Satélite chinês captura impressionante imagem da Lua com a Terra

O pioneirismo da missão da China ao lado “escuro “da Lua está trazendo diversas novidades aqui para a Terra. Depois de pousar lá pela primeira vez na história e fazer brotar uma semente de algodão em solo lunar, os chineses agora enviaram para o nosso planeta uma raríssima foto do lado de lá do nosso satélite natural, com a intromissão da Terra ao fundo.

A imagem foi capturada pelo satélite chinês Longjiang-2, um dos acompanhantes da sonda lunar Chang’e-4, que explora o lado escuro da lua desde o início de janeiro. Junto com a sonda de comunicações Queqiao, o Longjiang-2 está em órbita lunar desde junho de 2018 – o Longjiang-1, um satélite gêmeo do Longjiang-2, não conseguiu sair da órbita da Terra após seu lançamento no final de maio, o único ponto negativo da bem-sucedida missão da Administração Espacial Nacional da China (CNSA) de estudar o lado oposto da Lua.

A sonda lunar Chang’e-4 foi lançada em dezembro de 2018 e pousou com sucesso no lado oposto da Lua no início deste ano. Logo após a chegada, a sonda instalou seu pequeno robô explorador na superfície lunar, tirou fotos e mediu a temperatura do lado oculto da Lua – que se mostrou mais gelado do que o esperado, além da jardinagem pioneira com o broto de algodão, que não resistiu ao frio e à duração prolongada da noite lunar.

Nada disso seria possível sem o Longjiang-2 e o Queqiao, que estão servindo como satélites de retransmissão críticos, permitindo que os controladores de missão permaneçam em contato com a Chang’e-4 enquanto ela trabalha no lado oculto da Lua – um dos maiores problemas de pousar no lado da Lua que nunca fica frente à frente com a Terra era justamente o corte nas comunicações, solucionado com estes dois instrumentos.
O Longjiang-2 é um microssatélite de apenas 20 polegadas de diâmetro, e é equipado com uma câmera óptica fornecida pela Arábia Saudita.

O minúsculo satélite tirou belas fotos da Lua depois de chegar à órbita lunar em junho de 2018, mas no início de janeiro de 2019, enquanto a CNSA monitorava cuidadosamente o desembarque de Chang’e-4, ele entrou em um período de silêncio para minimizar a interferência, segundo a CAMRAS, organização que administra o telescópio de rádio Dwingeloo, na Holanda, que está ajudando a CNSA com suas comunicações de rádio para a missão lunar.

A CNSA suspendeu o período de silêncio do Longjiang-2 em meados de janeiro, permitindo que o satélite tirasse fotografias mais uma vez. Em 3 de fevereiro, a CNSA fez o satélite capturar uma imagem do lado oculto da Lua com a Terra ao fundo. Esta é a primeira foto capturada pelo Longjiang-2 que mostra todo o lado distante da Lua e a Terra juntas no mesmo quadro.

O CAMRAS espera receber mais fotos lunares na semana que vem, então há mais por vir. O Longjiang-2 fará mais do que auxiliar nas comunicações e tirar fotos bonitos. O mini satélite também está programado para conduzir experimentos de radioastronomia de baixa frequência e radioamador, graças à sua separação da ionosfera do nosso planeta.

“O transceptor a bordo do Longjiang-2 foi projetado para permitir que os radioamadores baixassem a telemetria e transmitissem as mensagens através de um satélite na órbita lunar, além de comandá-lo para capturar e fazer downlink de imagens. Na medida em que conseguiram, esses radioamadores receberam dados de telemetria e imagem. Ser capaz de usar o telescópio Dwingeloo para ajudar com isso tem sido muito divertido”, explicam os responsáveis pelo telescópio em texto publicado no site da CAMRAS.
Fonte: The Verge

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