Cometa Halley foi batizado com o nome da pessoa errada
Cometa Eilmer de Malmesbury
O mais famoso de todos os
cometas, o cometa Halley, parece ter sido batizado com o nome errado.
A representação mais antiga conhecida do Cometa Halley está na Tapeçaria de Bayeux, bordada nos anos 1070, 696 anos antes que Halley o descrevesse. [Imagem: Wikimedia Commons]
Acontece que o cometa já havia
sido identificado como um objeto repetitivo séculos antes de o astrônomo
britânico Edmond Halley ser apontado como seu descobridor e lhe dar o nome.
Michael Lewis, do Museu
Britânico, e Simon Zwart, do Observatório Leiden, descobriram que o cometa
havia sido documentado e caracterizado no século XI.
A prova está em relatos escritos
pelo historiador do século XII, William de Malmesbury, que documentou que o
monge Eilmer de Malmesbury, também conhecido como Aethelmaer, testemunhou o
cometa em duas aparições distintas e compreendeu que se tratava de eventos
interligados.
Mas foi Edmond Halley (1656-1742)
quem ficou famoso por descrever a natureza periódica do cometa brilhante hoje
oficialmente chamado de 1P/Halley. O astrônomo concluiu que os cometas
registrados em 1531, 1607 e 1682 eram, na verdade, o mesmo objeto, retornando
aproximadamente a cada 76 anos - a descrição de Halley foi feita em 1696, mais
de meio milênio depois da descrição original de Aethelmaer.
De fato, o aparecimento do cometa
em 1066 atraiu a atenção de grande parte do mundo, havendo registros históricos
mostrando que ele foi observado na China por mais de dois meses. Embora o
cometa tenha atingido o brilho máximo em 22 de abril de 1066, ele só se tornou
visível na Ilhas Britânicas em 24 de abril.
Halley e Hubble
O cometa tornou-se um dos
símbolos mais famosos associados ao ano de 1066 e aparece até mesmo na
Tapeçaria de Bayeux, a obra de arte medieval que retrata a conquista normanda
da Inglaterra.
Mas a nova pesquisa encontrou
referências a avistamentos do cometa em cinco ocasiões durante os séculos em
questão - naquela época, os cometas eram amplamente vistos como avisos de
desastres, sendo que os reis deviam ser prontamente avisados.
Por volta de 1066, Eilmer (ou
Aethelmaer) de Malmesbury provavelmente já era um homem idoso. Ao ver o cometa
retornar, ele teria percebido que já havia testemunhado o mesmo objeto décadas
antes, em 989. Como era comum durante a Idade Média, o rei foi avisado de que o
cometa sinalizava uma catástrofe iminente.
A conclusão dos dois
pesquisadores é que a história agora questiona se o cometa deve continuar
carregando o nome de Halley, já que ao menos um observador anterior já havia
reconhecido suas aparições repetidas vezes séculos antes do trabalho de Halley.
Não é a primeira injustiça na
história da ciência. Em um caso muito
mais recente, o também monge Georges Lemaitre descobriu a expansão do Universo,
mas a descoberta até hoje continua sendo atribuída a Edwin Hubble.
Inovação Tecnológica

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