Uma nova teoria da gravidade modificada substitui a matéria escura por um "esquema infravermelho"
As galáxias espirais giram a uma
velocidade tão elevada que apenas a gravidade calculada a partir de suas
estrelas visíveis não conseguiria impedir que se dispersassem.
A galáxia Messier 33, mostrada com um halo de matéria escura (esquerda) e sem este componente (direita), ilustrando os modelos concorrentes. Crédito: ESO/S. Brunier
Para elucidar este enigma, os físicos postularam a existência de uma substância invisível, a matéria escura, que não emite nem absorve luz. Essa entidade hipotética, que compõe a maior parte da massa cósmica, forneceria a atração adicional necessária para manter as galáxias unidas. No entanto, este componente permanece indescritível, nunca tendo havido, até o momento, uma confirmação por observação direta.
Um estudo recente, conduzido por
Naman Kumar do Instituto Indiano de Tecnologia e publicado na Physical Review
Letters B, propõe um caminho diferente. Esta pesquisa questiona a necessidade
de matéria escura, examinando a hipótese de uma gravidade que se comporta de
maneira diferente nas escalas galácticas. A abordagem baseia-se em conceitos
avançados de física teórica.
O pesquisador empregou a teoria
quântica de campos para examinar a gravidade em escalas minúsculas, próximas do
comprimento de onda da luz infravermelha. Neste quadro, denominado esquema
infravermelho, a força gravitacional não seguiria mais estritamente a lei do
inverso do quadrado da distância. Pelo contrário, exerceria uma influência mais
duradoura a longas distâncias, o que poderia justificar a rotação rápida das
galáxias.
Esta alteração das propriedades
gravitacionais permitiria explicar as observações sem recorrer a halos de
matéria escura. Assim, as altas velocidades das estrelas situadas na periferia
das galáxias, um quebra-cabeça persistente, obteriam uma interpretação natural.
O modelo proposto por Naman Kumar
terá, no entanto, que ser confrontado com outros conjuntos de dados, como os de
lentes gravitacionais, onde a luz é desviada por grandes massas. Se for
validado, poderá transformar a nossa visão da evolução cósmica e simplificar os
modelos atuais.
Esta proposta incentiva assim a
comunidade científica a examinar pistas alternativas e a reconsiderar certos
conceitos bem estabelecidos, o que poderia levar a novos avanços em
astrofísica.
A gravidade modificada:
uma linha de investigação
As teorias de gravidade
modificada propõem que as leis da gravitação podem não ser imutáveis e evoluir
em função da escala considerada. Estes quadros permitem ajustes para dar conta
de fenômenos observados.
A abordagem de Naman Kumar,
baseada na teoria quântica de campos, indica que a força gravitacional poderia
apresentar uma dependência da distância diferente daquela que resulta das
equações atualmente utilizadas, com uma atração de alcance mais longo e mais
forte.
Se esta concepção se verificar,
poderá dar conta da rotação rápida das galáxias e de outras anomalias sem
invocar a matéria escura. Isto ofereceria uma representação do Universo mais
simples, reduzindo o número de entidades desconhecidas e ligando diretamente as
observações às propriedades da gravidade.
Por ora, estas teorias precisam
de ser rigorosamente testadas em todo o conjunto de dados disponíveis, desde
experiências laboratoriais até observações cosmológicas.
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