Astrônomos descobrem estrela extremamente rara do universo primordial
Uma equipe de astrônomos identificou uma das estrelas mais primitivas e quimicamente puras já registradas, um verdadeiro fóssil vivo do universo antigo.
Estrelas na tênue galáxia anã Pictor II, lar de PicII-503, uma estrela de segunda geração com deficiência de ferro. (Crédito da imagem: CTIO/NOIRLab/DOE/NSF/AURA. Processamento da imagem: T.A. Rector (Universidade do Alasca em Anchorage/NSF NOIRLab), M. Zamani e D. de Martin (NSF NOIRLab). Agradecimentos: Investigador Principal: Anirudh Chiti, Alex Drlica-Wagner)
Chamada de PicII-503, essa estrela apresenta uma quantidade de ferro incrivelmente baixa: apenas 1/40.000 da que existe no Sol. Essa característica a coloca entre os objetos mais pobres em metais pesados conhecidos, aproximando-se do que se espera das primeiras estrelas que surgiram após o Big Bang.
O que torna PicII-503
especialmente valiosa é o fato de ela preservar, de forma clara e sem
ambiguidades, a assinatura química dos primeiros astros que existiram no
cosmos. Essas estrelas da chamada População III eram compostas quase
exclusivamente de hidrogênio e hélio, os únicos elementos produzidos no Big
Bang. Quando elas explodiram como supernovas, espalharam elementos mais pesados
– como carbono, oxigênio e ferro – pelo espaço, enriquecendo o material que
daria origem às gerações seguintes de estrelas.
A maioria das estrelas muito
antigas que encontramos hoje carrega sinais misturados, resultado de várias
gerações de enriquecimento. No entanto, PicII-503 se destaca por mostrar de
maneira evidente os produtos de apenas uma ou poucas supernovas primordiais,
sem contaminação significativa de processos posteriores. Isso a transforma em
uma janela direta para entender como foram os primeiros eventos de
nucleossíntese no universo.
Curiosamente, a descoberta
ocorreu em uma galáxia anã ultrafraca, um tipo de sistema estelar pequeno e
pouco luminoso que orbita nossa Via Láctea e que tende a preservar objetos
muito antigos. PicII-503 representa o exemplo mais claro e extremo de uma estrela
de segunda geração encontrada nesse ambiente, com o menor teor de ferro já
medido em uma galáxia anã ultrafraca.
Os pesquisadores destacam que
encontrar uma estrela que guarda de forma tão nítida os elementos pesados
produzidos pelas primeiras estrelas estava no limite do que consideravam
possível, dada a raridade extrema desses objetos. Essa descoberta abre uma oportunidade
única para estudar a produção inicial de elementos químicos em sistemas
primordiais, ajudando a reconstruir as condições do universo em seus primeiros
momentos.
Terrarara.com.br

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