Buracos negros antigos podem ter sobrevivido a uma era antes do Big Bang

Imagine que alguns dos buracos negros mais antigos do Universo sejam, na verdade, mais velhos que o próprio Big Bang

Conceito de buraco negro – Imagem via NASA 

É isso que sugere um novo estudo da Universidade de Portsmouth, que propõe um modelo diferente para a origem do cosmos.

Em vez de começar com uma explosão única e singular, o Universo poderia ter passado por um “ricochete” cósmico: uma fase de contração que depois inverteu o sentido e começou a se expandir, como observamos hoje. Nesse cenário, estruturas formadas antes dessa transição poderiam ter sobrevivido, funcionando como fósseis cósmicos que carregam informações de uma era anterior à que conhecemos.

O professor Enrique Gaztañaga, autor principal da pesquisa, explica que o modelo tradicional do Big Bang explica muito bem o que vemos, como a radiação cósmica de fundo e a distribuição das galáxias. No entanto, ele deixa perguntas importantes sem resposta: o que causou o Big Bang, o que é a matéria escura (que é cerca de cinco vezes mais abundante que a matéria comum) e o que provocou a rápida expansão inicial chamada inflação.

A ideia do ricochete cósmico oferece uma alternativa natural. Em vez de chegar a uma singularidade de densidade infinita – onde as leis da física que conhecemos param de funcionar “, o Universo atingiria uma densidade extremamente alta, mas finita. Efeitos quânticos gerariam pressão suficiente para interromper o colapso e iniciar a expansão novamente, sem precisar de física exótica nova.

Nesse modelo, alguns buracos negros poderiam ter se formado antes do ricochete e atravessado a transição, permanecendo até hoje. Outros teriam surgido logo depois, ajudados por grandes flutuações de densidade que facilitaram o colapso da matéria. Cálculos indicam que objetos compactos maiores que cerca de 90 metros poderiam sobreviver ao processo.

Esses buracos negros antigos seriam candidatos perfeitos para explicar a matéria escura. Se existirem em quantidade suficiente, poderiam representar grande parte – ou até toda – dessa substância invisível que influencia a formação das galáxias. Além disso, eles ajudariam a entender por que o telescópio James Webb observou estruturas tão grandes e maduras tão cedo no Universo jovem, como os chamados “pontinhos vermelhos”.

O modelo também pode explicar a inflação inicial e a aceleração atual da expansão do Universo, atribuída à energia escura. Para testá-lo, os cientistas buscam ondas gravitacionais remanescentes ou sinais sutis na radiação cósmica de fundo que revelem condições anteriores ao Big Bang.

Ainda há muito trabalho pela frente, mas se essa ideia se confirmar, as estruturas escuras que moldam as galáxias hoje poderiam ser relíquias de uma época que antecedeu o Big Bang. Essa perspectiva conecta vários dos maiores mistérios da cosmologia de forma elegante e natural.

Terrarara.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Desvendando a NGC 3169

Imagem da Terra

Repleto de estrelas

Árvore Celestial Sul

Explorando as Antenas

Pôr-da-Terra

Messier 104

Saturno à noite

Glóbulos de Thackeray

O QUE SÃO: Quasares, Blazares, Pulsares e Magnetares