11 de abril de 2018

Conheça a bolha de Higgs que destruirá o universo. Talvez.

Várias teorias sobre como o universo vai acabar já foram apresentadas. Agora, a mais nova possibilidade aponta que o fim de tudo que conhecemos e não conhecemos não será em um colapso cósmico, mas sim por causa de uma gigantesca bolha cósmica que devorará tudo em seu caminho. De acordo com um estudo publicado em 12 de março na revista Physical Review D, o momento final do universo será desencadeado por uma consequência bizarra da física subatômica chamada instanton. 

Este instanton criará uma pequena bolha que se expandirá na velocidade da luz, engolindo tudo em seu caminho. “Em algum momento, uma dessas bolhas será criada. Vai ser muito desagradável”, afirma Anders Andreassen, físico-chefe do estudo na Universidade de Harvard.

Os instantons são as soluções para as equações que governam o movimento de minúsculas partículas subatômicas, mas Andreassen as comparou com o fenômeno dos tunelamentos quânticos, em que uma partícula aparentemente desafia a física a passar por uma barreira impenetrável. Mas em vez de atravessar uma barreira, o instanton forma uma bolha dentro do campo de Higgs, o campo que dá massa a tudo e dá origem ao bóson de Higgs.

Essa bolha que pode dar fim ao universo nunca seria possível se não fosse pela massa particular do bóson de Higgs em relação a outra partícula mais pesada, chamada de quark top, que compreende muitos átomos. Se o quark ou a partícula de Higgs fossem um pouco mais leves, essas bolhas destruidoras do universo não poderiam se formar. 

Infelizmente, esse não é o caso e, de acordo com a teoria, uma bolha destrutiva se formará. Mas nós ainda temos um tempinho até que isso aconteça. A equipe calcula que a vida útil do universo esteja entre 10 e quinze quinquadraguintilhões de anos (um número com 139 zeros) e meros 10 octodecilhões de anos (um com 58 zeros).

“Isso é muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito tempo”, disse Andreassen. “Nosso sol vai queimar e muitas coisas vão acontecer em nosso sistema solar antes que isso aconteça.  Porém, isso é apenas uma previsão. Andreassen diz que é possível que uma bolha já tenha se formado e esteja se aproximando de nós na velocidade da luz neste momento.

E a matéria escura?

Vincenzo Branchina, professor de física e pesquisador da Universidade de Catania, na Itália, que não esteve envolvido no estudo, critica a teoria, afirmando que a equipe de Harvard considera apenas o modelo padrão da física, e não todos os novos e confusos ramos, como a gravidade quântica e a matéria escura, que ainda são completamente misteriosos. 

Para que o universo seja consumido em uma esfera de caos em expansão, a matéria escura, a forma de matéria que exerce uma atração gravitacional, mas não emite ou interage com a luz, não pode interferir. O que é improvável, já que ela representa mais de 80% do nosso universo.

Da mesma forma, Branchina diz que a gravidade quântica – uma parte bizarra da física que tenta reconciliar a mecânica quântica e a teoria da relatividade geral de Einstein, que mal conseguimos vislumbrar – poderia tornar o universo muito mais estável ou instável, dependendo de suas regras. Ele disse que, como ninguém entendeu ainda essa nova física, não podemos saber nada sobre o fim do universo.

Apesar de sua teoria, Andreassen concorda que a matéria escura tem um papel a desempenhar nesta questão. “Eu não apostaria dinheiro que este será o fim da história. Eu esperaria que a matéria escura entrasse e mudasse a história”, acredita. 
Fonte: Live Science
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