Como é que isto aconteceu? Um planeta gigante orbita uma estrela pequena
Observações de um exoplaneta
altamente invulgar, TOI-5205 b - por vezes denominado "proibido" -,
realizadas pelo Telescópio Espacial James Webb, sugerem que a sua atmosfera
contém menos elementos pesados do que a estrela hospedeira. Estas descobertas
têm implicações para a nossa compreensão do processo de formação de planetas
gigantes que ocorre nas fases iniciais da vida de uma estrela.
Impressão de artista do gigante gasoso TOI-5205 b em órbita de uma pequena e fria estrela vermelha. Crédito: Katherine Caine, Instituto Carnegie
Publicadas a semana passada na
revista The Astronomical Journal, estas descobertas representam o trabalho
colaborativo de uma equipa internacional de astrónomos liderada por Caleb
Cañas, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, e que inclui Shubham Kanodia,
do Instituto Carnegie.
TOI-5205 b é um planeta do
tamanho de Júpiter que orbita uma estrela que, por sua vez, tem cerca de quatro
vezes o tamanho de Júpiter e cerca de 40 por cento da massa do Sol. Quando
passa à frente da sua estrela hospedeira - um fenómeno a que os astrónomos
chamam "trânsito" -, o planeta bloqueia cerca de 6% da sua luz. Ao
observar este trânsito com instrumentos telescópicos chamados espetrógrafos,
que dividem a luz nas suas cores constituintes, os astrónomos podem tentar
decifrar a composição atmosférica do planeta e aprender mais sobre a sua
história e relação com a sua estrela hospedeira.
Os planetas nascem do disco
giratório de gás e poeira que rodeia uma estrela na sua juventude. Embora seja
geralmente aceite que os planetas gigantes se formam nestes discos resultantes
do nascimento da estrela-mãe, a existência de planetas massivos como TOI-5205 b
em órbita de estrelas frias a distâncias próximas levanta muitas questões sobre
este processo.
Para esclarecer melhor esta
questão, Kanodia, Cañas e Jessica Libby-Roberts, da Universidade de Tampa, EUA,
estão a liderar o maior programa de exoplanetas do Ciclo 2 do Telescópio James
Webb, intitulado "Anãs Vermelhas e os Sete Gigantes", concebido para
estudar mundos improváveis como TOI-5205 b - por vezes designados por GEMS
(“giant exoplanets around M dwarf stars”).
Em 2023, Kanodia liderou o
esforço que confirmou a existência de TOI-5205 b, dando seguimento às
informações do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, que o
identificou pela primeira vez como um candidato a planeta. Agora, ele colidera
a equipa que fez as primeiras observações da sua composição atmosférica.
As suas observações de três
trânsitos de TOI-5205 b revelaram algo que os astrónomos não conseguiram
explicar facilmente. Ficaram surpreendidos ao ver que a atmosfera do planeta
tem uma concentração mais baixa de elementos pesados - em relação ao hidrogénio
- do que um planeta gigante gasoso do nosso próprio Sistema Solar, como
Júpiter. Tem até uma metalicidade mais baixa do que a sua própria estrela
hospedeira. Isto faz com que se destaque entre todos os planetas gigantes que
foram estudados até à data.
Além disso, embora menos
surpreendente, os trânsitos revelaram metano (CH₄) e sulfureto de hidrogénio (H₂S) na atmosfera de
TOI-5205 b.
Para contextualizar as suas
descobertas, os membros da equipa Simon Muller e Ravit Helled, da Universidade
de Zurique, utilizaram modelos sofisticados do interior planetário para prever
que a composição total de TOI-5205 b é cerca de 100 vezes mais rica em metais
do que a sua atmosfera, tal como medido pelos trânsitos.
"Observámos uma metalicidade
muito inferior à prevista pelos nossos modelos para a composição global do
planeta, calculada a partir de medições da massa e do raio do planeta. Isto
sugere que os seus elementos pesados migraram para o interior durante a
formação e que, atualmente, o seu interior e a sua atmosfera não se
misturam", explicou Kanodia. "Em resumo, estes resultados sugerem uma
atmosfera planetária muito rica em carbono e pobre em oxigénio".
Astronomia OnLine

Comentários
Postar um comentário
Se você achou interessante essa postagem deixe seu comentario!