O piscar de um pulsar revela a textura escondida do espaço
Imagine que o espaço, que parece
completamente vazio, tem na verdade uma textura sutil, quase invisível, feita
de nuvens muito tênues de partículas carregadas
O Pulsar Vela
Cientistas estão conseguindo
“ver? essa textura observando o comportamento de um pulsar – uma espécie de
farol cósmico extremamente preciso.
Pulsares são os restos
superdensos de estrelas muito grandes que explodiram no final da vida. Esses
objetos giram muito rápido e emitem pulsos regulares de ondas de rádio, como se
fossem um relógio cósmico perfeito. Por causa dessa regularidade impressionante,
qualquer pequena mudança no tempo de chegada desses pulsos pode revelar
fenômenos importantes do universo.
Quando as ondas de rádio de um
pulsar viajam milhões de anos-luz até chegar à Terra, elas atravessam o meio
interestelar – o gás e o plasma que existem entre as estrelas. Esse material
age como uma lente irregular: espalha, curva e atrasa levemente os sinais. O
resultado é que o pulsar parece “piscar? ou cintilar, exatamente como as
estrelas piscam no céu por causa da nossa atmosfera.
Esse piscar (chamado
cientificamente de cintilação) não é aleatório. Ele cria padrões de manchas
mais brilhantes e mais escuras nas diferentes frequências de rádio, e esses
padrões mudam lentamente com o tempo, à medida que o pulsar, as nuvens de gás e
a própria Terra se movem pelo espaço.
Durante cerca de dez meses, uma
equipe do Instituto SETI acompanhou com atenção o pulsar PSR J0332+5434 (também
conhecido como B0329+54), um dos pulsares mais próximos e brilhantes. Usando o
Allen Telescope Array, eles coletaram dados quase todos os dias em uma ampla
faixa de frequências de rádio. Com isso, conseguiram acompanhar como a força
desse piscar variava ao longo do tempo – às vezes em poucos dias, outras em
meses, com uma mudança maior acontecendo em ciclos de aproximadamente 200 dias.
O mais importante: quanto mais
forte o piscar, maior o atraso minúsculo (às vezes apenas dezenas de
nanossegundos!) no tempo de chegada dos pulsos. Ao entender e medir essas
variações com precisão, os cientistas conseguem corrigir esses atrasos,
tornando as medições ainda mais exatas.
Essas correções são valiosas para
várias áreas da astronomia. Elas ajudam a detectar ondas gravitacionais de
baixa frequência, estudando o próprio pulsar e até a melhorar a busca por
sinais de inteligência extraterrestre – porque o piscar característico do meio
interestelar ajuda a diferenciar um sinal natural de um possível sinal
artificial criado por tecnologia.
Em resumo, o que parecia apenas
um “ruído? chato nos sinais dos pulsares revelou-se uma ferramenta poderosa: ao
observar como um pulsar pisca, os astrônomos estão, na verdade, mapeando a
textura escondida e dinâmica do espaço entre as estrelas – uma textura feita de
plasma que curva e distorce silenciosamente tudo o que passa por ele.
Terrarara.com.br

Comentários
Postar um comentário
Se você achou interessante essa postagem deixe seu comentario!