A era mais estranha do magnetismo da terra

 Há cerca de 630 a 540 milhões de anos, durante o período Ediacarano, a Terra viveu uma fase muito diferente do que conhecemos hoje 

Imagem via NASA

Enquanto, na maior parte da história do planeta, as placas tectônicas se moviam de forma relativamente estável, o clima permanecia equilibrado e o campo magnético girava suavemente em torno dos polos (com inversões ocasionais), o Ediacarano foi marcado por mudanças extremas e irregulares nos sinais magnéticos preservados nas rochas. Isso intrigou os cientistas por décadas, pois tornava quase impossível reconstruir a posição e o movimento dos continentes daquela época usando os registros paleomagnéticos.

Muitos pesquisadores tentaram explicar esse mistério sugerindo que as placas tectônicas teriam se deslocado a velocidades incríveis ou que o planeta inteiro teria “virado? em relação ao seu eixo de rotação, um fenômeno chamado de deriva polar verdadeira. No entanto, uma nova pesquisa publicada na revista “Science Advances” propõe uma visão diferente: em vez de caos aleatório, aqueles sinais magnéticos podem ter seguido um padrão global com uma estrutura organizada.

Uma equipe liderada por cientistas de Yale analisou camadas de rochas vulcânicas muito bem preservadas na região do Anti-Atlas, no Marrocos. Eles coletaram amostras orientadas com cuidado e usaram instrumentos de alta precisão para medir as variações magnéticas camada por camada. Ao contrário de estudos anteriores, que assumiam que o campo magnético da Terra sempre se comportou como hoje, os pesquisadores adotaram uma abordagem nova e detalhada, combinada com datações precisas fornecidas por outros grupos de Dartmouth, Suíça e Alemanha.

Os resultados mostraram que as mudanças no campo magnético ocorreram ao longo de milhares de anos – e não de milhões “, o que descarta as explicações anteriores de movimentos rápidos de placas ou deriva polar. Além disso, as variações não eram totalmente aleatórias: elas seguiam um padrão incomum, mas estruturado. Com base nisso, a equipe desenvolveu um novo método estatístico para acompanhar o deslocamento dos polos magnéticos, sugerindo que eles se moviam pelo globo de forma mais complexa do que um simples balanço ao redor do eixo de rotação.

Segundo o professor David Evans, da Universidade de Yale, “estamos propondo um modelo que encontra estrutura na variabilidade do campo magnético, em vez de descartá-la como caos aleatório”. Esse avanço pode finalmente permitir criar mapas confiáveis dos continentes e oceanos do Ediacarano, conectando os registros geológicos antigos com os mais recentes e oferecendo uma visão contínua da história da tectônica de placas ao longo de bilhões de anos.

Essa descoberta representa um passo importante para decifrar um dos períodos mais enigmáticos da Terra, ajudando a entender melhor como nosso planeta evoluiu antes do surgimento da vida complexa que conhecemos. 

Terrarara.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Miranda revisitada

M100

Poeira de meteoro

Gás galáctico escapa

Messier 109

Lápis grosso

Galáxias no Rio

O QUE SÃO: Quasares, Blazares, Pulsares e Magnetares

Galáxias na Fornalha

Planeta Mercúrio