Qual é a menor temperatura possível no universo? A física tem uma resposta
Entender temperaturas extremas ajuda a revelar propriedades fundamentais da matéria e do comportamento das partículas.
O valor do zero absoluto é
definido por princípios fundamentais da termodinâmica e da mecânica quântica,
que determinam o menor estado energético possível da matéria.
O Universo abriga alguns dos
ambientes mais extremos conhecidos pela Ciência, incluindo regiões com
temperaturas extremamente baixas. Em grandes vazios intergalácticos, longe de
estrelas e outras fontes de radiação, a quantidade de energia disponível é muito
pequena. Como a temperatura é relacionada à energia das partículas, esses
locais podem atingir valores próximos dos menores permitidos pela Física.
Em escala cosmológica, existe uma
temperatura média associada ao universo conhecida como temperatura da radiação
cósmica de fundo, atualmente em torno de 2,7 Kelvin, cerca de -270.45 ºC. Isso
significa que, mesmo em regiões aparentemente vazias, ainda existe uma pequena
quantidade de energia térmica presente. Curiosamente, laboratórios na Terra
conseguem produzir temperaturas inferiores a essa utilizando técnicas de
resfriamento de átomos.
O limite inferior da temperatura
é conhecido como zero absoluto, correspondente a 0 kelvin ou −273,15 °C.
Segundo as leis da termodinâmica, esse é o menor valor de temperatura
fisicamente possível. À medida que um sistema se aproxima desse limite, a energia
térmica disponível diminui drasticamente e o movimento microscópico das
partículas torna-se mínimo. Entretanto, segundo a Mecânica Quântica, as
partículas nunca ficam completamente paradas e a terceira lei da Termodinâmica
indica que atingir o zero absoluto seria impossível.
Conceito de temperatura
A temperatura é uma grandeza
física que mede o estado energético microscópico de um sistema, relacionada à
energia cinética média das partículas que o compõem. Quanto maior a agitação de
átomos, moléculas ou outras partículas, maior será a temperatura observada. Em
gases, por exemplo, essa agitação está associada à velocidade média das
partículas, enquanto em sólidos está ligada às vibrações da rede cristalina.
A temperatura não mede
diretamente a quantidade total de energia presente em um objeto, mas sim como
essa energia está distribuída entre suas partículas.
Embora frequentemente usados como
sinônimos no cotidiano, temperatura e calor representam conceitos físicos
distintos. A temperatura descreve uma propriedade do sistema, enquanto o calor
corresponde à energia transferida entre corpos devido a uma diferença de
temperatura. Quando dois objetos com temperaturas diferentes entram em contato,
a energia flui do mais quente para o mais frio até que o equilíbrio térmico
seja atingido. Esse fluxo de energia é o que a Física define como calor.
A Nebulosa Boomerang detém o recorde de ambiente natural mais frio conhecido do Universo, com temperaturas próximas de 1 kelvin. Crédito: NASA
O zero absoluto
O zero absoluto é uma temperatura
definida como 0 kelvin, equivalente a −273,15 °C na escala Celsius. À medida
que um sistema é resfriado, sua energia térmica diminui e sua temperatura se
aproxima desse limite extremo. Atualmente, o zero absoluto é utilizado como
referência em pesquisas envolvendo Mecânica Quântica. Trata-se de uma condição
extremamente distante das temperaturas encontradas no cotidiano e na maioria
dos ambientes naturais do universo.
Apesar de o zero absoluto ser um
conceito bem estabelecido teoricamente, nenhum experimento consegue atingir
exatamente essa temperatura. Alguns laboratórios já foram capazes de
aproximar-se dela usando técnicas como resfriamento a laser e armadilhas magnéticas.
Em alguns experimentos, cientistas conseguiram produzir temperaturas de
bilionésimos ou até trilionésimos de kelvin acima do zero absoluto.
Por que esse é o limite?
O zero absoluto é considerado o
limite inferior da temperatura permitido pela Física porque esta grandeza está
associada à energia térmica das partículas de um sistema. À medida que um
material é resfriado, sua energia interna diminui e os movimentos microscópicos
tornam-se cada vez menores. Entretanto, existe um ponto em que não é mais
possível remover energia térmica do sistema sem violar princípios fundamentais
da física. Esse estado corresponde a 0 kelvin, ou −273,15 °C.
O zero absoluto não representa a
ausência completa de matéria ou energia. Ele corresponde ao menor estado
energético que um sistema físico pode alcançar. Mesmo que um sistema pudesse
atingir exatamente o zero absoluto, as partículas não ficariam completamente
imóveis. A Mecânica Quântica prevê a existência da chamada energia de ponto
zero, uma energia residual que permanece presente mesmo no estado fundamental
de um sistema.
Menor temperatura
registrada no Universo
A menor temperatura observada
naturalmente no Universo foi identificada na Nebulosa Boomerang, localizada a
cerca de 5 mil anos-luz da Terra. Essa nebulosa apresenta temperaturas próximas
de 1 kelvin, tornando-se mais fria até mesmo que a radiação cósmica de fundo. O
fenômeno ocorre porque a nebulosa está se expandindo rapidamente, fazendo com
que o gás perca energia por resfriamento adiabático. A Nebulosa Boomerang é
considerada o ambiente natural mais frio conhecido do universo.
Na Terra, a menor temperatura
registrada naturalmente ocorreu na Antártida, o ambiente mais frio da
superfície do planeta. O recorde oficial foi medido na Estação Vostok em julho
de 1983, quando a temperatura do ar atingiu −89,2 °C. Posteriormente, análises
por satélite identificaram regiões na Antártida onde a superfície do gelo
chegou a valores próximos de −98 °C. Ambas as temperaturas estão bem longe do
zero absoluto que é −273,15 em graus Celsius.
Meteored Brasil


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