Cometa 3I/ATLAS tem composição química inesperada, apontam dados do James Webb

O Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês) conseguiu observar o cometa 3I/ATLAS. Trata-se do maior objeto interestelar (que se originou perto de uma estrela e foi parar em outra) já registrado, com 11,2 km de extensão. O cometa foi descoberto há pouco tempo, no dia 1º de julho de 2025, pelo telescópio do projeto ATLAS, que se dedica a registrar objetos próximos à Terra.

2708-Cometa-layout_site © Telescópio Espacial NASA/James Webb/Reprodução 

Esse cometa já foi observado cruzando o Sistema Solar a mais de 210 mil km/h por telescópios como o Hubble e o Observatório SPHEREx. Algumas simulações computacionais a partir de sua rota sugerem que ele seja o cometa mais antigo já descoberto – talvez até 3 bilhões de anos mais velho que a  própria Terra.

O telescópio James Webb foi o único que conseguiu examinar em detalhes a composição do 3I/ATLAS – e foi aí que características estranhas começaram a aparecer.

Com sua visão infravermelha, o James Webb encontrou o cometa no dia 6 de agosto. A partir dessa observação, os astrônomos conseguiram ter uma noção melhor da composição química incomum do 3I/ATLAS. As características do cometa foram descritas num estudo em pré-print, que ainda não foi revisado por outros cientistas.

Estudar os cometas que vieram de outros sistemas estelares pode ser uma forma de entender as condições em que eles se formaram. A partir desses resultados, os astrônomos podem comparar os dados obtidos com o que se sabe sobre as condições em volta do Sol há 4,6 bilhões de anos, quando os planetas e cometas do nosso Sistema Solar foram formados.

Composição incomum

O 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar já registrado no Sistema Solar. O primeiro foi 1I/'Oumuamua, descoberto em 2017, e depois veio o 2I/Borisov, encontrado em 2019.

Os astrônomos avistaram o novo cometa avançando em direção ao Sol. Aquecido pelo calor da nossa estrela, alguns materiais sólidos congelados no 3I/ATLAS passam pela sublimação, virando gases. É essa liberação de gases que produz a cauda do cometa.

Por meio do James Webb, os cientistas conseguiram identificar os gases que estavam sendo liberados para compor a cauda do cometa: dióxido de carbono (CO), água, monóxido de carbono (CO) e o fedido sulfeto de carbonila (COS).

A composição do 3I/ATLAS  tem a maior proporção de dióxido de carbono para água já observada num cometa, o que pode ajudar a explicar as condições de sua formação. A abundância de CO na cauda provavelmente significa uma presença grande da substância no coração desse pequeno corpo interestelar. Isso sugere que os gelos do 3I/ATLAS tenham sido expostos a mais radiação do que os cometas do Sistema Solar.

Isso pode significar que o cometa se formou na "linha do gelo do dióxido de carbono" de sua estrela, uma região onde a temperatura perto de uma estrela jovem cai a ponto de converter o CO do estado gasoso para sólido. 

A descoberta dos astrônomos com o James Webb faz parte de diversos estudos sobre o 3I/ATLAS em desenvolvimento. Mais mistérios sobre o enorme cometa devem ser desvendados em observações futuras.

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