Mini-universos podem surgir dentro de estrelas
Gravastar em vez de buraco negro
Uma estrela brilha porque os
átomos se fundem em seu interior, liberando energia por esse processo de fusão
nuclear. Quando uma estrela muito massiva esgota seu combustível nuclear, a
pressão da radiação não consegue mais fornecer força contrária suficiente à
gravidade: A estrela então colapsa sob sua própria massa, até que reste apenas
um único ponto: a singularidade, o "coração teórico" de um buraco
negro.
Miniuniverso em expansão pode contrabalançar a matéria em colapso de uma estrela, ficando contido em uma estrutura mais palatável do que um buraco negro. [Imagem: Jampolski/Rezzolla/Goethe University Frankfurt]
Parece uma boa explicação, não
fosse o fato de que, nesse estágio, as leis da física que conhecemos e usamos
para desenhar esse quadro simplesmente deixam de funcionar, tornando impossível
prever o que acontece. Embora a formação de um buraco negro pareça plausível
(veja a reportagem Não, nós não sabemos como são os buracos negros), restam
mais perguntas que respostas: Como dez bilhões de massas solares de uma estrela
tão massiva podem se concentrar em um único ponto minúsculo? Como o
espaço-tempo pode ser curvado infinitamente nesse ponto, a singularidade?
Além disso, os buracos negros
ocultam todas as informações da observação: Tudo, inclusive a luz, desaparece
irremediavelmente além do horizonte de eventos.
Isso deixa muitas possibilidades
em aberto, e foram essas possibilidades que Daniel Jampolski e Luciano
Rezzolla, da Universidade Goethe de Frankfurt, na Alemanha, exploraram agora
estudando as estrelas gravitacionais condensadas, ou gravastars - a palavra é
um acrônimo para Gra(vitational) va(cuum) star, e poderia ser traduzida como
"gravastrela".
Se essa linha de pesquisa estiver
correta, é possível que os buracos negros sejam objetos completamente
diferentes, muito mais simples: Estrelas ultracompactas, que não podem ser
vistas devido à sua intensa gravidade.
Mas a pesquisa da dupla trouxe
outras possibilidades ainda mais interessantes.
Além de "substituir" os buracos negros, as gravastars poderiam parecer uma boneca matryoshka, como se um corpo celeste existisse dentro de outro. [Imagem: Jampolski/Rezzolla/Goethe University Frankfurt]
Miniuniverso
As gravastars são mais fáceis de
aceitar do que os buracos negros porque elas não envolvem nem uma singularidade
e nem um horizonte de eventos e, ainda assim, são quase tão massivas e
compactas quanto os buracos negros. O que permanecia incerto era como essas
gravastars poderiam se formar e permanecer estáveis.
Os dois pesquisadores conseguiram
agora, pela primeira vez, encontrar uma solução dinâmica para as equações de
campo da Relatividade Geral de Albert Einstein, que descrevem o colapso de uma
estrela, podendo levar à formação de uma gravastar.
A solução matemática mostrou que
o colapso de uma estrela massiva pode desencadear a criação de um miniuniverso
dentro da matéria em colapso, não muito diferente do Big Bang do qual o nosso
Universo emergiu, só que em uma escala muito menor. Assim como no caso do nosso
Universo, a expansão do miniuniverso seria impulsionada pela energia escura.
Dessa forma, a expansão do novo Universo contrabalança as forças gravitacionais
e impede o colapso da estrela, antes que um buraco negro possa se formar.
Nesse processo, estabelece-se um
equilíbrio entre o miniuniverso em expansão e a matéria em colapso, e esse
equilíbrio é o que leva à formação de uma gravastar estável.
"Buscar alternativas aos
buracos negros não deve implicar ceticismo em relação a eles, que ainda
representam a solução mais natural e simples para o colapso gravitacional. No
entanto, como cientistas em geral, e como físicos teóricos em particular, é
essencial manter uma abordagem imparcial em relação ao que desconhecemos e,
portanto, explorar tanto o conhecimento aceito quanto as interpretações mais
exóticas. A história nos ensina que não é incomum que estas últimas se tornem
aquelas," considerou Rezzolla.
Inovação Tecnológica


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