Nova simulação revela os interiores agitados de estrelas gigantes

Entender as estrelas é crucial na astronomia, pois elas desempenham um papel vital na compreensão dos vastos processos cósmicos. No nível básico, a função de uma estrela é direta. Ocorre um equilíbrio intrínseco: enquanto a gravidade tenta colapsar a estrela, a compressão aquece e densifica seu núcleo, desencadeando a fusão nuclear. 

Uma simulação de convecção dentro de uma estrela. Crédito: E.H. Anders et al

Esta fusão cria calor e pressão que, por sua vez, contrariam a força da gravidade. Durante a fase de sequência principal de uma estrela, essas forças se equilibram, dando à estrela sua vitalidade característica.

No entanto, essa descrição simplista obscurece a complexidade subjacente. A intricada interação entre essas forças e os processos ocorrentes no interior das estrelas exige modelos computacionais avançados para uma representação precisa. Apesar dos avanços tecnológicos, ainda é desafiador modelar o interior das estrelas de forma que coincida perfeitamente com o que observamos em suas superfícies. Mas, com a introdução de novas simulações, estamos gradualmente preenchendo essa lacuna.

Em estrelas, enquanto a pressão interna e o peso gravitacional geralmente estão em equilíbrio, o fluxo de calor não é. Este calor e energia, originados no núcleo estelar, precisam encontrar uma rota de escape. Há duas formas principais pelas quais isso ocorre: a troca radiativa e o fluxo convectivo.

Na troca radiativa, raios gama de alta energia no núcleo colidem e se dispersam, perdendo energia enquanto se movem em direção à superfície da estrela. A densidade intensa do interior estelar pode retardar esse processo, fazendo com que demore milênios para que esses raios gama alcancem a superfície e escapem. Por outro lado, o fluxo convectivo funciona de forma diferente. 

Aqui, o material quente próximo ao centro de uma estrela tenta se expandir, movendo-se em direção à superfície. Simultaneamente, o material mais frio próximo à superfície condensa e desce em direção ao núcleo. Esse movimento cíclico facilita a transferência de energia térmica para a superfície da estrela.

A convecção não apenas complica o interior das estrelas, mas, devido a fatores como viscosidade e vórtices turbulentos, é extremamente desafiador modelá-la. Além disso, dependendo da massa da estrela, pode haver variações nas zonas radiativas e convectivas. Estrelas pequenas são predominantemente convectivas. Em contraste, estrelas como o Sol possuem uma zona radiativa interna e uma zona convectiva externa. No caso de estrelas massivas, a configuração é invertida.

Um fenômeno interessante associado à convecção é a flutuação ou “cintilação” no brilho das estrelas. A convecção pode fazer com que a superfície de uma estrela oscile, semelhante a uma panela de água fervente, resultando em variações sutis em seu brilho. Um estudo recente examinou em profundidade essa relação entre convecção e cintilação. 

A pesquisa revelou que ondas sonoras que percorrem uma estrela são influenciadas pelos fluxos convectivos, afetando assim o padrão de cintilação da estrela. Essa descoberta é revolucionária. Implica que, em teoria, podemos estudar o interior de uma estrela observando sua cintilação.

 Embora as cintilações atuais sejam muito sutis para os telescópios existentes, espera-se que com avanços tecnológicos e telescópios mais sensíveis, possamos estudar essas variações com precisão. Já fazemos algo semelhante com o Sol, estudando as ondas sonoras através da heliossismologia. E, nas próximas décadas, é provável que possamos aplicar técnicas similares a estrelas próximas.

O cosmos, com sua tapeçaria de processos intricados, continua a ser um reino de profundo mistério e fascínio. Cada nova descoberta desvenda um pouco mais desse vasto enigma. Com o contínuo avanço da pesquisa e da tecnologia, podemos esperar revelações ainda mais profundas sobre o universo que nos rodeia e os corpos celestes que o habitam.

Fonte: universetoday.com

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Galéria de Imagens - Os 8 planetas de nosso Sistema Solar

Galáxias na Fornalha

Messier 109

Galáxias no Rio

M100

Tipos de Estrelas

Gás galáctico escapa

Poeira de meteoro

Conheça as 10 estrelas mais próximas da Terra

Miranda revisitada