Uma característica universal descoberta em todos os raios cósmicos
A missão internacional de
observação de raios cósmicos revelou uma característica fundamental desses
raios, marcando um grande avanço na compreensão de sua origem.
Os raios cósmicos são compostos principalmente de prótons, mas também contêm núcleos de hélio, carbono, oxigênio e ferro. © Academia Chinesa de Ciências
Um século após sua descoberta, os raios cósmicos — essas partículas extremamente energéticas provenientes dos confins do universo — permanecem um mistério para os cientistas. O telescópio espacial DAMPE ( Dark Matter Particle Explorer ) está investigando esse fenômeno, explorando particularmente o papel que a matéria escura pode desempenhar em sua formação.
Esta missão internacional, que
inclui a Universidade de Genebra (UNIGE), alcançou um importante avanço ao
destacar uma característica universal desses raios. Os resultados foram
publicados na revista Nature .
Os raios cósmicos são as
partículas mais energéticas observadas no universo, superando em muito a
energia das partículas produzidas por aceleradores artificiais na Terra. Sua
origem exata ainda está sendo estudada, e acredita-se que se originem de fenômenos
astrofísicos extremos, como supernovas, jatos de buracos negros ou pulsares.
O telescópio espacial DAMPE,
lançado em dezembro de 2015, deverá fornecer respostas sobre a origem e a
natureza dos raios cósmicos. Esta missão espacial, para a qual o Grupo de
Física de Astropartículas do Departamento de Física Nuclear e de Partículas (DPNC)
da Universidade de Genebra (UNIGE) é um dos principais colaboradores, anuncia
hoje um avanço crucial.
Graças à análise de medições de
alta precisão coletadas pelo telescópio, os cientistas conseguiram identificar
uma característica universal nos espectros de energia dos núcleos primários dos
raios cósmicos, desde prótons até ferro.
"Os raios cósmicos são
compostos principalmente de prótons, mas também de núcleos de hélio, carbono,
oxigênio e ferro", explica Andrii Tykhonov, professor associado do
Departamento de Física Nuclear e de Partículas da Seção de Física da Faculdade
de Ciências da Universidade de Genebra (UNIGE) e coautor do estudo.
"Esses raios também se
distribuem de acordo com sua energia: baixa, até alguns bilhões de
elétron-volts; intermediária, de alguns bilhões a várias centenas de bilhões de
elétron-volts; e alta, a partir de 1 trilhão de elétron-volts."
Esses resultados representam um
passo importante para uma compreensão mais completa da origem dos raios
cósmicos e dos mecanismos que regem sua propagação.
Uma nova característica
comum
Os resultados mostram que, para
todos os núcleos estudados, o número de partículas diminui cada vez mais
rapidamente a partir de um determinado valor. Esse fenômeno é chamado de
"suavização espectral". Normalmente, o número de partículas já diminui
com o aumento da energia, mas, neste caso, essa diminuição torna-se ainda mais
acentuada. Ela ocorre em torno de uma rigidez de aproximadamente 15 teravolts
(TV).
A rigidez de uma partícula mede a
resistência de sua trajetória a um campo magnético. A observação de uma
estrutura comum associada a essa rigidez apoia fortemente os modelos que
explicam como a aceleração e o transporte de raios cósmicos dependem da rigidez
da partícula.
Por outro lado, modelos
alternativos, que sugerem que a energia por nucleon (a energia dividida pelo
número de nucleons na partícula) é um fator chave, são fortemente invalidados
por essas medições, com uma certeza de 99,999%.
A equipe de Genebra desempenhou
um papel central nessa descoberta científica. Em particular, desenvolveu
técnicas avançadas de inteligência artificial para reconstruir eventos
detectados e contribuiu para medições importantes de fluxos de prótons e hélio,
bem como para análises de carbono.
O grupo também liderou o
desenvolvimento de um dos principais subdetectores do DAMPE, o Rastreador de
Silício-Tungstênio (STK), um instrumento essencial para a reconstrução precisa
das trajetórias das partículas e a medição de sua carga.
Esses resultados representam um
passo importante para uma compreensão mais completa da origem dos raios
cósmicos e dos mecanismos que governam sua propagação na Galáxia. Elas fornecem
novas restrições experimentais aos modelos de aceleração em fontes astrofísicas
e ao transporte de partículas no meio interestelar, abrindo assim caminho para
uma descrição mais precisa das populações de partículas de alta energia.
Techno-science.net

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