Como é que a Terra se formou realmente? Um novo estudo levanta dúvidas
Um novo estudo científico estima
que a Terra se formou principalmente a partir do reservatório interno de
materiais do Sistema Solar primitivo.
Será que os materiais que
possibilitaram a formação do nosso planeta provêm realmente de dois
reservatórios distintos, ou apenas do reservatório interno?
Um estudo recente afirma que o
nosso planeta se formou principalmente a partir de materiais provenientes do
reservatório interno do nosso Sistema Solar, em vez de através de um fluxo
maciço proveniente do reservatório externo, como os cientistas acreditavam
anteriormente.
Dois grandes reservatórios
de matéria
De acordo com os estudos
realizados sobre o tema, particularmente aqueles baseados na análise de
meteoritos, o Sistema Solar primitivo não era homogêneo. Na verdade, consistia
em dois reservatórios de matéria distintos e, em grande medida, não misturados:
um reservatório interno, situado perto do Sol, e um reservatório externo,
localizado mais longe e mais rico em elementos voláteis (hidrogénio, carbono,
gases nobres, halogéneos e enxofre).
Embora a questão continue a ser
objeto de estudo contínuo, os cientistas levantam a hipótese de que estes dois
grandes reservatórios de matéria ficaram separados pela formação precoce de
Júpiter, que atuou como uma barreira gravitacional. Consequentemente,
acredita-se que este gigante gasoso impediu a mistura de materiais entre os
discos de matéria interno e externo.
No entanto, se estes dois
reservatórios tiveram uma interação mínima entre si, será realmente correta a
teoria que sugere que a Terra se formou a partir de uma mistura de ambos os
reservatórios através da «acreção de seixos», tal como indicam, de fato, os
modelos recentes? Será que o nosso planeta se formou exclusivamente a partir do
reservatório interno?
Um estudo minucioso
Para responder a esta questão, os
cientistas analisaram meteoritos primitivos (condritas), juntamente com
amostras representativas da composição da Terra. Centraram-se especificamente
nos isótopos de ferro, um dos principais componentes do núcleo terrestre, que
servem como marcadores para distinguir entre os materiais provenientes dos
reservatórios internos e externos do Sistema Solar.
Com efeito, os isótopos de um
mesmo elemento químico diferem na sua massa (mais concretamente, no seu número
de neutrões); diferenças que permitem rastrear a origem dos materiais. Assim,
graças à espectrometria de massa de ultra alta precisão, os cientistas
conseguiram medir variações isotópicas minúsculas e, desta forma, determinar
com exatidão a origem dos materiais em estudo, ao contrário dos métodos
analíticos anteriores, que podiam ignorar estes sinais subtis.
Resultados surpreendentes!
De acordo com os resultados do
estudo, publicados recentemente na revista Nature, a assinatura isotópica da
Terra corresponde quase exclusivamente à do reservatório interno do Sistema
Solar primitivo. Os investigadores não detectaram qualquer vestígio significativo
de contribuição de material proveniente do reservatório externo!
Isto implica que a Terra se
formou de forma mais local do que pensávamos anteriormente: num ambiente
relativamente isolado do resto do cosmos devido à influência gravitacional de
Júpiter.
Consequentemente, a imensa
maioria dos elementos voláteis presentes na Terra (como a água) pode não ter
tido origem na contaminação por um reservatório externo, mas, pelo contrário,
pode ter estado presente desde a própria origem do nosso planeta.
Estas descobertas, portanto,
colocam em causa os mecanismos de formação de planetas terrestres atualmente
aceites pela comunidade científica, bem como o papel do transporte de matéria
no interior dos discos protoplanetários.
Num sentido mais amplo, também
vale a pena questionar se a Terra é representativa dos planetas rochosos em
geral, ou se constitui um caso único no Universo devido a esta falta de
interação entre os dois reservatórios de matéria do nosso Sistema Solar primitivo.
Se conseguirmos responder a esta
pergunta, sem dúvida obteremos uma compreensão mais profunda das condições
necessárias para a formação de exoplanetas habitáveis!
Meteored Brasil

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