Hubble captura imagem sem precedentes da destruição de uma estrela condenada

 Como testemunha de uma morte violenta, o Telescópio Espacial Hubble da NASA deu recentemente aos astrónomos uma visão abrangente e sem precedentes dos primeiros momentos da morte cataclísmica de uma estrela. Os dados do Hubble, combinados com outras observações da estrela condenada a partir de telescópios espaciais e terrestres, podem dar aos astrónomos um sistema de alerta precoce para outras estrelas prestes a explodir.

Os astrónomos testemunharam recentemente a supernova SN 2020fqv a explodir dentro das galáxias Borboleta em interação, localizadas a cerca de 60 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Virgem. Os investigadores rapidamente utilizaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA. Juntamente com outros telescópios espaciais e terrestres, o Hubble viu os primeiros momentos da morte da estrela condenada, dando uma visão abrangente de uma supernova no estágio inicial de explosão. O Hubble sondou o material muito perto da supernova que foi ejetada pela estrela no último ano de sua vida. Essas observações permitiram aos investigadores entender o que estava acontecendo com a estrela pouco antes de morrer e podem fornecer aos astrónomos um sistema de alerta precoce para outras estrelas à beira da morte. Crédito: NASA, ESA, Ryan Foley (UC Santa Cruz); processamento de imagem - Joseph DePasquale (STScI)

"Costumávamos falar sobre o trabalho de supernovas como se fôssemos investigadores de uma cena de um crime, onde aparecíamos depois do ato e tentávamos descobrir o que aconteceu com aquela estrela," explicou Ryan Foley da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, o líder da equipa que fez esta descoberta. "Esta é uma situação diferente, porque realmente sabemos o que está a acontecer e realmente vemos a morte em tempo real." 

Trabalho em equipe de telescópios 

A supernova, chamada SN 2020fqv, encontra-se nas galáxias Borboleta em interação, localizadas a cerca de 60 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Virgem. Foi descoberta em abril de 2020 pelo ZTF (Zwicky Transient Facility) no Observatório Palomar em San Diego, no estado norte-americano da Califórnia. Os astrónomos perceberam que a supernova estava a ser observada simultaneamente pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), um satélite da NASA projetado principalmente para descobrir exoplanetas, com a capacidade de detetar uma variedade de outros fenómenos. Rapidamente apontaram o Hubble e um conjunto de telescópios terrestres para ela. 

Juntos, estes observatórios deram a primeira visão holística de uma estrela no estágio inicial de destruição. O Hubble sondou o material muito perto da estrela, chamado de material circunstelar, meras horas após a explosão. Este material foi expelido pela estrela no último ano da sua vida. Estas observações permitiram aos astrónomos entender o que estava a acontecer com a estrela pouco antes de morrer. 

"Nós raramente conseguimos examinar este material circunstelar muito próximo, pois só é visível por um período muito curto de tempo, e geralmente não começamos a observar uma supernova até pelo menos alguns dias após a explosão," explicou Samaporn Tinyanont, autor principal do artigo científico publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. "Para esta supernova, fomos capazes de fazer observações ultrarrápidas com o Hubble, dando uma cobertura sem precedentes da região logo ao lado da estrela que explodiu." 

Contando a história da estrela 

A equipa analisou observações da estrela pelo Hubble que remontam até à década de 1990. O TESS forneceu uma imagem do sistema a cada 30 minutos, começando vários dias antes da explosão, passando pela própria explosão e continuando por várias semanas. O Hubble foi usado novamente apenas algumas horas depois da primeira deteção da explosão pelos astrónomos. E, ao estudar o material circunstelar com o Hubble, os cientistas compreenderam o que estava a acontecer em torno da estrela ao longo da década anterior. Ao combinar todas estas informações, a equipa foi capaz de criar uma visão de várias décadas dos anos finais da estrela. 

"Agora temos toda esta história do que aconteceu à estrela nos anos antes da sua morte, durante o momento da sua morte e depois da sua morte," disse Foley. "Esta é realmente a visão mais detalhada de estrelas como esta nos seus últimos momentos e de como explodem." 

A Pedra de Roseta das supernovas 

Tinyanont e Foley chamaram SN 2020fqv "a Pedra de Roseta das supernovas". A antiga Pedra de Roseta, que tem o mesmo texto inscrito em três línguas diferentes, ajudou os especialistas a aprender a ler os hieróglifos antigos. 

No caso desta supernova, a equipa científica usou três métodos diferentes para determinar a massa da estrela em explosão. Isto incluiu comparar as propriedades e a evolução da supernova com modelos teóricos; usando informações de uma imagem do arquivo Hubble de 1997 da estrela para descartar estrelas de maior massa; e usando observações para medir diretamente a quantidade de oxigénio na supernova, que examina a massa da estrela. Os resultados são todos consistentes: cerca de 14 a 15 vezes a massa do Sol. A determinação precisa da massa da estrela que explode como supernova é crucial para entender como as estrelas massivas vivem e morrem. 

"As pessoas usam muito o termo 'Pedra de Roseta'. Mas esta é a primeira vez que conseguimos verificar a massa com estes três métodos diferentes para uma supernova e todos eles são consistentes," disse Tinyanont. "Agora podemos avançar usando estes métodos diferentes e combinando-os, porque há muitas outras supernovas das quais temos massas de um método, mas não de outro." 

Um sistema de alerta precoce? 

Nos anos que antecedem à explosão das estrelas, elas tendem a tornar-se mais ativas. Alguns astrónomos apontam para a supergigante vermelha Betelgeuse, que recentemente expeliu quantidades significativas de material, e perguntam-se se se tornarará em breve uma supernova. Embora Foley duvide que Betelgeuse esteja prestes a explodir, ele acha que devemos levar a sério estas explosões estelares. 

"Este poderia ser um sistema de alerta," disse Foley. "De modo que se observarmos uma estrela a começar a tremer um pouco, a comportar-se de maneira invulgar, então talvez devêssemos prestar mais atenção e realmente tentar entender o que está a acontecer antes de explodir. À medida que encontramos mais e mais destas supernovas com este tipo de excelente conjunto de dados, seremos capazes de entender melhor o que está a acontecer nos últimos anos da vida de uma estrela."

Fonte: Astronomia OnLine


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Galéria de Imagens - Os 8 planetas de nosso Sistema Solar

Galáxias na Fornalha

Messier 109

Galáxias no Rio

M100

Tipos de Estrelas

Gás galáctico escapa

Poeira de meteoro

Conheça as 10 estrelas mais próximas da Terra

Miranda revisitada