Barra de ferro deixa Nebulosa do Anel parecida com cabeça de parafuso
Barra de ferro cósmica
Uma misteriosa "barra de
ferro" foi descoberta atravessando o que parecia ser a entrada totalmente
livre da icônica Nebulosa do Anel.
Imagem composta em RGB da Nebulosa do Anel (também conhecida como Messier 57 e NGC 6720). O anel externo brilhante é composto pela luz emitida por três íons diferentes de oxigênio, enquanto a "barra" no meio se deve à luz emitida por um plasma de átomos de ferro ionizados quatro vezes. [Imagem: Roger Wesson et al. - 10.1093/mnras/staf2139]
Mais propriamente, trata-se de
uma nuvem em formato de barra, formada por átomos de ferro. Essa barra nebulosa
tem um comprimento aproximadamente 500 vezes maior do que o diâmetro da órbita
de Plutão ao redor do Sol e, de acordo com os astrônomos, sua massa de átomos
de ferro é comparável à massa de Marte.
O resultado é que, em vez de ser
um anel, como parecia, a nebulosa lembra mais a cabeça de um parafuso de fenda
- ou a letra grega teta (Θ).
A origem dessa barra de ferro
ainda é um mistério, exigindo observações adicionais e mais detalhadas para que
sejam aventadas hipóteses melhor embasadas.
Mas Roger Wesson e seus colegas
de várias instituições apontam para dois cenários possíveis: (1) a nuvem de
ferro pode revelar algo novo sobre como se deu a ejeção de matéria pela estrela
progenitora que deu origem à nebulosa; (2) o ferro pode ser um arco de plasma
resultante da vaporização de um planeta rochoso apanhado na expansão anterior
da estrela, embora seja difícil explicar a concentração única desse metal em
particular.
Capturar espectros
A descoberta se deu graças a um
instrumento chamado Weave, instalado no telescópio William Herschel, nas Ilhas
Canárias. Seu núcleo principal consiste em um feixe de centenas de fibras
ópticas. Isto permitiu capturar espectros (onde a luz é separada em seus
comprimentos de onda constituintes) em todos os pontos de toda a face da
Nebulosa do Anel, e em todos os comprimentos de onda ópticos, pela primeira
vez.
"Embora a Nebulosa do Anel
já tenha sido estudada com diversos telescópios e instrumentos, o Weave nos
permitiu observá-la de uma maneira inovadora, fornecendo muito mais detalhes do
que antes. Ao obter um espectro contínuo em toda a nebulosa, podemos criar
imagens da nebulosa em qualquer comprimento de onda e determinar sua composição
química em qualquer posição," detalhou Wesson. "Quando nós
processamos os dados e analisamos as imagens, uma coisa se destacou com clareza
absoluta: Essa 'barra' de átomos de ferro ionizados, até então desconhecida, no
meio do anel familiar e icônico."
A equipe já está trabalhando em
um estudo de seguimento, tentando obter dados com resolução espectral mais
alta, para entender melhor como a barra de ferro pode ter-se formado.
Inovação Tecnológica

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