Um jato errante de buraco negro está roubando o combustível de estrelas de uma galáxia
Em algumas galáxias, existe no centro um buraco negro supermassivo extremamente poderoso que, ao engolir matéria, libera quantidades imensas de energia
Estrutura morfológica do fluxo galáctico em VV 340a. Esta representação artística ilustra um fluxo galáctico multifásico impulsionado por um núcleo galáctico ativo central. A hélice branca representa um jato de rádio em precessão, um feixe rotativo de plasma de alta energia lançado da magnetosfera do buraco negro supermassivo central. Os filamentos vermelhos representam gás coronal altamente ionizado, resultante da colisão do jato com o gás ambiente da galáxia hospedeira. Os filamentos azuis representam gás ionizado sendo ejetado da galáxia em alta velocidade, estendendo-se por até 15 quiloparsecs. À medida que o jato se propaga para fora, ele energiza e impulsiona o gás da galáxia em um fluxo de alta velocidade, alterando a evolução futura da galáxia. Crédito: Observatório W. M. Keck/Adam Makarenko
Essa região central tão ativa
pode lançar jatos estreitos e velozes de material, capazes de empurrar o gás ao
redor para longe e mudar completamente o ritmo de nascimento de novas estrelas.
Agora, astrônomos conseguiram
observar esse processo acontecendo de forma muito clara em uma galáxia
relativamente próxima chamada VV 340a. O que torna essa descoberta especial é
que o jato desse buraco negro não é dos mais fortes – na verdade, é considerado
relativamente fraco. Mesmo assim, ele está conseguindo causar um impacto
impressionante.
Diferente do que costumamos
imaginar, esse jato não sai em linha reta. Ele oscila lentamente, fazendo um
movimento chamado precessão, como se estivesse traçando um cone enquanto se
afasta do buraco negro. Esse balanço faz com que o jato vá “varrendo” grandes
quantidades de gás presente na galáxia.
Ao interagir com esse gás, o jato
o aquece bastante, arranca elétrons dos átomos e empurra enormes quantidades de
material para fora da galáxia em velocidades altíssimas. Os cientistas
calcularam que a perda de gás chega a aproximadamente 19 massas solares por ano
(com uma pequena margem de erro). Para se ter ideia, uma massa solar
corresponde à massa do nosso Sol – ou seja, todo ano a galáxia perde o
equivalente a quase 20 sóis em forma de gás!
Esse gás é exatamente o
“combustível” necessário para formar novas estrelas. Quando ele é expulso em
grande quantidade, a galáxia fica sem matéria-prima suficiente, o que reduz (ou
até pode praticamente parar) a criação de novas estrelas no futuro.
Para chegar a essas conclusões, a
equipe usou uma combinação poderosa de telescópios: o James Webb, o telescópio
Keck, o Very Large Array (para ondas de rádio) e o ALMA (que observa em ondas
submilimétricas). Juntando todas essas visões em diferentes comprimentos de
onda e fazendo modelos detalhados, foi possível entender como esse jato
aparentemente modesto está, na prática, remodelando toda a evolução da galáxia.
A descoberta mostra algo
importante: não são necessários jatos extremamente violentos para controlar o
destino de uma galáxia. Mesmo os mais “fracos” e oscilantes podem ter força
suficiente para expulsar o gás essencial e, com isso, decidir quantas estrelas
essa galáxia ainda poderá formar ao longo de bilhões de anos. Um lembrete
fascinante de como os buracos negros centrais continuam sendo verdadeiros
arquitetos do universo.
Terrarara.com.br

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