Mesmo que haja água na superfície da Lua, ela é seca por dentro

As últimas décadas, a maioria das sondas espaciais enviadas à Lua está girando em torno dos mesmos problemas, que os astrônomos se cansam de bater: afinal, há água na superfície da Lua? De que forma? Quanto há? Podemos fazer algum uso dela? Pois bem, um novo estudo da Universidade de Albuquerque (Novo México, EUA) afirma o seguinte: independente de quanto há de líquido na superfície, o interior da Lua é seco como a sua boca em manhãs de ressaca. Análises recentes das rochas lunares estão descobrindo a incidência de água, em forma líquida, ou de gelo, mas os pesquisadores asseguram que isso se limita à superfície. Eles compararam a composição de rochas da Terra, amostras de meteoritos, rochas vulcânicas e rochas lunares. O objeto de comparação era a prevalência dos dois isótopos naturais do Cloro, o de massa 35 e o de massa 37, que são uma medida eficiente do quanto há de hidrogênio na rocha.
 
 Grosso modo, é uma relação inversamente proporcional: quanto mais cloro em estado natural, menos hidrogênio há naquele ambiente, e por conseguinte, menos água. Isso acontece porque o Cloro, em geral, combina-se com o hidrogênio para formar Cloreto de Hidrogênio (HCl). Assim, se sobra Cloro na rocha, é porque não há hidrogênio suficiente para que estes átomos se unam. Entre as rochas da Terra e os meteoritos, a quantidade de Cloro encontrada foi muito semelhante (variação inferior a 0,1%). Mas nas rochas lunares essa quantidade era 25 vezes maior. Isso leva a crer que a Lua é muito mais seca que a Terra. Pelo visto, a chance de encontrar lençois freáticos e rios caudalosos, quando um dia colonizarmos a Lua, não é lá muito grande. [msnbc]
Por Rafael Alves-hypescience.com

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