Quem será o último sobrevivente da Terra? Descubra a resposta surpreendente
Eles parecem saídos de um romance
de ficção científica: pequenos, rechonchudos, com oito patas e uma aparência
quase amigável ao microscópio. No entanto, os tardígrados, ou ursos-d’água, não
são conhecidos por sua aparência. Eles ganharam fama por algo muito mais
notável: a habilidade de sobreviver em condições que destruiriam quase todos os
outros animais conhecidos.
Tardígrados: potenciais últimos sobreviventes da Terra diante de catástrofes cósmicas (Foto: Instagram) © Foto: Instagram
Esses minúsculos seres geralmente
medem menos de 1 milímetro. Habitam ambientes úmidos, como musgos, líquens,
sedimentos marinhos, água doce e até áreas congeladas. Apesar de parecerem
frágeis, são verdadeiros sobreviventes biológicos, capazes de suportar
desidratação extrema, frio intenso, calor, radiação, pressão esmagadora e até o
vácuo do espaço por períodos limitados.
A notoriedade dos tardígrados
aumentou ainda mais após um estudo de 2017 realizado por pesquisadores da
Universidade de Oxford e de Harvard. A pesquisa explorou quais formas de vida
poderiam resistir a grandes catástrofes astrofísicas, como impactos de asteroides,
explosões de supernovas e surtos de raios gama. A conclusão foi surpreendente:
entre os animais conhecidos, os tardígrados são fortes candidatos a sobreviver
até fases muito avançadas da história da Terra.
O segredo dos tardígrados reside
em uma habilidade extraordinária: eles conseguem entrar em um estado de
animação suspensa quando o ambiente se torna hostil. Nesse estado, conhecido
como criptobiose, o organismo praticamente "desliga" suas atividades
metabólicas. Perde quase toda a água do corpo, encolhe e assume uma forma seca
e resistente, chamada de tun.
Neste modo, o tardígrado não vive
como normalmente, mas também não está morto. É como se colocasse sua biologia
em pausa, aguardando melhores condições. Quando volta a ter contato com água e
encontra um ambiente adequado, pode se reidratar e retomar suas funções.
Essa estratégia ajuda a explicar
por que esses animais resistem a cenários tão extremos. Experimentos já
mostraram tardígrados sobrevivendo a temperaturas muito abaixo de zero, calor
intenso por curtos períodos, doses elevadas de radiação e pressões altíssimas.
Também já foram enviados ao espaço, onde alguns resistiram ao vácuo e à
radiação solar direta por tempo limitado.
Isso não significa que eles sejam
imortais. A resistência depende da espécie, do tempo de exposição, da
intensidade do estresse e das condições do experimento. Ainda assim, comparados
à maioria dos animais, eles parecem seguir um manual de sobrevivência diferente.
O estudo de 2017 não buscou
prever qual indivíduo específico seria o último ser vivo do planeta. A questão
era mais ampla: que tipo de organismo teria mais chance de sobreviver a eventos
cósmicos capazes de causar extinções em massa?
Os pesquisadores analisaram três
ameaças principais. A primeira foi o impacto de grandes asteroides. A segunda,
a explosão de uma supernova relativamente próxima. A terceira, uma explosão de
raios gama, um dos eventos mais energéticos do Universo.
Para eliminar completamente os
tardígrados, não bastaria destruir cidades, florestas ou civilizações. Seria
necessário ferver os oceanos da Terra, removendo a água líquida indispensável
para sua recuperação. O estudo indicou que eventos capazes de fazer isso são
extremamente improváveis nas condições atuais do Sistema Solar.
É por isso que os tardígrados
aparecem como possíveis últimos sobreviventes entre os animais. Eles poderiam
suportar catástrofes que extinguiriam humanos, mamíferos, aves, répteis, peixes
e grande parte da vida complexa. Mesmo em um planeta devastado, alguns poderiam
permanecer em nichos úmidos, profundos ou protegidos, aguardando condições
melhores.
A ideia é desconfortável e
fascinante ao mesmo tempo. Enquanto a humanidade depende de uma faixa ambiental
estreita, com temperatura, oxigênio, alimentos e água em equilíbrio, os
tardígrados conseguem atravessar períodos em que quase tudo parece biologicamente
impossível.
Apesar de sua resistência, os
tardígrados também têm um limite. O inimigo final não seria necessariamente um
asteroide ou uma explosão distante, mas o próprio Sol.
Com o passar de bilhões de anos,
o Sol ficará mais brilhante e mais quente. Esse aumento gradual de energia
deverá alterar profundamente o clima da Terra. Em algum momento, os oceanos
começarão a evaporar em escala global, tornando o planeta cada vez mais hostil
para qualquer forma de vida dependente de água líquida.
Nesse cenário distante, nem mesmo
os tardígrados conseguiriam permanecer ativos. Eles podem sobreviver à falta de
água por longos períodos em estado de dormência, mas precisam de água para
retomar o metabolismo, alimentar-se e se reproduzir. Sem água líquida
disponível em lugar nenhum, o ciclo se encerra.
Por isso, dizer que os
tardígrados serão “os últimos sobreviventes da Terra” é uma forma resumida, e
um pouco dramática, de apresentar a conclusão científica. O mais correto é
dizer que eles estão entre os animais com maior chance de resistir a eventos extremos
que eliminariam quase toda a vida complexa do planeta.
A força dessa história está
justamente na escala. O ser humano construiu cidades, satélites, aceleradores
de partículas e telescópios capazes de observar galáxias distantes. Mas, diante
de certas catástrofes naturais ou cósmicas, talvez quem tenha a melhor
estratégia de sobrevivência seja uma criatura quase invisível, escondida em
musgos e gotas d’água.
Os tardígrados lembram que a vida
nem sempre vence pela força, pelo tamanho ou pela inteligência. Às vezes, vence
pela paciência microscópica, pela capacidade de esperar e pela estranha arte de
quase desaparecer sem deixar de existir.
Msn.com

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