Descoberta de uma rodovia magnética conectada a uma estrutura galáctica
Forças invisíveis, capazes de
moldar galáxias inteiras e acelerar ventos cósmicos a velocidades vertiginosas,
acabam de ser observadas por astrónomos em Arp 220. Este sistema de galáxias em
fusão está localizado a 250 milhões de anos-luz. Oferece uma visão única sobre
processos que governavam o Universo há mais de dez mil milhões de anos, quando
as galáxias massivas estavam em plena efervescência.
Os campos magnéticos do disco galáctico e os fluxos moleculares poeirentos da galáxia em fusão Arp 220 observados pelo ALMA. Crédito: Lopez-Rodriguez, E. (USC ; dados de polarização), Girart, J.M. (ICE-CSIC e IEEC ; dados de polarização) ; Barcos-Muñoz, L. (NRAO ; dados 3GHz)
Arp 220 resulta da colisão de
duas galáxias espirais, gerando uma atividade de formação estelar tão intensa
que ofusca em luminosidade centenas de galáxias como a nossa. Envolta em densas
nuvens de poeira, ela brilha principalmente nos comprimentos de onda
infravermelhos e permite estudar condições extremas semelhantes às que existiam
no Universo primordial.
Graças à rede de telescópios
ALMA, uma equipa internacional produziu o mapa magnético mais detalhado já
realizado deste sistema. As suas capacidades de polarização permitiram traçar o
alinhamento dos grãos de poeira e das moléculas de monóxido de carbono com os
campos magnéticos. Esta abordagem revelou estruturas magnéticas organizadas e
poderosas dentro dos fluxos moleculares rápidos que escapam dos dois núcleos
deste sistema galáctico.
As observações mostram que estes
campos magnéticos desempenham um papel central no lançamento e na forma dos
ventos galácticos, que atingem velocidades de 1,8 milhões de quilómetros por
hora. Pensava-se inicialmente que estes fluxos eram principalmente alimentados
pela intensa formação estelar ou pela atividade dos buracos negros. O mapa
magnético destacou uma "rodovia magnética" quase vertical, onde o
campo magnético guia ativamente a matéria que escapa de um dos núcleos
galácticos.
No núcleo ocidental de Arp 220,
os astrónomos observaram uma estrutura magnética bem ordenada alinhada com o
fluxo bipolar, indicando que o campo magnético não é passivo, mas participa na
aceleração do material. O núcleo oriental, por sua vez, apresenta um padrão
magnético em espiral dentro de um disco denso em rotação. Uma ponte de poeira
fortemente polarizada também liga os dois centros, indicando que os campos
magnéticos canalizam a matéria durante a fusão.
Estas descobertas têm implicações
importantes para a nossa compreensão do Universo nos seus primórdios. Os campos
magnéticos nos fluxos de Arp 220 são centenas a milhares de vezes mais intensos
do que os da Via Láctea, influenciando assim o movimento do gás, a formação de
estrelas e a maneira como as galáxias perdem matéria. Tais estruturas
magnéticas organizadas eram provavelmente comuns nas galáxias poeirentas e
ativas do passado, moldando a evolução galáctica em larga escala.
Ao estender estas técnicas de
observação a outros sistemas, os cientistas esperam descobrir rodovias
magnéticas semelhantes por todo o cosmos.
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