Planeta alienígena derretido e com atmosfera de enxofre exibe paisagem infernal única
Astrônomos avistaram um planeta orbitando uma estrela em nossa vizinhança na galáxia Via Láctea que apresenta uma paisagem infernal única: coberto por um oceano perpétuo de magma e envolvido por uma atmosfera nociva e ferozmente quente, rica em enxofre.
Representação artística do
exoplaneta L 98-59 d, com um corte transversal revelando seu interior,
orbitando uma estrela anã vermelha junto com dois de seus planetas irmãos 16 de
março de 2026 Mark A. Garlick/Divulgação via REUTERS © Thomson Reuters
O diâmetro do planeta fundido é
mais de 60% maior do que o da Terra, embora sua densidade seja de apenas 40% da
do nosso planeta. Ele orbita uma estrela menor e mais fraca que o Sol,
localizada a cerca de 34 anos-luz da Terra, na constelação de Volans. Um
ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, ou seja, 9,5 trilhões de
quilômetros.
Pequenos cristais de rocha sólida
podem estar presos dentro do magma fluido e turbulento que compõe o manto,
disse Nicholls.
O núcleo metálico do planeta
parece ser relativamente pequeno, com o oceano de magma compreendendo entre 70
a 90% do raio do interior do planeta -- atingindo uma profundidade que varia de
4.465 a 5.740 km.
Sua atmosfera espessa é composta
principalmente de hidrogênio, mas tem um teor bem alto de enxofre. Cerca de 10%
da atmosfera é composta pelo gás tóxico sulfeto de hidrogênio, que exala o mau
cheiro de ovos podres. A atmosfera causou um efeito estufa descontrolado,
prendendo o calor da estrela, o que mantém a superfície do planeta tão quente
que ela permanece derretida.
"Seu nariz pode sentir o
cheiro de sulfeto de hidrogênio em concentrações de algo como uma parte por
bilhão, então isso seria extremamente fedorento. Mas você não sobreviveria por
tempo suficiente nessa atmosfera quente para perceber", disse o cientista
planetário e coautor do estudo Raymond Pierrehumbert, da Universidade de Oxford
e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
A composição da atmosfera sugere
um alto teor de enxofre no interior do planeta, disseram os pesquisadores.
"Não sabemos a composição
exata do material fundido, mas nossa interpretação das observações sugere que o
alto teor de enxofre provavelmente significaria uma composição mineralógica
diferente da dos planetas do nosso sistema solar", disse Nicholls.
O planeta, denominado L 98-59 d,
foi descoberto em 2019, depois observado pelo Telescópio Espacial James Webb em
2024 e por telescópios terrestres em 2025. Os pesquisadores usaram simulações
avançadas de computador para reconstruir sua história, que abrange quase cinco
bilhões de anos, o que o torna um pouco mais antigo que a Terra.
Ele orbita um tipo comum de
estrela chamada anã vermelha. A massa da estrela tem pouco menos de 30% da
massa do Sol e sua luminosidade é cerca de 1% da do Sol. Em termos de distância
orbital, o L 98-59 d é o terceiro dos cinco planetas conhecidos que orbitam
essa estrela.
Mais de 6.100 planetas além do
nosso sistema solar, chamados de exoplanetas, foram descobertos desde a década
de 1990, mas nenhum como esse. Sua combinação única de um oceano de magma e uma
atmosfera carregada de enxofre o coloca em uma classe à parte, por enquanto.
Outros planetas derretidos são
conhecidos, alguns orbitando tão perto de suas estrelas hospedeiras que suas
superfícies são queimadas. Essa não é a dinâmica do L 98-59 d.
"Um ponto importante a ser
reconhecido é que todos os planetas -- inclusive a Terra -- começam fundidos,
mas esse permaneceu assim devido a uma combinação de fatores", disse
Nicholls.
REUTERS

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