O Hubble detectou uma "galáxia escura" composta por pelo menos 99,9% de matéria escura.

Uma busca em imagens de arquivo de um telescópio espacial revela uma galáxia excepcionalmente tênue. 

Utilizando o Telescópio Espacial Hubble em conjunto com outros observatórios, astrônomos identificaram uma galáxia excepcionalmente tênue, conhecida como candidata a galáxia escura-2, que parece ser quase inteiramente dominada por matéria escura. NASA; ESA; Dayi Li/Universidade de Toronto; J. DePasquale/STScI 

 Cerca de 84% de toda a matéria que existe no Universo é invisível aos olhos. Tudo o que conseguimos enxergar – planetas, estrelas, este texto e você mesmo – corresponde aos outros 16% feitos de matéria normal. Nós, da Terra, somos minoria na imensidão cósmica. 

Ninguém consegue enxergar a matéria escura, mas sabemos que ela está ali graças a seu efeito gravitacional. Ela é uma das principais responsáveis por manter a estrutura, estabilidade e movimento das galáxias, com todas as estrelas relativamente próximas entre si. Cerca de 85% da Via Láctea, onde está nosso Sistema Solar, é matéria escura.

Agora, astrônomos identificaram uma galáxia feita quase unicamente de matéria escura. A equipe analisou imagens do Telescópio Hubble em busca de aglomerados globulares – conjuntos de estrelas que brilham fortemente mesmo em galáxias mais escuras. Os pesquisadores encontraram uma região do céu com quatro desses aglomerados, que estavam próximos graças a uma intensa força gravitacional.

A questão é que não havia nada visível ao redor desses quatro aglomerados que explicasse o fato de eles estarem juntinhos. A explicação encontrada pelos cientistas é que eles fazem parte de uma galáxia praticamente “invisível”, composta por 99,9% de matéria escura. Os outros 0,1% é a matéria normal que compõe os aglomerados e outros objetos visíveis. O estudo foi publicado no periódico The Astrophysical Journal Letters.

Além do Hubble, os pesquisadores usaram os telescópios Euclid e Subaru para as observações. O objeto encontrado foi chamado de “candidata a galáxia escura-2” (CDG-2, na sigla em inglês). Ele está localizado a 300 milhões de anos-luz da Terra, em direção à constelação de Perseu, e tem uma luminosidade total equivalente a 6 milhões de sóis. Os quatro aglomerados de estrelas correspondem a 16% dessa luminosidade – o que é bastante em comparação a outras galáxias.

Se essa galáxia (quase) escura for confirmada por mais observações, ela pode nos ajudar a entender como outras galáxias de baixa luminosidade se formam. A gravidade da matéria escura pode atrair gás o suficiente para iniciar a formação de estrelas dessas galáxias – mas o processo acaba cedo. Isso resulta em galáxias massivas (graças à matéria escura), mas com menos estrelas. 

“Poderia existir uma classe de galáxias tão pouco brilhantes que elas só tem alguns aglomerados. E todo o resto do conteúdo nessas galáxias seria matéria escura”, disse Dayi Li.

Science.org


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