Matemáticos provam que energia escura é um erro de interpretação
Prova matemática
A hipótese da energia escura, a
força misteriosa que explicaria a aceleração da expansão do Universo, não tem
tido dias fáceis, com inúmeras contestações: Não é apenas que não sabemos o que
é a energia escura, é que um número crescente de físicos garante que a energia
escura não existe ou que tanto a energia escura quanto a matéria escura são
apenas ilusão cósmica.
Os matemáticos literalmente eliminaram a energia escura da equação. [Imagem: C. Alexander et al. - 10.1098/rspa.2025.0912]
Agora foi a vez dos matemáticos
questionarem a ideia de que a energia escura é responsável pela aceleração da
expansão do Universo.
Para isso, Christopher Alexander,
Blake Temple e Zeke Vogler analisaram não os dados cosmológicos, mas as
próprias ferramentas matemáticas que os físicos usam para tirar suas conclusões
sobre como o Universo funciona. E não apenas não gostaram do que viram, como
forneceram uma prova matemática de que instabilidades inerentes às equações
implicam que o modelo atual do Universo em expansão não é viável.
E o problema pode ser bem
entendido quando se tenta passar das equações para a realidade: "Todas as
forças estão em equilíbrio quando um lápis está em pé, então é uma 'solução das
equações'. Mas é instável. Qualquer sopro de ar e ele cai," comparou
Temple, da Universidade da Califórnia em Davis.
A crise da cosmologia tem gerado muitas ideias, incluindo a de trocar o Big Bang por múltiplas singularidades, o que também elimina a necessidade da matéria escura e da energia escura. [Imagem: KPNO/NOIRLab/NSF/AURA/P. Horálek]
Soluções instáveis não são
físicas
As ferramentas matemáticas em
questão são conhecidas como equações de Einstein-Euler, uma união das equações
da Relatividade Geral e da dinâmica dos fluidos, usadas para modelar fenômenos
astronômicos como galáxias, buracos negros e a expansão cósmica.
O que os matemáticos mostraram
agora é que os espaços-tempos de Friedmann - modelos matemáticos que regem a
expansão cósmica - são instáveis tanto em pequenas quanto em grandes escalas de
comprimento no Big Bang, na verdade tornando-se a solução mais instável de
todas.
"Soluções instáveis na
física e na ciência são consideradas não físicas," disse Temple.
"Você nunca as observará na natureza."
Isso contesta frontalmente o
modelo Lambda-CDM (Λ-CDM) o modelo cosmológico padrão do Big Bang - Λ é a
constante cosmológica e CDM é a sigla em inglês para matéria escura fria.
Na verdade, a instabilidade
identificada pelos matemáticos sugere uma explicação mais simples - uma
explicação baseada inteiramente na estrutura da teoria original de Einstein.
"A instabilidade de todos os
espaços-tempos de Friedmann à expansão acelerada sugere uma explicação mais
simples e natural para a aceleração do Universo do que a energia escura,"
resumiu Temple.
A teoria da luz cansada também descarta o Big Bang, enquanto o telescópio Webb vem lançando muitas dúvidas sobre o modelo cosmológico padrão. [Imagem: Gerado por IA]
Equações diferenciais parciais e ordinárias
Essa explicação mais simples foi
batizada de STV-ODE, uma referência a um sistema de equações diferenciais
ordinárias (em inglês: Ordinary Differential Equations, daí o ODE) desenvolvido
pelos próprios autores, que por isso lhe acrescentaram a sigla STV, composta
pelas iniciais dos nomes pelos quais são conhecidos: Smock, Temple e Vogler.
Tudo começa com as STV-PDE, uma
referência às equações diferenciais parciais. Essas complexas equações de
Einstein-Euler, que governam a dinâmica do espaço-tempo e dos fluidos no
Universo, foram reformuladas utilizando coordenadas e variáveis autossimilares,
para fazer com que o modelo padrão clássico (o espaço-tempo crítico de
Friedmann) apareça como um ponto de repouso (um estado estacionário) dentro do
sistema de equações.
Como as equações diferenciais
parciais (PDE) são extremamente difíceis de resolver, o trio aplicou uma
técnica matemática de expansão para transformar o problema original de equações
parciais em um sistema aninhado de equações diferenciais ordinárias, fazendo o
STV-PDE virar STV-ODE, que é dependente apenas do tempo.
Foi aqui, através do estudo do
retrato de fase dessas STV-ODE que os matemáticos conseguiram provar
rigorosamente que o modelo de Friedmann não é estável. Eles demonstraram que o
ponto que representa o nosso Universo atual funciona como um "ponto de
sela", uma analogia matemática ao lápis equilibrado na própria ponta, que
não se sustentaria na natureza.
Descartando os modelos
Ao analisar as trajetórias das
soluções que se afastam desse ponto de instabilidade nas STV-ODE, os
matemáticos descobriram que a dinâmica natural de expansão do fluido gera
curvas de aceleração que imitam perfeitamente os efeitos que a cosmologia
atualmente atribui à energia escura.
"Nós provamos que, assim
como o modelo estático de Einstein, os espaços-tempos de Friedmann são todos
instáveis a perturbações radiais em grandes escalas de comprimento,"
detalhou Temple. "Isso parece descartar o modelo de Lambda/matéria escura
fria como uma solução estável viável das equações de Einstein da Relatividade
Geral, com ou sem energia escura."
Os cálculos também põem em
questão o princípio copernicano, a ideia de que a localização da Terra não
ocupa um lugar especial no Universo. "Tanto o modelo Lambda/matéria escura
fria quanto um espaço-tempo esfericamente simétrico produzem um lugar especial
onde devemos estar para que o modelo seja fisicamente plausível. Se esse
princípio exclui um, ele também exclui o outro," concluiu Temple.
Inovação Tecnológica



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