Uma nova teoria de 7 dimensões pode resolver o paradoxo da informação nos buracos negros
Um dos maiores enigmas da física
moderna, conhecido como o paradoxo da informação nos buracos negros, pode estar
perto de ser resolvido
Esta é uma representação artística de um par de buracos negros ativos no centro de duas galáxias em fusão. Ambos estão rodeados por um disco de acreção de gás quente. Parte do material é ejetado ao longo do eixo de rotação de cada buraco negro. Confinados por poderosos campos magnéticos, os jatos atravessam o espaço quase à velocidade da luz, como feixes de energia devastadores. NASA, ESA, Joseph Olmsted (STScI)
Uma nova pesquisa teórica sugere
que os buracos negros nunca desaparecem completamente, o que preservaria a
informação quântica e ainda ajudaria a explicar a origem da massa das
partículas fundamentais.
Nos anos 1970, o físico Stephen
Hawking demonstrou que os buracos negros não são totalmente negros. Eles emitem
uma radiação fraca que, ao longo de um tempo imenso, faz com que percam energia
e evaporam. Esse processo cria um problema grave: segundo a mecânica quântica,
a informação não pode ser destruída. No entanto, se um buraco negro evapora por
completo, tudo o que caiu nele – incluindo sua informação quântica – parece
desaparecer para sempre, violando um princípio fundamental da física.
Agora, uma equipe liderada por
Richard Pin”ák propõe uma solução baseada em uma visão mais complexa do espaço.
Em um estudo publicado na revista “General Relativity and Gravitation”, os
pesquisadores trabalharam com a teoria de Einstein-Cartan em sete dimensões,
usando uma estrutura matemática chamada variedade G2 com torção. Diferente da
relatividade geral comum, que descreve o espaço-tempo apenas se curvando, essa
abordagem permite que o espaço-tempo também “torça”.
Essa torção gera uma força
repulsiva em densidades extremas, próximas à escala de Planck. Em vez de o
buraco negro colapsar e evaporar até sumir, a força impede o fim do processo. O
resultado é um “resto? estável, um remanescente minúsculo com massa estimada em
cerca de 9 × 10″”¹ kg. Esse remanescente atuaria como um arquivo de memória: a
informação ficaria guardada nas vibrações (modos quase normais) do campo de
torção dentro dele. Um buraco negro com a massa do Sol, por exemplo, poderia
armazenar uma quantidade enorme de qubits, o suficiente para resolver o
paradoxo.
Além disso, a teoria traz uma
explicação elegante para outro grande problema: a massa das partículas. Ao
reduzir as sete dimensões para as quatro que observamos, surge naturalmente a
escala eletrofraca (cerca de 246 GeV), ligada ao campo de Higgs, responsável
por dar massa às partículas elementares. Ou seja, o mesmo mecanismo geométrico
que salva a informação nos buracos negros também pode explicar por que as
partículas têm massa.
As dimensões extras seriam
difíceis de detectar porque as partículas associadas a elas teriam massas
altíssimas, muito além do que o Grande Colisor de Hádrons (LHC) consegue
alcançar. No entanto, a teoria faz previsões testáveis: esses remanescentes de
buracos negros poderiam contribuir para a matéria escura do universo, e
vestígios da geometria de sete dimensões talvez apareçam no fundo cósmico de
micro-ondas ou em ondas gravitacionais primordiais.
Essa abordagem não precisa
reescrever a mecânica quântica. Em vez disso, sugere que a solução está em uma
estrutura mais profunda da realidade, com sete dimensões. Trata-se de uma ideia
promissora que une buracos negros, informação quântica e o Higgs em um único
quadro geométrico elegante.
Terrarara.com.br

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