10 milhões de vezes a massa do Sol: mistério sobre pontos vermelhos no universo é revelado por estudo baseado em imagens do James Webb

Desde que o Telescópio Espacial James Webb começou a observar o universo mais distante, um conjunto de objetos chamou a atenção dos astrônomos: pequenos pontos avermelhados espalhados por imagens do cosmos primitivo. Agora, um novo estudo oferece uma explicação consistente para esse fenômeno e ajuda a esclarecer um dos grandes enigmas da cosmologia.

Segundo uma pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Copenhague e publicada na revista Nature, esses chamados “pontos vermelhos” são, na verdade, buracos negros supermassivos ainda jovens, observados em um estágio raro e acelerado de crescimento. Diferentemente do que se imaginava, eles não são galáxias gigantes já formadas, mas estruturas em desenvolvimento nos primeiros tempos do universo.

A análise identificou centenas desses objetos em imagens captadas pelo Webb, todas datadas de poucas centenas de milhões de anos após o Big Bang. Os dados indicam que esses buracos negros possuem massas de até 10 milhões de vezes a do Sol, valor considerado modesto em escala cósmica, mas suficiente para gerar intensa atividade energética.

Buracos negros em fase inicial explicam mistério antigo

Os pesquisadores descobriram que esses buracos negros estão envoltos por espessos casulos de gás ionizado, que brilham intensamente à medida que são consumidos. Esse processo gera radiação suficiente para atravessar o material ao redor, produzindo a tonalidade avermelhada observada pelo telescópio.

A principal novidade do estudo está na forma como os cientistas reinterpretaram os dados espectrais. Ao levar em conta o espalhamento da luz por elétrons em ambientes extremamente densos, as estimativas de massa desses objetos caíram drasticamente, em até 99% em relação a cálculos anteriores. Isso elimina a necessidade de teorias alternativas para explicar a rápida formação de buracos negros gigantes no início do universo.

As observações foram feitas com o instrumento NIRSpec, que analisou linhas de emissão de hidrogênio e hélio. Embora os autores reconheçam limitações, como o tamanho da amostra e incertezas sobre a geometria do gás, o estudo oferece uma explicação robusta para um fenômeno que vinha desafiando os modelos tradicionais de evolução cósmica.

Msn.com

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