Como Júpiter "cultivou" mais luas grandes do que Saturno
Os dois maiores planetas do nosso Sistema Solar, Júpiter e Saturno, possuem também os maiores sistemas de satélites, ou seja, o maior número de luas. Atualmente, o número de luas conhecidas de Júpiter ascende a mais de 100, e, juntamente com os seus numerosos anéis, Saturno tem mais de 280 luas conhecidas.
No entanto, nem todas estas luas
são iguais. A família de luas de Júpiter tem quatro membros de grande dimensão,
incluindo a maior lua do Sistema Solar, Ganimedes, enquanto a família de
Saturno é dominada por uma grande lua, Titã, a segunda maior do Sistema Solar.
Representação artística das
simulações realizadas nesta investigação. Júpiter (canto inferior esquerdo)
possui um forte campo magnético que cria uma cavidade no seu disco
circumplanetário. Saturno (canto superior direito) não possui um campo
magnético forte, pelo que o seu disco circumplanetário evolui sem uma cavidade.
Crédito: Yuri I. Fujii/L-INSIGHT (Universidade de Quioto), ilustração por
Shinichiro Kinoshita
Uma vez que ambos os planetas são
gigantes gasosos, as razões para as diferenças nestes sistemas de satélites têm
intrigado os astrónomos há muito tempo. As teorias sobre a formação de
satélites propuseram algumas possibilidades, mas estudos recentes sobre campos
magnéticos estelares sugeriram a necessidade de repensar estas teorias. Existe
também um debate de longa data em torno da acreção magnética e da formação de
satélites: especificamente, se uma cavidade interna pode ser formada no disco
circumplanetário de Júpiter, a acumulação de material em órbita de um planeta a
partir do qual os satélites podem se formar.
Um modelo fisicamente consistente
que consiga explicar sistemas múltiplos, como os sistemas de satélites de
Júpiter e de Saturno, poderá ser aplicável a outros sistemas planetários e de
satélites para lá do Sistema Solar. Isto motivou uma equipa colaborativa de
investigadores de instituições no Japão e na China a desenvolver um modelo
desse tipo.
"Testar a teoria da formação
planetária é um pouco difícil, porque só temos o nosso Sistema Solar como
referência, mas existem vários sistemas de satélites próximos de nós cujas
características detalhadas podemos observar", afirma o primeiro autor,
Yuri I. Fujii, da Universidade de Quioto.
Para compreender a evolução
térmica de Júpiter e de Saturno e a forma como os seus campos magnéticos
variaram ao longo do tempo, a equipa realizou simulações numéricas das
estruturas internas de gigantes gasosos jovens. A equipa também modelou
numericamente os discos circumplanetários de ambos os planetas e realizou
simulações de N-corpos para acompanhar a formação de satélites e a migração
orbital, utilizando o "cluster" de computadores do Centro de
Astrofísica Computacional do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan).
Os resultados revelaram que a
diferença entre os grandes sistemas de satélites em torno de Júpiter e Saturno
pode ser explicada pelas suas diferentes estruturas de disco, originadas pela
intensidade dos seus campos magnéticos. Especificamente, o forte campo
magnético de Júpiter causou a formação de uma cavidade magnetosférica no disco
circumplanetário em torno do jovem gigante gasoso, que provavelmente capturou
as luas Io, Europa e Ganimedes. Em contraste, o campo magnético do jovem
Saturno era demasiado fraco para formar uma cavidade, pelo que as luas
migrantes não conseguem sobreviver no disco.
Este estudo constitui uma base
para futuras observações de exoluas e discos circumplanetários em torno de
gigantes gasosos. O modelo da equipa prevê que gigantes gasosos do tamanho de
Júpiter ou maiores evoluiriam para sistemas compactos com várias luas, enquanto
em torno de planetas gasosos do tamanho de Saturno se formariam uma ou duas
luas. Em seguida, a equipa pretende alargar a sua teoria a outras luas e a
potenciais sistemas de exoluas.
Astronomia OnLine

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