Webb estuda galáxia primitiva que parece não girar
Astrónomos, utilizando o Telescópio Espacial James Webb, fizeram uma descoberta surpreendente acerca de uma galáxia que existe há muito, muito tempo e que está muito, muito longe: não está a girar.
Com os instrumentos do Telescópio Espacial James Webb, os astrónomos conseguem medir o movimento da matéria no interior das galáxias menos de dois mil milhões de anos após o Big Bang. Para sua surpresa, os astrónomos descobriram uma galáxia que não está a girar como seria de esperar para essa idade do Universo. Crédito: Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA/CIL/Adriana Manrique Gutierrez
É algo que só se observa nas
galáxias mais massivas e maduras, que estão mais próximas de nós no espaço e no
tempo, afirmou Ben Forrest, investigador científico do Departamento de Física e
Astronomia da Universidade da Califórnia, em Davis, e primeiro autor do artigo
científico publicado a 4 de maio na revista Nature Astronomy.
"Esta em particular não
apresentava quaisquer indícios de rotação, o que foi surpreendente e muito
interessante", afirmou Forrest.
De acordo com as teorias atuais,
à medida que as primeiras galáxias se formaram, o momento angular proveniente
do gás em queda e a influência da gravidade fizeram com que elas começassem a
girar.
Ao longo de milhares de milhões
de anos, algumas galáxias, especialmente aquelas dentro de enxames de galáxias,
fundiram-se umas com as outras várias vezes e as suas rotações combinadas
somaram-se ou anularam-se parcialmente umas às outras. É por isso que algumas
galáxias que estão mais próximas da Terra (e, portanto, também relativamente
recentes) podem apresentar pouca rotação global, mas muito movimento aleatório
de estrelas no seu interior.
Este processo deveria demorar
muito, muito tempo, pelo que é surpreendente que a galáxia XMM-VID1-2075
tivesse atingido este estado quando o Universo tinha menos de 2 mil milhões de
anos.
Forrest e os seus colegas do
levantamento MAGAZ3NE (Massive Ancient Galaxies at z>3 NEar-Infrared) já
tinham observado anteriormente esta galáxia com o Observatório W.M. Keck, no
Hawaii.
"Observações anteriores do
MAGAZ3NE tinham confirmado que esta era uma das galáxias mais massivas do
Universo primitivo, com várias vezes o número de estrelas da nossa Via Láctea,
e também confirmaram que já não estava a formar novas estrelas, tornando-a um
alvo atraente para observações de acompanhamento", disse Forrest.
Empurrando a fronteira
A equipa utilizou o Telescópio
Espacial James Webb para observar mais atentamente a galáxia XMM-VID1-2075 e
outras duas de idade semelhante. Conseguiram medir o movimento relativo da
matéria no seu interior.
"Este tipo de trabalho tem
sido realizado com muitas galáxias próximas, porque estão mais perto e parecem
maiores, pelo que é possível realizar estes estudos a partir do solo, mas é
muito difícil fazê-lo com galáxias com um grande desvio para o vermelho, uma
vez que parecem muito mais pequenas no céu", afirmou Forrest. "O
James Webb está realmente a empurrar a fronteira deste tipo de estudos".
A ausência de contraste de cor na imagem de XMM-VID1-2075 (painel da esquerda) revela uma ausência de movimento de rotação em comparação com as outras duas galáxias (centro e direita). Crédito: Forrest et al., 2026
Das três galáxias que analisaram,
uma está claramente a girar, outra está "um pouco desorganizada" e a
terceira não tem rotação, mas sim muito movimento aleatório, disse Forrest.
"Isso é consistente com algumas das galáxias mais massivas do Universo
local, mas foi um pouco surpreendente encontrá-la tão cedo".
Como é que esta galáxia se tornou
uma "galáxia de rotação lenta" em menos de 2 mil milhões de anos? Uma
possibilidade é que seja o resultado não de múltiplas fusões, mas de uma única
colisão entre duas galáxias a girar praticamente em direções opostas. Essa
ideia é apoiada pelas observações da equipe.
"Para esta galáxia em
particular, vemos um grande excesso de luz na lateral. E isso sugere a
existência de algum outro objeto que entrou e está a interagir com o sistema,
podendo potencialmente alterar a sua dinâmica", disse Forrest.
Os astrónomos continuam à procura
de outros objetos semelhantes no Universo primitivo. Ao compararem as suas
observações com simulações, conseguem testar teorias sobre a formação das
galáxias.
"Existem algumas simulações
que preveem que haverá um número muito reduzido destas galáxias não giratórias
numa fase muito inicial do Universo, mas esperam que sejam bastante raras. E,
por isso, esta é uma forma de testarmos estas simulações e de percebermos
realmente quão comuns são, o que nos pode então dar informações sobre se as
nossas teorias sobre esta evolução estão corretas", afirmou Forrest.
Astronomia OnLine


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