, oferecendo novas perspectivas sobre como a estrutura se formou no
universo", acrescentou Di Valentino.
O próximo passo é testar essa
ideia, algo que a equipe acredita ser possível usando observações precisas,
feitas por telescópios futuros, de um fóssil cósmico chamado Radiação Cósmica
de Fundo em Micro-ondas (CMB), um resquício de um evento no universo ocorrido
logo após o Big Bang. Os astrônomos também poderiam testar essa teoria usando
um efeito específico que objetos de grande massa exercem sobre o espaço e,
consequentemente, sobre a luz: um fenômeno chamado " lente gravitacional
". Isso permitiria medir com mais precisão a distribuição da matéria comum
e da matéria escura.
"Se essa interação entre
matéria escura e neutrinos for confirmada, será um avanço fundamental",
disse William Giarè, membro da equipe e professor da Universidade do Havaí.
"Isso não apenas lançaria nova luz sobre uma discrepância persistente
entre diferentes sondas cosmológicas, mas também forneceria aos físicos de
partículas uma direção concreta, indicando quais propriedades procurar em
experimentos de laboratório para ajudar a finalmente desvendar a verdadeira
natureza da matéria escura."
A pesquisa da equipe foi
publicada em 2 de janeiro na revista Nature Astronomy.
Space.com

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