Um exoplaneta azul, do tamanho de Netuno, em redor de uma anã vermelha

Uma equipe de astrónomos usou a rede LCOGT (Las Cumbres Observatory Global Telescope) para detetar luz dispersa por partículas minúsculas (com o nome dispersão de Rayleigh), através da atmosfera de um exoplaneta em trânsito, exoplaneta este com o tamanho de Neptuno. Isto sugere um céu azul neste mundo, localizado a apenas 100 anos-luz de distância. Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal de 20 de novembro e estão disponíveis online. Os trânsitos ocorrem quando um exoplaneta passa em frente da sua estrela-mãe, reduzindo por uma pequena fração a quantidade de luz estelar que recebemos. Quando a órbita de um exoplaneta está alinhada com o nosso ponto de vista na Terra, os astrónomos podem medir o tamanho de um planeta em diferentes comprimentos de onda a fim de gerar um espectro da sua atmosfera.

O espectro então revela as substâncias presentes na atmosfera exoplanetária e, portanto, a sua composição. Esta medição é frequentemente realizada usando radiação infravermelha, onde o planeta é mais brilhante e mais facilmente observado. Durante os últimos anos, os investigadores têm vindo a estudar as atmosferas de vários exoplanetas pequenos com telescópios terrestres e espaciais, mas a determinação da sua composição é sempre um desafio com este método. Isto porque ou os planetas têm nuvens (que obscurecem a atmosfera) ou as medições não são suficientemente precisas.

Com quatro vezes o tamanho da Terra, GJ 3470b é um exoplaneta mais perto, em tamanho, do nosso próprio planeta do que dos chamados "Júpiteres Quentes" (com cerca de dez vezes o tamanho da Terra), que até agora perfazem a maioria dos exoplanetas com atmosferas bem caracterizadas. Astrónomos liderados por Diana Dragomir da Universidade de Chicago, EUA, debruçaram-se sobre a descoberta feita por outro grupo, cujos resultados sugeriram tentativamente a presença de dispersão de Rayleigh na atmosfera de GJ 3470b. A equipa da Dra. Dragomir adquiriu e combinou observações de trânsito de todos os locais do observatório LCOGT (Hawaii, Texas, Chile, Austrália e África do Sul) para confirmar de forma conclusiva a deteção de dispersão de Rayleigh em GJ 3470b.

O resultado é importante por várias razões. GJ 3470b é o exoplaneta mais pequeno para qual existe uma deteção de dispersão de Rayleigh. Embora se pense que este planeta seja nublado ou enevoado, a medição diz aos astrónomos que o planeta tem uma atmosfera espessa e rica em hidrogénio por baixo de uma camada de neblina que espalha luz azul. Na verdade, em GJ 3470b o céu é azul. Além disso, o planeta orbita uma pequena anã vermelha, o que significa que bloqueia uma grande quantidade de luz estelar durante cada trânsito, o que os torna fáceis de detetar e que torna o planeta mais facilmente caracterizável. Finalmente, esta medição é a primeira deteção clara de uma característica espectroscópica na atmosfera de um exoplaneta feita apenas com telescópios pequenos (1,0 e 2,0 m). A equipa também complementou os dados do LCOGT com observações obtidas pelo Telescópio Kuiper de 1,5 m no estado americano do Arizona.

A Dra. Dragomir, que realizou o projeto enquanto investigadora no LCOGT, diz que "esta deteção leva-nos mais perto de compreender a natureza de exoplanetas cada vez mais pequenos através do uso de uma nova abordagem que permite investigar as atmosferas de exoplanetas, mesmo que sejam nublados." Ao mesmo tempo, o resultado destaca o papel que telescópios com poucos metros de abertura podem desempenhar na caracterização das atmosferas destes mundos.
Fonte: Astronomia Online                    



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