Um novo mapa revela os campos magnéticos do universo com detalhes inéditos
Os campos magnéticos são uma
parte essencial do universo
CSIRO/Alec Thomson et al. (campos magnéticos)/Alex Cherney (foto)/Sam Moorfield (composição)
Eles influenciam o movimento de
partículas minúsculas que, ao longo do tempo, formam planetas, estrelas e até
galáxias inteiras. Embora ainda não saibamos exatamente como esses campos
surgiram, sabemos que eles estão presentes em todos os lugares. A própria Terra
possui um campo magnético que guia bússolas e ajuda aves migratórias em suas
longas viagens.
Com a ajuda de telescópios de
rádio, os astrônomos conseguem “iluminar? esses campos invisíveis usando a luz
que vem de galáxias distantes. Em um estudo recente, publicado na revista
“Publications of the Astronomical Society of Australia”, uma equipe internacional
liderada por pesquisadores australianos criou o maior e mais detalhado mapa de
campos magnéticos cósmicos já produzido. Para isso, utilizaram o ASKAP, um dos
mais avançados telescópios de rádio do mundo, localizado na Austrália
Ocidental.
O problema é que os campos
magnéticos são invisíveis para nós. Para detectá-los, os cientistas observam
como a luz das galáxias distantes se modifica ao atravessar esses campos. A luz
é uma onda de campos elétricos e magnéticos, e ao passar por uma região
magnética, sua direção de vibração (polarização) é alterada. Telescópios de
rádio captam essa mudança de polarização e, com muitas medições, é possível
construir um mapa do magnetismo cósmico.
Austrália sempre esteve na
vanguarda dessa pesquisa. Já em 1962, o telescópio Parkes detectou pela
primeira vez essa torção na polarização da luz causada por campos magnéticos
fora da Terra. Desde então, os astrônomos buscam mais fontes de luz para refinar
esses mapas. O último grande mapa havia sido feito em 2009, e por quase duas
décadas não houve algo comparável, o que limitava o avanço das pesquisas.
O novo mapa, chamado SPICE-RACS,
representa um grande salto. Ele foi criado a partir de dados de surveys
anteriores que identificaram quase 4 milhões de galáxias distantes. Desses, os
pesquisadores conseguiram usar informações de polarização de cerca de 350 mil
galáxias. O resultado é uma coleção quase dez vezes maior que o mapa anterior
mais completo, revelando estruturas nunca antes vistas com tanta clareza.
No mapa, as cores indicam a
direção dos campos: vermelho para campos apontando em nossa direção e azul para
os que se afastam, como os polos de uma bússola. Grande parte das estruturas
espiraladas e borbulhantes que vemos vem da nossa própria Via Láctea. Nos
detalhes mais finos, aparecem sinais de regiões muito mais distantes do cosmos.
Esse mapa já está sendo usado por
cientistas de todo o mundo e os dados estão disponíveis publicamente. No
futuro, novas versões combinarão ainda mais informações para criar mapas ainda
mais precisos. Além disso, o projeto POSSUM, que continua em andamento, deve
concluir suas observações até 2030 e permitirá olhar ainda mais longe no tempo,
ajudando a entender como os campos magnéticos se formaram e evoluíram desde o
Big Bang.
Essa conquista marca o início de
uma nova era na astronomia. Com telescópios cada vez mais poderosos, como os
que fazem parte do futuro Observatório SKA, poderemos desvendar os mistérios
desses campos invisíveis que moldam o universo que conhecemos.
Terrarara.com.br

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