Matéria escura ultrarrelativista: uma hipótese cosmológica inovadora
A matéria escura pode ter tido
uma juventude agitada. Segundo uma equipe internacional, esta substância
invisível ter-se-ia formado a temperaturas extremamente elevadas, deslocando-se
quase à velocidade da luz pouco após o Big Bang. Esta proposta coloca em causa
diretamente várias décadas de teorias cosmológicas que privilegiavam uma
matéria escura fria e lenta.
Imagem de ilustração Pixabay
Invisível mas omnipresente, a matéria escura não emite luz. A sua influência gravitacional é, no entanto, necessária para explicar a formação das galáxias. Constituindo uma parte maior da massa cósmica, ela guia a reunião das estrelas e dos planetas. A sua ausência tornaria as vastas estruturas que observamos hoje muito diferentes, senão inconcebíveis.
Publicados na Physical Review
Letters, estes trabalhos indicam que as partículas de matéria escura poderiam
ter-se desacoplado da matéria ordinária estando muito energéticas. Este
fenómeno ter-se-ia produzido durante a fase determinante do re-aquecimento
pós-inflacionário. O Universo, então em plena expansão e arrefecimento
progressivo, teria permitido a estas partículas inicialmente muito quentes
perderem energia.
Esta nova hipótese distingue-se
dos modelos implicando os neutrinos, há muito considerados inadaptados como
candidatos quentes. Ela mostra que a matéria escura poderia ter-se arrefecido
suficientemente cedo para não entravar a formação das galáxias. Os investigadores
precisam que a dinâmica da expansão cósmica teria oferecido a estas partículas
ultrarrelativistas o tempo para abrandar antes do aparecimento das primeiras
estruturas galácticas.
Esta proposta alarga assim os
cenários concernentes à natureza e ao comportamento da matéria escura, ao mesmo
tempo que propõe novas formas de considerar as suas interações com a matéria
visível. Os cientistas podem doravante examinar modelos alternativos integrando
esta formação a alta temperatura.
A fim de testar estas ideias, a
equipe prevê procurar indícios por colisões de partículas ou através da
observação do cosmos. Estas abordagens poderiam revelar assinaturas da matéria
escura em eventos cósmicos antigos.
A inflação cósmica e o
re-aquecimento que se segue
A inflação cósmica designa um
período extremamente breve sobrevindo logo após o Big Bang, durante o qual o
Universo conheceu uma expansão exponencial. Esta fase alisou e homogeneizou o
cosmos, lançando as bases das estruturas futuras.
O re-aquecimento pós-inflacionário é a época que se segue imediatamente, onde o Universo se enche de partículas e energia. É durante esta fase que a matéria escura, segundo o novo estudo, poderia ter-se formado a temperaturas extremas. As condições aí eram propícias a interações violentas e à geração de partículas exóticas.
Tchno-science.net

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